Me Ame quando eu menos Merece
Estou tão velho e cansado!
Mas meu olhar,como ele brilha
quando vejo do meu lado
a filha da minha filha!
Encontro desencontrado -
Não te via há tantos dias
quando tristes nos cruzámos,
passeando pela rua, noite fria,
nem tampouco nos falámos ...
Ao teu lado, outro Alguém,
acompanhava os passos teus!
E nessa hora, intensa, de desdém,
fixaste sem pudor os olhos meus ...
E abrandámos o passar ...
Em silêncio recordámos o Passado
e partimos sem falar ...
Recordei o meu tormento,
solidão que me deixaste
num falso juramento ...
Como a fala da raposa é doce quando está cercada por cães de caça.
(Alicent Hightower)
A certos detalhes que por vezes parecem ínfimos quando devotamos nosso amor e desejo a uma musa altiva e de personalidade forte, admiramos tanto as qualidades intangíveis que pecamos ao deixar de notar seu corpo e nuances desnudas...
A pouco fitava ainda sonolento o quarto e então meus instintos conduziram o olhar para dentro do box entre aberto, admirei apenas uma fração daquela a quem desejo incessantemente ...
Percebi a água que pela gravidade fluía sinuosa pelo corpo de minha amada, escorria de seus cabelos e percorria um dorso firme e esguio, e como um carro de montanha russa ascendia para vencer a elevação que me roubara o fôlego...
Não era novidade aquela partição do corpo, por vezes a beijei e muitas vezes promovi uma tração - que quase fundia o seu corpo ao meu - tornando-nos um único corpo, inspirados pelo calor de nossa paixão ardentes e uma fome insaciável de carinhos...
Acompanhando a água percebi como as nádegas daquela a quem devoto toda minha atenção tem proporções dignas da obra de Michelangelo, nem os anjos têm um corpo escultural e tão belo, nenhuma outra vez vi, como agora, a nudez de minha senhora...
A curva que ascende, logo abaixo do cóccix, perfaz uma parábola perfeita e se une ao músculo da coxa, apenas a lembrança desse movimento artístico me causa taquicardia e um desejo insustentável de romper a inércia da observação e possuí-la, ainda no banho...
Casthoro'C
"O efeito Cassini"
Nós, humanos, raramente sabemos quando estamos indo longe demais, além do que deveríamos e, por vezes, conscientemente ou não, causamos males a outras pessoas. O texto leva o nome de "Efeito Cassini" em alusão à sonda espacial, assim batizada pela NASA, em homenagem ao astrônomo francês Giovanni Jacques Cassini (1625-1712), uma vez que, após cumprir com seu propósito de orbitar Saturno e suas luas por quase duas décadas, deixando a equipe do projeto orgulhosa de seus feitos, foi deliberadamente destruída pelo controle da missão em terra, que a posicionou no cinturão de asteroides e poeira cósmica que circunda o planeta, desintegrando-a. A difícil decisão de destruir a sonda de que tanto se orgulhavam foi tomada pelo receio de que, caso entrasse em contato com meio líquido do planeta ou suas luas, microrganismos terrenos, que eventualmente estivessem no seu interior, pudessem contaminar esses ambientes, logo, destrui-la longe da superfície foi o único modo de ter a certeza de que isso não ocorreria.
Nós, no entanto, não temos tanto cuidado em nossas ações cotidianas, pois a indisciplina nos parece familiar, assim como a falta de empatia. A decisão de evitar, a todo custo, contaminar, por assim dizer, aqueles que nos cercam com maldizeres, desmotivação, inveja ou com qualquer outro sentimento menor não nos atrai tanto quanto agir desse modo, e assim, espalhamos nosso pior por onde passamos.
Agimos assim quando prestamos auxílio a um necessitado e expomos essa boa ação, constrangendo-o.
Agimos assim também quando tomamos para nós méritos de conquistas obtidas em equipe, desprezando suas contribuições.
Sempre que fazemos isso, é como se derrubássemos nossa Cassini no oceano de Encelado e espalhássemos nossas sementes de maldade e vaidade em suas águas.
A inteligência se opõe, naturalmente, à vaidade, sendo desnecessário qualquer esforço para tal, não significando, todavia, que não devemos ter ambições pessoais ou rejeitando a ideia de que as temos, o que deve ser combatido são sentimentos menores ligados a essas ambições, ou seja, agir como se o fim justificasse os meios.
Nesse contexto, o controle da missão é uma inteligência sã aliada a um coração bem formado, e a Cassini que devemos guiar é, ironicamente, nosso orgulho, mas não aquele que temos dos nossos méritos, pois esse é legítimo, mas sim aquele contaminado pela vaidade que aleija nosso senso de justiça, é esse que devemos sufocar e destruir, assim como fora feito com a sonda, apesar do orgulho que seus idealizadores sentiam de seus feitos, não vacilaram em desintegra-la para evitar que o mal se espalhasse.
É o pobre que crítica o rico, mas é o pobre que quando fica rico faz para o pobre o mesmo que o rico fazia na época em que era pobre, não é esquerda ou direita, o capitalismo ou o socialismo, o povo ou Deus, é o ser humano e o seu hábito de fugir de sua real natureza através das narrativas que mais lhe convém, saem por ai em busca de identificação de sua ignorância, reforço social, mas não me surpreendo, pessoas vestem as mascaras e mantos diariamente e assim são seus políticos, mascarados e hipócritas como seus eleitores, deve ser culpa de Deus ou do povo, coitados.
É a mesma coisa que acontece em qualquer relacionamento. Quando começou, não era real, e então se tornou real.
Você diz a verdade quando ninguém diz. E não vê as coisas como os outros. Preciso de alguém como você.
Velhice -
Quando a Vida já não tem sentido
que fazer, que procurar?!...
Quando a alegria se tiver perdido
porquê viver, porquê lutar?! ...
E que destino tem alguém desiludido?!
Sem esperança, força ou vontade ...
Que pena! Sobra apenas um gemido
devorado p'la idade ...
E que será depois? Que virá? Virá?! ...
É tarde ... tão tarde ... resta a morte!
Que o tempo seja breve. E que vá ... vá ...
A Vida já não é Vida é maldade!
Quando se for a minha sorte,
que me leve a morte, sem pena nem piedade!
Você tem que quebrar essa barreira, logo você vai fechar os olhos e quando ficar mais velho você vai querer alguém para cuidar de você percebe que você precisa de alguém para viver com você longe de qualquer beleza externa, as pessoas têm interesse e vão se afastar de você, eu velho você velho levando uma vida de companhias.
GESTAÇÃO DO POETA
Quando a inspiração fecunda, formando
O verso duma imaginação em rota exata
Prenha é a alma do poeta, tão autocrata
De um fervilhar da mente, devaneando
No mando da emoção, a voz de comando
O sentimento, o olhar, a singela musicata
Concebe a composição em frenética cata
De um nem eu sei de onde ou de quando
Só sei que vem do coração, e vai rimando
Estando cada uma das linhas, caminhando
Em um ousar de um emaranhado fonema
Assim, chora ou sorri, silencia ou murmura
Aí, então, uma parição de poética estrutura
Que de uma sensação à mão, pari o poema!
© Luciano Spagnol - poeta do cerrado
20 outubro, 2022, 16’07” – Araguari, MG
*dia nacional do poeta
Quando você mira nos resultados focando nos seus próprios desafios, as chances de se tornar vencedor se multiplicam.
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