Literatura de Cordel
PARE! Onde vocês pensam que vão?
O salário não vem.
O trem parou, o hospital fechou a empresa mudou.
A escola os alunos abandonou porque o professor se revoltou.
E a comida acabou!
A multidão se exaltou.
E a disciplina do poder nos prendeu e condenou.
Através da vidraça os olhos já não alcançam
o horizonte em detalhes acinzentados,
descortina-se lá fora a visão da liberdade,
embora ali dentro existam braços acorrentados
Sobre a mesa simples a louça especial,
ornando com a toalha de renda branca e linda,
tingida por pétalas de flores caídas,
apenas lembranças, outra tarde quase finda...
O corpo transpirou e quase dormente
deixou agitar o coração em desarmonia,
n'alma os sonhos, aos poucos, sucumbiram...
Percebeu grande vazio, tão de repente !
flutuando nesse escuro vácuo de agonia,
ao amor que se ausentou, lágrimas surgiram...
Mãezinha
Me lembro sempre do seu sorriso
Ao ensinar as coisas simples da vida
Orientando sempre a seguir o caminho certo.
Infelizmente pra contrariar quem vc amava
Segui o caminho inverso.
Entre linhas e escritas,
As lembranças surgem nos meus versos.
Ao som de Paulo Sérgio, vc sempre me disse.
"QUERO VER VOCÊ FELIZ !!!"
Sim!!!
Você sempre fez de tudo pra que isso fosse possível.
Apesar das desventuras e desgostos que a vida nos ofereceu.
Seguiu sempre com a cabeça erguida
Em companhia de sua fé
E sua esperança inabalável.
Recordações de nossas danças ouvindo "RadioGaga" e "Crazy Little Thing Called Love" do QUEEN.
(Minha mãe amava o Freedie Mercury)
Mesmo sem saber a letra, cantávamos limpando a casa se divertindo, todos domingos antes do pai chegar.
Quando ele chegava, ia assistir o futebol e dormir no sofá.
A Rô sempre trazia alguma novidade e historias divertidas, as vezes trazia um álbum de música pra gente ouvir ou comprinhas que ela fazia.
(Eu e você adoravamos quando ela trazia Donut's rsrsrs).
Geralmente no final da tarde íamos pro quarto rir e se divertir assistindo Silvio Santos.
E ficar esperando os números da Tele Sena
Na esperança de ganharmos um casa e mudar o rumo da nossa história.
Foi a melhor fase das nossas vidas .
Te amo tanto minha mãe. !!!
Vou seguir sempre seus os ensinamentos para uma vida próspera e ser feliz.
Se pudesse voltar ao passado
Sabendo o que seria do futuro
Teria te incentivado a ser mais livre
Tenho certeza que seu sorriso lindo seria marca estampada sobre as tristezas
Vc que sempre sonhou em viagens e festas
Conhecer Paris, viajar de avião, morar em uma casa maravilhosa em algum paraiso desse mundão.
Me lembro do seu chaveiro com a torre Eifel que a senhora vislumbrava em pura emoção.
Que pena, minha mãe...
Essa vida foi muito injusta com você.
Você tinha tantos sonhos ainda para viver.
Me arrependo de ter vencido alguns conflitos
Que me levaram a me perder nas luxurias do mundo
Perdi feio a batalha
E você sempre venceu a guerra por mim.
Carrego sempre uma medalha de honra em meu peito.
O orgulho de ser filho de
Maria de Fátima Lima Pinheiro.
A Paraibana mais linda que eu já vi
Aquela que me apaixonei ao abrir meus olhos a primeira vez
Quem me chamou de filho e me ensinou tudo o que sei.
Ela, que lutou bravamente como uma guerreira pra que não faltasse o pão na mesa ao amanhecer.
Que desafiava os brutamontes no metrô lotado, quando me carregava recém nascido em seu colo pra disputar uma vaga de assento adequado.
E foi assim até o fim da minha infância.
Ela sempre acertando meu despertador, e preparando meu café, pra eu não perder a hora da escola e não ficar com fome durante o dia.
A pessoa que escondia moedinhas na minha mochila pra eu sempre ter um trocado.
Ela que mesmo não sabendo o conteúdo da matéria, estudava pra me ajudar a tirar notas boas.
Quem me incentivava nos meus sonhos mesmo sendo contra alguns deles.
Que me presenteava aleatoriamente sem datas especiais.
Porque para ela, o importante era ser feliz.
Lembro que vivia dizendo:
"Não me apareça com criança em casa, que nem quero ver nem pintada de ouro!!!"
Mas tratou todos os netos como seu legítimo tesouro.
Sinto tanta falta das broncas sem sentido que você me dava.
As vezes brigava comigo, só pq tinha imaginado que eu poderia fazer algo errado.
E ficava brava demais quando eu não me alimentava.
Ah minha mãe!!!
Quanto orgulho tenho de você.
Só você, sabe o quão duro foi suas batalhas.
E o tanto que lutou para vencer.
Obrigado, por todo amor que compartilhou.
Saudades véinha... beijos do seu filho, com muito amor.
Thibor
Não se deve ler por obrigação, tão pouco por capricho ou aparência. Devemos ler somente algo que nos certifique de que o tempo se tornará mais rico com aquela leitura. Algo que supere, em beleza, harmonia, contraste, pavor, loucura, em suma, o lugar que o momento nos presenteia. E que, acima de tudo, possamos ter os nossos próprios pensamentos depois de entregar nossas cabeças às palavras alheias. O que o beija-flor faz com as flores, devemos fazer com o livro: sugar o seu líquido doce e necessário e com sutileza e elegância não deixar jamais de mover as asas.
É impressionante que um homem que já esteja morto possa falar com as pessoas através destas páginas. Enquanto este livro sobreviver, as ideias dele viverão.
Você possui tudo o que aconteceu com você. Conte suas histórias. Se as pessoas quisessem que você escrevesse com mais carinho sobre elas, elas deveriam ter se comportado melhor.
“O hábito da leitura leva o indivíduo a ser capaz de perceber os sentimentos e as intenções; de identificar a realidade e, finalmente, de mudar para melhor o meio em que vive.”
Não gosto da palavra ficção, porque é demasiado redutora. Prefiro dizer: isto é um texto inteiramente livre, onde posso usar os elementos que me apetecer. Neste caso é um conto, podia ser um romance. A fronteira é sempre a liberdade. E o pacto que eu estabeleço com o leitor é esse.
Poetas, romancistas e dramaturgos se dedicam, contra terríveis resistências, a entregar o que o resto de nós mantém trancado em segurança em nossos corações.
Eu meio que criei um personagem odioso. Nesse conflito dele com a natureza, eu torceria pela natureza. Tive um certo receio de que essa antipatia pelo personagem prejudicasse a leitura, que os leitores abandonassem o livro por isso. Mas fico feliz que os leitores têm apreciado o livro, mesmo detestando o personagem, e que alguns até conseguem ter simpatia ou atração por ele.
Meus temas e meu universo não são convencionais no meio literário. Minha aparência também não. Por um lado, essa desconfiança vem diminuindo, porque já tenho mais de dez anos de carreira, oito livros, não sou mais um garotinho. Mas também me sinto mais confortável para ousar, tanto no discurso, na aparência, quanto no texto.
Separo-me, porém, de ti; já passou o tempo. Entre duas auroras, me iluminou uma nova verdade. Não devo ser pastor nem coveiro. Nunca mais tornarei a falar ao povo; pela última vez falei com um morto.
