Lua e Estrelas
Pessoas incríveis…
Há almas que caminham conosco como estrelas em noite sem lua, iluminando horizontes que antes pareciam inalcançáveis. São vozes que entoam verdades simples, mas profundas, como rios que jamais cessam de fluir. São mãos que se entrelaçam, não apenas na carne, mas no espírito, construindo pontes onde antes havia abismos.
Essas pessoas, jóias raras que habitam o âmago da existência, carregam em si a força de testemunhos que erguem montanhas e desatam nós de incredulidade. Suas palavras, tecidas com fé, nos recordam que para YHWH não há barreiras insuperáveis, apenas lições que lapidam a alma.
Quando famílias se unem, formando um só corpo, o ar se preenche de uma paz que sussurra ao coração: "Aqui está o reflexo do Eterno." Os risos ecoam como canções de esperança, e as histórias compartilhadas tornam-se sementes de confiança, plantadas no terreno fértil da comunhão.
Quem tem o privilégio de cruzar com essas vidas sente nascer dentro de si um calor inexplicável, como se o próprio céu se inclinasse para abraçar a terra. É o milagre da união, o testemunho vivo de que, com fé, o impossível é apenas um eco distante que se desfaz diante da grandeza divina.
Chão de Estrelas:
Olho o firmamento,
Em noites de lua cheia
No clarão luzindo
Bordando o céu.
A beleza majestosa
Daquelas luzes efêmeras
Que n'alma clareia.
São estrelas faiscantes,
Mostrando seu explendor
Afagando e inspirando
A alma dos poetas.
Afastando as angústias
Regando os corações
Inspirados nos sons da Noite.
Vestindo de mistérios e Alegrias,
Na espera do amanhecer,
Alegrando a vida,
Com seus mágicos raios.
As luzes que florescem,
Os campos, e vales,
Com cores Predominantes,
A luz do " Rei Sol".
BOLHA DE SABÃO
A lua é de são Jorge,
a noite é do dragão,
e as estrelas,
tê-las ou não tê-las
depende da paixão
santa é minha loucura,
que galopa como um alazão,
ave esta ternura,
suave e colorida
como penas de pavão,
ave Maria, avestruz,
Cristo morreu na cruz,
Maomé foi a montanha,
Ana Montana adora cuscuz,
a noite é de sao Jorge,
a lua é do dragão
e a terra viaja no universo
como um ínfima bolha de sabão...
VIRGÍNIA
Um dia a solidão inventou a lua e as estrelas, e a melancolia de contemplá-las; caminhava a beira do açude para descobrir o avesso do firmamento que certamente estaria no reflexo de seu espelho. Descobriu que o lago são lágrimas choradas pelos que se desiludiram com o amor e a vida, ou as lágrimas que ainda não choramos. Quando não pensava em nada viginha colocava os planetas nas margens do açude; terça casava com alfredo em marte; quinta casava com lucas en jupiter, quarta casava em venus, domingo se divorciava e voltava a terra, e, na terra era solitária. Há muito tempo o gaiola trouxera as suas mais belas recordações nas águas do rio; Iara era o fruto dessas recordações, mas um dia o gaiola se foi; a lua e as estrelas mergulharam no espelho do açude, e a noite cinzenta só mostrava o vulto de um espírito que não mais percebia os crisântemos e açucenas que floresciam às margens do lago. Virgínia buscou a lua e as estrelas no fundo do lago e descobriu o mistério e o silêncio de águas profundas...
Ela olhava a lua e as estrelas como suas únicas impossibilidades; comprara as terras do seu Joaquim, já que ele não conseguira quitar suas dívidas por conta de empréstimos que fizera para combater a praga na lavoura; comprara as de Mirna; notara como Nelson a olhava e como mencionava seu nome; ela também não queria desfazer-se de suas terras; mas os constantes roubos de gado fizera ela mudar de ideia; casara com Nelson, advogado da família, com quem tivera Leandra, que morava com uma tia por parte de pai na capital; e assim a solidão, já que Nelson inventara uma viagem e nunca mais regressara, e, notícias nenhuma; perdera as esperanças. Passados dois anos, mandara alguém investigar o seu paradeiro, mas, nada de concreto.
Ela olhava a lua e as estrelas, ela olhava o firmamento suas únicas impossibilidades... seu mundo não tinha cerca, sua cerca era o horizonte, o que não era montanha era pasto, o que não era pasto, era cafezal, o resto era imensidão; mas antes uma corda acolheu o seu corpo num acalanto macabro, num beijo eterno para a eternidade; galhos e cipós a lhe envolver ao tronco de um carvalho com muitos bugalhos. Era uma paixão tão grande, que o pântano acolheu sua alma e lhe fez vagar palmo a palmo sua imensidão...
Tenho sonhado com a lua em todas as suas fases, um céu estrelado estrelas cadentes riscando os momentos fazendo imaginar-se os mais belos desejos, fantasia é uma nave tripulada pelas imaginações mais férteis; então eu me vejo sob um céu bem próximo, estrelas de todas as grandezas; tem uma dançarina que se exibe num balé e de vez em quando roda nas pétalas de alguma estrela... nesse mundo eu procuro as esquinas, os horizontes, mas parece que há um deslimite; a bailarina ensaia uma valsa na fase cheia da lua sobre uma praia de luz uma plateia surge não se sabe de onde e aplaude efusivamente; a bailarina é carregada por um raio de luz e os meninos representam “Amoramora, este tango é meu...” então a bailarina surge do meu lado com uma roupa de plumas e paetês, declama a última estrofe e some ante o meu deslumbramento diante os primeiros raios de um alvorecer...
A LUA E AS ESTRELAS
E se eu não tivesse um sonho
O que eu componho
Mentiria
Mas a ilusão
Que me ergue como um pêndulo
Acalanta a fantasia
Já sei ser triste
Nesse vai e vem,
Nesse balanço
É triste ser feliz, eu já fui triste um dia...
Amanso o meu espírito com tua presença,
Com a tua voz eu danço...
Tua voz é melodia
Eu sou tão triste...
Noite passada,
Passada a noite,
Passadas e mais passadas
De mim mesmo
Eu te vejo num luau
Sob tudo que tem sobre tua cabeça
A razão que te devora
De fora pra dentro
De dentro pra fora
Você é tão feliz... e isso é triste
você tem tudo
Mas você não sabe o que é ter a lua e as estrelas...
Eu sou a poesia...
O sol? O que é o sol; o sol está tão distante...
A lua, as estrelas, a chuva, o vento, a tempestade..
Quatro paredes e um teto e você sai incólume
Mas a poesia... quem te protegerá da poesia...
quem te protegerá de ideologias patrióticas e tiranos
A bomba explodiu, uma das torres da mesquita ruiu
Velhos, mulheres e crianças entre as vítimas
Bagdah era um caos, mas ainda havia esperança...
O ar contaminado, o vento empoeirado
o horizonte fumaçado e translúcido...
um soldado metralhando o seu próprio medo
recebe um proj´etil na cabeça
esse é o meu verso, um poema macabro
Eu sou a poesia...
mas bem aventurado os que têm sede de justiça...
bem aventurado os mansos...
eu sou a poesia era um poema da namorada
no bolsinho da algibeira,
uma lembrança cabreira de um recruta tímido
sem a ideologia de morrer pela pátria
eu sou a poesia: um fuzil na destra, uma granada na esquerda,
o inimigo: qualquer movimento suspeito
e o que afrontasse a nossa ideologia
Bagdah era um inferno;
mulheres e velhos prostrados clamando por Allah...
o odor insuportável de cadáveres putrefatos,
gente ferida, gente agonizando...
e até ao final dos meus dezessete anos
caminhando entre as rosas e as samambaias
do jardim da minha casa
eu pensava que era poeta,
mas a namorada já dizia que eu era a poesia...
Todas as feridas precisam de tempo,
A solidão precisa apenas de uma lua
Algumas estrelas e uma varanda
Os poetas precisam de ilusões,
Algumas mentiras, promessas e solidão;
Acho que perdi tudo isso
Eu só preciso de tempo, de algum tempo ainda,
Uma longa caminhada no campo
Onde qualquer sorriso se perca
Nos sons de curiós e pintassilgos
Preciso do encanto de novos ocasos
E auroras promissoras
Ter a tristeza como medida de sensibilidade
Para ter a noção exata do que é,
E o que define um olhar...
LEÕES E TIGRES
Tem alguém do outro lado da lua
Que arremessa as estrelas...
Depois do horizonte tem os pilares
Que sustentam o mundo...
E o que sustenta o teu orgulho
Se o tempo curva as nossas espinhas...
Lá na África tem gente tão bonita,
Diamantes negros, puros sangues,
Perdemos nossa melanina
Com o passar dos séculos,
Mas eles têm a pele retinta,
Os espíritos que habitam a savana
Com o rugir dos leões e o bramir dos tigres,
Isso corre em nosso sangue
E nos fez resistir a rebenques e troncos
E nos induz a procurar planetas;
Éramos deuses astronautas
E resistimos aos meteoros,
Resistimos à tirania de senhores feudais,
Resistimos à burguesia...
Nos fortalecemos nos canaviais,
Nos quilombos já planejávamos viagens espaciais;
Ganhamos com a miscigenação,
Agora somos quilombos e colonos,
Colecionamos estrelas na via láctea,
Mas leões e tigres ainda correm nas savanas,
Impune ninguém derramará o nosso sangue...
A chuva disfarça as lágrimas, o Sol as evapora, a Lua as tinge de prata misturando-as às estrelas para abraçar aquele que chora.
Espelho d'água... imensidão de mar
reflete o céu, e a Lua nele vem se banhar...
As estrelas cintilantes... tão distantes
piscam deslumbrantemente deslumbradas ao te ver chegar.
E o mar se acalma
toda vez que nele vens te banhar
sua água aquece pra te envolver, pra te abraçar...
E eu, na praia, atrás das dunas (testemunhas)
fico a te espiar, a te admirar...
E tu, dentre todas, a mais bela,
não sabes que eu só sei te amar.
E lá fico eu... a repetir, mil vezes a repetir: pra sempre vou te amar!
E em mim a esperança mais louca - um dia dos teus lábios ouvir:
E eu nasci só pra te amar...
...
E o meu amor é do tamanho do mar.
Venha me buscar
As estrelas e a lua anunciam,
Deixa esta noite chegar...
Se eu te amar hoje
Amanhã nós seremos um só.
Eu te aguardei ansiosamente,
Você demorou tanto a chegar...
Achei que era pra ficar
E que viera me amar.
Mas partiu sem me levar,
Tão rápido se foi
Que nem de mim se despediu...
Veio só pra machucar meu coração.
E no repente em que se foi
Eu a anseio ver voltar...
Se não for para ficar,
Ao menos venha me buscar.
Edney Valentim Araújo
A Lua
No sorriso da lua vi as estrelas brilharem como vagalumes na vegetação rasteira,
vi também as ondas do mar dançarem no ritmo doce e sereno da noite.
No sorriso da lua encontrei o estímulo certo para abraçar o seu reflexo reluzente aos olhares atentos da minha amada,
vi também a timidez o sol e sua preguiça insistente de não querer acordar.
Uma noite abençoada pela sagrada beleza da lua, aplausos infinitos a essa memória que jamais irei abandonar.
