Memória
O Paradoxo de Te Esquecer.
Eis a armadilha:
para expulsar você da memória,
preciso primeiro encontrá-la.
Preciso lembrar do teu rosto
para dizer a mim mesmo
que não quero mais lembrá-lo.
Preciso pronunciar teu nome por dentro
para ordenar ao cérebro
que pare de chamá-lo.
Quanto mais tento apagar você,
mais desenho os teus contornos.
Quanto mais digo
“não vou pensar nela”,
mais o pensamento pergunta:
“nela, quem?”
E então você volta.
Porque esquecer exige lembrar
exatamente aquilo
que se deseja esquecer.
Talvez seja esse o paradoxo:
você já não precisa estar comigo
para continuar presente.
Basta que eu tente te esquecer.
Porque, enquanto eu lutar contra a lembrança,
ela continuará tendo teu nome.
E talvez o verdadeiro esquecimento
não aconteça quando eu finalmente disser:
“Eu te esqueci.”
Talvez aconteça em um dia qualquer,
quando o sol nascer,
a vida seguir,
e eu simplesmente não perceber
que passei o dia inteiro
sem tentar esquecer você.
Porque nesse dia, enfim,
para te esquecer,
eu não precisarei mais
pensar em você.
A memória não se refere ao passado, pois esse não existe, é uma ilusão. Só podemos nos fiar no momento e na nossa pequena bagagem.
A memória é as emoções. Quanto mais repetimos mais chance temos de encontrar uma resposta emocional, mais chance temos de lembrarmo-nos. Assim, com o tempo, tudo será lembrado.
As Cinzas da Memória
Há memórias que repousam nos livros.
Outras recusam o papel e preferem morar no coração.
Quando caminho pelas páginas da História, não encontro apenas datas, batalhas ou decretos. Encontro passos descalços sobre a terra quente. Escuto correntes que ainda tilintam dentro da consciência humana. Vejo mãos rachadas pelo trabalho erguendo a riqueza de um mundo que jamais lhes pertenceu.
O café perfumava as mesas dos poderosos.
O cacau adoçava os paladares da abundância.
A cana oferecia sua doçura aos mercados do mundo.
Mas, antes de tudo isso, havia o sal invisível das lágrimas.
Cada grão colhido escondia um nome esquecido.
Cada campo verde carregava um sofrimento que a paisagem insistia em ocultar.
A História costuma celebrar os vencedores.
Eu prefiro escutar os vencidos!!
Porque são eles que ensinam o verdadeiro preço da dignidade.
Às vezes me pergunto quantas estradas foram abertas por pés acorrentados. Quantas igrejas foram erguidas por mãos que nunca puderam escolher onde rezar. Quantas casas senhoriais foram construídas sobre sonhos que jamais conheceram um amanhecer de liberdade.
E, então, compreendo que o tempo não enterra todas as injustiças.
Algumas permanecem vivas.
Mudam apenas de roupa.
Hoje já não ouvimos o estalar do chicote com a mesma frequência, mas ainda existem palavras que ferem como açoites, salários que aprisionam, preconceitos que acorrentam e indiferenças que condenam pessoas a uma existência sem voz.
As correntes aprenderam a esconder-se.
Por isso se tornaram mais difíceis de romper.
Penso naqueles que incendiaram os canaviais.
Talvez não desejassem destruir plantações.
Talvez quisessem iluminar a noite para que alguém, finalmente, enxergasse sua dor.
O fogo era um idioma.
Era a linguagem desesperada de quem descobriu que o silêncio protege mais os opressores do que os oprimidos.
Penso também nos que fugiram pelas matas.
Cada passo era uma oração.
Cada rio atravessado era um pequeno batismo em direção à esperança.
Cada quilômetro percorrido dizia ao mundo que viver de joelhos nunca foi o destino da alma humana.
Muitos morreram.
Mas há mortes que fracassam.
Porque a liberdade possui uma estranha capacidade de sobreviver até mesmo aos túmulos.
Ela continua caminhando na memória dos filhos, dos netos e de todos aqueles que recusam esquecer.
Talvez seja por isso que essas histórias me façam chorar.
Não são lágrimas de quem observa um passado distante.
São lágrimas de quem reconhece que a dor do outro também lhe pertence.
A humanidade é um único corpo.
Quando uma parte sangra, todas as outras deveriam sentir.
O problema é que aprendemos a admirar monumentos, mas esquecemos de ouvir os ecos que ainda saem das senzalas.
Enquanto houver um ser humano tratado como instrumento, enquanto houver quem seja reduzido à cor da pele, ao dinheiro que possui ou ao lugar onde nasceu, a escravidão continuará mudando de nome para não ser reconhecida.
Por isso, olho para a História não para alimentar ódio, mas para impedir o esquecimento.
O ódio reproduz os grilhões.
A memória os quebra.
A compaixão impede que sejam forjados novamente.
E acredito que Deus, silencioso como quem contempla os séculos, não pergunta quantos impérios construímos.
Pergunta quantas correntes tivemos a coragem de romper.
No fim, descubro que essa história também é minha.
Não porque tenha sentido o peso do ferro nos pulsos, mas porque carrego a responsabilidade de não permitir que a dignidade humana seja novamente colocada à venda.
A verdadeira civilização não será lembrada pelos palácios que ergueu, nem pelas riquezas que acumulou.
Será lembrada pelo dia em que nenhuma pessoa precisou fugir para provar que nasceu livre.
Ps. Acredito que toda grande nação precisa aprender a olhar para sua própria história sem negar suas feridas. A memória não existe para alimentar ressentimentos, mas para cultivar justiça, compaixão e responsabilidade. Quando damos voz aos que foram silenciados, ajudamos a construir um futuro em que a liberdade deixe de ser um privilégio e seja, de fato, um direito de todos.
A potência intelectual depende da memória. Quando a tecnologia pensa por você, o cérebro para de trabalhar.
O preconceito é virtude da floresta negra...
Somos filhos de um mundo sem luz.
Calida memória fruto de um mundo desconhecido.
Amei intensamente como uma estrela cadente que passou ...hoje sou apenas um instante na memória de quem me teve e não aproveitou ... eu era ,eu fui ,eu ainda sou ... mas vc não merece ... então acabou ... fim... ja era ...
A ausência de lembranças é um triste vazio. A memória é o elo entre o passado e o presente, entre o corpo e a alma, entre o vivido e o sonhado.
(Tostão)
A melhor história
De Glória
É o da memória
Que traz a trajetória
Da sua própria evolução
Compreendendo toda criação
E Deus sobre toda razão
Mourão não passa de um general, cria da opressão! Memória viva da ditadura morta, um falso patriota! Fraquejada do totalitarismo!
Mourão é a memória viva da ditadura morta, destruidora de sonhos e criadora de pesadelos! Freddy Krueger tupiniquim!
Guardei o teu sorriso na memória como quem fotografa o pôr do sol mais bonito da estação. Olhar para você é como contemplar a imensidão do mar lá do alto do mirante: traz um misto de calmaria, vertigem e a certeza de que a vida é bonita demais quando compartilhada. Que o nosso amor continue assim, firme como as rochas e infinito como o horizonte que a gente costuma admirar em silêncio.
DeBrunoParaCarla
É a possibilidade do fim que transforma um encontro em memória, uma palavra em legado e uma escolha em responsabilidade.
"Muitos sobem sozinhos, mas ninguém se mantém no topo sem a memória de quem estendeu a mão na subida."
“Eu não carrego ódio, eu carrego memória — e memória é o tipo de fogo que não se apaga com desculpas.”
"Um dia seu nome será apenas memória no vento das ruas…
mas suas atitudes continuarão caminhando invisíveis,
como passos que o tempo nunca conseguiu apagar.”
