Foi Deus que fez o Vento
Os amantes são como o vento e a vela, um sempre buscando o outro, juntos eles navegam pelos mares da vida.
Nem tudo era um pedacinho!
Um pedacinho de dádiva
Mais um pedacinho...
Um pedacinho de ombro
Também um pedacinho de ouvido
Um pedacinho de amor
E outros pedacinhos...
Só ninguém avisou
Que furacão não tem pedacinhos!
A chama do meu amor por ela, ainda arde, mesmo que o vento da vida a tenha levado para outro lugar.
AVENTURA
Janela
aberta,
do
lado
de
dentro,
duas
meninas
querendo
pegar
carona
com
o
senhor
dos
ventos.
Deixar o vento e o tempo me levar aonde meu coração pulsar, ansioso em conhecer ou descobrir algum lugar que possa me encantar e na memória guardar
A vida sem ti é um deserto árido e vazio, onde a esperança se esvai como o vento e a alma se estilhaça em mil pedaços.
Nada além de uma fruta
― só uma ―
na árvore
enganando o vento
desacompanhada
no enorme galho
dona de si!
livre
― totalmente livre ―
sem vizinhos
sem riscos?
atrevido,
o pássaro
― solitário e solidário ―
ali fez seu ninho
adeus, solidão!
agora pode ouvir
o lindo canto
dum passarinho!
Mistral, o Vento do Sul
Nas terras do sul, ele dança e assobia,
Mistral, o vento que o céu anuncia.
Nasce dos Alpes, com força e bravura,
Desce os vales, com fria ternura.
Atravessa campos, lavanda e girassol,
Semeia nas vinhas seu sopro e farol.
Entre montanhas, ele se lança ao mar,
O Mistral impetuoso, difícil domar.
Frio e severo, traz céu limpo e claro,
Na Provença é rei, no seu tom tão raro.
Ergue as folhas, dá vida ao ar,
Mistral, o vento que faz o sul cantar.
Com força que gela e alma que inspira,
Seu toque é arte, em versos se mira.
Pois ele é França, em brisa ou tormenta,
Mistral que encanta, e nunca se ausenta.
CÉU, VENTO E CHUVA
Céu, vento e chuva, horizonte submerso
Em nuvens, e o cerrado todo verdejante
Enxurrada, e aquele pingar borbulhante
Na estrada, atiçando sentimento diverso
Alma retirada, um devaneio tão disperso
Chão molhado, cheiro de erva rastejante
Na poça d’água um espelhar coruscante
Sensação, precipitação, ó aquoso verso
Chove no cerrado, no cerrado a chover
Cada fauna no seu canto a se esconder
Canta a seriema num cântico sem fim...
Suplicante. Céu, vento e chuva, lá fora
Cai, em uma cadente poética trovadora
Tornando o sertão num sedoso jardim.
© Luciano Spagnol - poeta do cerrado
17/11/2024, 10’48” – Araguari, MG
Dele, pode-se tudo levar; e de mim, nada esperar.
Diferente dele, eu serei eterno em teu pensamento e, assim,
Como o vento, soprarei os mais belos arrepios, que sequer um dia quis ouvir!
O tempo, como o vento, leva tudo o que não é essencial,
A honra, porém, permanece, como uma rocha que resiste à tempestade.
Cultive a honra, pois ela é o legado que você deixa,
E o tempo se encarregará de mostrar o valor de suas ações.
Rosinei Nascimento Alves
Ótimo dia!
Deus abençoe sempre 🙏🏾
Tenhamos fé!
A Dança é ânsia da Alma
As pessoas esquecem que o espírito é vento dançando — e que a ânsia do movimento pode ser êxtase ou vertigem, prece ou pressa.
Mas o vento não se apressa nem hesita — ele simplesmente dança, sem se perder no tempo.
Só quem aprende a dançar com o vento entende que não há urgência na alma, apenas movimento.
O Olhar do Mundo
Não, não é fácil ser lido.
O mundo vê-me passar
e já decidiu quem sou
antes que eu tenha dado um passo.
Se fico, sou pedra imóvel.
Se ando, sou vento sem raiz.
Se espero, sou indeciso.
Se escolho, sou rígido.
As sombras que se movem nos muros
não são minhas,
mas o mundo insiste em vê-las em mim.
Os gestos que lanço no tempo
mudam de forma ao tocar outros olhos.
E assim me perco nos reflexos,
na dobra das interpretações,
na lente de quem vê o que já esperava ver.
Mas talvez valha a pena seguir,
deixar que o dia corra o seu curso,
que a poeira assente,
que o próprio mundo reveja o que viu
e, quem sabe, um dia entenda.
O Que Se Lê no Mundo
Não, não é fácil compreender.
O que se vê nem sempre é o que é,
o que se sente nem sempre é o que se quis dar.
A luz que atravessa as folhas
é sombra ou claridade?
O rio que corre apressado
foge ou segue o seu rumo?
Tudo depende do olhar que pesa,
da memória que julga,
do medo que contamina.
O mundo não se explica,
move-se, respira, transborda
— e cada um o lê à sua maneira.
Mas talvez valha a pena ficar,
esperar que o tempo dissipe os enganos,
que a verdade encontre fenda na rocha
e que, no silêncio certo,
o mundo se mostre sem precisar de tradução.
Ruído e Sintonia
Às vezes, o mais difícil
é ser compreendido.
O que digo, o que faço,
o que deixo por dizer,
perde-se num labirinto
de ecos distorcidos.
Não é por nada que se diz
que o caminho para o inferno
está pavimentado de boas intenções.
Mas e quem lê as intenções?
Quem decifra o código
das entrelinhas invisíveis?
Cada olhar é um prisma,
cada ouvido, um filtro.
O que para um é gesto de afeto,
para outro, afronta.
O riso de uns
é a ferida aberta de outros.
Comunicar é atravessar o abismo
entre o que se sente
e o que se entende.
Palavras são apenas vento
se não encontram solo fértil,
se não fazem vibrar a mesma corda.
Porque no fim,
toda mensagem precisa de um lar,
de um receptor que a acolha
e a transforme em sentido.
Se não, é só ruído,
perdendo-se no vazio
Digo uma coisa, e entendem outra.
A vida é um jogo de espelhos
onde cada um vê apenas a sua própria sombra.
Falo com intenção limpa,
mas o outro ouve com o peso do seu mundo.
E assim, entre a verdade e o engano,
o que era claro torna-se nevoeiro.
Talvez nada seja realmente dito.
Talvez apenas fingimos comunicar
enquanto cada um se perde na solidão
das suas próprias ideias.
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