Futebol
Ele disse que precisava ir, que tinha um jogo de futebol ou qualquer coisa do tipo e deu um beijo no rosto das garotas presentes. No meu caso, não. Ele pegou minha mão e a beijou. Não sei porque ele fez isso; se foi porque me desprezava para dar um beijo no rosto ou se foi porque eu estava muito longe. Eu nunca vou saber o porquê. O fato é que ele beijou minha mão de forma cortês e saiu. Ele me beijou a mão, se fosse o rosto ou a boca eu não teria ficado tão vulnerável, tão frágil, tão fácil, tão dele...Por um segundo eu fui dele e ele nem percebeu.
Do modo como vivem os brasileiros em conversinhas de bares, em campos de futebol e na roda dos amigos que se dizem estar bem na vida, quando na verdade, muitos continuam morrendo sem propósitos.
Indo para Campo Grande, RIo de Janeiro.. num campinho de futebol muito humilde esta escrito assim:
Nâo se preocupe pela educaçâo alehia, ocupe-se da sua.
Deaconhecido
Aquele que diz que não discute religião, futebol e politica, acaba sempre discutindo religião e futebol e ignorando o principal.
Faça da vida um jogo de futebol... Chute as tristezas, drible as dificuldades e marque gols de alegria.
Futebol não é circo, é arte. Pão até gosto do pãozinho francês, mas se fosse brioche a coisa ficaria feia. Gosto mesmo é de croissant, e assim mesmo não é qualquer um que passa pelo meu crivo.
Hoje tremi nas bases pensando no discurso dos chatos de plantão que querem nos tirar um dos poucos prazeres que ainda temos, que é o de poder ter acesso a um espetáculo que é pura arte. Tremi e temi, perder o jogo e ter que engolir mais um governo vermelho. Mas os deuses do olimpo que protegem os jogos desde a antiga Grécia fizeram a justiça que o árbitro não fez. A nação brasileira hoje teve o direito de embriagar-se de felicidade.
Sentimento Estranho
Caio Rossan
Que o Futebol é a paixão nacional disso eu não tenho dúvida. Basta lembrar que aquele 7x1 contra a Alemanha provocou uma comoção quase unânime. Comoção ou revolta? Eis a questão. Afinal, aquele 7x1 foi mais dolorido do que a corrupção que assola o país, o fato de estarmos aprisionados em nossa própria residência pelo medo de sair na rua e a crise da água, quem diria, no país com maior quantidade de água doce em seu território.
Não tenho dúvidas também que o que aconteceu com o Neymar provocou uma chacoalhada nos ânimos da brasileirada. Foi um sentimento estranho, não é mesmo? As pessoas colocam um peso tão grande sobre as costas de alguém e um dia essas costas quebram, se partem, desmoronam. Que coisa, foi até literal. E esse sentimento estranho também é de impunidade. Os juízes, aqueles que detêm o poder sobre o jogo, fazem o que querem, agem como bem entendem e enxergam a falta onde não há; em algumas situações até as enxergam, mas se cegam, “passam a mão na cabeça” e distribuem cartões para quem não merece.
Esse sentimento estranho é o reflexo do que acontece com o nosso mundo, em todos os setores onde vivemos, seja no trabalho ou no templo que você frequenta, seja na roda de colegas ou até entre sua família. A impunidade está aí, presente, não apenas latente, mas manifestada e duramente perceptível. Mas a questão é que nós nos acostumamos com a dor e não conseguimos senti-la com o peso devido. O mundo olha para ela e ela desfila, com um “tchauzinho” de miss.
É possível dizer também que essa revolta que vivenciamos na mídia, poderia não ser tão escancaradamente parcial. Esse povo nem sabe disfarçar. Péssimos atores. O pior é que tem gente que ainda acredita naquela atuação fajuta. A mídia se indignou tanto com o 7x1 que seria impossível o brasileiro esquecer que um dia ele existiu. A mesma mídia omissa e manipuladora, que cria sistemas e os destrói, que impulsiona heróis e que adora vê-los cair. Talvez porque a mídia saiba quem nos tornamos.
A debilidade do sistema econômico, a decadência da saúde, a falta de segurança. Fruto do desenvolvimento, da necessidade de criar mão-de-obra para exercer aquele trabalho nada escravo em empresas, em regimes dóceis e intimamente humanos, onde é possível prosperar e ter tempo para a família, para o lazer, até mesmo porque sempre sobrará dinheiro para tal. O fato é que as cidades inflaram e não houve planejamento para o bem-estar das pessoas. O que houve foi uma ilusão, uma ilusão amarga, cujo gosto é pior do que o fel. E com isso, o que nos tornamos? Cada vez menos cooperativos e mais ambiciosos, imediatistas e consumistas.
Adoráveis adoradores ávidos do jeito Lannister de ser (manipulações, egoísmo, arrogância, egocentrismo e sede extrema pelo poder). São pessoas com essas características que vemos ascender. E não adianta dar um de politicamente correto. São elas que queremos ser. É a cabeça das pessoas sendo alterada e ninguém está se dando conta disso. As pessoas não têm mais palavra. Elas olham nos seus olhos e mentem descaradamente. Estamos sob o domínio desses juízes. Onde estão os nossos valores? Esquecidos, como um sentimento estranho 24 horas depois. E aí você vê pessoas indo ás ruas motivados sabe-se lá porquê. Uma coisa é lutar por um governo melhor. Outra é caminhar com extremistas e compactuar com devaneios, como aquela faixa contra Paulo Freire. Aquilo não existiu, né?
A sensação que toma conta dos ares é de que o brasileiro esqueceu quem ele é. Esqueceu dos bons valores. Deixou de lado o senso crítico e a lógica, afinal, a água está acabando por culpa dos governos atuais, certo? E a corrupção, bem, ela não existia antes e quem quer entrar fará diferente, porque se você for um governante, você fará a diferença, certo? Talvez porque a corrupção não está impregnada em suas veias, nos mínimos detalhes diários. E Paulo Freire realmente deve ser esquecido, aquele homem cruel, com as barbas cheias do sangue daqueles que ele perseguiu durante a ditadura. Ditadura essa que precisa voltar, através de um golpe militar, pedido pela população. Essa é a nossa salvação. A última esperança. Talvez tenha sido por isso que o 7x1 doeu tanto. Era a única chance do brasileiro sorrir.
O povo assiste futebol, xinga e agride o seu adversário, perdendo tempo, alegria e propósitos, quando nenhum jogador ou o presidente do seu time não pode atender às suas necessidades.
O problema não é a religião.
O problema não é o futebol.
O problema não é a política.
O problema são as pessoas que usam essas coisas para agir como animais.
No país da bola, política funciona como futebol. O importante é defender seu time.
Quem vota no “Partido A” não cobra nada dele. Se estiver roubando, "Mas o “Partido B” roubava". Se estiver matado; "É mentira!". Se estiver soltado o político corrupto, "Mas ele é inocente". Se comprou voto, “É intriga da oposição”. Se manipulou, “É teoria da conspiração”. Virou religião. Falam tanto dos evangélicos na eleição, mas são mais fiei do que o Malafaia.
Grandes clubes mundiais principalmente os europeus tem além do futebol o basquete e outros esportes. O Flamengo é um dos poucos no Brasil que é um clube" e não um time de futebol. É muito difícil nesse país manter equipes esportivas que não sejam de futebol. Espero que o Fla mantenha a equipe de basquete em alto nível o mais tempo possível e invista tbm nos outros esportes tradicionais no clube. Não importa o esporte,sou Flamengo e sempre vou torcer pelo meu CLUBE de coração!
Trazer o exemplo do futebol, dentro das quatro linhas, para a vida, constitui a principal meta que buscamos.
O futebol mostra a face mais obscura da vida, clareando toda uma realidade escondida. Basta ver nas quatro linhas a mão divina estendida dando luz para os astros brilharem numa partida.
Um dia turvo sem sol.
Um mundo sem futebol.
O sol mostra a obscura
noite, clara, colorida
e o futebol a escura
face oculta da vida.
Tenho visto o futebol
como o esporte mais comum do
nosso planeta e garanto,
é primeiro,sem segundo.
Com certeza o futebol
é a salvação do mundo.
