Jardim das Borboletas Vinicius de Moraes
IMPÁVIDA POESIA
...E disse Deus:
Haja luz!
Feliz, prosseguiu:
Voem passarinhos
Borboletas em mil cores
Brotem flores pela terra
Ondas beijem as praias
Hajam céus
Universos em estrelas
Lua para os futuros amores
Sol para despertar a vida
na imensidão dos mundos...!
Então, estrondar de beleza sem igual!
Agora, o momento sagrado
A obra prima
A primazia da sua arte
Eis que homem e mulher Ele cria!
Sopra-lhes nas narinas uma alma que sonha
Que sente
Que ama!
Então num fache de luz
Em grandeza e maestria
Há o reconhecimento do belo
Olhos nos olhos
Bocas de carmim
Uma colossal alegria...!
E no fundo do ser dos primeiros amantes
Cheios de rompantes de paixão e acalanto,
surge do amor
Impávida
A primeira
A mais bela e terna poesia...!
Olhando o céu
Jogo o olhar no horizonte
Cato nuvens transitórias
Acompanho as borboletas
Em seu voo alucinante
Traço metas provisórias
Guardo sonhos nas gavetas.
Certa vez me disseram que as borboletas
não ouvem, apenas sentema...
Há diasem que eu gostaria de ser uma simples borboleta...
mel
É encanto, canto e voz...voou de borboletas, beijas-flor...é poesia tudo que vem de tu: é mato, é verde. São laranjeiras, roseiras...são mares e rios, são músicas no vento...é tudo louco, solto no ar.
Não demore
Enfeitei-me toda de flores
para o seu amor receber
as borboletas sentiram os odores
rapidamente vieram se estabelecer.
Se você demorar a chegar
o lugar estará ocupado
o perfume será alterado
e as flores terão murchado...
mel - ((*_*))
Que as borboletas jamais descuidem do cristal de outono que escondo em minhas costas. É minha clareza além dos olhos. Escudo obsequioso de lucidez que nunca dorme. Os gigantes e as feras por tras de mim, jamais terão a seu favor a prerrogativa da surpresa, antes do golpe, já os conheço e os antecipo. Quem disse que anjos também não se disfarçam de borboletas?
Áridas borboletas, redemoinhos de flores em condolência, aqueles rios de lama assassinaram os peixes, faço um lembrete a natureza, ponha-te a frente dessa escassez... já vou indo – onde não possas me observar, salvando os ramalhetes de flores... mortos já estás, minha alma – petrificada, no cantarolar dos ventos... rumando a noite em busca da madrugada... vou-me dormir, descansar meus desejos... de um dia feliz – vou regressar... procurar meu beijo; voltar a amar...
VIVO OU NÃO
Suponha-se que seja feliz
tudo ao seu redor é lindo,
borboletas e cores vivas
pra lá e pra cá sorrindo
Suponha-se que não seja
tudo ao seu redor é feio,
morcegos e cores mortas
em abundância um empesteio
Suponha-se que veja ambos
tudo ao redor é relativo,
borboletas e morcegos juntos
imagem em estado furtivo
Suponha-se que não vê nada
porque a vida já o deixou,
quem muito se supõe agora
sequer viveu para supor.
Aonde foram parar as borboletas no meu estômago ao ter ver?
Foram todas afogadas em um vinho barato na tentativa frustada de te esquecer...
Engoli todas as borboletas da terra. Vi constelações nos seus olhos. O vento soprou, e não era mais frio, agora era quente. Era outono mas virou verão, graças ao teu abraço. Teu sorriso me invadia e sem pudor roubava meu ar. Um coração que não cabe em linhas. Você é o céu inteiro. O sol raiou no seu sorriso e de repente amanheceu. Em degradê de vermelho, rosa e amarelo quando se põe. Teu cheiro é aquarela. E se dissolve em mim. Inevitável. É melhor que amor se isso é possível. E eu acredito. Em tudo aliás, depois que te encontrei. Minha alma encontrou uma casa. Teu peito é minha morada. Lar doce lar.
Borboletas num vôo agitado
Tentam se acalmar e somente flutuar
Elas se debatem e se cansam
Os sentimentos e as sensações se misturam
Atender a qual pedido?
Ceder a qual emoção?
Voar, ser livre, se encantar e viver.
A vida é mutação !
Metamorfose de pedras
estradas e borboletas .
Pensar que estamos salvos
imunes e
seguros é pura ilusão.
Metamorfose...
Vestidas de todas as cores, desfilam elegantemente pelos jardins. Borboletas...Daqui, dali, colorem o mundo, metamorfoseiam-se porque nada é eterno, mudanças, são necessárias.
by/erotildes vittoria
