Eu Vou mais eu Volto meu Amor

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ASFALTO NA SOLA

Eu vim de lugar onde ninguém pergunta o que aconteceu.

Só olha pra tua cara, vê se você aguenta e manda seguir.

Aprendi cedo que a rua não tem paciência pra quem precisa entender tudo antes de continuar. Você tropeça, levanta, limpa a poeira na própria roupa e vai. Sem discurso. Sem trilha sonora. Sem ninguém batendo palma.

Tem gente que conhece a minha versão arrumada.

Poucos conheceram a que voltava pra casa com a cabeça cheia, o bolso quase vazio e aquele silêncio estranho de quem passou o dia inteiro fingindo que tava tudo certo.

Essa versão não posta nada.

Não explica nada.

Só chega.

Joga a chave em qualquer canto, acende a luz e encara o próprio reflexo como se estivesse cobrando alguma coisa de alguém que já não sabe mais quem é.

Eu já quis muito parecer diferente do que sou.

Hoje eu prefiro parecer exatamente o que a vida fez comigo.

Tem marca que não precisa esconder.

Tem história que perde a graça quando você tenta contar bonito.

Então deixa torto.

Deixa áspero.

Deixa com gosto de madrugada e conversa na calçada.

Porque foi assim que muita coisa aconteceu.

Sem planejamento.

Sem final elegante.

Só decisão errada, amizade improvável, amor mal resolvido, orgulho demais e aquela mania idiota de continuar andando mesmo quando ninguém sabe exatamente pra onde.

Talvez seja isso que chamam de vivência.

Não é ter resposta.

É ter passado por coisa suficiente pra parar de acreditar que toda pergunta precisa de uma.

Hoje eu não quero parecer invencível.

Invencível é personagem.

Eu quero ser real o bastante pra admitir que algumas coisas ainda pesam, mas leve o suficiente pra não carregar todas elas comigo.

O mundo continua sujo.

A rua continua acordada.

E eu ainda tenho asfalto na sola.

Só que agora eu sei voltar pra casa.

under sujão p.

só postar quando fizer sentido pra mim

porque eu, porque não?

Antes, o mundo parecia uma fila organizada de causas e consequências. Havia um acordo silencioso entre as coisas: se você fosse bom o suficiente, gentil o suficiente, paciente o suficiente, o universo acabaria devolvendo tudo na mesma moeda.

Então alguém apagou as placas da estrada.

Foi estranho perceber que a tempestade nunca escolhia quem merecia. Ela apenas acontecia. Derrubava telhados de quem rezava e de quem amaldiçoava, afundava barcos de pescadores experientes e de crianças brincando na margem. O céu nunca pediu desculpas por chover.

Ele passou anos perguntando.

“Por que comigo?”

Como se existisse uma secretaria do destino pronta para responder e anexar um relatório detalhando os motivos de cada cicatriz.

Mas o silêncio sempre foi mais competente do que qualquer resposta.

Então começou a reparar em outra coisa.

As pessoas passavam a vida inteira negociando com o inevitável. Acendiam velas para convencer o escuro a não entrar. Faziam promessas para comprar alguns meses de paz. Inventavam versões de si mesmas esperando que a próxima fosse poupada.

Nunca eram.

Porque a vida não perseguia ninguém.

Ela simplesmente não sabia mirar.

E talvez essa fosse a parte mais difícil de aceitar: não havia um vilão escondido atrás das cortinas. Não existia uma inteligência cruel desenhando tragédias personalizadas. O universo era apenas um oceano. E o oceano nunca odiou quem se afogou.

A pergunta começou a mudar.

Não era mais “por que eu?”

Era…

“Por que eu seria diferente?”

Naquele instante, alguma coisa rachou dentro dele.

Não de um jeito triste.

De um jeito libertador.

Percebeu que carregava o ego vestido de vítima sem perceber. Achava que sua dor era uma exceção na história do mundo, quando na verdade era apenas mais uma língua da mesma fogueira onde todos aquecem as mãos e queimam os dedos.

As pessoas chamavam aquilo de azar.

Outras chamavam de destino.

Ele começou a chamar apenas de existência.

E, curiosamente, quando deixou de procurar culpados, a raiva perdeu o emprego.

Não porque as perdas doíam menos.

Mas porque finalmente entendeu que dor nenhuma carregava seu nome gravado.

Ela visitava.

Depois ia embora.

Assim como a felicidade.

Assim como o amor.

Assim como todas as versões dele que jurou serem definitivas.

No fim, percebeu que a vida nunca prometeu justiça. Prometeu movimento.

E talvez fosse exatamente isso que havia tanta beleza escondida no caos.

O vento nunca pergunta quem merece ser levado.

Ele apenas sopra.

E, pela primeira vez, em vez de gritar contra ele, o homem abriu os braços.

Não como quem venceu.

Mas como quem finalmente parou de perguntar por quê.

depois da porta (DC referência)


Eu nunca soube muito bem o que fazer quando alguém percebe que pode me destruir.


Talvez por isso eu tenha ficado.


Existe uma espécie de covardia bonita em continuar perto de quem conhece exatamente o lugar onde apertar. A pessoa nem precisa levantar a voz. Basta um silêncio diferente, uma resposta mais curta, aquele olhar que antes demorava um pouco mais. E pronto. O sujeito que jurava não depender de ninguém começa a procurar significado em migalhas.


Eu conheço esse lugar.


É estranho admitir que alguém pode morar dentro da gente sem pagar aluguel, sem pedir licença e, pior, sem sequer saber que possui uma chave.


Eu tentei transformar isso em orgulho.


Disse para mim mesmo que não precisava. Que conseguiria seguir. Que havia outras pessoas, outras noites, outras histórias esperando para acontecer. Fiz do desapego uma espécie de religião particular e passei a repetir suas regras sempre que sentia vontade de voltar.


Mas o corpo não entende discursos.


O corpo lembra.


Lembra da voz.
Do jeito de chegar.
Da presença ocupando um espaço que parecia ter sido construído exclusivamente para ela.


E então existe aquele segundo ridículo em que tudo volta.


Não como memória.


Como presença.


É aí que eu percebo o problema: talvez eu não queira ser libertado.


Talvez uma parte de mim ainda queira ser segurada.


Não porque eu não consiga ficar de pé, mas porque existe uma diferença absurda entre estar de pé e ter alguém por quem valha a pena cair.


Eu poderia mentir e dizer que quero alguém que nunca me faça perder o controle.


Não quero.


Eu quero alguém diante de quem meu controle pareça uma coisa pequena.


Alguém que atravesse minhas defesas sem precisar arrombá-las. Que veja toda essa pose de homem resolvido e perceba que, por trás dela, existe alguém que só queria encontrar um lugar onde não precisasse estar sempre pronto para ir embora.


Talvez seja isso que assusta.


Não amar.


Ser conhecido.


Porque quando alguém realmente conhece você, acaba a possibilidade de fingir que não sente.


E eu sinto.


Sinto até quando finjo que não.


Então, se algum dia eu voltar para aquela porta, não será porque esqueci tudo o que aconteceu.


Será justamente porque lembrei.


Porque existem pessoas que a gente supera.


E existem aquelas que permanecem como uma música tocando baixinho em algum cômodo da casa, você pode sair, fechar a porta, mudar de endereço, começar outra vida.


Mas, de vez em quando, no meio da madrugada, ainda consegue ouvir.


E talvez eu ainda esteja ouvindo.


Talvez seja por isso que, mesmo sabendo o quanto isso me desarma, uma parte de mim ainda sussurra:


fica.


Não precisa me salvar.


Só não solta agora.

só me apaixonar de novo quando esse texto fizer sentido

Às vezes eu fico tentando lembrar do momento exato em que você deixou de ser alguém que eu conhecia para se tornar o lugar onde meus pensamentos descansavam.

E eu nunca encontro.

Talvez porque essas coisas nunca aconteçam de uma vez.

Ninguém se apaixona num instante.

A gente vai se acostumando com a presença do outro sem perceber.

Primeiro sente falta de uma conversa.

Depois de uma risada específica.

Depois de um “chegou em casa?” no fim da noite.

Quando percebe, a ausência daquela pessoa já faz mais barulho do que a presença de qualquer outra.

O mais bonito é que você nunca tentou ser extraordinária.

Você nunca precisou.

Nunca precisou dizer as palavras certas.

Nem inventar versões melhores de si.

Eu gostava justamente das pequenas distrações.

Do jeito que você esquecia o que estava contando porque outra ideia aparecia no meio da frase.

Do jeito que seu riso chegava um pouco antes da piada terminar.

Do jeito que você olhava para o céu sempre que precisava pensar.

Você nunca percebeu, mas eram essas coisas que me faziam acreditar que o mundo ainda sabia criar alguém pela primeira vez.

Eu passei tanto tempo procurando pessoas que me impressionassem, que esqueci como era encontrar alguém que simplesmente me deixasse em paz.

Você nunca ocupou espaço demais.

Você preenchia os espaços que já existiam.

Como a luz entrando pela janela sem pedir licença.

Como uma música baixa tocando em outro cômodo da casa.

Você não mudava quem eu era.

Só fazia parecer que eu sempre estive caminhando na direção certa, mesmo quando tinha certeza de que estava perdido.

Às vezes isso ainda me assusta.

Porque existem encontros que parecem improváveis demais.

Penso em todas as decisões pequenas que precisaram acontecer para que nós existíssemos ao mesmo tempo, no mesmo lugar, olhando um para o outro.

Se eu tivesse acordado dez minutos mais tarde.

Se você tivesse escolhido outra rua.

Se qualquer conversa da sua vida tivesse durado um pouco mais.

Talvez nós nunca soubéssemos que o outro existia.

E, mesmo assim, de alguma forma, existimos.

É estranho sentir gratidão por algo que ninguém planejou.

Você apareceu sem fazer promessas.

Sem dizer que ficaria para sempre.

E talvez tenha sido exatamente isso que tornou tudo tão bonito.

Porque nunca foi sobre vencer o tempo.

Foi sobre existir dentro dele.

Sobre dividir cafés que esfriavam porque a conversa era mais importante.

Sobre caminhar sem destino porque nenhum lugar parecia melhor do que andar ao seu lado.

Sobre descobrir que algumas pessoas não chegam para transformar nossa vida em um filme.

Elas chegam para transformar uma terça-feira qualquer na lembrança mais bonita que você vai carregar por anos.

No fim, acho que o amor nunca foi encontrar alguém perfeito.

Foi encontrar alguém que faz o acaso parecer delicado.

Alguém que olha para você de um jeito tão simples que, por alguns segundos, todas as dúvidas que o mundo construiu deixam de fazer sentido.

E então você percebe que passou a vida inteira procurando grandes sinais.

Quando, na verdade, o maior deles estava escondido na tranquilidade de poder olhar para alguém e pensar, sem precisar dizer em voz alta:

Como foi que, entre bilhões de pessoas, a vida resolveu me apresentar justamente você?

"Porque eu quero misericórdia, e não o sacrifício (religiosidade); e o conhecimento de Deus, mais do que os holocaustos." - Oséias 6:6


Assim como no passado, atualmente o verdadeiro significado da adoração e devoção a Cristo não é se guiar por dogmas ou convicções humanas, mas ser transformado pelo operar constante da graça (favor imerecido), que transforma o homem e o liberta de suas próprias mazelas existenciais.

“Se eu pudesse me casar comigo mesmo, haveria dias em que eu pediria o divórcio.”

A Guerra Que Eu Não Sabia Que Existia


Eu fui leigo sobre o machismo e o feminismo
por muito tempo.
Não por negar,
mas simplesmente por não saber.


Para mim, o feminismo era algo superficial,
uma palavra distante,
quase resumida à igualdade salarial,
ao direito de receber o mesmo
pelo mesmo trabalho.


Eu não enxergava o que existia por baixo das palavras.


Na minha cabeça,
homens eram homens,
mulheres eram mulheres,
e ambos simplesmente viviam.


Eu cresci acreditando que os dois caminhos eram normais.
Não havia guerra dentro de mim,
não havia bandeira,
não havia lado.


Eu não acordava pensando em machismo.
Não acordava pensando em feminismo.
Eu apenas acordava.


Minha socialização não parecia carregar ideologias.
Eu conversava, trabalhava, brincava, amava,
sem imaginar que determinados comportamentos
poderiam carregar séculos de história.


Nada parecia mudar meu comportamento.


Eu não pensava:
“isso é masculino”
ou
“isso é feminino”.


Eu simplesmente fazia.


E talvez essa tenha sido a minha maior ignorância:
acreditar que aquilo que parecia natural
era necessariamente neutro.


Eu não sabia que existiam guerras sociais
acontecendo enquanto eu vivia.


Guerras feitas de palavras,
de comportamentos,
de expectativas,
de culpas herdadas
e de feridas que eu sequer conhecia.


Eu caminhava no meio do campo de batalha
sem saber que havia uma batalha.


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enquanto houver razões


Eu acho engraçado como a gente passa tanto tempo tentando descobrir o que faria alguém ficar, como se existisse uma combinação perfeita de coisas capaz de impedir uma pessoa de ir embora. A gente pensa em promessas, em momentos bons, em tudo aquilo que foi construído, como se no fim das contas fosse possível colocar o amor numa balança e descobrir se ele pesa o suficiente para compensar o resto. Só que talvez não funcione assim. Talvez existam pessoas que fazem você parar de pensar nisso.


Porque quando eu penso em você, eu não penso em quanto tempo vai durar, nem em quantas coisas poderiam acontecer no caminho, nem em quantas vezes a vida pode mudar completamente de direção. Eu penso em uma coisa muito mais simples. Eu penso no que acontece toda vez que eu olho nos seus olhos e percebo que, por alguns segundos, eu não estou procurando mais nada.


E isso é estranho, porque eu sempre fui muito bom em procurar alguma coisa. Uma resposta, uma saída, alguma certeza que me dissesse que eu estava fazendo a coisa certa. Só que com você não parece existir essa necessidade. É como se eu pudesse simplesmente estar ali. Sem precisar entender. Sem precisar saber onde aquilo vai chegar. Sem precisar transformar tudo em alguma coisa maior do que realmente é.


Talvez seja por isso que aquela ideia de que reinos podem cair faça tanto sentido. Porque reino, no fim, é só uma maneira bonita de falar de tudo aquilo que a gente acha que precisa permanecer de pé para continuar acreditando em alguma coisa. E eu já vi muita coisa cair. Já vi planos mudarem, pessoas mudarem, sentimentos mudarem. Já tive certeza de coisas que depois deixaram de fazer qualquer sentido. Então eu sei que nada é tão permanente quanto parece.


Mas existe uma diferença quando eu penso em você.


Se tudo aquilo que eu construí um dia deixasse de existir, eu provavelmente ficaria perdido por um tempo. Se o mundo mudasse completamente, eu teria que aprender a viver nele de novo. Se aparecessem mil motivos para eu pegar minhas coisas e seguir outro caminho, eu conseguiria fazer isso. Eu sei que conseguiria. Só que nenhuma dessas coisas mudaria uma coisa muito específica: eu ainda procuraria você.


E talvez seja isso que eu nunca soube explicar direito.


Não é que você seja a única coisa que existe. É que, no meio de tudo que existe, você é a coisa que faz sentido.


Tem uma diferença enorme nisso.


Eu não preciso imaginar uma vida onde tudo dá certo para querer você nela. Na verdade, talvez seja justamente o contrário. Porque qualquer pessoa consegue permanecer quando tudo está bonito, quando as coisas estão leves, quando ninguém precisa escolher nada difícil. O que me faz pensar em você é justamente a ideia de que, mesmo quando as coisas não fossem perfeitas, mesmo quando o mundo estivesse fazendo o possível para colocar distância entre nós, ainda existiria alguma parte de mim olhando para você e pensando que não vale a pena ir embora.


Reinos podem cair. Anjos podem chamar. A vida pode oferecer outros caminhos, outras pessoas, outras versões de tudo aquilo que eu achei que queria. E ainda assim existe uma possibilidade muito simples que continua sendo mais forte do que todas as outras: eu olhar para você e reconhecer alguma coisa que eu não encontro em nenhum outro lugar.


Talvez seja isso que eu veja nos seus olhos.


Não uma promessa de que você vai ficar para sempre.


Não uma garantia de que nada vai mudar.


Só você.


E, de algum jeito, isso já parece suficiente.


Porque quando eu olho para você, eu não sinto que encontrei alguém que vai resolver tudo. Eu sinto que encontrei alguém com quem eu não me importaria de enfrentar o que vier.


E talvez essa seja a forma mais honesta que eu encontrei de dizer.


Eu poderia perder muita coisa.


Poderia deixar muita coisa para trás.


Poderia até aprender a viver em outro lugar, com outra rotina, com outras pessoas e uma vida completamente diferente.


Mas se, no meio de tudo isso, eu ainda pudesse olhar para os seus olhos e reconhecer aquele mesmo lugar que reconheço hoje, eu acho que entenderia exatamente por que algumas pessoas simplesmente não vão embora.


Não importa o que caia.


Não importa quem chame.


Não importa quantas vezes a vida tente convencer a gente de que existe outro caminho.


Porque, às vezes, depois de procurar por tanto tempo, você finalmente encontra aquilo que estava procurando sem nem perceber.


E quando encontra, o resto deixa de ser uma questão de necessidade.


Vira escolha.


E eu escolheria você.

Se tua causa é justa eu te defenderei.

Dentre todas as formas que eu conheço para dizer “eu te amo”, a minha preferida é cuidar de você.


Parabéns muitas felicidades e bênçãos sobre sua vida.

Nos lhe amamos muito.
Muitos anos de vida meu amor. 👏👏👏👏

Talvez eu tenha passado tanto tempo tentando descobrir onde chegaria que só agora percebo: eu já me tornei alguém que, um dia, sequer imaginava ser.

"Eu não te amo, porque não te conheço"


(ANDRADE, 2026)

Eu sou um resumo


(ANDRADE, 2026)

⁠Todo santo dia, sou eu quem chama,
Nas manhãs cinzentas, nas noites de trama.
Puxo o fio da conversa, sozinho a tecer,
Histórias contadas, que ninguém quer ler.

Insisto, persisto, num monólogo vão,
O eco das palavras, sem eco, sem chão.
Escrevo uma epopeia, uma carta sincera,
E recebo um "curtir", que nada me espera.

O que estou fazendo, meu coração?
Se o que eu busco não tem retorno, não há razão.
Chamei para sair, numa noite de brisa,
E o silêncio foi a única resposta precisa.

Ela poderia estar ocupada, eu sei,
Mas se quisesse, diria: "Outro dia, talvez."
O interesse é claro, não há como errar,
Se ela quisesse, iria me procurar.

Forçar uma amizade, um amor, um afeto,
É construir castelos no ar, sem concreto.
Se é preciso lutar para fazer funcionar,
Então não é amor, é melhor deixar passar.

Todo santo dia, essa lição me persegue,
Na simplicidade da vida, a verdade se entregue.
O que é natural, o que vem sem pressa,
É o que realmente no coração interessa.

Deixe fluir, deixe ser, deixe estar,
O amor verdadeiro vai te encontrar.
Sem esforço, sem dor, sem insistir,
A felicidade virá, sem precisar pedir.

⁠Todo santo dia, sou eu quem desperta
Nas ondas do tempo, numa busca incerta.
Puxo o assunto, respondo histórias,
Investindo em sonhos, costurando memórias.

Mas o que estou fazendo, pergunto ao vento,
Se o eco que volta é puro tormento.
Escrevo palavras, poemas gigantes,
E o retorno é um "curtir" distante.

Se a pessoa não quer o mesmo que eu,
O esforço é vão, é caminho sem céu.
Chamei-a para um beijo, duas, três vezes,
E o silêncio responde, quebrando as leis.

Ela pode estar ocupada, não poder sair,
Mas se quisesse, faria o convite fluir.
"Não posso hoje, mas vamos amanhã?"
A chama de quem realmente se empenha.

Forçar amizade, amor ou atenção,
É plantar em terreno seco, sem coração.
O que é verdadeiro, flui sem barreiras,
Em solos férteis, brotam as primeiras.

Todo santo dia, essa lição se repete,
Na maré do tempo, a verdade reflete.
Se é preciso forçar para fazer funcionar,
Então não é real, é melhor deixar passar.

Que o amor, a amizade, o reconhecimento,
Sejam naturais, fluam no vento.
Pois o que é de verdade, vem sem esforço,
E enche a alma, trazendo conforto.

Eu amei te ver
Não escondo o quanto gosto de você
Seu sorriso de alma gêmea criou raiz
Você é algo
Que há muito tempo eu não via
Igual o caiz para um barco
O amor se faz, te levando além
Quando eu mergulhei fundo nesse olhar
Fui dono do mar azul, de todo azul do mar

solilóquio.


Tudo o que você gostaria de ser, sou eu. A parte que você esconde quando percebe que está pensando grande demais, o pensamento que você corta no meio porque alguém ensinou que sonhar alto demais é pedir pra cair. Sou aquele pedaço que não aprendeu a pedir desculpa por querer mais, que olha pra uma vida pronta e pensa que aquilo talvez sirva pra alguém, mas não pra mim. Enquanto você mede o risco, eu já atravessei a rua. Enquanto você pensa no que vão dizer, eu penso no que vão dizer quando der certo.


Você me chama de exagero porque eu não aceito a medida que colocaram em você.


Eu sou a sua vontade sem legenda.


Sou o que sobra quando você tira o medo de decepcionar os outros, o personagem que aparece quando ninguém está olhando e você finalmente admite que não nasceu pra passar a vida seguindo roteiro escrito por gente que nunca teve coragem de escrever o próprio. Eu não quero ser aceito por uma sala que me obrigou a diminuir pra caber. Eu quero construir uma sala tão grande que ninguém precise me dizer onde sentar.


E talvez seja isso que assuste.


Porque eu não tenho vergonha de querer dinheiro, nome, respeito, liberdade, estrada, noite, música, cidade nova, história pra contar. Não tenho vergonha de querer olhar pra trás e reconhecer a minha própria mão em tudo aquilo que conquistei. O problema nunca foi querer demais. O problema foi você ter aprendido a chamar de “demais” tudo aquilo que exigia coragem.


Eu não.


Eu quero.


E quero até o verbo cansar.


Se disserem que é impossível, eu transformo o impossível em prazo. Se disserem que não combina comigo, eu mudo a combinação. Se disserem que ninguém da minha idade chegou lá, eu paro de olhar pra minha idade. Se disserem que eu devia ser mais realista, eu pergunto desde quando a realidade virou dona dos meus planos.


Você fica tentando descobrir quem você é.


Eu estou tentando descobrir até onde você consegue chegar.


Essa é a diferença.


Você quer uma vida segura. Eu quero uma vida que faça sentido quando ninguém mais estiver assistindo. Você quer ter certeza antes de começar. Eu quero começar e deixar a certeza vir depois. Você pensa em perder o que tem. Eu penso no que nunca teria se continuasse com medo de perder.


E não, eu não sou melhor que você.


Eu sou pior em algumas coisas.


Sou mais egoísta. Mais inquieto. Mais difícil de controlar. Não tenho paciência pra agradar todo mundo e talvez por isso eu pareça um problema quando, na verdade, sou só a parte de você que cansou de viver como solução pros outros.


Eu não quero ser uma versão bonita.


Quero ser uma versão verdadeira.


Aquela que erra e continua. Que cai e aprende. Que muda de cidade se precisar, muda de plano se precisar, começa do zero se precisar, mas não passa o resto da vida perguntando como teria sido.


Porque no fim não é sobre ser rico, famoso, admirado ou diferente.


É sobre não morrer cheio de versões que nunca tiveram oportunidade de existir.


E eu sou todas elas.


Sou o cara que você imaginou quando estava sozinho.


O cara que você viu no espelho e não reconheceu porque parecia confiante demais.


Sou a voz que diz “vai” enquanto a sua cabeça fabrica mais dez motivos pra ficar.


Sou o impulso.


O risco.


A fome.


A ideia que não te deixa dormir.


O plano que parece absurdo hoje e, daqui a alguns anos, vai parecer óbvio.


Tudo o que você gostaria de ser, sou eu.


Não porque eu já sou tudo aquilo.


Mas porque eu não tenho medo de tentar.


E talvez você nunca tenha precisado de outra pessoa pra virar essa versão.


Talvez tenha precisado parar de pedir licença pra ela existir.


Então quando você olhar pra mim e sentir aquela mistura estranha de inveja, raiva e vontade, não confunda.


Não é outra pessoa que você está vendo.


É você sem freio.


Você sem plateia.


Você sem a obrigação de ser compreendido.


Eu sou tudo aquilo que você deixou pra depois.


E eu não vim buscar você.


Vim lembrar que ainda existe tempo.


Mas tempo não espera.


Então decide.


Ou você continua imaginando quem poderia ter sido...


ou finalmente descobre quem você é capaz de ser.

Passei tanto tempo tentando descobrir quem eu sou que só percebi uma verdade: aquilo que sinto quando amo também revela quem eu me torno. No amor, conhecemos o outro, mas também encontramos partes de nós mesmos.


-Jouberth Toffoli

Há homens que trabalham para viver; eu trabalho para descobrir se ainda estou vivo.

"Preocupar-se com o que os outros pensam é um luxo que eu não posso pagar.
Até porque o banco não aceita a opinião do meu vizinho como forma de pagamento para as minhas dívidas."⁠