Melancólicas
Acredito que existe 4 tipos de personalidade: o melancólico, fleumático, colérico e o sanguíneo, mas estou tentando criar outro tipo porque não me encaixo em nenhum desses tipos. Sou mais eu.
Teus olhos verde-mar,
olhos tristes e melancólicos
parecem sempre chorar
lágrimas ou saudade sem fim
Quando acordo os vejo
nas flores do jardim,
quando durmo os percebo
nos sonhos, perto de mim
Teus olhos verde-mar,
dos quais tanto gosto,
por que não querem me olhar?
"Do tempo que passou, a melancólica lembrança pelo que em outrora o sorriso brotou, sem razão, apenas surgiu, bem esticado no existir, sendo agora, presente, mesmo que sutil, mas muito mais dentro da alma, do que na janela da face que o mundo nos implora a expelir. Quanta saudade, aquela, que o peito aperta e nos faz viajar por tudo que o tempo levou!"
(Mettran Senna)
Em minha feição triste e melancólica,
No amargor do meu coração,
Nesse gigantesco vazio que é a minha esperança,
Habita você,
Um bem tão grande que tal presença faz despertar em mim sentimentos e nervos que não sabia que eram tão expressivos.
Em meu profundo amor,
Nossas almas fundidas numa só,
Nesse mundo onde amar é sofrer,
Você transformou na melhor experiência que se pode ter, e no bem máximo para o meu corpo e meu espírito.
Antes de você minha poesia vagava
angustiada, dolorosa, melancólica,
inodora e incolor.
Você entrou sem pedir licença,
trazendo consigo cor, cheiro, forma e vida.
As noites antes vazias em meio à multidão
agora estão cheias entre nós dois.
Os fins de semana antes sem destino
agora encontra o caminho do seu carinho.
Você virou motivo de minha poesia
a primeira mensagem do dia
a última mensagem da noite
meu melhor bom dia
meu melhor boa noite
minha mais recente surpresa
dá vida que nos surpreende
pelo pedido bem feito
que tem efeito...
Pedi você, você veio
sossega em meu abraço
me acalmo em seu afago.
Que sorte a nossa!
POETANDO O VENTO (soneto)
Melancólico, gemem os ventos, em secas lufadas
No cerrado do Goiás. É um sussurrar de ladainha
Em tal prece, murmurando em suas madrugadas
Do planalto, quando a noite, da alvorada avizinha
Sussurros, sobre os galhos e as folhas ressecadas
Sobre os buritis, as embaúbas, e a aroeira rainha
Que, em torpes redemoinhos, vão pelas estradas
Em uma romaria, lambendo a sequidão daninha
Bafejam, num holocausto de cataclísmica rudeza
Varrendo os telhados, o chão, por onde caminha
Em um cântico de misto de tristura e de euforia
E invade, o poema, empoeirado, com sua reza
Tal um servo, em súplica, pelo trovar se aninha
O vento, poetando e quebrando a monotonia...
© Luciano Spagnol - poeta do cerrado
10/01/2020, 05’35” - Cerrado goiano
Olavobilaquiando
os olhos gotejam no balde
a liberdade melancólica da lua
sempre só
num silêncio-móbile
que Patti Smith canta:
você seria uma asa no céu azul
em sua escuridão
finally we are no one
pergunto-me se isso não seria o fim do horizonte
Às vezes a gente fica triste, de uma tristeza melancólica, meio amarga. Um baixo astral que nos deixa perdidos, vazios e ao mesmo tempo tão cheio de coisas e dúvidas, que acabam sufocando. Meio que sabemos de onde vêm mas não compreendemos o porquê que elas ficam ali, incomodando, nos tirando pra dançar, quando o que queríamos era apenas ficar sozinhos, quietos. A vida nem sempre é fácil, às vezes, perdemos o prumo por mais conscientes que somos, por mais seguros, por mais bem resolvidos na vida, não adianta, uma hora aparecem, e isso prova o quanto humanos nós somos. Não tem ninguém que ajude, porque no fundo, algumas coisas são nossas, nos pertencem. A gente se envolve, se abraça, e segura a onda sozinho, mesmo sabendo que se quisesse não adiantaria pedir socorro, porque não tem ninguém melhor do que nós mesmos pra resolver o que tanto nos abala, só nós mesmos para saber onde está o calo. Há algumas tristezas que vem de longe, vêm em forma de sensações ruins, elas vêm de tão profundamente de dentro da gente que nos assustamos quando entram em erupção. Há algumas dores que sempre vão existir, e vez ou outra elas vão voltar, vão reaparecer na nossa vida, e sempre vai ser assim: A gente se fecha, se resolve, empurra elas pra baixo de novo e segue, como deve sempre ser. Como sempre há de ser.
Ricardo F.
" Nesses dias melancólicos o que se ouve é um vasto silêncio.
Parece que estão dormindo.
Mas não, é apenas orgulho de falar o que sentem."
O wabi-sabi* utiliza a fugacidade da vida para transmitir uma sensação de melancólica beleza e fazer compreender a efemeridade de todas as coisas.”
(*) filosofia japonesa
Você não é poeta porque faz frases melancólicas ou com algumas rimas, é só alguém triste que não sabe o que fazer da vida e está passando por turbulências. Isso é triste.
Domingos Melancólicos
Hoje o dia nasceu torto
Meio turvo e nebuloso
Não acertei o café
Nem sentei pra escrever
Hoje eu mesmo me ignorei...
Da janela da sacada
Olhei pra fora sem ver nada
E olhando pro infinito
Vi um mundo tão vazio
Parecendo a minha alma
Hoje foi um daqueles dias
Em que todas as coisas pareciam tão erradas
Em que nada, absolutamente nada parecia ter sentido
Hoje foi um dia de domingo
Hoje o dia nasceu triste
Meio cinza e esquisito
Fiz arroz e ficou papa
Não liguei televisão
Hoje eu mesmo me boicotei
Na janela do meu quarto
Não abri nem a cortina
E perdido em pensamentos
Vi a escuridão do dia
Refletindo o meu momento
Hoje foi um daqueles dias
Em que todas as coisas pareciam tão erradas
Em que nada, absolutamente nada parecia ter sentido
Hoje foi um dia de domingo
chororô
o cerrado chora
chororô
chove lá fora!
é chuvarada, sinhô
18horas: melancólica hora
e eu também tô:
- chorando...
pobre pecador!
que no peito vai gotejando
uma tempestade de amor
de chuva e choro infando
lá fora chove, e eu sofredor!
© Luciano Spagnol
poeta do cerrado
Outubro de 2019
Cerrado goiano
Para quê a poesia?
Pra quem são as letras?
Se a métrica anucia
Melancólica a sarjeta
Essa luz que existia
Clareando cada letra
Hoje e um túmulo vazio
Á espera da caneta..
Eu tentei fugir, mas isso soou como uma punição.
Vê-la só me deixou ainda mais melancólico.
E eu me pergunto: "Por que?"
Pensar nisso torna tudo sem sentido.
A paixão tem essa textura melancólica.
Enquanto o amor. Ah, o amor é esse
atrevimento que as pessoas tem em confiar.
- Eu e meu eu.
Do lado direito ‘’eu, cheio de perguntas emocionalmente melancólicas.’’ Do lado esquerdo ‘’meu eu, com ar de razão e revestido de experiências.’’
Sento comigo mesmo para tomar aquele chá, me ponho a perguntar e a me responder sobre coisas que, sentimentalmente atingem o meu ser.
Eu_ O que devo fazer com estes sentimentos? Devo falar tudo o que sinto, ou comer cada dor e cada riso como se fossem só meus? Na verdade são só meus, porém, tudo provém dele. Mas ele não senti assim como eu sinto.
Meu eu_ Eles devem ser mastigados de uma forma ou de outra como se fossem alimentos; se tu, porventura lançar tudo o que senti contra ele, certamente iras acertar em cheio a sua alma(mas ele não senti!), então, automaticamente em forma de vômito todos os teus sentimentos serão jorrados ao chão e o final que eles terão, sem dúvidas será ser útil aos vermes. - Os teus sentimentos serão alimentos para os vermes! Mas como eles devem ser mastigados como alimentos...
Eu_ Não, eles não devem.
Meu eu_ Devem sim! São sentimentos, a alma meu querido, também precisa comer. Você deve comer tudo sozinho, calado, deve mastigar cada dor e cada riso em silêncio. Deve deixar que o seu sistema imunológico conheça este vírus, que sofra, chore, grite, gema e pense... Depois que toda essa digestão for feita acredite... Isso tudo será um grande foco de fezes; porém, manuseado de forma organicamente correta.
Eu_ Ou simplesmente... Posso jogar tudo fora! Para bem longe...
Meu eu(Toma um gole do seu chá e com ar de riso num tom irônico balança sua xícara) _ Ah Se conseguires...
Aquilo que não dizes
me é melancólico discurso
Pois, navega tua vida
e eu seguirei meu curso
Nada de até logo ou adeus
embarcados apenas em sonhos
Eu nos de alguém, e tu nos meus.
