Fuga
Escrever é minha fuga.
Meu labirinto vazio
onde corro sozinho em círculos sem fim
e digo quase sempre a mesma coisa.
Ir embora em fuga...
Não é uma boa escolha fazer o outro te esperar todos os dias.
É um ser fortificado pela dor que se deve temer.
Não é que o indivíduo não consiga ser feliz, mas sim que sua medida de alegria é uma fuga quase proporcional à dor que, por mais que não pareça, ainda é presente..
"Que o amor seja um motivo e não uma desculpa.
Que seja um encontro e nunca uma fuga.
Que seja a cura e jamais o que faz doer."
"Eu sei,eu sei que nem sempre eu posso escapar,pois o escape é a fuga dos loucos em refugio de certos apelos.Eu sei,eu sei que nem sempre eu posso apelar,pois o apelo é a invocação do socorro dos desesperados.Eu sei,eu sei que nem sempre posso me desesperar,pois o desespero não passa da falta de paciência ao esperar.Eu tenho,eu tenho em mim a esperança,por isso eu sei que tudo isso é um tempo que passará."
Liberdade ou fuga eu não sei qual é mais perigoso, só sei que ambos são oferecidos como uma recompensa.
Ilha de pedra
Desesperou-se em fuga e remou forte, com muito peso de bagagem em tempestade naufragou
Flutuava sobre as águas inconstantes, adormeceu, o que sonhava em paz por instantes acordou
Não sabia onde estava, era frio incessante, doía nos ossos, sua alma amedrontou
O nascer do sol levava calor, sede, fome e esperança a quem se perguntava “quem sou?”
Não cessou seu inferno solitário, era muito quente, sua intensidade rugia e se desfazia
Não se pode ficar tanto tempo exposto ao sol, garganta seca, pouco gritava, pouco dizia
Neste mar de pedra não há abrigo que resfria, que agonia
Ali adiante haviam as águas e um vasto precipício de onde saltar
O medo das pedras afiadas exaltavam o grande risco de se detonar, machucar
O quão profundo e seguro seriam aquelas águas pra se mergulhar?
Quanto tempo sobreviveria ao sol a desidratar e queimar?
O impiedoso tempo indagava e obrigava uma escolha sábia tomar
Não se sabe como partiu
No fim desta história sabe-se apenas que foi o sol ou mar
Alfétena II - Fuga
É a verdade que devoro ou talvez o tempo, quem dirá?
Sou uma prisão da qual não posso escapar!
E, caso fosse possível, para mar ou além?
Em um mundo de tão pouco, há de considerar-se a pena.
'A VIDA QUE SONHEI...'
Não é fuga, é escolha.
A cidade, aquele emaranhado distante, um rumor confuso,
onda que quebra noutra praia que nao é a minha...
Aqui,
o canto dos pássaros, as 4h da manhã, é pontual como o sol,
notícia clara do dia que se abre [anunciando]...
O vento, esse sim, fala baixinho,
corre nos ramos e no pomar, refresca a nuca,
leva poeira que não é de asfalto...
O rio [TAPAJÓS].
Esse não pede licença nem estrada,
corta a terra como quer,
sem margem que o contenha verdadeiramente.
Água que brinca com a luz,
corre só porque existe, é esplêndido sem dono...
A sombra da Castanheira no quinta não é refúgio,
é casa.
Tetos de folhas que filtram o sol em manchas dançantes,
piso de terra macia, fresco.
Silêncio que preenche, não esvazia...
E nas mãos, o peso bom da terra:
fruta colhida no pé,
gosto que vem da raiz profunda,
açai que tinge os lábios de roxo,
cupuaçu que derrete doce-amargo na língua,
cheiro de coisas que nasceram aqui, sem pressa...
Só parece solidão
para quem não contempla o vento,
não sente o cheiro da raiz, do balançar das redes,
não conhece a paz de estar inteiro
no lugar certo do mundo, ou num pedacinho que é só seu...
--- Risomar [Sirley] Silva ---
No sítio
"Não há fuga possivel,quando a culpa nos persegue , nao há lugar seguro quando o remorso nos pica ...nem há travesseiro macio quando a consciência nos grita "
Só se é feliz sendo. Ninguém alcança felicidade justo na fuga ou abstinência do que o faz ou faria feliz.
SOLIDÃO EM FUGA
Demétrio Sena, Magé – RJ.
Teu olhar fugidio nunca pousa,
vai ao ar, desce ao chão, perde o caminho,
não faz ninho na luz dos outros olhos
que te buscam nas trevas do silêncio...
Tua triste caverna esconde afetos
acuados, confusos e feridos,
tempos idos invadem teu espelho
e corroem a ponte pra depois...
Quando sais do buraco é pra fugires
em viagens distantes, em glamures
que disfarçam quem és pra não sei quem...
Logo além já percebes que te aguardas,
vais por dentro e não podes te ocultar
nessas fardas perfeitas de turista...
A FUGA DAS PALAVRAS
Demétrio Sena, Magé – RJ.
Dizia tudo na lata. Não tinha medo e limite. Jamais temeu os efeitos insondáveis de suas palavras diretas; contundentes. Muitas vezes, profundamente ofensivas... e sempre assim. Na lata. Sem eufemismos, metáforas nem rodeios, doesse a quem doesse.
No entanto, apesar de sua forma intempestiva de falar, ele tinha sempre um discurso mágico. Verdadeiro e profundo. Daqueles de fazer qualquer pessoa refletir e até mudar de postura. Era consistente no que dizia, não titubeava e jamais permitia que, fosse o que fosse, passasse em branco. Quando tinha notícias de que alguém enganara o cônjuge, abria o verbo; falava poucas; digo; muitas e boas. Ao saber que um pai batera no filho, que uma pessoa fora desonesta ou injusta com outra, ia lá. Golfava tudo. Como sempre, na lata. Sem medo, medida, meias palavras, contornos ou disfarces.
Mesmo assim, sempre foi alguém querido. Muito querido e respeitado, pois era o que dizia; o que seus discursos mostravam. Vivia cada palavra que deixava fluir. Era um cidadão honesto, verdadeiro, fiel, bom pai, trabalhador, cumpridor de seus deveres. Não havia, naquele homem, qualquer indício de superficialidade ou hipocrisia.
Mas um dia o caldo entornou. Ou as palavras entornaram. Cheio de compromissos a cumprir, e com muita pressa, o homem saiu sem ter feito com o mesmo zelo, o que sempre fazia depois de abrir o verbo sobre alguma postura inadequada: tampar hermeticamente uma grande lata, sem qualquer conteúdo notório nem palpável, que ele mantinha no sótão de sua bela e grande casa. Uma lata secreta, como era o lugar no qual nem mesmo sua esposa e os filhos entravam, e de cuja existência os parentes e amigos, então, nem sabiam. Muito menos da lata única. Sem nenhuma igual.
Foi assim que o inusitado aconteceu. Com brechas expostas, a lata foi liberando, um a um, todos os discursos e desabafos do cidadão inconformado com as mazelas do mundo. Com as injustiças e os desmandos do ser humano. Suas palavras foram tomando as ruas, invadindo ouvidos, mentes e corações, e fazendo pensar... sentir... se arrepender. Foi um dia grandioso, em que as pessoas consultaram a consciência e, comovidas, tomaram a decisão de mudar para melhor. Deixar de fazer o mal, cometer qualquer ato que pudesse prejudicar o próximo, e, por conseguinte ou extensão, o distante.
Já sabedor do seu descuido que resultou a fuga das manifestações de muitos anos, e, apavorado com o volume repentino, agressivo e tamanho de franquezas que, por sua culpa, tomaram o espaço daquela cidade, o bom homem voltou em casa, muito às pressas, e fugiu com a família. Não quis esperar pelas consequências do ocorrido que logo se tornaria histórico, não só ali, mas em todo o planeta.
Desnecessária, sua fuga. As consequências não poderiam ser melhores. Caso ficasse, o seu único arrependimento seria o de não ter dito muito antes, não na lata, mas na cara de cada cidadão, todos aqueles discursos maravilhosos, capazes de mudar tantas vidas.
MINHA FUGA
Demétrio Sena, Magé – RJ.
Trago medos na mala e desejo trocá-los
por motivos reais de não sentir mais medo,
tenho calos no espírito e muitas lembranças
que preciso vencer pra me tornar seguro...
Guardo sonhos antigos, acumulo novos
lá no fundo insondável de minhas verdades,
massageio saudades que me causam dores
e às vezes nem sei em que momento estou...
Quero apenas fluir e vencer tanto nada
sobre tudo que a vida pode ser pra mim,
mas no fim do meu ser se desintegra e some...
Só preciso encontrar a coragem profunda
que se tranca e me pune por todo silêncio
com que fujo do mundo e não vejo ao redor...
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