Memória

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Às vezes
necessito retornar
entre os campos verdejantes
da memória daquela menina


que atraversava o deserto árido
inalando as flores
e colhendo seus olores


para empregnar
as janelas férteis da alma.
✍©️@MiriamDaCosta

Se algum dia
eu envelhecer suavemente,
ou se, por alguma razão precoce,
a memória se dissipar
como névoa ao amanhecer,
se eu esquecer nomes, rostos
e até mesmo a mim…


Ainda assim,
minha memória
não estará perdida.


Ela apenas
terá recolhido o corpo
para repousar em silêncio,
entre os vales coloridos,
as montanhas verdejantes
e o mar sereno
da minhalma poética.


Ali, ela se banhará tranquila
nas águas mansas das palavras,
recebendo o perfume,
a maresia nas ondas infinitas
dos meus versos.


E ficará livre,
plena,
acolhida no abrigo íntimo
do seu próprio âmago.
©️✍@MiriamDaCosta

A semana dita "santa"


Chamam de santa
uma semana
onde a memória sangra.


Dizem sagrado
o que foi feito de cordas,
de açoites,
de carne rasgada
e silêncio forçado.


Eu olho,
e não vejo santidade.


Vejo mãos humanas
erguendo a própria crueldade
como espetáculo.


Vejo a multidão
(os mesmos que hoje rezam)
gritando ontem
pela condenação.


Vejo o peso da madeira
não como símbolo,
mas como instrumento.
frio, concreto,
real.


E me pergunto,
em que instante
a dor foi coroada de divina?


Em que momento
a atrocidade
ganhou nome de redenção?


Chamam de santa,
talvez porque precisem
que seja.


Talvez porque encarar
o abismo humano
sem adorno,
sem promessa,
sem justificativa,
seja insuportável.


Mas eu não consigo.


Não chamo de santo
o que nasceu da violência,
nem beijo
o que foi instrumento
de tortura e de morte.


Se há algo sagrado ali,
não está no ato,
nem nas mãos que feriram.


Talvez esteja
no que sobreviveu...
apesar de tudo.


Ou talvez…
na recusa de olhar na cara
a atualidade
das mesmas atrocidades
(e até piores)
que a humanidade
é capaz.
©️ @MiriamDaCosta

A chuva 🌧


O céu cinério
derrama sobre a terra
seus versos invernais
lavando da memória
o pó das horas secas
tecendo no barro úmido
o sopro das sementes...


As gotas
bênçãos líquidas
beijam as folhas
com ternura
escorrem como preces
pelas veias verdes
das plantas
até que cada ramo
se curve
em humilde gratidão...


O ar
saturado de frescor
convida à pausa
ao recolhimento sereno
onde o silêncio se aninha
no coração que escuta
o pulsar escondido da chuva...


As gotas da chuva
embalam as folhas
com devoção
cada uma
como um salmo breve
que se dissolve
na penumbra do verde...


Elas deslizam lentas
como se quisessem eternizar
o instante do toque
até se perderem
no ventre da terra
onde a vida adormece
em germinação....


O ar
úmido e denso
inspira o corpo ao silêncio
como se o tempo
tivesse recuado
para que a alma pudesse
respirar consigo mesma...


E, no recolhimento profundo
o mundo parece rezar
com a voz silenciosa
dos versos da chuva...


✍ @MiriamDaCosta

O tempo passa, mas deixa cicatrizes onde a memória insiste em ficar. Entre o que fomos e o que seremos, existe um silêncio impossível de explicar. Talvez algumas despedidas sejam apenas o começo de outro ciclo.




_KANGAL

O tempo sempre te trará à memória aquilo que você deixou passar.

Não transforme espinhos em lembrança. Que só as rosas habitem sua memória.

Onde a Memória nos Guarda


Quando deixaremos
de esconder a beleza
daquilo que chamamos de amizade?


Por que desejam tanto
o nosso distanciamento?
Será inveja,
ou apenas a tristeza
de quem nunca aprendeu
que o afeto não precisa de permissão
para existir?


Não há fotografias
capazes de contar a nossa história.
O tempo preferiu gravá-la
na memória,
onde nenhuma mão alcança
e nenhum olhar invejoso
é capaz de apagar.


Houve dias
em que nos escondemos do mundo,
trancadas entre paredes,
presas a promessas
que nunca nasceram do coração,
apenas da vontade
de evitar guerras
que jamais deveriam existir.


Mas há encontros
que nem o silêncio desfaz.
Há pessoas
que a distância não diminui.
E há amizades
que continuam florescendo
mesmo quando o mundo
insiste em cobri-las de sombras.


Talvez nunca entendam
que não existe culpa
em encontrar abrigo
no coração de alguém
que nos faz bem.


Porque amizades verdadeiras
não vivem de fotografias,
vivem de presença,
mesmo quando ela acontece
apenas na lembrança.


E se um dia
o tempo nos levar
para caminhos diferentes,
que ele nunca seja capaz
de levar aquilo
que construímos juntas.


Pois algumas histórias
não foram feitas
para serem vistas por todos.
Foram feitas
para serem eternas
no coração de quem as viveu.

O Lugar Onde Ainda Existimos

Toda vez que a memória decidir voltar até nós, espero que ela leve consigo um sorriso impossível de conter.

Porque existiu um tempo em que o mundo ficou pequeno e nós inventamos um universo onde nada podia nos alcançar.

Lá, não existiam relógios, nem despedidas.
Só a paz de existir um no horizonte do outro.

Talvez o destino diga
que fomos um erro.
Um desvio.
Um furacão.

Mas tempestades também têm a capacidade de mudar paisagens e ensinar o mar a reconhecer o próprio silêncio.

Você ainda tenta imaginar por onde caminhei durante todo esse tempo.

Mal sabe que cada passo que dei era, de alguma forma, uma tentativa de chegar até você.

Passei por pessoas, lugares, estações inteiras.

Nenhuma delas carregava o jeito que só você tem de fazer o meu coração reconhecer que finalmente chegou em casa.

Por isso, ninguém tocará você como eu toquei.

Não porque minhas mãos tenham sido diferentes, mas porque toquei o que ninguém podia ver.

Ninguém olhará para você
como eu olho, porque meus olhos sempre enxergaram o que existia além da sua beleza.

E ninguém sentirá você
como eu sinto, porque algumas almas aprendem uma à outra
em um idioma que o mundo jamais será capaz de traduzir.

Se um dia você lembrar de nós,
não tente entender.

Apenas sorria.

Existem histórias
que nasceram para desafiar a lógica,
mas permanecer para sempre
na memória de quem as viveu.

"A melancolia é a memória das coisas que o coração não conseguiu sepultar."

“Velha estrada vazia. Passos que não voltam mais. Neblina e memória.”

A Vida é uma história que teve tantos começos que sua origem se perdeu na memória. Ainda assim, sem previsão de fim, é campo infinito para outros tantos começos.

LELAND DE STANFORD, AXEL MUNTHE E O ENCONTRO ENTRE CIÊNCIA, MEMÓRIA E ESPÍRITO
A HISTÓRIA POR TRÁS DOS HOMENS QUE BUSCARAM DEIXAR UMA MARCA NA HUMANIDADE.
Marcelo Caetano Monteiro.
* A história possui personagens que ultrapassam os limites de sua própria época. Alguns deixam monumentos de pedra; outros deixam ideias, livros e instituições capazes de atravessar gerações. Entre esses nomes encontram-se Leland Stanford, símbolo do desenvolvimento científico e educacional norte-americano, e Axel Munthe, médico e escritor sueco cuja obra O Livro de San Michele revelou uma profunda reflexão sobre a vida, a dor humana e a espiritualidade presente na existência.
Dois homens separados por continentes e trajetórias distintas, mas unidos por uma mesma inquietação: compreender o ser humano para além das aparências materiais.
LELAND STANFORD:
Um PAI QUE TRANSFORMOU UMA PERDA EM UM LEGADO.
Leland Stanford nasceu em 1824, nos Estados Unidos, tornando-se um dos grandes empresários e políticos do século XIX. Sua trajetória esteve ligada ao desenvolvimento econômico da Califórnia, especialmente durante a expansão ferroviária americana.
Entretanto, a história de Stanford não é marcada apenas pela riqueza ou pelo poder. Um dos momentos mais profundos de sua vida ocorreu com a perda de seu único filho, Leland Stanford Jr., ainda jovem. A dor dessa experiência levou ele e sua esposa, Jane Stanford, a criarem uma instituição que pudesse perpetuar a memória do filho: a Universidade Stanford.
Assim nasceu uma das maiores universidades do mundo, fundada em 1885, com o propósito de oferecer conhecimento e formação para futuras gerações.
A mensagem simbólica desse gesto é profunda: uma perda transformou-se em uma fonte de construção humana. O sofrimento, quando iluminado pela razão e pelo amor, pode gerar frutos que ultrapassam a existência individual.
AXEL MUNTHE E O SANTUÁRIO DA ALMA EM CAPRI.
Anos depois, em outro cenário histórico, surge a figura de Axel Munthe.
Médico, psiquiatra e humanista, Munthe ficou conhecido principalmente por sua obra O Livro de San Michele, publicada em 1929. O livro apresenta memórias, reflexões e episódios de uma vida marcada pelo contato com diferentes povos, pacientes, artistas e pensadores.
A obra nasceu da ligação de Munthe com a Villa San Michele, construída em Capri, na Itália, local que se tornou símbolo de contemplação, beleza e introspecção. O autor transformou sua residência em uma espécie de templo filosófico, onde natureza, arte e espiritualidade dialogavam constantemente.
Em suas páginas, o leitor encontra não apenas a história de um médico, mas a jornada de uma consciência diante dos grandes mistérios: a vida, a morte, a compaixão, o sofrimento e o destino humano.
O LIVRO DE SAN MICHELE: ENTRE A MEDICINA E A ESPIRITUALIDADE.
O valor de O Livro de San Michele está justamente em ultrapassar o simples relato autobiográfico. Axel Munthe apresenta uma visão onde a medicina não é apenas técnica, mas também humanidade.
Ele observava que tratar um corpo enfermo exigia compreender uma alma que sofre.
Essa visão aproxima-se de grandes tradições filosóficas que sempre procuraram enxergar o homem como um ser integral: matéria, inteligência e sentimento.
A obra tornou-se um clássico internacional, sendo traduzida para diversas línguas e permanecendo como uma das memórias literárias mais conhecidas do século XX.
O ENCONTRO SIMBÓLICO ENTRE STANFORD E MUNTHE.
Embora Leland Stanford e Axel Munthe tenham vivido realidades diferentes, existe entre eles uma ponte simbólica.
Stanford construiu uma universidade para perpetuar o conhecimento.
Munthe construiu um livro para perpetuar a experiência humana.
Um deixou uma instituição.
O outro deixou uma reflexão.
Ambos compreenderam que a verdadeira imortalidade do homem não está apenas em sua existência física, mas naquilo que ele oferece à humanidade depois de sua passagem.
UMA REFLEXÃO FINAL:
A história frequentemente revela que os grandes legados nascem de grandes inquietações interiores.
O homem que perde alguém pode construir uma escola.
O homem que enfrenta o sofrimento pode escrever uma obra eterna.
O homem que contempla a vida pode descobrir que o maior patrimônio humano não está acumulado nas mãos, mas gravado no espírito.
Como ensinava a antiga sabedoria filosófica: o tempo destrói monumentos, mas preserva ideias que nasceram do amor e da busca pela verdade.
* A história de Leland de Stanford não se encontra na edição do livro que possuímos; é provável que tenha sido incluída por Axel Munthe em algum volume ampliado ou edição posterior de O Livro de San Michele.
A relação entre Leland de Stanford e o universo intelectual, cultural e humanista de Axel Munthe revela um encontro entre história, memória e pensamento humano. Nesta abordagem, procurei não apenas narrar fatos biográficos, mas explorar o contexto histórico e as ideias que envolveram essas personalidades, observando suas contribuições para a cultura, a ciência e a construção do legado humano.
FONTES:
Stanford University - História de Leland Stanford e fundação da instituição.
MUNTHE, Axel. O Livro de San Michele. Publicado originalmente em 1929.
Biografias e registros históricos sobre Axel Munthe e a Villa San Michele.
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“O ressentimento aprisiona a memória no passado. O perdão devolve a alma ao presente.”

A Quarta-Feira de Cinzas é, portanto, uma celebração ritual que sintetiza a memória cultural, a simbolização religiosa e a consciência antropológica da mortalidade humana, funcionando como um ponto de inflexão entre a festa popular e a reflexão espiritual, entre o corpo e o espírito. Ela nos lembra que qualquer jornada de sentido exige reconhecimento de nossas limitações e, ao mesmo tempo, uma busca consciente de transformação.

⁠Tem acontecimento tão marcante em nossas vidas que nem a borracha do tempo nas mãos da memória é capaz de apagar.

Gravo na memoria todo quadro da tua chegada.

Eu nunca deixei de pensar em você. Todos os dias você vem... às vezes em forma de memória, outras vezes como o lembrete silencioso de que você é (e sempre será) o amor da minha vida. ❤️‍🩹

Por que o amor nunca se esquece?


Porque o amor verdadeiro não é apenas memória, é marca. Ele se imprime nos gestos mais simples, nos silêncios cheios de significado, nas músicas que surgem sem aviso e nos cheiros que atravessam o tempo, fazendo o coração reconhecer antes mesmo que a razão consiga explicar.


O amor nunca se esquece porque não habita somente a mente. Ele mora no que fomos enquanto amamos e no que nos tornamos depois disso. Mesmo quando termina, permanece. Às vezes como saudade mansa, às vezes como aprendizado duro, às vezes como um sorriso que aparece sem pedir licença.


Aquilo que tocou a alma não se apaga. O amor não desaparece com o tempo... ele se transforma, muda de forma, mas continua ali, silencioso e eterno, lembrando que houve verdade, entrega e sentimento.

Onde estava


Procuro-me
Na rua,
Calçadas,
Estradas.
Ecoa o nada!
Fragmentos fui,
Memórias sou.