Estrada
A Primeira Luz: O tempo inaugurou uma nova e terna estrada quando vi nascer minha Andrea, a primogênita amada.Teus cabelos loirinhos trazem a própria cor do sol,revestindo os meus dias com o brilho do arrebol,nesta clareza doce que em meu peito fez morada.A tua risada gostosa ganha asas pelo vento,um som puro que cura qualquer dor ou tormento.É a melodia mais viva que a casa aprendeu a ouvir,o motivo mais sincero que me ensina a sorrir,guardado com orgulho no altar do meu pensamento.Ser o primeiro milagre que meus braços acolheram é o laço mais profundo que os anos me deram.Você abriu o horizonte do meu mundo de escritor,revelando a essência exata de um imenso amor,onde as minhas palavras inteiras se renderam.O mundo lá fora corre em seu rumo apressado,mas o teu riso dourado mantém o tempo parado.A ti, Andrea, ofereço cada linha que escrevo,com a força e o afeto que no coração levo,neste manuscrito eterno que fica agora selado.
"Às vezes, o silêncio da estrada a pé é o som mais bonito que a gente pode ouvir depois de quilômetros de críticas."
"Amizade verdadeira não é como uma estrada que precisa ser percorrida juntas o tempo todo-é como o céu é a terra que mesmo separados por distância ou tempo,sempre estão conectados pelo ár que respiramos."
BODINHO, O FIAT
Bodinho, velho guerreiro,
Fiat Uno afamado,
Nas estradas da memória
Seu nome ficou gravado.
Por onde passava firme,
Sempre era respeitado.
Tudo começou um dia
Quando Israel o comprou,
Com zelo e muito carinho
Seu destino encaminhou.
Depois ao Sargento Damásio
A chave ele repassou.
O tempo seguiu ligeiro,
Fez a vida seu roteiro,
Até chegar às mãos certas
De um novo companheiro.
Negreiros Neto o guardou
Como peça de museu inteiro.
Mas pense que está parado?
Isso ninguém acreditou!
Pois dentro daquelas chapas
Muita história se alojou.
Cada risco da lataria
Uma aventura contou.
Saiu de Aldeia ligeiro,
Sem nunca olhar para trás,
Por Araçoiaba corria
Como quem queria mais.
Subia Três Ladeiras rindo
E vencia os canaviais.
Nas estradas de barro grosso
Nunca teve aflição,
Enquanto outros atolavam
Pedindo socorro ao chão,
O Bodinho seguia em frente
Com coragem de campeão.
De Itaquitinga partia
Cheio de disposição,
Passava por Santo Antônio
Com firme determinação.
Entrando pelas pedras de Sapé
Mostrava sua vocação.
Quando surgia um riacho
Não mudava direção,
Cruzava a água sorrindo
Sem perder a precisão.
Dava um olé nos obstáculos
Com sua velha tradição.
Foi também para Condado
Levando sonho e alegria,
Passou por Matary primeiro
Naquela mesma energia.
Visitou Upatininga e Esconso
Antes de clarear o dia.
Seguiu viagem pra Goiana
Num passo firme e certeiro,
Só não foi pra Ponta de Pedras
Por escolha do companheiro.
Que desistiu da jornada,
Mas não por medo do guerreiro.
Nazaré e Tracunhaém
Conheciam seu roncar,
Carpina também o via
Pelas ruas passear.
Era um amigo da estrada
Sempre pronto pra rodar.
Não tinha hora marcada,
Nem relógio pra mandar.
De dia ou mesmo de noite
Bastava alguém chamar.
Entrava, girava a chave
E o motor queria cantar.
Nas festas de padroeiro
Era rei da procissão,
No Carnaval desfilava
Misturado à multidão.
No São João se enfeitava
Com bandeira e balão.
Muitos diziam sorrindo
Ao vê-lo em circulação:
"Esse carro não tem motor,
Nem trabalha com pistão.
O que move o Bodinho
É alma e coração."
Hoje repousa tranquilo
Na garagem a descansar,
Mas quem conhece sua história
Sempre volta a recordar.
Que há carros que envelhecem,
E outros que aprendem a sonhar.
E assim vive o Bodinho,
Fiat Uno tão valente,
Guardado como relíquia
Na memória de muita gente.
Mais que carro, virou lenda,
Patrimônio permanente.
Que meu Exú abra meus caminhos e tranque as estradas a quem queira me fazer mal para não chegar até mim.
Que meu Exú me proteja daquilo que não vejo e daquilo que não ouço.
Que meu Exú me dê sempre sabedoria e força para nunca desistir da minha caminhada e que dê aos meus inimigos o que merecem receber.
Laroyê Exú
Só o tempo sabe
para onde segue a estrada.
Mesmo quando dizemos conhecer o destino,
quem pode prever o que nos aguarda?
Será o ponto final…
ou o primeiro passo de uma nova jornada?
As rotas mudam,
os ventos trocam de direção,
mas o essencial permanece:
seguir adiante
com os olhos atentos
ao lugar onde o coração deseja chegar.
E quem pode dizer
se o amor cresce no mesmo compasso
em que o coração escolhe sentir?
O coração suspira quando o amor se eleva,
e chora silencioso
quando o amor se despedaça.
Quem pode prever
o instante em que dois caminhos se encontram?
O amor precisa estar desperto,
vivo no peito,
para reconhecer essa magia que toca
como luz suave,
como energia pura
que renova tudo o que somos.
E como fluirá o dia?
Quem ousaria afirmar seu fim,
se a noite — misteriosa, profunda —
guarda no silêncio das estrelas
tudo aquilo
que habita o seu coração.
NO PEDÁGIO
No pedágio eu busquei emoções
Vagando nas estradas do sul
Torneando as linhas da vida...
No encontro que se fez retorno
Deslizando tatuagens coloridas.
No pedágio entre vagos mistérios
Na cabine olhos que percebiam
Que a busca era mesmo constante
Não eram inúteis aquele instante!
Mas uma força pulsando no peito
Uma aventura revirando o leito
O desejo de provar daquela fonte
Rio que jorrava no meu coração .
Mas águas que fluem para o mar
Doces, mas que se tornaram amargas
Limites entre sorrisos e lágrimas
Beirando a vontade de beijar
Porém a boca foge sem oraçao .
Nesse pedágio nas bandas de lá
Escondido continua em seu casulo
Fugindo do medo por não amar...
Deixando sangrar-me pelo chão
Espiando sucumbir nesse pedágio
Onde o preço foi grande decepção !
JOÃO BATISTA BARBOSA
MIMOSO DO SUL ES
POESIA E PENSAMENTOS
Há sempre um caminho a se tomar
Mesmo diante da estrada escura
Onde há uma lâmpada prestes a apagar
Pois se a luz externa cessar
A tua chama há de reinar
Por mais que a estrada seja longa e sofrida, nunca desista de seguir adiante, porque o segredo é ser forte pra suportar todas as barreiras que contém a frente.
Cabe há você ser forte e continuar seguindo, ou caso contrário permanecerá na mesmisse mendigando flor onde só tem espinhos.
As neblinas da vida cegam meu olhar, e ao longo da estrada não vejo a caminhada mas não me assusto, pois a minha fé mudou minha diretriz.
Percorrendo estradas paralelas, ambas seguem juntas...porém uma delas,numa incansável busca até conseguir seu objetivo final...
Hoje o vento trouxe o cheiro do tempo
e bateu no rosto sem aviso.
Tinha gosto de estrada,
de coisa vivida,
de lembrança que não vira saudade,
mas pede atenção.
Gabi
Não nasceu em estrada lisa,
mas aprendeu a pisar firme.
Carrega dias difíceis nos ombros,
e ainda assim escolhe a luz.
Gosta de crianças
porque ainda guarda a própria infância
num canto intacto do peito.
Dança como quem se solta do peso,
canta como quem costura as próprias feridas,
fala do mundo com olhos de quem já entendeu
que ele é duro...
mas não precisa ser dentro dela.
Gabi é riso que sobrevive.
É delicadeza que não se rende.
É flor que cresceu no concreto
e não pediu desculpa por florescer.
"No escuro da estrada,
sigo firme
sem medo,
a dor é só vento,
não apaga meu enredo.
O tempo até pesa,
mas não me derrota,
sou rio que insiste,
e nunca se corta."
Eu posso até não ser nada,
mas quero ser tudo no teu viver,
ser o colo que ampara na estrada,
aquela que cuida de você.
Que segura tua mão na dor,
te abraça no frio sem pedir,
te protege dos perigos do mundo
e faz tua alma sorrir.
Mesmo sem nada contigo,
te trato como joia rara,
um diamante que brilha sozinho,
mas que no cuidado dispara.
Porque toda mulher merece colo,
respeito, gentileza e calor,
merece cuidado sem rótulos,
merece sempre o melhor amor.
“La Vereda” soa como um convite a andar fora da estrada principal.
A vereda é o caminho íntimo, o desvio onde o vento cochicha e as árvores sabem teu nome.
É o espaço entre o destino e o acaso, entre o sol que queima e a sombra que alivia.
Os lábios que um dia beijavas,
hoje tornaram-se marcas de pneus,
poças de lama numa estrada abandonada.
O amor que um dia existiu
e a doçura do mel de nossas lágrimas,
hoje são desertos,
campos sombrios,
o tenebroso rio de mágoas.
Vivemos o êxtase da primavera,
semeamos esperança
e colhemos flores.
Chegou o inverno,
superamos.
Mas, no outono onde estamos,
vivemos sós,
como folhas mortas carregadas ao vento,
separados por abismos silenciosos
que as repetições das ofensas constroem.
Então nos perguntamos:
qual foi a causa?
Onde foi que erramos?
Erramos, talvez,
por persistir em mudar,
mudar a si próprio
e mudar o outro,
para pertencer ao grupo dos normais.
Mas somos pessoas,
somos humanos,
seres distintos,
pobres mortais.
