Fogo
Podemos ser muitas numa só.
Eu por exemplo não me encaixo em formas. Sou fogo e água; sou meiga e dona de uma frieza implacável; sou livre e me prendo facilmente; sou versátil, mas tão persistente. Amo com todas as minhas forças e desamo com a mesma intensidade. Muitos têm de mim o amor, a admiração e cuidado gratuitos, outros, sequer meu desprezo.
Sabe por que? Porque eu não me encaixo em caixinhas compartimentadas.
Quando sopra o minuano,
No meu pampa é de arrepiar,
Mas um fogo de chão e uma canha,
É muito bueno pra enfrentar,
Este friozinho danado,
Que vem pra encarangar,
Mas o vivente se enrola no poncho,
Se atira nos pelegos pra bem de se agasalhar.
O amor é levado pra vida toda. Mas,
paixão é fogo que arde sem se ver.
Mas, os dois são similares. Sabe?
Porque o amor dura eternidade e a
paixão é pra sempre!
se torna impossível controlar
um elemento concebido
pelo fogo,
advindo deste único
propósito,
nascido para queimar.
Girassol de fogo
eu sou um
girassol de fogo
em um dia chuvoso
a chama do meu
coração arde na
solidão
minhas pétalas
transpiram abraços
negados
meu pendão leva
consigo o peso
do passado
hoje eu poderia
estar indiferente
ao futuro
mas
a chuva veio em
um dia triste e
ensolarado
quando a primeira
gota cair sobre
o meu corpo.
e
a enxurrada
me arrancar
do chão
eu finalmente vou
me senti livre
da solidão.
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Voar como pássaro, sem asa.
Viver abrigado, sem casa.
Manter o fogo, sem brasa.
Mergulhar fundo, mesmo rasa.
Viajar de foguete, sem a NASA.
Ter um discurso que embasa.
Uma mente que expande e extravasa.
Sou a fronte acesa do fogo
Sou o extremo oposto do sol
Sou a figura em transe no rosto
Sou o temporal no fim do arrebol.
O fogo crepita
Lascas do seu corpo
Fulguram entre as cinzas
Nos entendemos em meio às chamas
E esta cama
Já não tem sossego
Sem nós...
Sinto que Deus está me moldando, porém está doendo. Mas é como se diz no Exército: "É no fogo bem mais forte que se forja o aço bom." Então, eis-me aqui Deus!
Ao colocar fogo no circo, ao menos, saia de dentro dele.
Não se esqueça de não deixar ninguém dentro dele, também.
Um pouco mais de sol - sou fogo...
Um pouco mais de azul - sou além...
Um pouco mais de amor...
É tudo que me convém...
Em minha alma tudo se derrama...
Enquanto quero, busco e sonho...
Antes que o calado tempo esmague tudo...
À ronda dos segredos...
Enquanto toca-me seus dedos...
Aqui chegando de onde venho...
Ver-me se apareço...
Um pouco para chamar sua atenção...
Tentando surrupiar seu coração...
Aqui ficam as coisas...
Somos estrangeiros onde quer que estejamos...
Por tal passo por essa vida...
Hora chorando...
Hora brincando...
Que quer o amor mais que não ser dos outros?
Sandro Paschoal Nogueira
#ECO
Meu coração arde em coisa fria...
Nem a luz...
Nem o fogo...
Nem a fome entardecida...
Ou a febre da sede dos lábios...
Ai, ai de mim...
Enquanto caminho...
É pelo corpo que nós nos perdemos...
Pertenço a quem amo...
Num profundo arremesso...
Tenho pressa de viver...
Só quero o que me é devido...
Coração diga o que sofri...
Nesses dias que embranquecem os cabelos…
Amores vividos...
Só as fagulhas voam ao vento...
É preciso partir...
Antes que tudo cubra-se de cinzas...
É preciso ficar...
Onde se é benquisto...
Cerca-me a solidão...
Tal como uma pedra escura...
É tão fria e morta...
Eu sem ti...
À sua procura...
Ninguém sabe dizer porque o eco embrulha a voz...
Mas eu sei dizer...
Que sem você...
Não vivo mais...
Sandro Paschoal Nogueira
Quem é amado deve...
Quem ama pede...
A lua se insinua...
Entre vielas escuras...
Há fogo que devora...
Que mata e que dá...
Arde a cabeça...
Enquanto o olhar vaga...
Nem entre as estrelas encontras...
O que procuras...
Só porque houve outrora...
No presente indeciso vives agora...
Será que haverá o futuro,
Do que necessitas e sonhas ?
Procura o ar onde a respiração é doce...
E canta para afugentar a tristeza...
Porque és do tamanho que vês...
Porque sentes a falta do que não tens...
Vaga..
Longe de todo céu...
E no inferno onde abitas nada encontra...
O verme da agonia te devora...
Onde estás afinal,
Nessas horas mortas?
O nevoeiro é tão grande...
E o final não encontras...
Sim...
Tu bem sabes...
Tendes total culpa...
Entre o temor e o espanto...
Reconhece o amor perdido...
Peito endurecido...
Por mostrar-se soberbo e presumido...
Feristes e não percebeste o real sentido...
Tendo o teu erro algum desconto...
Saberia que sendo amado deve...
E que amando...
Deveria ter pouco pedido...
Agora buscas a noite escura...
Cujo medo te afigura...
Tão certa desaventura...
De vagas esperanças...
Nem mesmo te ajuda a lua...
Sandro Paschoal Nogueira
