A Guerra Que Eu Não Sabia Que Existia... Juliano Lamounier Rossi
A Guerra Que Eu Não Sabia Que Existia
Eu fui leigo sobre o machismo e o feminismo
por muito tempo.
Não por negar,
mas simplesmente por não saber.
Para mim, o feminismo era algo superficial,
uma palavra distante,
quase resumida à igualdade salarial,
ao direito de receber o mesmo
pelo mesmo trabalho.
Eu não enxergava o que existia por baixo das palavras.
Na minha cabeça,
homens eram homens,
mulheres eram mulheres,
e ambos simplesmente viviam.
Eu cresci acreditando que os dois caminhos eram normais.
Não havia guerra dentro de mim,
não havia bandeira,
não havia lado.
Eu não acordava pensando em machismo.
Não acordava pensando em feminismo.
Eu apenas acordava.
Minha socialização não parecia carregar ideologias.
Eu conversava, trabalhava, brincava, amava,
sem imaginar que determinados comportamentos
poderiam carregar séculos de história.
Nada parecia mudar meu comportamento.
Eu não pensava:
“isso é masculino”
ou
“isso é feminino”.
Eu simplesmente fazia.
E talvez essa tenha sido a minha maior ignorância:
acreditar que aquilo que parecia natural
era necessariamente neutro.
Eu não sabia que existiam guerras sociais
acontecendo enquanto eu vivia.
Guerras feitas de palavras,
de comportamentos,
de expectativas,
de culpas herdadas
e de feridas que eu sequer conhecia.
Eu caminhava no meio do campo de batalha
sem saber que havia uma batalha.
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