Máscara
MÁSCARA:
Sob sol a pino, em meio à multidão,
O astro de face dupla, feições interrogativas e sorriso pálido,
Em um ritual...
Em instantes nos transporta ao mundo surreal.
Mergulhados nos movimentos rítmicos do artista.
De tal forma a levitarmos, migrar à outra dimensão.
Regressei ao espelho onde meu pai extraia sua pele
No silêncio de repetitivos movimentos verticais da gillete.
Que me gritava indagações ao futuro!
Assim se ouvia à expressão corporal do mambembe
Que cantava, encantava e decantava sua alma.
Não ouvia-se o som de sua voz,
No entanto bastava para compreender suas palavras simplórias e silenciosas,
Que me transportara à àquele mundo de imaginações.
Ante a mimica que nos expressava explicita tristeza,
Nas exclamativas lagrimas que borrava sua pele,
Nas piruetas a expressar pérfida alegria.
Nos movimentos lentos e circulares das mãos
Encenando a mulher que carrega outra pessoa.
Naquele instante, todos nós, éramos um só,
Não se ouvia as agruras do realismo...
Em meio à multidão, me senti único, envolvendo-me visceralmente.
Ao fantástico mundo dos mitos.
Pois que o artista deixara seu corpo cair inerte nos sugerindo a viagem.
Ato continuo, com a sutileza de uma pluma, recobra a vida pondo fim ao rito.
Decido ficar um pouco mais e assistir ao encantado ato do mambembe...
Despindo-se, traveste-se de sua pele natural e segue seu mundo real na busca de novo ritual.
Suspendi meu olhar vislumbrando o iluminado ser em seu mais fútil personagem.
Um rosto a mais na multidão. Sem fala, sem cara e sem canto...
E definitivamente me perguntei: O que seriamos sem esses mitos e seus rituais?
Passando o carnaval, muitos terão que colocar a verdadeira máscara, pois a alegria das festas só é capaz de mascarar os sentimentos por pouco tempo. Diante de Deus, ninguém pode usar máscaras. Ele conhece todas as coisas!
Há um engano que mascara a realidade de muitas vidas que afivelam sorrisos... Mas, o interior está destroçado por uma vida sem vida.
Quem não vive a realidade prefere fantasia, máscara, engodo.
É tão falso quanto o frágil falso mundo que criou para si.
Quem de dia caminha semelhante ao olhar da noite, não deve esquecer que a lua cheia retira a máscara aos rostos de todas as noites.
O acaso é apenas a máscara do inevitável, e os grandes mistérios da vida se revelam na sutileza das coincidências.
A prosperidade verdadeira começa quando você abandona a máscara e decide ser inteiro diante de Deus e da vida.
Máscara de Virtude
Nada é mais triste, mais vil, mais pequeno,
Que o homem que oculta o pecado no escuro,
Mas veste, sorrindo, um manto sereno,
Fingindo ser justo, ser puro, ser puro.
Nos olhos, a luz de um falso arrependido,
Nos lábios, discursos de nobre intenção,
Mas dentro, um abismo sombrio e contido,
Onde mora o orgulho, o engano, a traição.
Ergue-se aos outros qual torre de fé,
Condena o que vê, finge dor ao errante…
Mas esquece que Deus, que tudo vê,
Sonda o silêncio, o gesto dissimulante.
Melhor o que cai, mas clama ferido,
Do que o que se esconde atrás da aparência.
Pois mais vale um coração arrependido
Do que mil fachadas sem consciência.
Sem máscara no olhar.
Sem colocar o dedo na ferida.
Sem julgar ao seu bel prazer.
Sem ofender para alcançar.
Sem maldade no agir.
Sem falsidade ao interpelar.
Sem demagogia no trato.
Sem fofoca ao declatar
Sem supor que a sua verdade é soberana.
Apenas profetize:
"Conte comigo para o que for certo!"
"Muitos preferem viver com uma máscara, largam mão da sinceridade e da verdade, para viver como, hipócritas e mentirosos".
"Esforça-se tanto para cultivar a máscara da bondade, onde, na verdade, oculta-se um narcisista manipulador."
Hahh! A autenticidade...
Essa, passou longe. Muito longe!
