Melancolia
Sou a solidão
--------------
Sou os dias longos, os crepúsculos desolados, as noites sem fim,
as madrugadas tediosas e as auroras sem glamour...
Enfim, sou a solidão.
No Silêncio da Solidão
No silêncio profundo da solidão,
Ecoa uma melodia sombria,
O coração solitário busca em vão,
Por uma luz que o guie noite e dia.
As sombras dançam em torno, frias,
A alma anseia por uma mão amiga,
Mas na vastidão das horas vazias,
A solidão persiste, triste e antiga.
Os pensamentos são como as nuvens que se formam no horizonte,
às vezes turvos, sobrecarregados e melancólicos, noutras, lúcidos, cristalinos e transparentes.
_Juízo parte |_
O princípio é a Inocência de uma criança, o decorrer é a perca da esperança;
O exílio postulado em prefácio, ao desfecho lento em forma de estilhaço.
_Juízo parte ||_
O erro furtivo declarado na ação recorrente, a valorização do empirismo que se faz competente;
Tornando a frequência acometida em saber, forçando sua capacidade a um novo amanhecer.
Tem gente que vale mais que a pena, mais que a galinha, mais que um galinheiro inteiro
Pedi para o tempo passar arrastado e ele passou tão rápido quanto um raio
A chuva caindo em nós, o mar soprando a brisa que nos causava um friozinho e nos unia
Um corpo aquecendo o outro, aquele dia foi tão precioso quanto ouro
Eu não sabia se teria como voltar para casa, por conta da chuva e condução
Mas sabia que não queria, ficar contigo era o desejo do meu coração
Só pensava em como queria você e em um truque mágico, todos os problemas conseguia esquecer
Se pudesse eternizava aquele momento, que hoje, infelizmente, só se repete em pensamento.
22/07/2025. Querido inverno, saudades.
“Eu gosto do frio glacial do inverno”
Procuro pelo calor eterno
Um pouco de conforto interno
Para os ossos trêmulos, invisíveis ao externo
Onde a vida encontra o amor materno
E me rói os dentes, que batem expondo o inferno
“Eu gosto do frio glacial do inverno”
Me lembra da incessante dor
Que procuro congelar-me sem pudor
Mesmo que eu corra atrás do ardor
De ter-me-ei em seus braços
O fruto aconchego de seu abraço
Que no ato de querer te amar
Até mesmo o gelo há de me queimar
OS HIBISCOS E O TEMPO
Talvez, só talvez, ainda estejam lá,
os hibiscos vermelhos da minha infância,
em algum lugar.
Talvez, à espera da criança que não mais os visitou,
provou de sua doçura em panelinhas de plástico,
partilhou segredos sem importância,
coisas que ninguém mais queria saber,
segredos entre menina e flores,
sem palavras, apenas sentires.
Talvez, só talvez,
os hibiscos vermelhos ainda estejam lá,
em algum lugar na memória,
bordados em calmaria pelo gracioso fio da história.
Tenho pra mim
que a intensidade e a verdadeira face
que se advém do mor sentimento
É do nascimento e florescimento
que ele pode fazer nascer
do que o próprio sentimento a si.
Pois dentre a entropia e caos
que reinavam imperadores em meu ser
a sua luz colocou a sintropia
de uma forma aterradora e conquistadora
dentre meu viver
sobre o mais abrangente estrelado céu
da noite vasta densa e escura
era a única estrela, que minha mente contemplava
a única fantasia que admirava, e o sonho vivo
que meu mais profundo sentimento acordado sonhava
mas de um começo tenro, o que deveria nascer
nem a luz do dia pode contemplar, não chegou a ser
por um momento errado, uma confusão de momentos
onde desencontramos ao nos encontrar
eu queria me render
ela livre voar e se encontrar
Percebi nesse momento minha sina, minha maldição
dai nasceu o eclipse total em meu coração
Entretanto, em minha saga
ela nunca chegou a ser uma Nêmese
mas o que ela veio a sempre ser, Gênese
que em minha alma
despertou a mais pura e bela forma de sentimento
transformada em arte no mais belo momento
e seu nome?
na lembrança ficará
seu beijo? no mais intenso momento do meu coração residirá
seu toque ? em minha pele, o calor sempre irá esquentar
de um verde nefrita que é a verdade, a esperança nunca morrerá
A lua me colocou para dormir nos braços da noite, ela me carregou até as últimas árvores, diante a grama meu corpo se derramava e o sol que acordava pela última vez iluminava minha pele com seu tom de amarelo alaranjado. Eu vivia no próprio paraíso, mas precisei busca-ló em outras vidas.
A mesma esquisitice de sempre:
Alegre, porém melancólica,
Triste, mas feliz.
Mistério exacerbado de sentimentos,
Sentidos turvos,
Uma tempestade de paradoxos.
Sou o patinho feio do mundo,
O mais bonito do qual já se ouviu falar,
Audaciosa,modesta.
Escrevo isto sem rir!
Conto piadas que não me afetam,
Mas fazem surtar quem as escuta.
Talvez psicopata,
Amante da luz boa —
A que cala o mal,
Abraça o bem
E retém a escuridão para si.
Fumada, bebida e comida —
Eu sou tudo e nada!
Só estouro com moderação
E pondero com demasias.
Gosto dos ruídos produzidos pelos flagelos do coração.
Arquirrival da Tristeza
(Dilemas de um Bipolar – Henry Santos, 2025)
Sou arquirrival da tristeza,
Mas, na mesma mesa, dividimos as mesmas angústias.
Bebemos do mesmo vinho,
Comemos da mesma solidão servida em silêncio.
E, como quem entende a dor,
A tristeza também sorri...
Mas seu sorriso não é alegre, nem contagiante.
É apenas o reflexo nu de uma emoção que não sabe mentir.
Ela não partilha...
Ela permanece.
Fica.
Se aloja nas frestas das horas,
E, quando parece partir,
Basta o apito distante de um trem...
E ela retorna.
Sua presença é plena, quase obrigatória,
Ainda que alguns finjam não vê-la,
Ou recusem senti-la.
Talvez eu seja seu melhor amigo,
Pois, mesmo sendo tristeza,
Ela é pontual como um relógio quebrado:
Sempre aparece na mesma hora...
Sem ligar,
Sem avisar,
Sem pedir permissão...
Ela apenas chega.
Ainda Há Sombra
(O Bipolar Contra o Mundo)
Há uma sombra nefasta em torno de mim,
que habita o que ignoro,
permeia o que finjo não sentir.
Carrego uma certeza que me apavora:
não há nada, nem ninguém,
capaz de me entender.
Sigo na redoma, preso,
rodando em ciclos intermináveis,
como quem gira no próprio abismo.
Mesmo quando encontro a sombra,
a resposta é clara,
e pesa —
pesa como a taça de um vinho caro,
como a fumaça lenta do charuto de luxo —
luxos inúteis.
E, ainda assim, não me contento.
Por horas vago, me perco, me desfaço,
e nas horas mais lúcidas, paradoxalmente,
é quando mais me encontro —
como uma perdiz fugindo do tiro,
assustada, perdida, viva,
mas só até o próximodisparo.
Descompasso
Meu tempo passa,
e meu relógio permanece parado
diante de tua congruência,
relembro-me do meu passado.
Vivo ao lado da incerteza,
de braços abertos à inconclusão.
Sinto-me a me desgastar
perante tua exatidão.
Palavra que me prende,
sentimento que me molda,
sensação que me vicia —
é o amor que me desola.
Ó lua,
será que diante
da plena madrugada,
meu tempo descontinua?
Um Pequeno Sorriso
Há dúvidas que se instalam como neblina na mente densas, persistentes, inalcançáveis por qualquer lógica. E há tristezas que não choramos, porque se tornaram parte da respiração cotidiana.
Seguimos por instinto, como quem anda sobre um fio invisível, disfarçando o peso com gestos comuns, ocultando o abismo sob passos calculados.
É uma sobrevivência sutil: esconder as ruínas enquanto oferecemos fachadas inteiras.
Talvez seja isso o que chamam de força
não a ausência da dor, mas a habilidade de seguir mesmo quando tudo desaba por dentro… e ninguém percebe.
Amores perdidos
Anda pela estrada melancólico.
Quantos amores foram perdidos...
Habita em seu peito um coração pulsante
pela dor completamente ferido.
São demais os perigos da vida.
Depois de cada curva o que pode encontrar?
Nas noites mais escuras...
Segue trôpego seu caminhar.
É tão grande esse espaço.
São tantas rotas pra seguir.
O que virá depois do próximo passo.
Só... sente só vontade de pra bem longe fugir.
No caminho
Hoje acordei com a mente bagunçada, o coração encharcado, partes de mim em pedaços, algumas certezas quebradas e a coragem vestida de medo.
Decreto-Lei em prol da Sociedade...
Em virtude de reclamações
Impostas pela sociedade faço
Valer o Decreto-Lei cujo os
Itens seguem abaixo;
A partir desta data ficam
Proibidas para ambos os sexos.,
A tristeza e a melancolia que
Outrora perduravam até os dias
de hoje, bem como; Errar e não
Se arrepender, olhar e fingir não
Ver, seguir enfrente mesmo
Sabendo que lá atras, alguém
Ficou sozinho [a] chorando a sua
Ausência. E foram extintas, a
Mentira, a injuria, e a difamação;
Sendo assim. Eu, em nome da
Sociedade faço valer o Decreto
Proibindo tais Praticas abusivas
- E as demais que por ventura
Assimilarem as questões
Mencionadas neste Decreto.
