Marcha
Assim como a velocidade de um carro de fórmula 1 na oitava marcha em um reta longa, você vai de encontro à sua morte.
Quando você se sente vivo de novo. Você pega o que te machucava e passa a usar como marcha de propulsão, quem não te matou, pagou-lhe a pedida, porque lhe proporcionou o antídoto que te torna invencível.
O cavalo marcha conforme o cavaleiro.
Enquanto houver espora financiadas pelos fazendeiros,
Será facilmente domada a tropa de selvagens.
Basta a banda do celeiro tocar,
Pra bicharada se conter e pacificar.
Aos sabiás, faltam-lhes coragens.
Com quantos patos se faz um travesseiro?
Proteger seu dono, qual a vantagem?
Um osso mordido, um chinelo e um reio.
O inimigo
A Coluna descansou
da marcha, na noite fria.
Ficaram olhos acesos
e a fogueira, de vigia.
Su su su
menino mandu
dorme na lagoa
sapo-cururu
Soldados dormem quietos
Debaixo deste telheiro
em cima pia a coruja
com seu piado agoureiro.
Su su su
menino mandu
Soldados dormem quietos
no bivaque de improviso
até as armas descansam
que este descanso é preciso.
Dorme na lagoa
sapo-cururu
Soldados dormem quietos
na barraca e na varanda,
eis de repente o inimigo
- Depressa, levanta e anda!
Depressa, são feras,
depressa ou quiseras
nas mãos do inimigo
cair, que o perigo
de perto ameaça
de morte ou mordaça
cadeia ou degredo.
Galopa sem medo!
Legalista do Inferno! .
donde o Governo -
tais feras tirou?
Ah! raiva que eu sou.
Depressa e a trote
esporas, chicote,
as crinas revoltas,
de rédeas bem soltas
e bridas também
(Que medo não tem!)
depressa e a trote
mão no cabeçote
o pé na estribeira
encilha e carreira!
esquipa montado
depressa, soldado
que medo não tem.
Legalista do inferno
não vale um vintém!
A Coluna descansou
da marcha na noite fria.
Picaram olhos acesos.
E de repente partia.
MARCHA FÚNEBRE PARA A LUZ
Num instante ela é vida
Noutro, já não existe.
Mas a vida ainda está lá – persiste.
Morre em meio às águas e se divide
E tudo em volta ganha cor.
Agora ela está em toda parte.
E quando o sol se põe
Seu corpo se decompõe
Num espetáculo de cores...
Marcha das vadias.
Tem gente que escolhe as palavras com vontade de chocar e outras que seguem a trilha das Maria vai com as outras e pronto.
Tenho plena convicção que as manifestações femininas são justas, falta muito ainda para que as mulheres consigam seu merecido lugar na sociedade e coisa e tal.
Só que quem vai a um jogo de futebol espera ver bola na rede, quem vai a um show de rock quer ver rock e a escolha desse nome, em que pesem as justificativas e reminiscências se perde na força das palavras e remete para um desfile de... vadias.
Isso deveria mudar!
E já é quarta feira de cinzas...
Inspirado na Marcha da Quarta-Feira de Cinzas,
de Vinicius de Morais e Carlos Lyra,
escrevi este poema pensando nos efeitos da
quarta feira de cinzas...
E JÁ É QUARTA FEIRA...
Marcial Salaverry
É já é quarta feira,
e foi feita muita besteira...
Um lindo e gostoso carnaval pra você,
é o que sempre se deseja...
Com tal desejo, embarca-se na folia...
Curte-se o carnaval,
e por vezes acaba mal...
Como o curtir mais,
pode ser demais,
seja na folia,
seja só na alegria
de estar na sua companhia predileta,
que pode ser o seu amor,
ou então o computador...
Pra tudo acabar na quarta feira...
Um carnaval bem curtido,
não foi nada sofrido,
foi bem aproveitado,
de um jeito bem largado...
E agora, José?
Vamos recomeçar a viver...
Tudo acabou na quarta feira...
Que é de cinzas...
Cinzas do carnaval que passou...
Vamos nos preparar
para a vida recomeçar...
Trabalho, estudo, é o que nos espera,
e tem gente que se desespera...
Temos que a vida continuar,
pois não é só farrear,
e temos obrigações em que pensar,
e a tais contas a pagar...
Destrave essa marcha lenta
tenha fé que lhe faz bem
quem reclama e se lamenta
passa a vida e nada tem
e aquele que não se senta
dá um jeito e se sustenta
sem pedir nada a ninguém.
A influência comparativa, os ratos marcados pelo ambiente.
A tendência é esta marcha constante, o caminho para a falta de autonomia.
Há tempos eu observo que nada é autêntico, não importa a transformação, ou o que pretendem criar.
Que a biologia me considere ignorante, que a psicologia me censure, mas minha opinião é esta "a marcha é constante". O indivíduo não sabe mais quem é, as combinações são limitadas, assim como a observação feita de cada um, que nada vai se ter de diferente em termos satisfatórios do tipo "sou único".
Vou colocar dois exemplos desta tese:
~A esponja tecnológica (sim, irá fazer sentido);
~ O espelho de outra face;
------
*O primeiro tópico, se refere a influência da internet e a formação múltipla de conceito. Por mais que tentemos, por mais que haja um esforço envolvido, não há a relação de uma pessoa criada (perfil) da pessoa que existe, não por parte consciente. Pois, o comportamento se altera, o que se vê não é a pessoa, é só um conceito, uma troca mecânica de ângulos, de pareceres momentâneos.
E é isto que nos afeta, não se faz necessária a opinião formada, é monótono. Assim como não há a preocupação do repasse infográfico.
É por isto que existe excesso, não há como fazer o diagnóstico de personalidade de cada pessoa, nem menos da sua. Quem atua é o robô persuasivo sobre os outros, a ideia nem precisa ser validada ou existir fora dos sinais transmitidos, só precisa ser "justo" aos olhos de alguém, que por sua vez, encontra outros "justos" coniventes. Situação esta, que acaba dando espaço a uma fábrica de tópicos do que existe ou não para saciar a criação constante (conteúdo).
Criação esta, que vai confrontar tudo e todos enquanto puder, seja dando desculpas para sexualizar algo (tal pessoa não me agrada, só me atrai parte Y do corpo), seja para expor infelicidade, justiça (não se poder fazer Y gostando de W) não importa.
É racional exemplificar isto como um campo de batalha, onde todos devem guerrilhar, e se você nega a guerra, se usa uma bússola onde a norma é estar perdido, você não é ninguém.
Os critérios, por sua vez, são a base da loucura (decida logo, faça algo, comente isto).
Isso é a esponja tecnológica, a absorção de informação, que muitas vezes é conhecimento, mas que nada se pode aproveitar, não se sabe mais quem és, se desnorteia.
*O segundo tópico, é um exemplo parecido com o anterior, com a diferença que você se olha no espelho e enxerga outra pessoa.
Situação esta que pode acontecer de várias formas, como:
˙Inspiração obsecada (eu sou X pessoa, e não há nada que me diga que ira me convencer do contrário), ˙paixão "complementar" (que é muito apoiada e ideológica aliás), que trás relatos como "Você faz parte de mim, não consigo me imaginar sem sua presença na minha vida", e a última colocação, ˙a observação do que você já foi/quer ser em outra pessoa. Que explicando de forma clara é um curto filme retratado na nossa mente. Algo do tipo ver alguém entrando na faculdade e lembrar do seu sonho de arquiteto.
Vale lembrar, o espelho de outra face é a formação temporária da sua imagem sob outra pessoa.
Que pode ser entendido como:
~Falta de reconhecimento próprio/fanatismo ou pressão de ser alguém.
~Crença de reciprocidade.
Que um uma opinião pessoal, não alimenta muito tempo um relacionamento. Pois, chega um certo momento que:
Ou você se sente inferior e se relaciona com alguém "superior"para equilibrar sua balança imaginária, ou você se sente superior e sente pena de deixar a pessoa, que também pode acontecer por "isto está bom, não vou encontrar nada melhor".
~Lembrança melancólica. Que também pode ser motivacional, mas que não se aplica ao seu ser presente, algo do tipo "criança interior, adolescente sonhador, por favor não morram".
Os exemplos acima podem ser revisados através do símbolo ˙, que estão em ordem em relação aos traços.
Espero que haja um entendimento legítimo do que tentei passar no momento.
Provavelmente irei me esquecer do que escrevi, e isto vai se perder em alguma folha qualquer, mas em algum momento, dominado (ou não) por essa rebeldia ligada a "socialização digital", eu quis escrever, e fiz.
