Gente Desconfiada
Ouvi qualquer voz dizendo: “não sangre tanto”.
e outra, engasgada, que desconfiada de mim
tapava a minha boca com a exausta lama das lamentações.
Ouvir – estou vendo a alta cúpula do Desejo
que minha mão não toca por cansaço.
Deixo-me porque pisar determinada é artifício,
um soluço na câmara lacrada -
toco o vidro e ele se ergue imutável.
Contenho bem pouco em mim
e em redor só vejo o que exalo
um semblante circular em espiral
de uma voz
- só para mim -
sempre incógnita.
Ser mineiro já define muita coisa, não que ele seja desconfiado: porque todo mineiro vai sendo o que é... para ver se no fim foi mesmo.
Em meio a mil super-heróis
Eu estou desconfiado.
Sem escudo permaneço,
Sou mais um desempregado.
Os pés preso a corrente
Dos mil vícios da cidade.
Passarelas, viadutos,
Escondendo a verdade.
Do oitavo andar se jogam
A procura da resposta,
O mercado de trabalho
Não aceita outra proposta,
Triste sina.
Eu falo sério!
Praticante do stress,
Na esperança um "senhor",
Garante lugar no céu
Negociando com o pastor.
Lagrimas já nem se escorrem
Temem o medo de nascer,
Na poluição do mundo,
No que possa acontecer,
Temos medo!
Eu falo sério!
Automóveis atrasados
Levam vidas inocentes
E nos planos funerários
Não cobriram acidentes.
Tão ingenuo!
AVC, HIV e os PS brasileiros,
Leitos, super lotação
Não é turismo de estrangeiro.
Nada disso importa se vai bem a seleção.
A vida de gado segue
Sem ter prosperação!
Leptospirose e corrupção
Vem da mesma infestação.
Eu falo muito sério!
Não acredito facilmente em qualquer palavra. Sou desconfiada. Confio em quem eu sei que posso confiar. O resto eu só finjo acreditar.
“Sou bicho arredio, desconfiada por natureza. Mas se confio, é de graça, pelo olho no olho, pela fala que afaga, pelos gestos delicados e pelo cheirinho de alma lavada que só gente com flores na alma é que tem.”
Pedaço desconfiado, movimento perpétuo
Velocidade da alma, caminho infinito
Somam dividem, subtraem multiplicam
Partículas de ilusão, atropelam esvaziam
Lágrimas do céu, nuvens de pranto
Solidão à janela, canto da saudade
Ouvidos e gemidos, sussurros e risadas
Folhas no lamaçal, onde eu caí molhada no chão.!!
Autorretrato
Eu não sou a mesma de um ano atrás.
Eu não tinha esse olhar desconfiado, assim sério, assim calado.
Eu não tinha essa língua afiada, assim irônica, assim espevitada.
Nem essa intuição assim tão aguçada, assim inquieta, assim sábia.
Eu não tinha essa força nos passos, assim ágil, assim esperançoso.
O tempo novamente me colocou numa árdua luta com os comigos de mim, e eu, mais uma vez venci.
A essência continua a mesma de sempre.
Mas vira e mexe, eu mudo. Eu me atualizo de acordo com os fatos.
Eu me desdobro, eu me refaço.
Pinto meu teto da cor do
céu.
Traço a traço, o caminho das estrelas.
Porque não só nas flores eu me encontro.
Tenho mania de sonhar e quem sonha, adora voar além do olhar.
Poema autorretrato de #Andrea_Domingues
Todos os direitos autorais reservados 13/11/2019 às 17:00
Manter créditos da autoria #Andrea_Domingues
Não confies nos confiantes,
Nem confies nos desconfiados,
São poucos todos os cuidados,
As facas são todas cortantes.
Nem confies nos desconfiados,
Por confiar o leão é vencido,
Tem cuidado sempre contigo,
Por confiar somos enganados.
Seríamos melhores sem o receio,
Pela aparência julgamos os outros,
Não confies nos que não são loucos,
Eles andam sempre no teu meio.
Aqueles que são mais desconfiados,
Muitas vezes são os que se enganam,
Por serem assim às vezes se tramam,
Pela aparência somos todos julgados.
A desconfiança põe-nos de sobreaviso,
Mas às vezes o que parece não é,
Os desconfiados dormem de pé,
Mas caem na armadilha do inimigo.
Está ainda por nascer o prudente,
Não há limites para credulidade,
Dos humanos é uma especialidade,
Por vezes se torna imprudente.
Quatro patas bom, duas é ruim,
Com duas patas é um pensador,
Também pode ser enganador,
Fica de olho aberto até ao fim.
Sê mais esperto do que os outros,
Tem cuidado não lhes digas nada,
Se te descuidares a verdade é trocada,
Os espertos também se fazem de loucos
DESCONFIAR
Pensa no presente e no passado...
Quantas vezes te sentiste desconfiado?
Pensa no futuro...
Será que passará algo de absurdo ou inexplicável?
Aprende a desconfiar dos outros pois nem todas as intenções são boas.
Ultrapassa as dificuldades e ganha sabedoria...
PARÁNOIA
Na rua
O policial
Olha o transeunte
Desconfiado
Desconfiado
O transeunte
Olha o policial
E
Cada um
Seguindo o seu caminho
Com medo
Sem saber
O que os espera
Na esquina
Em casa
O policial fecha as janelas
Tranca as portas
Apreensivo
Apreensivo
O vizinho
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Outra casa
Pra morar
Na Igreja
Todos olham para o altar
Olhos bem abertos
E a Fé por um triz
Um olho em Deus
E outro
No portal...
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