Justa
“Uma lei injusta pode ser obedecida por medo; uma ordem jurídica justa é obedecida porque reconhece no cidadão um ser humano, não um instrumento.”
A inteligência artificial poderá conhecer milhões de decisões; ainda assim, cada decisão justa continuará sendo singular.
Como seres humanos imperfeitos podem instituir uma ordem suficientemente justa para que possam coexistir sem que a própria imperfeição destrua a possibilidade da convivência?
Como seres humanos imperfeitos podem construir uma ordem minimamente justa para viver juntos em uma sociedade tecnologicamente acelerada?
A justiça humana será tanto mais justa quanto mais compreender que por trás do ato existe um ser em processo de evolução.
Ninguém se torna justo por admirar a justiça, mas por transformar repetidamente a escolha justa em forma de existência.
Quando a conduta de quem governa é justa, a lei encontra autoridade no exemplo; quando não é, até a melhor norma pode parecer apenas uma ordem imposta.
A paz não é simplesmente ausência de conflito; é uma ordem suficientemente justa para que a convivência não precise depender permanentemente da força.
O indivíduo tende a acolher com facilidade aquilo que confirma suas convicções e a resistir justamente à evidência que poderia obrigá-lo a reconstruí-las.
Uma sociedade justa precisa perguntar não apenas o que as pessoas possuem, mas o que são efetivamente capazes de fazer e ser perante a ordem jurídica.
Uma sociedade justa precisa distribuir não apenas recursos, mas também credibilidade e reconhecimento.
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