Memória
Contradição da objetivação:
A memória seletiva ignora a contradição porque o objetivo final não é a verdade dos fatos, mas a eficácia do efeito pretendido sobre a audiência daquele momento específico.
“... Ultimamente ando com a memória perfeitamente complexa.
Jamais esqueço daqueles me dão carinho sempre se lembrando de mim e daqueles que se esquecem de mim ou fingem esquecer?!...Bom quem, é mesmo estas pessoas? Ai ai ai perdoa eu disse que minha memória está complexada”
Feliz Natal!!!
—By Coelhinha
A gente pode chamar de memória seletiva quando a pessoa não tem a razoabilidade de assumir que mudou de opinião.
Nas dobras invisíveis da memória, onde datas se fundem a tamareiras douradas, um eco de encontros desfez-se em pó. Palavras inglesas pairam como fantasmas: date, um instante capturado; date, um laço efêmero de peles e olhares; date, a polpa doce que escorre entre dedos esquecidos. O abstrato devora o linear, tecendo fios de um novelo sem fim, onde o romântico se perde em desertos de silêncios.
Sombras dançam em relógios parados, namorando o vazio com passos tortos. Corpos se inclinam para o nada, inventando amores de névoa, frutas que não caem, calendários que se desfazem em confetes de ontem. O humano reside no rompante, na frase que se quebra como vidro fino, no pulsar irregular de um coração que ignora o tempo. É o caos que respira, o tropeço que encanta, o desalinho que pulsa vivo.
Entre curvas de sentido ausente, a alma se desdobra – não em mapas precisos, mas em rios que correm para lugar nenhum. Desconexo como o sonho acordado, abstrato como o vento em folhas mortas. Humano, porque sangra nas bordas, sonha nos vãos e persiste no eco das ausências.
Chovia devagar, como se o céu quisesse tocar a memória sem machucá-la. Sobre a mesa da varanda, uma flor de plástico enfrentava a chuva com sua beleza imóvel: perfeita por fora, incapaz de sentir por dentro. Ao lado dela, havia uma ampulheta de sal, derramando grãos úmidos como se o tempo, naquela tarde, tivesse aprendido a se dissolver.
Dentro de casa, o espelho como um portal devolvia mais do que um reflexo. Quem o olhasse com calma via passagens para versões antigas de si mesmo, para ausências ainda acesas, para afetos que nunca souberam ir embora. E, acima do telhado, a estrela parecia vigiar tudo em silêncio, como uma testemunha paciente das coisas que só o coração entende.
Então veio a compreensão: viver é isso. Ser, ao mesmo tempo, chuva e permanência, delicadeza e artifício. Somos também um mar em que a água é doce, vasto e contraditório, onde a dor e a ternura se misturam sem pedir explicação, e mesmo assim fazem sentido. Porque a alma humana floresce quando aceita o impossível e aprende, com humildade, a morar no mistério.
Guardo nossa história em uma caixa de veludo na memória. Não volta mais, eu sei, mas o brilho do que fomos ainda ilumina os meus dias mais cinzentos.
O meu coração não te reconheceu pelo rosto, mas pela memória de todas as outras vidas em que eu já te amei.
Nada supera a memória daquela tarde na praça em frente ao Palácio das princesas: você toda tímida, esse seu olhar doce e aquele beijo marcante que a gente deu. Você não sai do meu pensamento."
Amar de verdade é consentir em ser o esquecimento de quem foi a nossa maior memória. É entender que o desfecho não anula o que foi vivido; o amor legítimo não exige permanência, ele se transforma na renúncia absoluta de quem prefere ver o outro voar em céus alheios a trancá-lo na gaiola da nossa própria solidão.
O bom de ter uma ótima memória é poder guardar cada detalhe seu; o tempo pode até passar, mas apagar o seu rosto e o som da sua voz é a única coisa que a minha alma não sabe fazer.
1984 📜 "Gosto tanto de histórias ou "causos", que a maioria eu guardo na memória (para citar com rapidez). Uma delas envolve aquele famoso escritor português, quando indagado, por um brasileiro, sobre o que achava do sotaque dos portugueses, respondeu 'na lata': Que sotaque? O idioma é nosso. Quem tem sotaque são vocês, brasileiros' "
Sombras
Efeitos da ofensas
sobre a memória,
e os sentimentos,
silenciosos tormentos.
...
Feitiços
Para o bem ou para o mal,
eles dependem da sua devoção
e são passados
de geração em geração,
Você pode mudar
o seu destino ou não,
tudo dependerá da poção
de encantamento ou maldição.
...
Máscaras
Algumas são invisíveis,
outras não,
Dependen inteiramente
de como você as vê
com a mente ou com o coração.
(O eterno etéreo antifaz)...
