Francisco Brito

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DEPOIS...

Depois dela, nunca mais fui o mesmo. Nem eu mesmo consegui ser.
Senti-me sem rumo, navegando entre rostos e noites, mas em cada encontro o vazio apenas crescia.
As pessoas passavam como sombras em um vale de mortos; mesmo quando o instante parecia “incrível”, logo depois vinha o peso de uma morte silenciosa dentro de mim.

Procurei-a em tudo: em sorrisos estranhos, em lugares que não eram dela, em músicas que apenas ecoavam sua ausência. Mas cada busca só me lançava mais fundo no abismo.
E assim, perdido em tentar encontrar “outra ela”, encontrei apenas o reflexo daquilo que nunca mais voltaria.

-Francisco Brito

Foi real.
Eu senti cada instante — nossas noites, nossos rolês, nossa intimidade.
Nossa parceria… ah, da nossa parceria eu tenho muita saudades.
Foi tudo real: cada beijo, cada abraço, cada madrugada dividida entre risos e silêncios.
Eu era apaixonado pelo jeito como você me via — via todos os meus lados, o melhor e o não tão bom, e mesmo assim amava cada um deles.
Ninguém nunca me olhou como você olhava.
Eu sinto tanto a tua falta… falta de tudo, até das tuas bobiças.
Sinto falta de nós dois, porque juntos éramos poesia viva e engraçada.
Por isso e por tantas outras coisas, sei: tudo foi real.




-Francisco Brito

Sobrevivi...


Já atravessei céus e infernos,paraísos e purgatórios.E, de cada lugar,ergueu-se um novo eu.


Cada versão nasceu mais firme que a anterior;menos ingênua,mais silenciosa,mais distante do que fere.


Morreu em mim o que precisava morrer,não para que a vida terminasse,mas para que a alma aprendessea não se curvar ao mesmo golpe.


De cada queda,forjei um anticorpo invisível;de cada cicatriz,uma fortaleza.


Hoje, já não temo as dores que conheço,pois aquilo que um dia me destruiuagora apenas atravessa quem me tornei.


Assim sigo:


vivendo quando o destino permite,morrendo para o que já não me serve,e sobrevivendo a mim mesmo,até que nenhuma tempestadeseja maior que a paz que construí por dentro.


-Francisco Brito

O Que Nunca Foi
Nunca começamos,
e talvez por isso e por isso não podemosterminar.
Não há despedida
para aquilo que nunca foi nosso,
nem adeus capaz de apagar
o que, mesmo sem ter acontecido,
de alguma forma aconteceu em nós.
Fomos quase,
fomos sonho,
fomos aquele sentimento
que nasceu sem pedir licença
e ficou, mesmo sem ter onde morar.
E não...
eu nunca me arrependi de ter te conhecido.
Porque, entre tantos encontros
que a vida nos proporcionou,
você foi um daqueles
que, mesmo sem permanecer, vai viver em mim para sempre.
Talvez nunca tenhamos sido nós,
mas, por um instante,
meu coração acreditou que poderíamos ser.
E talvez seja isso
que torna tudo tão bonito e tão triste:
não perdemos um amor que tivemos...
apenas carregamos para sempre
a saudade de um quase
que nunca chegou a acontecer.


@brito.bc

Inserida por britobc