Eu sou tudo e nada
Afogada
Carrego uma porção de nada, sinto uma porção de tudo.
Nasci para ser lagoa, mas me tornei maré. Dessas que não têm direção, que te puxam e te levam pra longe. Dessas que todo mundo tem medo de entrar. Nasci com a intensidade das ondas Maurício, e a vida não tem sido fácil pra mim.
_ A vida não é fácil pra ninguém.
(silêncio)
Eu esperava que você fosse apenas mais uma onda calma, ondas que nos tiram para dançar e causam sorrisos. Ondas que passam por mim, não ficam, mas também não causam estragos. Mas você foi tufão.
_ Eu te causei estragos?
_ Não, você estragou tudo.
_ E qual a diferença?
(silêncio)
Eu perdi um pedaço no mar. No mar que sou eu, eu me perdi em mim mesma. Estou me sentindo afogada. Afogada em uma coisa que eu não sei o que é, mas quase parece medo. Acontece, que eu não aguento mais remar e desaprendi a nadar. Essa é a coisa mais triste a se fazer, desistir. Mas eu desisto, não suporto mais ter apenas um coração e todo o sentimento do mundo.
E como em um passe de mágica tudo se vai, tudo muda e nada mais faz sentido. O que ontem foi importante, hoje já não ocupa o mesmo patamar.. Medos, lembranças, sorrisos, pessoas, sonhos, tudo rotulado e guardado no mais profundo abismo da memória. Hoje já não resta muita coisa, apenas uma memória turva e borrada onde os sons já não estão mais presentes e as feições já foram esquecidas há muito tempo. Você cresce e aprende que as pessoas nem sempre são o que aparentam, elas vivem constantemente com máscaras e estas com as mais diversas finalidades, inveja, falsidade e até sorrisos que não exprimem a mínima felicidade. Umas as usam para ferir, magoar, trapacear e outras apenas para se proteger nesse mundo devastado pelas pessoas vazias e suas ambições malucas onde o egocentrismo e a hipocrisia reinam com a loucura. E a verdade? Bem, esta já não ocupa o lugar supremo e está perdida em algum lugar junto com a sensatez. (virtude da qual, ouso a dizer, que sempre foi escassa nesse mundo injusto)...
Há dias que parece que nada faz sentido, em outros tudo faz. É esse repensar que me deixa angustiada, não consigo concluir os fatos, não consigo me atear a outros, ando sempre apenas até a metade do caminho, escrevo sempre até metade da página...
Altere o que preciso for.
Arranque tudo ou até nada.
Recomece ou não apareça.
Entenda ou desentenda as minhas letras...mas, não mate o meu amor.
Ele não suporta o gelo da repetição.
Se todos nós fossemos idênticos em tudo que fazemos, não haveria nada do que pudéssemos nos orgulhar.
Sempre tem-se um pouco de tudo em um resto de nada e por mais deserto que pareça, floresce a mais rara de todas as flores, num tanto de tão pouco percebe-se só de olhar, que já se faz bela.
Que tal deixarmos de buscar a perfeição em tudo, porque nada nesse mundo é perfeito, e vamos viver o que é real, o que é possível, o que temos, o que somos, o que podemos ser, o que podemos ter. Vamos parar com essa mania de querer prever o futuro, e sofrer de ansiedade, vamos parar de ficar revivendo o passado, e de ter autopiedade. Que tal sentir os pés no chão, e viver o presente dia que Deus lhe presenteou, pois é mesmo, este dia, é um presente de deus na sua vida, então desdeja agradeça, viva intençamente, mas com responsabilidade, exista, não se prenda ao passado, ou, espere para viver amanhã porque amanhã pode nem chegar.
Esmo? Tudo? Nada?
E de repente tudo muda.
Sinto-me retirada de mim mesma.
Não sei se a culpa é minha.
É de alguém! Sempre tem alguém, eu ou não.
Sei que estou no caminho, preciso apenas definir qual.
Nossos sonhos às vezes nos levam a lugares desconhecidos,
que nem mesmo aos próprios sonhos pertenciam,
Viver sem ter vergonha, viver, viver e viver...
A esmo, a tudo, a nada.
Escrevo muito e não escrevo nada. Sonho com o dia em que minha alma venha me autorizar a dizer tudo aquilo que ela grita ensurdecidamente para mim. Enquanto isso, vou vagando e encontrando nas palavras alheias aquilo que eu mesma gostaria de expressar. Descubro, então, que as palavras alheias não cumprem essa designação, descubro que entre o parecer e o ser há uma imensurável fissura, um lugar onde muitos de nós estamos e que muitos não sairão nunca. Os únicos que chegam perto dessa saída são os que se expressam, que tocam almas apenas com palavras... são aqueles poetas imortais, que usam as palavras enodadas em um só nexo, um só sentido, o seu próprio. Daí, resta àqueles mortais e incompletos lerem, serem tocados e transmitirem às tontas aquilo que nossos mestres das palavras escreveram. Sim, estou falando de nós mortais que vivemos no buraco...meros, banais, tolos.
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