Estrada
A Estrada e a Sabedoria
Corri pela BR-319, onde cada quilômetro revelava uma nova lição. Pelo caminho encontrei rios, fazendas, casas perdidas na imensidão, uma igreja silenciosa e até um acampamento onde crianças aprendiam a sobreviver. Encontrei também um igarapé escondido na mata, onde parei por alguns instantes, mergulhei em suas águas e encontrei forças para continuar.
Vi rostos gentis e encontrei pessoas de intenções duvidosas; conheci a beleza e os perigos que vivem lado a lado na estrada. No fim, percebi que aquela jornada não era apenas sobre ir longe, mas sobre aprender a voltar. A estrada me ensinou que a verdadeira sobrevivência não está apenas no corpo que resiste, mas na sabedoria que nasce de cada encontro, cada queda e cada escolha.
Agora quero é movimento, ventania,
o rumor das folhas quebrando o silêncio,
a estrada abrindo seus braços de poeira,
o coração desaprendendo o medo.
Muralhas de Ferro
Erguem-se altos os muros da estrada,
Pedra usinada pelo tempo e pela dor.
A vida, às vezes, é fortaleza fechada,
Onde a esperança hesita em compor.
Os portões são de bronze e chumbo pesado,
Com ferrolhos gigantes que ranger nos fazem temor.
E encaramos o fosso, de um lado isolado,
Perguntando se existe passagem ao amor.
Mas até o castelo de pedra mais dura
Guarda uma fresta por onde entra a luz.
Não há ponte levadiça que dure a amargura,
Nem ferro que vença a coragem que conduz.
Pois a mão que moldou a pesada tranca
É a mesma que aprende a encontrar a saída.
E a muralha mais alta, por mais que imponha a banca,
Cede ao passo constante de quem vive a vida.
4:47
Eram 4:47 da madrugada,
cada uma em sua casa, em sua estrada,
mas, mesmo distantes, sem poder se tocar,
havia um pensamento insistindo em nos aproximar.
Você colocou uma música para tocar,
e me chamou para, contigo, desejar.
Um pedido feito em plena madrugada,
uma coisa tão simples, tão inesperada.
E então você perguntou, quase a brincar:
“Você acredita nessas coisas?
Ou vai dizer que é uma ideia boba
e começar a desacreditar?”
E talvez você esperasse que eu dissesse
que aquilo era bobagem, que não acontecesse,
que desejos não mudam o destino,
que era só uma brincadeira daquele momento repentino.
Mas como eu poderia chamar de bobo
um instante que já me fazia sorrir de novo?
Como dizer que não acreditava em você,
se naquele momento eu só queria acreditar e viver?
Então fizemos nosso pedido em silêncio,
cada uma em seu quarto, no próprio endereço,
com uma música atravessando a distância,
e um desejo escondido na esperança.
E foi aí que aconteceu o mais bonito:
duas mulheres adultas, vivendo o infinito,
cada uma sozinha, mas sem solidão,
porque a outra ocupava espaço no coração.
E parecíamos duas adolescentes,
com sentimentos novos, intensos e inconsequentes,
descobrindo o frio gostoso de gostar,
rindo sozinhas sem saber explicar.
Não pela idade, isso eu sei,
mas pelo jeito que o coração voltou a ser rei.
Aquela sensação meio boba, meio sem razão,
de acreditar em destino, desejo e constelação.
E talvez você nem tenha percebido
o quanto aquele gesto me deixou enternecido.
Porque ninguém nunca havia feito assim:
escolher uma hora improvável para dividir comigo um “sim”.
Você poderia ter feito o pedido sozinha,
guardado o desejo no fim da linha,
mas escolheu me chamar para sonhar,
e, sem perceber, fez meu coração se iluminar.
Foi por isso que eu me senti especial,
por algo tão pequeno e, ao mesmo tempo, colossal.
Não pelo pedido, nem pela hora marcada,
mas porque você quis que eu estivesse naquela madrugada.
E se hoje alguém me perguntar
por que eu ainda gosto de lembrar
daquela hora, daquela música, daquele querer,
talvez eu só consiga responder:
Porque tu é tu.
Não existe fórmula, explicação ou porquê,
nem sei se o universo resolveu nos atender.
Só sei que, entre tantas horas para acontecer,
foi justamente 4:47 que escolheu você.
E desde então, quando o relógio chega lá,
eu penso naquela pergunta que você me fez no ar:
“Você acredita nessas coisas?”
Hoje eu acho que acredito, sim.
Não necessariamente em magia, destino ou previsão,
mas naquilo que acontece sem pedir permissão:
duas pessoas distantes, em suas casas,
ouvindo a mesma música e abrindo as mesmas asas.
Porque talvez acreditar não seja esperar o impossível acontecer.
Talvez seja apenas olhar para 4:47
e lembrar que, naquela madrugada,
mesmo longe uma da outra,
nós escolhemos acreditar juntas.
O último estro do Esquecido.
Nas sombras frias do destino, tombado,
Fiquei na estrada, só, abandonado;
E os olhos pálidos, sem luz, sem claridade,
Negaram ver minha última verdade.
Chamaram silêncio aquilo que era pranto;
Vestiram de gelo o mais sincero encanto.
Quem tanto amei passou indiferente,
Como se eu nunca houvesse sido gente.
Sob lápides erguidas de ingratidão,
Sepultaram meu nome e minha afeição;
Restou-me apenas o abraço da memória,
Última vela da esquecida história.
As flores murcham sobre o peito inerte,
Enquanto ri, triunfante, a falsa sorte;
Mas toda cinza que o desprezo espalha
É semente oculta da divina batalha.
Ó ingratos! Vossos olhos já sem brilho
Perderam para sempre o antigo trilho;
Quem abandona um coração leal
Constrói, em si, o próprio funeral.
Quando a noite vestir o mundo de neblina,
E a consciência romper vossa cortina,
O eco da minha dor vos chamará,
E nenhum esquecimento vos salvará.
Dormirei, enfim, na paz dos esquecidos,
Longe dos falsos, frios e fingidos;
Pois quem morre fiel ao próprio amor
Jamais é vencido pelo desamor.
E, se um dia chorardes sobre minha ausência,
Será tardia a vossa penitência;
Porque o túmulo fecha, em seu negror,
O que não ressuscita: a confiança e o amor.
A roleta vai girando
Qual roda da vida
Um conto de fadas
Uma Estrada Florida
ou Caminho difícil
Lamacento
Tudo é vida
e nada funciona
Cem por cento
Se não choverem flores
No teu caminho ruim
Faça acontecer
Mesmo assim
A vida é e sempre será
Uma jóia muita cara
Mas alguns de nós
Precisam saber
A maneira correta
de a lapidar
Um dia a roleta pára
No início
ou no fim
E tudo que restar
Medos e segredos
Guardados e esquecidos
Sob a égide de uma lápide
E, talvez
Algo muito bonito
Esteja escrito ali.
Edson Ricardo Paiva
"A vida da gente são várias estradas
Só quem se sentiu perdido vai saber
Vai saber que todo caminho te leva pra distante
A cada dia mais distante
Da paisagem que se via em tempos idos
Quando a gente olhava lá de longe
Talvez seja essa a tal graça da vida
Um dia, nada é igual como era antes
Porque antes até mesmo um mero espelho
Refletia de manhã só a imagem que a gente esperava
Hoje, espelhos tem vontade própria
E tem hora que aquele que a gente vê
Não chega a ser nem de perto
Aquela boa pessoa
Aquela pessoa tão boa, aquela miragem que a gente era
A vida da gente é uma espera
Uma estrada de ida, única e sem cópia
E quem nunca se viu perdido
Nem de longe viu o melhor da vida
Porque todas aquelas estradas
Todas elas nos levavam pra lugar nenhum
Porém, aquela paisagem que se via em tempos idos
Era só um lugar sem nome
A graça da vida era aquela estrada enorme
Uma estrada sem nome, cujo nome era vida
Atalhos para outras vidas
Pra poder passar por elas
Fazer parte delas...e sair, ou não, deixando sempre o seu melhor...e assim ficar para sempre.
E quem não viveu assim
Viveu, sim...viveu, porém não leva nada pra contar...nem deixa.
A vida da gente tem dias assim, como esse
Em que a gente olha pro espelho e nem se reconhece
Em que a gente olha a velha estrada e segue
Persegue o seu caminho rumo ao nada
A gente se acostuma e segue e ruma
Sempre sob o complacente olhar de Deus...e até!
Pois, se a gente não leva fé
Não chega em lugar nenhum. "
Edson Ricardo Paiva.
Gabiróba depois de pular da gaveta do Gigante fugiu correndo e pedindo carona numa estrada boiadeira e...
Não demorou muito tempo e parou uma caminhoneira e disse sobe ai seu sapo mochileiro.
Na carroceria do caminhão tinham 10 vacas e um leitão que ela estava levando na fazenda do Jão Bolão
a caminhoneira gostava muito de contar prozad e perguntou a Gabiróba se ele já conhecia a " lenda da mulher da pena de galinha,"
e o sapo que estava cansado disse que não, mas que devia ser engraçado
então...tá vendo aqueles morros?
dizem que ela morava lá naquelas bandas, depois do Sítio dos Veloso. e trabalhava numa granja.
....seu marido tinha fugido
ela ficou sozinha cuidando dos filhinhos
e como o dinheiro era pouco e ela boa costureira suas roupas fazia de pena
e foi numa sexta feira santa quando uns moradores do sítio vizinho saíram para roubar umas galinhas para fazer galinhada no almoço do sábado de aleluia.
e voltaram ja perto da meia noite felizes falando da sorte que tiveram de encontar uma galinha branca de grande porte.
Todos ficaram sabendo da sorte daqueles caçadores e estranharam muito quando viram que não tinha galinhada no almoço e que ninguém falou mais nada da tal galinha grande.
E tudo ficou mais estranho quando depois daquela sexta feira santa, todas as noites de sexta uma chuva de penas de galinhas caía no sítio todinho.
E conforme as semanas foram se passando, a chuva de penas foi aumentando e encheu a represa de penaa...e como não tinha mais água para beber e nem cozinhar. todos foram embora para outro lugar. e o sítio ficou abandonado.
E hoje dizem que muitas galinhas vivem soltas por lá e uma mulher vestida de penas de galinhas cuida delas e arranca os olhos dos caçadores que vão lá para caçar.
Deus, teremos um grande papo no fim da linha, no fim da minha estrada, teremos muito o que dizer um para o outro.
Caminhos tortos
Posso ter caminhado por estradas tortas na vida, mas jamais caminharei com os pés descalços. Seja lá qual for o caminho eu passarei por todos eles, mas não com os pés no chão.
Caminhei por estradas longas, cruzei fronteiras e olhei nos olhos de desconhecidos, sempre com a mesma bússola nas mãos: o desejo de encontrar o que meus pais tinham. Aquele amor que não é feito de vidro, mas de rocha; que aguenta a tempestade e floresce no domingo de manhã.
Às vezes, confesso, o silêncio da casa parece falar mais alto do que eu gostaria. A solidão tentou se sentar à mesa, quis ser visita constante, mas ela não sabe que meu coração é território ocupado pela esperança. Eu não tenho pressa de qualquer jeito, mas tenho urgência de verdade.
Eu não desisto do sonho.
Não abro mão da mesa cheia, do barulho das crianças correndo pelo corredor, da cumplicidade de um olhar que diz tudo sem precisar de uma única palavra. Se a vida é bonita, é porque ela nos permite projetar no amanhã o que ainda não tocamos hoje.
E, enquanto você não chega, eu sigo cultivando esse espaço. Pois sei que, quando finalmente nos encontrarmos, até a espera terá valido a pena. Basta um pedaço do seu beijo, um batimento do seu coração, para que toda essa jornada faça sentido. Eu escolhi esperar por você, porque sei que o que é real nunca chega tarde demais.
NO QUADRO INFINITO DA MATÉRIA ESCURA
Sou mineiro com muito orgulho,
sou raiz, sou estrada, sou poesia.
Nasci no berço de Minas Gerais,
onde o céu parece conversar com as montanhas
e as estrelas tocam a alma de quem sabe sentir.
Uai, sô!
Ser mineiro não é precisar provar quem somos.
É carregar no peito o caráter,
a disciplina, a simplicidade
e o respeito pela vida.
Não nasci cercado pela riqueza do ouro,
mas pelo ouro maior:
o ensinamento de quem me criou.
Minha vó, com seu café e sua simplicidade,
me ensinou que a verdadeira riqueza
não mora no bolso —
mora no coração.
Sou escritor, poeta, locutor,
narrador, dublador e compositor.
Minha ferramenta é a palavra.
Meu palco é a vida.
Meu microfone transforma silêncio em voz,
e minha poesia transforma sentimento em luz.
Aprendi que ofensa não enche barriga,
preconceito não constrói ninguém,
homofobia não alimenta nenhuma alma
e discriminação jamais será maior
que a dignidade de um ser humano.
Eu olho para quem muitos não enxergam.
Olho para o idoso, para a pessoa com deficiência,
para quem carrega uma dor escondida
e continua caminhando.
Minha deficiência nunca foi vergonha.
Ela faz parte da minha história,
mas não escreve o limite da minha existência.
Eu aprendi a caminhar de outra maneira.
E talvez seja justamente por isso
que aprendi a enxergar caminhos
que muitos nunca perceberam.
Não preciso de muitas mãos nas costas.
Prefiro poucas pessoas verdadeiras
a uma multidão de falsas amizades.
Porque amizade verdadeira não humilha.
Amor verdadeiro não machuca por prazer.
Respeito verdadeiro não precisa de plateia.
A poesia não se explica:
a poesia se sente.
Ela nasce da dor,
cresce na esperança
e floresce quando alguém encontra
uma palavra capaz de iluminar o próprio coração.
Minha fé me ensinou que Deus conhece
aquilo que ninguém vê.
Ele conhece minhas lágrimas,
minhas lutas, minhas quedas
e também os meus recomeços.
Eu não preciso que todos entendam minha caminhada.
Deus conhece o caminho.
E se alguém quiser falar de mim,
que fale.
Enquanto alguns apontam o dedo,
eu continuo escrevendo.
Enquanto alguns julgam,
eu continuo amando.
Enquanto alguns espalham ódio,
eu espalho palavras.
Porque eu acredito que
o amor pode vencer a indiferença,
a educação pode vencer a arrogância
e a verdade pode atravessar
até a mais escura das noites.
No meu quadro infinito da matéria escura,
há uma luz que ninguém consegue apagar.
Essa luz é a minha fé.
Essa luz é a minha poesia.
Essa luz é a minha história.
Sou mineiro.
Sou escritor.
Sou poeta da vida.
E sigo pelas estradas da luz,
com a caneta na mão,
Deus no coração
e a esperança como companheira.
Podem não conhecer toda a minha história.
Mas não precisam conhecer minhas cicatrizes
para respeitar minha caminhada.
Eu sou Marcos Escritor.
E enquanto Deus permitir,
continuarei transformando palavras em luz,
dor em poesia
e poesia em amor.
Marcos Escritor
Poeta da vida • Escritor • Locutor • Narrador • Dublador • Compositor
## ❤️⛰️ **AMOR MINEIRO — A ESTRADA DA MENTE**
### **A Mente Estoica**
Na estrada de Minas,
onde o horizonte beija o chão,
aprendi que o amor mineiro
também mora no silêncio do coração.
Uai… a vida segue tranquila,
entre montanhas, café e luar,
e a mente que conhece seu caminho
não precisa correr para chegar.
O amor não grita,
não exige, não aprisiona.
Ele chega devagar,
como a luz que a manhã proporciona.
Na estrada da mente,
aprendi a escolher o que posso mudar,
a aceitar o que não posso controlar
e continuar caminhando sem me abandonar.
Se a tempestade vier,
que venha — eu permanecerei de pé.
Porque ser estoico não é não sentir;
é sentir profundamente
e ainda assim manter a fé.
Sou mineiro de alma,
poeta de estrada e coração.
Levo o amor comigo
e a serenidade como direção.
**Marcos Escritor** ✍️⛰️❤️
*“Na estrada da mente, quem domina a si mesmo nunca se perde.”*
