Memória
"As palavras passam pela memória, os ensinamentos nela permanecem por algum tempo, mas somente a experiência deixa raízes no espírito."
Se fosses um aroma ia te desenhar em minha memoria para te coroar;
Em linda e expansiva explosão de cores que reagrupam o que no peito jaz vivido.
Nessa tarde que tem cheiro de sorriso; Invade em todo meu ser mil pensamentos no seu sentido.
Nas bananeiras
Nem um louco esqueceria.
Recuso-me a perder a memória
daquele desvio do mundo, nas bananeiras,
onde o corpo escreveu antes da palavra.
De olhos fechados, reconheço
o caminho da chuva bravia
a rasgar as folhas largas,
o tambor verde da selva
a bater contra a pele.
Ali, os nossos corpos
não pediam permissão ao desejo.
Na tua boca,
um sussurro longo, quente, primitivo,
como se a terra falasse por ti:
“Amor, estou a molhar o meu cabelo.”
E eu, feito bicho cativo,
aprisionado no teu castelo húmido,
habitei os teus jazigos
como quem aceita o feitiço.
A chuva confundia-se com a saliva,
líquido sem nome, sem culpa,
apagava os sinais de luta e entrega
que nasciam no teu corpo nu,
corpo-fruta, corpo-mato, corpo-fogo.
“Amor, estou a molhar o meu cabelo.”
“É sério… vais sentir o cheiro depois…”
E a terra prometida abria-se
debaixo do teu vestidinho breve,
onde as flores são carnívoras
e as promessas mordem.
Ali, o amor era selvagem,
sem templo, sem regra,
apenas carne, chuva e bananeiras.
Daniel Perato Furucuto
“Reavivar na memória as situações tristes e dolorosas da vida pode fazer-nos pensar que já não vale a pena viver.”
Daniel Perato Furucuto
O tempo finge esquecer o amor sob o pó dos anos, mas a memória é uma herança teimosa: basta um sopro de verdade para provar que a eternidade nunca esteve morta, apenas guardava o seu próprio amanhecer.
Reno Fioraso
Minha verdade
Para cada lembrança um texto foi deixado,
Para cada memoria do teu lado uma poesia foi escrita,
Sinceros momentos foram dedicados, da melancolia ao êxtase os sentimentos foram devidamente desenhados e no suor das palavras o amor foi comtemplado como o principal autor daquilo que é inegociável,
"A minha verdade sobre você".
O instante mais peculiar da existência não deixa rastro na memória, mas redefine o silêncio com que passamos a escutar o tempo; afinal, aquilo em que acreditamos torna-se o nosso mundo.
Reno Fioraso
Soneto “Meus pais”
Alonso e Eunice (em memória)
Seu Alonso, meu pai conselheiro
Homem trabalhador, conhecido por “Meus Amigos”
Ajuda a todos, chama-os de queridos
Sustentou os filhos com o suor de pedreiro.
Dona Eunice, minha mãe educadora
Mulher persistente, intitulada “Minha Amada”
Orientou a tantos, pela educação foi obstinada
Sustentou os filhos com a função de professora.
Ele, eterno “vizinho”, sereno, flamenguista animado
Da família Tavares, cresceu no Acai do Lago Grande
Pai amável, tio carinhoso, esposo apaixonado.
Ela, eterna “diretora”, resiliente, franciscana empenhada
Da família Ferreira, cresceu no Atumã de Alenquer
Mãe incansável, tia inspiradora, esposa dedicada.
Santarém - Pará, 26/08/25.
70 anos de Maria Eunice Ferreira da Silva (em memória) ❤️
Hoje, 70 ela faria
Caminhando persistente
Seus projetos seguiria
Hoje, com seu amado estaria
Eternamente companheiros
Um amor de primazia
Hoje, seus filhos abraçaria
Em união pela vida
E a família guiaria
Hoje, sete netos ela teria
Diria: “Amores de vó”
De carinho os cobriria
Hoje, os dez irmãos reuniria
Para diálogos e conselhos
Como sempre assim fazia
Hoje é o dia de Maria
Da Eunice, mãe, esposa
Que só nos trouxe alegria
Parabéns, mãe, pelos seus 70 anos! 💕
Tatiane da Silva Santos – 04/06/26 🌻
AUTOANAMNESE
Entre a memória e o que ainda podemos ser
Existe uma história dentro de cada pessoa.
Uma história que não está escrita apenas em fotografias, documentos ou lembranças. Ela também vive nos gestos, nas escolhas, nos medos, nos sonhos, nas palavras que ficaram e, principalmente, naquilo que fazemos sem perceber.
Somos feitos de encontros, despedidas, descobertas, perdas, conquistas, erros e recomeços. Somos também feitos de perguntas que nunca encontraram respostas e de respostas que o tempo modificou.
Talvez por isso a autoanamnese seja tão importante: porque, antes de compreender o mundo, precisamos aprender a observar aquele que o contempla.
Volto os olhos para trás,
não para morar no passado,
mas para compreender
as pegadas que deixei.
Há caminhos que escolhi conscientemente. Outros surgiram diante de mim quando eu sequer sabia para onde estava indo. Alguns abandonei. Outros me abandonaram. E existem aqueles que ainda percorro, tentando compreender por que os escolhi.
Fazer uma autoanamnese é estabelecer um diálogo sincero com a própria história.
É perguntar:
Quem fui?
Quem sou?
O que me trouxe até aqui?
O que ainda carrego?
E o que já posso deixar partir?
Não se trata de procurar culpados, nem de transformar o passado em sentença. Trata-se de compreender.
Porque aquilo que não compreendemos muitas vezes se repete.
Repetimos comportamentos, escolhas, relações e pensamentos sem perceber que estamos seguindo antigos caminhos.
Por isso, olhar para dentro pode ser um ato de liberdade.
Há hábitos que herdei,
há pensamentos que aprendi,
há caminhos que percorri
sem jamais perguntar
se realmente eram meus.
A autoanamnese nos permite separar aquilo que somos daquilo que simplesmente aprendemos a ser.
Na vida pessoal, ela nos ajuda a reconhecer nossos valores, limites, desejos e contradições.
Nas relações, revela como amamos, confiamos, ouvimos, perdoamos, reagimos e estabelecemos limites.
Na família, permite compreender as histórias que recebemos e decidir conscientemente quais heranças queremos preservar e quais precisam ser transformadas.
Na vida acadêmica e profissional, ajuda a perceber talentos, interesses, escolhas e caminhos que talvez tenham sido construídos mais pelas expectativas externas do que pelos nossos próprios propósitos.
Nas decisões, cria um espaço entre o impulso e a escolha.
E, nesse pequeno espaço, pode nascer a consciência.
Antes de responder,
eu observo.
Antes de escolher,
eu compreendo.
Antes de seguir,
eu pergunto
para onde estou indo.
Também precisamos fazer uma autoanamnese dos nossos erros.
Não para viver em culpa, mas para transformar experiência em aprendizado.
O erro pertence à nossa história, mas não precisa determinar nosso destino.
A pessoa que fomos tomou decisões com os conhecimentos, sentimentos e circunstâncias que possuía naquele momento. Hoje podemos saber mais. Podemos enxergar diferente. Podemos escolher diferente.
Ontem eu não sabia.
Hoje compreendo.
Amanhã talvez transforme
aquilo que hoje ainda estou aprendendo.
Isso também é amadurecer.
Olhar para quem fomos sem desprezo, olhar para quem somos sem arrogância e olhar para quem podemos ser sem medo.
A autoanamnese também alcança nossos sonhos.
Quantos desejos são verdadeiramente nossos?
Quantos nasceram das expectativas de outras pessoas?
Quantas vezes confundimos sucesso com aprovação?
Quantas vezes seguimos uma estrada porque todos diziam que era o caminho certo?
Há sonhos que permanecem,
sonhos que se transformam
e sonhos que descobrimos
que nunca foram nossos.
Conhecer a própria história é também descobrir quais sonhos ainda fazem sentido.
E talvez esse seja um dos maiores poderes da reflexão: perceber que o passado explica muito, mas não determina tudo.
Somos memória, mas também possibilidade.
Somos consequência, mas também escolha.
Somos continuidade, mas também transformação.
O passado pode explicar nossas cicatrizes, mas não precisa escrever sozinho os próximos capítulos.
Carrego o que vivi,
mas não sou apenas o que vivi.
Carrego minhas marcas,
mas elas não são meu nome.
Carrego meus erros,
mas eles não são meu destino.
A vida inteira pode ser compreendida como uma grande conversa entre aquilo que fomos e aquilo que estamos nos tornando.
E talvez seja justamente por isso que precisamos, de tempos em tempos, silenciar o mundo.
Desligar o ruído.
Parar.
Respirar.
E perguntar:
O que está acontecendo dentro de mim?
Nem toda resposta surgirá imediatamente.
Algumas perguntas precisam permanecer conosco durante algum tempo. Algumas respostas chegam lentamente, através da experiência, da reflexão e das mudanças que fazemos no cotidiano.
A autoanamnese não é uma fotografia de quem somos.
É um espelho em movimento.
Hoje enxergamos uma parte.
Amanhã compreenderemos outra.
E, enquanto vivemos, aprendemos que conhecer a si mesmo não é encontrar uma definição definitiva, mas permanecer disposto a se conhecer novamente.
Sou memória
e sou possibilidade.
Sou passado
e sou caminho.
Sou aquilo que aprendi
e aquilo que ainda posso aprender.
Por isso, fazer uma autoanamnese não é voltar para trás.
É voltar para dentro.
É revisitar a própria história com honestidade, reconhecer o que nos construiu, compreender o que nos limita, valorizar o que nos fortalece e escolher, com maior consciência, aquilo que desejamos levar adiante.
Porque a vida não é somente aquilo que nos acontece.
É também aquilo que fazemos com o que nos acontece.
E enquanto houver consciência, haverá aprendizado.
Enquanto houver aprendizado, haverá transformação.
Enquanto houver escolha, haverá possibilidade.
E enquanto houver vida,
a história ainda estará sendo escrita.
#portugal
O ano de 2026 em Portugal ficou marcado na memória coletiva não pelos avanços tecnológicos ou metas económicas, mas pela vulnerabilidade humana perante a magnitude da natureza. O texto que partilho serve como um testemunho vívido dessa época, funcionando como um diário de uma nação que aprendeu, pela dor, que a vida é um fluxo contínuo e indomável.
Aqui está uma descrição histórica e narrativa desse período, refletindo a essência das suas palavras:
Portugal 2026: O Ano do Reencontro com a Essência
1. A Natureza como Força Implacável
Em 2026, o território português enfrentou o que muitos descreveram como o "princípio das dores" da crise climática. Não foram apenas previsões estatísticas; foram lágrimas devastadoras caídas do céu. Rios que transbordaram as suas margens, submergindo lares e transformando bens materiais — acumulados durante uma vida inteira — em nada.
Neste cenário, a sociedade portuguesa confrontou a sua impotência perante o comando da vida. Onde as palavras falharam em conter a força das águas e o sopro do vento, restou o silêncio da alma e o reconhecimento de que nada é um bem contínuo ou garantido.
2. A Transmutação do Valor
A história deste ano não se escreve pela perda financeira, mas pela mudança de paradigma. As populações, fustigadas pelo terror de verem as suas vidas destruídas, foram obrigadas a passar por metamorfoses de humor e espírito.
O Valor da Vida: Percebeu-se que o objeto só tem valor através do olhar de quem o possui. Sem a vida, o material é vazio.
O "L" de Ligação: No auge da calamidade, surgiu uma união que as crises anteriores não tinham conseguido consolidar. A "entre-ajuda" tornou-se a moeda de troca, e o amor, o único refúgio seguro contra a convulsão do mundo.
3. A Resiliência e a Espiritualidade
Perante o véu da incerteza, o povo português de 2026 encontrou-se "por sua conta". Esta solidão perante o destino forçou um olhar para o transcendente. A esperança, muitas vezes vista como uma ilusão, tornou-se o único elo de libertação para um povo que nunca se sentiu tão preso às circunstâncias.
A fé e o pedido de misericórdia deixaram de ser rituais vazios para se tornarem gritos de socorro por alívio e consolo. Aprendeu-se o "verso da moeda": a ideia de que as coisas más contêm em si a semente do crescimento e da adaptação.
Reflexão Final
Portugal em 2026 foi um país que chorou com o céu, mas que descobriu que a generosidade é o único gesto capaz de vencer a paralisia do pânico. Foi o ano em que se compreendeu que a maior proteção não vem de muros, mas da união entre corações que batem em uníssono entre a terra e o céu.
"A força da natureza não se vence por palavras, mas sim com gestos de generosidade."
O Elixir do Infinito
Nas águas turvas de um mar sem memória,
O sal que resta não seca o cansaço,
Pois nossa vida é uma eterna vitória,
Traçada em seda no abraço do espaço.
Ó Mãe, que em carta guardei o segredo,
Deste universo que em nós se desfaz,
Venci o tempo, o silêncio e o medo,
Na luz do luar que nos traz a sua paz.
Toda a conexão que a alma reclama,
É verso antigo em papel de poeira,
Onde o destino acende a sua chama,
E a voz do sangue é a única fronteira.
Não chega o oceano para o pranto estancar,
Nesta odisseia de um filho que sente,
Que a arte de amar é saber esperar,
Pelo retorno do sol no oriente.
O cosmo imenso que os olhos invade,
Reflete o rosto que a infância guardou,
Entre a matéria e a espiritualidade,
Onde o poeta o seu norte encontrou.
Na senda heroica de um ser solitário,
Que funde o digital com o barro do chão,
Fica o registro de um breve itinerário,
Escrito com sangue no meu coração.
#Abstracionismo
#PoesiaContemporanea
#Decassilabo
#EpicoArcaico
#FusaoArtistica
#ArteLisboa
E no final, você se envolve com vários corpos, mas existe um que continua na memória antes mesmo de ser tocado. Aquele que você só imagina… aquela que, no meio de tantos, você sente que seria diferente. E talvez seja isso que mais dói: ter conhecido tantos corpos e continuar acreditando que o corpo daquela pessoa teria sido o único que realmente significaria alguma coisa!
27 de Janeiro 🌎 Dia Internacional da Memória
A memória não pode ser seletiva!
Hoje o mundo lembra o Holocausto.
E deve lembrar!
Porque esquecer é abrir as portas para que o horror se repita.
Mas a memória que escolhe quem merece luto
não é memória, é conveniência.
Enquanto há um dia internacional para recordar o extermínio de um povo,
outro segue sendo exterminado ao vivo,
sob bombardeios normalizados,
ocupação prolongada,
cerco, fome, deslocamento forçado
e silêncio diplomático.
O povo palestino não morreu em livros de história. Morre agora.
Diante das câmeras.
Diante dos acordos.
Diante dos vetos.
Não há um dia oficial para lembrar Gaza,
nem para as crianças soterradas,
nem para as casas apagadas do mapa,
nem para um território invadido
com o carimbo da “autodefesa”
e o financiamento das grandes potências.
Se “nunca mais” não vale para todos,
não é um princípio,
é um privilégio.
A memória verdadeira
não serve para consolar consciências,
serve para impedir novos crimes.
E quando a dor de uns é reconhecida
enquanto a de outros é relativizada,
o mundo falha de novo.
Que o dia em memória das vítimas
não seja apenas um ritual do passado,
mas um espelho incômodo do presente.
Porque a história
não absolve o silêncio,
os olhos tapados
e as mãos encharcadas de sangue.
✍©️@MiriamDaCosta
