Liberdade que Escraviza
Só é livre aquele que não deixa-se escravizar pelas coisas.
Porque ao se sentir empoderado por qualquer uma delas, o poder será das coisas e não de nós humanos...
Lúcio Aneu Séneca, Filósofo estoico disse "é livre quem deixou de ser escravo de si mesmo".
Porém reitero, É livre aquele que não se deixou escravizar pelas coisas, Nilton Mendonça parafraseia...
Aquele que vive na ignorância é feliz, porém um escravo. Aquele que desenvolve o conhecimento e trabalha para sair da ignorância é infeliz, porém um ser livre.
Uma sociedade contemporânea solta mas não livre e muito doente entre becos e vielas da persistência esquisita sem visão do depois.Tantas falas, muitos ficares, achares diversos sem direção, palpites infelizes e uma crescente devastadora interna solidão, sentimento de vazio e depressão. A vida por nada ou por tão pouco em todos os lugares que vagueia por indecisão. A contra-mão da emoção.
Fazer algo para ser admirado pelos outros te torna um escravo, mas fazer o que queres somente pelo desejo de fazer te torna livre.
Mentalidade revolucionária é fábrica de escravos, a mentalidade contra-revolucionária é fábrica de homens livres.
Infelizmente no mundo atual dos homens não existe uma só cultura do planeta que seja livre, conquiste e mantenha a paz pelo amor, pela pacificação e pelo desarmamento. Quando assim o faz, torna se uma cultura frágil, cativa e dependente. A paz só é possível hoje entre a cultura dos homens, pelo forte poder da guerra, pela liberdade e autonomia econômica e a soberania hegemônica nuclear e atômica.
Os homens servem a deuses quem deveriam ser seus escravos. Estado ou mercado devem servir e não assenhorear a sociedade.
14 de Maio
No 14 de maio de 1888, o Brasil amanheceu livre. Ou ao menos, livre o suficiente para se parabenizar diante do espelho.
A escravidão fora abolida na véspera, por um gesto régio, breve e elegante, como convinha à pena de uma princesa. A tinta mal havia secado, e já se cochichavam loas nos salões. O Império, enfim, provara sua humanidade — ainda que com duzentos e tantos anos de atraso. Diziam-se modernos. Civilizados. Cristãos.
Mas, nas ruas, não houve fanfarra. Nem pão. Nem terra. Nem nome.
Os que saíram das senzalas na véspera encontraram, no dia seguinte, o mesmo chão duro, as mesmas mãos vazias, e o mesmo olhar de soslaio da cidade que os libertara com uma assinatura, mas não com dignidade.
Alguns acreditavam que o trabalho viria como recompensa. Outros, que a caridade cristã desceria dos púlpitos e dos palácios como chuva mansa. Mas a chuva não veio. Nem a caridade. Nem o trabalho. A liberdade, como os santos nos altares, era bonita de se ver, mas inerte ao toque.
Os senhores — agora ex-senhores — mostraram-se melancólicos. Alegaram prejuízos, saudades das "boas relações" com seus cativos, e passaram a vestir ares de vítimas. Alguns, mais práticos, converteram antigos escravos em serviçais por salário algum, chamando isso de transição. Outros apenas viraram o rosto, como quem se desobriga de um cão abandonado ao portão.
O Estado, por sua vez, considerou missão cumprida. E foi descansar.
No dia 14 de maio, portanto, nasceu no Brasil uma nova classe: a dos livres-sem-lugar. Cidadãos sem cidadania. Homens, mulheres e crianças com a dignidade estampada na Constituição e negada na calçada.
Seguimos livres no papel, presos na realidade. As correntes caíram, é verdade — mas com elas não caiu o silêncio, nem a desigualdade. Só mudou a forma da prisão.
Quando os filhos da escrava, Hagar, deixarem de existir como o monte Sinai na Arábia, pode ser que, pelo arrependimento, se tornem os descendentes da mãe livre, Sara, para alcançarem a sua eternidade em Cristo, a nova Jerusalém lá de cima.
Eu sou livre e de bons costumes. Me sinto confortável para mudar de opinião, posição e interpretação a qualquer momento, sempre. Nenhuma falsa verdade me prende.
" Cite ao menos um país na face da terra que há comunismo com progresso, sem que tenha qualquer tipo de capital investido, escravidão e tenha livre expressão. Apenas UM."
