Elton de Moura Rodrigues
A ti, que é digno de se encaixar na categoria que engloba aqueles cuja a seleção de afetos dar-se à artificialidade oriunda de seus interiores vazios... boa sorte [...].
Eu sou infinitamente mais!
Há decisões que silenciosamente nos atravessam a existência: partimos acreditando buscar apenas um futuro diferente, até percebermos, tarde demais, que também estávamos nos despedindo de versões inteiras de nós mesmos.
Existe algo profundamente melancólico em perceber que a vida exige movimento justamente das pessoas que mais desejavam permanecer.
Penso que há uma forma sutil de fracasso em viver apenas aquilo que esperam de nós: aos poucos, tornamo-nos estrangeiros da própria consciência.
Penso que nenhum indivíduo nasce inteiramente novo; somos continuidade, ruína e permanência daqueles que vieram antes.
Algo profundamente triste alarda quando uma alma abandona, aos poucos, tudo aquilo que um dia a fazia sentir-se viva.
Por vezes, meu corpo pede repouso; nada extraordinário, um descanso costuma curar os cansaços da existência.
Mas o que faço quando a consciência me implora sentido? Que espécie de remédio alcança enfermidades que não habitam o corpo?
Com o tempo, inevitavelmente, a gente se torna outra pessoa. O silêncio, as perdas e as decepções nos amadurecem. Aos poucos, aprendemos a abrir mão das estabilidades que já não nos cabem.
A esperança e a alegria são importantes, mas não precisam estar sempre presentes para que a vida siga seu curso. A tristeza não é, necessariamente, algo a ser eliminado de imediato. Há uma sabedoria silenciosa nos dias cinzentos; a vida também se constrói neles.
