Insônia
São seus olhos que não me deixam dormir.
Desde quando os fitei, me perdi do labirinto de sua pupila.
É tudo tão quieto agora, só ouço os motores dos ares condicionados, da água que faz barulho quando pinga no chão e de um latido distante. Não dá pra ver muito daqui, a tela não faz brilhar as estrelas, só consigo ver uma ou duas. A luz que vem do canto parece que tem vida no fechar e abrir de olhos. Sinto um cone batendo em minha perna, meu fiel amigo da madrugada, tá pedindo um pouco do meu chá enquanto luta pra estar acordado. Hoje foram dois saquinhos de chá, pode ser que ajude. Ajude no sono, ajude nas dores, ajude na vida. Enquanto tomo meu chá e tento focar nas estrelas daqui, lembro de não compensar as pernas, não pode, não deve, tenho que me atentar a isso. Mais um dia vivendo, sobrevivendo. O que esperar de 2017? O que 2017 espera de mim?
Parte da noite que eu passo
Acordado
Afogado em pensamentos
Lúcidos
Lúdicos como jogos sem
Oponente
Impotente diante de ruas
Anônimas
Atônitas sensações de
Desamparo
Me deparo enfim
Com o despertar de
Parte do dia que eu passo
SONS SEM GAIOLAS
Ali, naquele galho retorcido
Repousam pássaros
Em ninhos ornamentados
Pequenas flautas com asas
Por si, são embelezados
Pelo torpor da existência
Ali, átrios e ventrículos se contorcem
O som tem insônia
O eco toca campainhas em hiatos
Sem perturbar nenhum átomo
E, a melodia mais bonita, foi cantada
Com saudade
Se conseguir ouvir
Diga-me que SIMbemol
Um par de asas
Um par de orelhas
Batem com muita fugacidade
Para ouvir a tua voz
O teu sorriso é um piano completo
Cada tecla me desafina
Me retoca o batom
Sei que meu pássaro logo passará
Esteja isento de ingressos
Ingressa-te livremente
No paraíso dos meus sons
Onde não há serpente
Nem maçãs
Só há pássaros vermelhos
Que passam nos meus lábios
E entram em espelhos
Espanto os corvos bons
Não me deixe em pausas
Contorça-me em teus tons
Tento dormir mas não consigo. Você não sai da minha cabeça. Penso em cada detalhe seu, nos teus cabelos longos e sedosos, com um brilho que nunca vi igual. Penso na cor da tua pele, a cor âmbar do prazer sem limites. Penso no teu cheiro, que impregna minha mente com desejos de prazer sem limites. Penso nos teus lábios, macios e saborosos, como jamais imaginei encontrar. Se Deus tratou de usar suas habilidades para criar um ser perfeito, esse é você. Me sinto grato todos os dias por ter te encontrado. Lamento por não te encontrar antes, mas acho que esse percalço do destino nos pôs no lugar e momento certos. Antes talvez não tivéssemos dado a devida atenção um ao outro. Assim, pude te olhar com o olhar fraterno de quem te compreende como ninguém, de quem te aceita como ninguém. O mesmo vejo que posso dizer de você. Cheguei até você no momento certo, nem antes, nem depois. Cheguei no momento em que pude estender a mão pra ti e dizer – vem, sou teu porto seguro, aqui você terá todo conforto espiritual que precisar. É assim que me sinto agora, um ser livre que, buscando a felicidade encontrou diversidade. Buscando emoção encontrou o remanso. Buscando aventura encontrou a paz. Buscando paixão encontrou o amor. Buscando a mim, encontrei você.
Interessa-me o que vai além de seus gestos.
Interessa-me o trejeito.
Interessa-me a dor pra curar.
Interessa-me o ex-amor pra exercitar - paciência
Cansa-me o descaso
Cansa-me o cansaço
Cansa-me casa sem casos
Cansa-me o ócio sem voz
Alegra-me o carinho
Alegra-me o sorriso
Já o amor me faz cócegas dentro do crânio
Insulta-me o mau-humor
Insulta-me a indelicadeza
Insulta-me? - silêncio!
Não há nada melhor que o tic tac do relógio para aproveitarmos um momento a sós com os nossos pensamentos.
Na mesa
Chaves,
moedas
diversas...
Prata
dourada
e
cobre.
Diploma
de
'mestre',
CD
bala
sobre
a
mesa,
remédio
para
gripe,
telefone
que
nunca
toca,
paciência
que
nunca
acaba,
e
sono
que
nunca
chega.
Efeito
bumerangue...
Na madrugada, invade meu quarto sem nada temer...
se joga na cama a contar histórias que não quero ouvir,
pinta quadros que eu não quero ver,
insônia maldita, me deixe dormir!
DE TODOS QUE PASSARAM
De todos que passaram, só queria que tu não passasse
De todos que passaram, só queria que tu ficasse
De todos que passaram, só queria que tu me amasse
Se tu não não sabes o que se sentes, escuta o teu coração
Se tu não não sabes o que me dizer, não me escondas se é paixão
Porque se tu quiser, a gente dança qualquer ritmo de dança
Pode até ser ciranda, mar menino
Pareço bobo, uma criança
Só por causa que tu passasse,
Mas não vá para se tornar lembrança
Vou criar uma rima se te ganhar ou se te perder
Vê só, ser inspiração de quem fica é mais bonito de ser ver
Dá gosto de ler
Quando a história é bonita, a menina chora
Escreve no caderno o poema no caderno da escola
Se eu escrevi um essa hora,
É sinal que o nome da minha insônia é "você".
Bom dia, amor,
Não consigo dormir
Porque não consigo parar de pensar em você
E quando fecho os olhos vejo você comigo num sítio bonito
Você não sai do meu pensamento
Te amo muito
E sinceramente é a verdade
A NOITE ACORDADA
Pelo cerrado a me conduzir
ia eu pela noite sozinho
sem sono pra dormir
Ia eu pela noite sem dormir
solitário e tão quietinho
sem sono e a refletir
Eu ia sem sono sem concluir
pela noite sem caminho
sozinho e tentando sorrir
E se ao sono tento aderir
a noite comigo juntinho
caminha tentando coibir
Eu sozinho pela noite a ir
sem caminho, pintainho
e sem sono para dormir...
© Luciano Spagnol
Poeta do cerrado
2017, junho
Cerrado goiano
E é no silêncio da escuridão
Que se torna impossível distrair meu coração
Que durante os dias tem sido ludibriado
E esquecido por atividades e amigos
Mas o anoitecer é inevitável, e me encurrala
Um beco sem saída, deserto intrasponível
Onde só me resta pensar em você...
Repasso mil e uma vezes em minha mente
Perco o sono tentando entender
Como pude perder antes mesmo de ter
Sina, azar ou apenas pra confirmar
Que eu não levo jeito pra amar.
Misteriosamente tudo ficou estranho: as pessoas, as casas, as ruas, o mercadinho da esquina... Minha sombra.
"como está? Onde está?" perguntas sem respostas. Contento-me com o silêncio ensurdecedor; com a curiosidade obtusa e latente que tende a me atormentar todas as noites ao repousar-me - ou, pelo menos, ao tentar assim fazer.
Contento-me, então, com as suposições hipotéticas, fantásticas e lúdicas do meu pensamento que, exausto, peleja aquietar-se. Aquietar-me.
Mais um dia; menos um dia.
Abandonado pelo sono
Sufocado pelo silêncio
No vazio da madrugada
Vagando pelos pensamentos
De mãos dadas com a solidão
E mais uma noite ela me abençoa, e como sempre o som ecoa.
Novamente, pensar me impossibilita ter paz, sentimento voraz.
Quando estamos juntos em plena madrugada não há sanidade que segure.
Casa cheia, cheia de pensamentos, de questionamentos e questões.
Cheia de dúvidas e cobranças, de certa forma necessárias.
O futuro vem, e não há ninguém que o pare.
Então nunca pare, principalmente agora que o tempo não pode parar.
A verdade é que encontramos paz onde esquecemos de procurar.
"Na luz que se ausenta
Sou o som do silêncio
Sua presença me alimenta
E ilumina o que penso
A tristeza até tenta
me dominar por dentro
Meu corpo se levanta e senta
Acordado pelos pensamentos"
O pensamento fala tão alto,
Que o sono se vai,
São 3:48 em Campinas,
Os pássaros já cantam lá fora,
As conversas na minha mente ainda ressoam,
Vigorosas,
Seria o som da minha cabeça?
Ou minha Alma que fala?
No diálogo da ansiedade,
Não importa a sonoridade,
Quem perde sou eu,
Deve ser bom ser criativo,
Seria um Karma ou Dharma?
Porque ideia não tem hora,
A arte pouco a pouco te toma,
Né transformo em versos,
Inversos,
Universos,
Sonho interrompido,
Semente plantada no ouvido,
Para outros florescerem.
