Grosseria
Tem tanto pavor de ser visto como ingênuo que constrói uma muralha de grosseria, machucando os outros para nunca demonstrar a própria vulnerabilidade.
"Quem planta franqueza, colhe
grosseria.
Será autenticidade uma forma de burrice?"
Haredita Angel
27.02.2018
A sinceridade foi taxada de grosseria para que a farsa pudesse circular com a promessa de uma falsa paz.
Ainda preciso dizer isso para a minha sogra, tenho medo de parecer grosseria...
“Eu respeito sua fé. Peço que respeite a minha também.”
Confundir Grosseria com Franqueza é muito fácil, difícil é convencer o outro a aceitar a agressão deliberada.
E essa confusão caprichosa nada mais é do que um atalho tentador para quem não quer atravessar o terreno da responsabilidade.
A franqueza exige compromisso com a verdade e com o outro; a grosseria se basta no impacto e se esconde atrás da desculpa da “sinceridade”.
É fácil chamar de honestidade aquilo que foi cuidadosamente temperado para ferir.
Difícil é sustentar que agressão deliberada seja virtude — ainda mais quando se exige do ferido maturidade, compreensão ou o famoso “jogo de cintura”.
A franqueza jamais precisa levantar a mão para se fazer ouvir.
Quem precisa subir o tom para sustentar uma ideia, não tem ideia alguma para sustentar — mas caprichos.
Quando a palavra nasce para machucar e não para esclarecer, já não é verdade: é descarga.
E não, não cabe ao agredido aprender a aceitar o golpe para que o agressor se sinta autêntico.
Isso não é franqueza…
É grosseria pedindo absolvição.
Num mundo onde quase tudo se confunde, qualquer um pode confundir Grosseria com Franqueza, mas não esperar que ela flerte com a minha misericórdia.
Para as ofensas deliberadas, talvez só a Deus caiba o perdão…
Quem vive tentando ser mais humano também cansa!
Os que tropeçam no infortúnio de confundir Grosseria com Franqueza, já retrocederam ao estágio mais medonho da grosseria.
A franqueza nunca precisou levantar a voz para ser ouvida.
Ela não humilha, não diminui, nem transforma sinceridade em espetáculo.
A verdade, quando amadurecida pela sabedoria, encontra caminhos para alcançar o outro sem lhe roubar a dignidade.
Vivemos, porém, um tempo em que a grosseria foi descaradamente renomeada.
Chamam-na “personalidade forte”, “autenticidade” ou “sinceridade sem filtros”.
Como se a falta de educação fosse virtude e a incapacidade de exercer empatia fosse prova de coragem.
Há uma diferença profunda entre dizer a verdade e usar a verdade como arma.
A primeira constrói, ainda que confronte.
A segunda apenas fere, ainda que esteja revestida de argumentos corretos.
Afinal, não basta que as palavras sejam verdadeiras; é preciso que também sejam justas, oportunas e às vezes até misericordiosas.
A verdade dita com má intenção é tão ruim quanto qualquer mentira.
A franqueza é uma qualidade dos fortes.
E a grosseria, muitas vezes, é o refúgio dos inseguros.
Quem realmente domina a si mesmo não sente necessidade alguma de esmagar alguém para defender uma opinião.
Pelo contrário, sabe que a firmeza de um caráter se revela mais na serenidade do que na agressividade.
Talvez o maior sinal de maturidade seja compreender que podemos discordar sem desrespeitar, corrigir sem humilhar e falar com firmeza sem abandonar a delicadeza.
Porque a verdade perde parte de sua força quando chega carregada de arrogância.
No fim, não seremos lembrados apenas pelo que dissemos, mas pela maneira como fizemos as pessoas se sentirem enquanto dizíamos.
E isso revela muito mais sobre o nosso caráter do que sobre a nossa eloquência.
Tem gente que é bobinha, não reage a grosserias, engole tudo, sapos, vacas e jumentos, chora trancado no quarto, cria mágoas infinitas, deixa feridas abertas. Fico pensando nessas pessoas que preferem se mutilar do que se impor, dizer que não gostou, pedir e exigir respeito.
Eu era assim, e o pior eu me impunha dentro de casa e apanhava na rua. Deixa eu me explicar: em casa eu era a rebelde, a que não aceitava desaforo, a bateu-levou. Na rua eu era a engolidora de sapos, aquela que podem aprontar tudo sem consequências nenhuma.
Um belo dia parei para refletir: ué tem alguma coisa errada, tá tudo errado, para e muda tudo. Eu agredia com palavras, atos e ações quem eu mais amava, meu pais, meus irmãos, meu namorado e era mil vezes tolerante e ou engolia choro com estranhos. Hum! Cuméquié? Me interna. Daí veio a ideia mágica de filosofias aprendidas por aí de que só fazem com a gente o que a gente permite. E não é que isso é a mais pura verdade. Essa informação é tão preciosa que poderia ser patenteada e vendida.
Com base em tudo que você aprende na marra e sem nenhuma facilidade você acha muito justo mudar. Ou você fica mais tolerante com os seus e com o mundo e pratica técnicas budistas, ou você manda a bruxinha fabricar um certo pozinho de agressividade para que você possa dar medo em certo alguém partindo do pressuposto que remédio para louco é um louco e meio.
Seja mais amável com o seu próximo, seja mais amável com quem te ama e dá a vida por ti. Seja mais tolerante com as pessoas ao redor, a vida vai te recompensar, mas se você ficar triste ou revoltada ou sentindo necessidade de se impor, se imponha com qualquer um. Não agrade os de fora e desagrade os de dentro, os de perto. Seja você em qualquer circunstância. Não poupe desconhecidos agressivos que se fazem de sinceros para te humilhar.
Tudo se desvia para o desdém, o cotidiano aliado a grosseria quer destruir o que me tornei. Aquele lugarzinho escondido do medo, não é mais páreo para tamanha figuração. Amar o tempo todo é tão cansativo, porém bonito. Ah, você que é bonito. Me diz o que eu não daria para cansar de você? Lendo as cartas que você jamais mandou, eu entendo que as palavras ternas são só minhas. Esse nada, vai sempre me assombrar...
O audaz inconsciente, perde as rédeas do ego e desmancha-se em grosserias. Acostumou-se a atuar em qualquer circunstância da vida ligada aos sentimentos. Cai na desgraça que é o medo de voltar-se para dentro.
Não é com grosserias que se alcança felicidade,mas é sendo bom, humilde,compreensivo manso e perdoável.
A delicadeza está para o arroz branco, assim como a grosseria está para o arroz integral. Prefira o arroz integral. É mais nutritivo e não engorda
Abraço de um ogro.
É encantador quando a grosseria e a frieza se transformam em um abraço que acolhe e protege!
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