Estrada
BODINHO, O FIAT
Bodinho, velho guerreiro,
Fiat Uno afamado,
Nas estradas da memória
Seu nome ficou gravado.
Por onde passava firme,
Sempre era respeitado.
Tudo começou um dia
Quando Israel o comprou,
Com zelo e muito carinho
Seu destino encaminhou.
Depois ao Sargento Damásio
A chave ele repassou.
O tempo seguiu ligeiro,
Fez a vida seu roteiro,
Até chegar às mãos certas
De um novo companheiro.
Negreiros Neto o guardou
Como peça de museu inteiro.
Mas pense que está parado?
Isso ninguém acreditou!
Pois dentro daquelas chapas
Muita história se alojou.
Cada risco da lataria
Uma aventura contou.
Saiu de Aldeia ligeiro,
Sem nunca olhar para trás,
Por Araçoiaba corria
Como quem queria mais.
Subia Três Ladeiras rindo
E vencia os canaviais.
Nas estradas de barro grosso
Nunca teve aflição,
Enquanto outros atolavam
Pedindo socorro ao chão,
O Bodinho seguia em frente
Com coragem de campeão.
De Itaquitinga partia
Cheio de disposição,
Passava por Santo Antônio
Com firme determinação.
Entrando pelas pedras de Sapé
Mostrava sua vocação.
Quando surgia um riacho
Não mudava direção,
Cruzava a água sorrindo
Sem perder a precisão.
Dava um olé nos obstáculos
Com sua velha tradição.
Foi também para Condado
Levando sonho e alegria,
Passou por Matary primeiro
Naquela mesma energia.
Visitou Upatininga e Esconso
Antes de clarear o dia.
Seguiu viagem pra Goiana
Num passo firme e certeiro,
Só não foi pra Ponta de Pedras
Por escolha do companheiro.
Que desistiu da jornada,
Mas não por medo do guerreiro.
Nazaré e Tracunhaém
Conheciam seu roncar,
Carpina também o via
Pelas ruas passear.
Era um amigo da estrada
Sempre pronto pra rodar.
Não tinha hora marcada,
Nem relógio pra mandar.
De dia ou mesmo de noite
Bastava alguém chamar.
Entrava, girava a chave
E o motor queria cantar.
Nas festas de padroeiro
Era rei da procissão,
No Carnaval desfilava
Misturado à multidão.
No São João se enfeitava
Com bandeira e balão.
Muitos diziam sorrindo
Ao vê-lo em circulação:
"Esse carro não tem motor,
Nem trabalha com pistão.
O que move o Bodinho
É alma e coração."
Hoje repousa tranquilo
Na garagem a descansar,
Mas quem conhece sua história
Sempre volta a recordar.
Que há carros que envelhecem,
E outros que aprendem a sonhar.
E assim vive o Bodinho,
Fiat Uno tão valente,
Guardado como relíquia
Na memória de muita gente.
Mais que carro, virou lenda,
Patrimônio permanente.
CALDO DE CANA
No roçado amanhecendo,
Vi o sol beijar a estrada,
A enxada cortando o mato,
Na lida abençoada.
O cheiro verde da cana,
Na memória adormecida...
Doce lembrança de uma infância dolorida.
No engenho a roda cantava,
Gemia o velho moendão,
A garapa escorria farta,
Feito bênção pelo chão.
Cada gota era esperança,
Pela família repartida...
Doce lembrança de uma infância dolorida.
Tinha a cana Caiana,
Alta, forte e vigorosa,
Ao lado da velha Pitú,
Sempre doce e generosa.
Cada talo era um tesouro,
Na jornada tão sofrida...
Doce lembrança de uma infância dolorida.
O caldo de cana gelado,
Com pão-doce e boa broa,
Era um banquete de pobre
Que a lembrança ainda entoa.
Pouco havia sobre a mesa,
Mas nunca faltou comida...
Doce lembrança de uma infância dolorida.
O melaço fervilhando
Na panela de carvão,
Perfumava o terreiro inteiro,
Adoçando o coração.
O doce vencia a dureza
Da batalha já vivida...
Doce lembrança de uma infância dolorida.
Quando vinha o tempo da safra,
Era festa no canavial,
Mas depois da derrubada
Recomeçava o ritual.
A terra pedia de novo
A semente repartida...
Doce lembrança de uma infância dolorida.
Na reçoca do plantio,
Brota a força da raiz,
A cana vence o tempo,
Sem esquecer seu país.
Quem conhece esse mistério
Vê a vida refletida...
Doce lembrança de uma infância dolorida.
O suor de cada homem
Era chuva sobre o chão,
Misturando fé e coragem
Com trabalho e oração.
A colheita era pequena,
Mas a honra garantida...
Doce lembrança de uma infância dolorida.
Hoje o engenho silencia,
Muita coisa já mudou,
Mas o cheiro da garapa
O tempo nunca apagou.
Quem provou aquele caldo
Leva a alma comovida...
Doce lembrança de uma infância dolorida.
Que o caldo de cana ensine
O valor da tradição,
Da família reunida,
Da coragem do sertão.
Pois o doce da memória
Jamais conhece partida...
Doce lembrança de uma infância dolorida.
LÉGUAS DA VIDA
Nasce o choro anunciando que Deus abriu nova estrada; uma alma chega ao mundo com sua missão traçada. O primeiro passo é dado, sem conhecer a subida.
A légua da vida, sabe-se quando começa,
mas não se sabe quando finda.
Cada manhã é uma légua que o Criador nos oferece; uns semeiam esperança, outros colhem o que esquece. Toda escolha deixa marcas na poeira da partida.
A légua da vida, sabe-se quando começa,
mas não se sabe quando finda.
Há veredas de alegria, há espinhos no caminho; ora se anda em multidão, ora segue-se sozinho. Mas quem carrega a fé no peito nunca perde a direção da lida.
A légua da vida, sabe-se quando começa,
mas não se sabe quando finda.
A infância é campo florido, a mocidade é corrente; a idade madura ensina o valor de cada gente. E a velhice, qual cajado, faz da memória guarida.
A légua da vida, sabe-se quando começa,
mas não se sabe quando finda.
Nem riqueza nem poder compram mais um só instante; o relógio segue firme num compasso constante. Só Deus conhece a medida da jornada concedida.
A légua da vida, sabe-se quando começa,
mas não se sabe quando finda.
Quem reparte o pão com o pobre, quem consola o coração, vai deixando pelo mundo sementes de redenção. Pois a bondade floresce mesmo após a despedida.
A légua da vida, sabe-se quando começa,
mas não se sabe quando finda.
Quando chegar a derradeira curva da estrada cumprida, que encontremos Cristo à espera na morada prometida. Então a morte será ponte para a eterna acolhida.
A légua da vida, sabe-se quando começa,
mas não se sabe quando finda.
Por isso vive com honra, com coragem e gratidão; faz da fé teu alimento e do amor tua oração. Porque a maior das viagens é a que conduz à Vida.
A légua da vida, sabe-se quando começa,
mas não se sabe quando finda.
O zumbi metropolitano e a falta de visão:
Como caminhante entre estradas e matas de 3 estados brasileiros, no passado em 2004 2005, que fui, sei quando um item pode ser consumido sem danos, como alimentos caseiros empacotados, sem marcas conhecidas, e mesmo sem prazo de validade por estarem em boa preservação, assim como conheço quando um produto de limpeza caseiro é por vezes até melhor que os industrializados, não obstante noto a "matrix" a que vivem esses funcionários estáveis de cotidiano da empresa ao lar, e do lar ao shopping e cinema, além de uma visão de Hollywood ao que não conhecem, são lotados de mi mi mi, ou checagens inúteis, inclusive do próprio mel, que o verdadeiro se reconhece por ter cheiro e aroma de vegetais, como pinho, laranjeira e eucalipto, bem como própolis e resíduos de favos minúsculos, esse tipo de público exige, mas ingere coisas de péssima qualidade, só por chegar em embalagem bonita, consome e compra até péssimas jóias ou bijouterias somente porque vem em caixinha de veludo e notas fiscais!
Sir Mário Honorário
“ Como uma estação nova que chegava, ou um porto em cada estrada.
Via meus laços sempre saindo, mais nunca ficando.
Sou ponta de partida para quem tem duvidas de suas escolhas.
Sou embarque para quem nunca quis ficar “.
TRINCHEIRAS DA VIDA!
Pelas trincheiras da vida
Armado ou desarmado
Nos planos dessa estrada
Perdido ou encontrado
Admiração ou espanto
Diversos imprevistos
Negativos ou positivos
Estou passando pela vida
Meio a tantas histórias
Que assim formulando
Guardando nas memórias
Inexplicáveis momentos
Revolução no meu interior
Circulando minha mente
Nos reflexos do instante
E no raiar de cada segundo
Formatando a eternidade
Até que Deus permita
Lutar nessa trincheira
Carregando minha cruz
Meu coração que acredita
No amor eterno de Jesus!
JOÃO BATISTA BARBOSA
SÓ GRATIDÃO
Nasci trazendo esperança,
Sem saber o que viria,
A vida abriu sua estrada,
E eu segui com alegria.
Por ter recebido a vida,
Agradeço a cada dia.
Sobrevivi às tempestades,
Atravessei vendavais,
Caí, levantei de novo,
Não quis olhar para trás.
Cada dor deixou ensino,
Cada passo trouxe paz.
Superei tantos obstáculos,
Que pensei não suportar,
Descobri dentro de mim
Uma força pra lutar.
Quem persiste diante da vida
Sempre aprende a superar.
Agradeço à minha família,
Aos amigos de verdade,
A quem segurou minha mão
Nos momentos de dificuldade.
Quem compartilha nossa estrada
É riqueza e amizade.
Agradeço as minhas derrotas,
E também cada vitória;
Pois a queda me ensinou
A escrever minha história.
Vitória sem aprendizado
É apenas vã memória.
Agradeço o que aprendi
E aquilo que pude ensinar;
Conhecimento compartilhado
Faz a vida prosperar.
Quem ensina também aprende,
Quem aprende pode ensinar.
Agradeço pela fé,
Por crer e também confiar;
Quando a estrada fica escura,
Tenho Deus para me guiar.
Quem conserva a esperança
Nunca deixa de caminhar.
Agradeço o que plantei,
Mesmo antes de colher;
Toda semente tem seu tempo,
Cada fruto seu nascer.
Quem trabalha com esperança
Tem razões para agradecer.
Agradeço os meus erros,
E os acertos que conquistei;
Foi errando que aprendi
Os caminhos que trilhei.
Cada erro corrigido
Foi um passo que avancei.
Agradeço por amar,
E por também ser amado;
Pois o amor deixa na alma
Um caminho iluminado.
Quem ama nunca caminha
Neste mundo abandonado.
Agradeço pelos filhos,
Pelos livros que escrevi;
Pois aquilo que deixamos
É semente após partir.
Quem perpetua seus valores
Continua a existir.
Se a vida me deu espinhos,
Também me ofertou flores;
Deu-me noites tão difíceis,
Mas também belos albores.
Entre lágrimas e risos,
Fui juntando meus valores.
Hoje olho para a estrada
E agradeço o que passou;
Cada encontro, cada ausência,
Cada abraço que ficou.
Tudo fez parte da história
Que a própria vida escreveu.
Se amanhã vier incerto,
Não preciso me assustar;
Levo fé dentro do peito
E coragem pra enfrentar.
Enquanto houver vida em mim,
Terei motivos pra amar.
Pelo dom de estar presente,
Pelo ontem e pelo agora,
Pelo sonho que permanece
E pela esperança que aflora;
Por nascer, vencer, aprender
E deixar sementes mundo afora.
💞✨"...feche os olhos...caminhe na estrada das lembranças...aviste o jardim das memórias...reencontre quem partiu...abraçe...beije...sinta o momento...viaje no tempo...no silêncio da saudade."💕✨️
O castelo e a neve
Lá fora, muitos uivos, a estrada escorregadia, os pinheiros completando as paisagens,
Aqui dentro do castelo, o clima é quente, o teto tem pinturas artísticas deslumbrantes,
Lá fora, a neve avança, os lobos caçam e os ursos dormem,
Aqui entre as muralhas, a comida vêm quente, a segurança é inesgotável e o companheirismo respira com profundidade,
Lá fora, os ventos são assombrosos, a esperança é miúda e a solidão coexiste,
Aqui das muralhas é perceptível ver o descontrole e o medo vagando no meio da neve densa,
Lá fora, aos pés da neve e sobre a sombra dos grandes pinheiros tudo que é importante permanece na escassez,
Aqui dentro do castelo, a fogueira sempre esta acesa, os olhares não se perdem e viver aquilo que é importante é uma arte da vida.
Maumau
William Contraponto
Te conheci no avesso da estrada,
quando o mundo esquecia de nós.
Havia silêncio em cada palavra,
mas teu abraço fazia voz.
Não prometemos céu nem destino,
nem juramentos diante do altar.
Só dividimos o peso dos dias,
sem perguntar onde ia dar.
Maumau,
se o tempo nos feriu, também nos fez.
Nos corredores da tempestade
aprendemos outra forma de viver.
Maumau...
amor não é o nome que se dá.
É quem permanece quando tudo
parece querer desmoronar.
Hoje te vejo travando batalhas
que nem sempre consigo alcançar.
Queria roubar um pouco da dor,
mas só consigo contigo ficar.
Porque às vezes amar é tão simples:
sentar em silêncio, estender a mão.
Ser companhia quando a esperança
esquece o caminho do coração.
E nossos filhos de patas
fazem da casa um pequeno universo.
Bob, o catiolo, corre feliz
como se toda tristeza pudesse perder a corrida.
Baby, a catiola,
deita entre nós sem escolher um lado,
como quem sabe
que amor não precisa tomar partido.
Eles nos lembram, todos os dias,
que carinho é uma linguagem
que nunca precisou de tradução.
Maumau...
se houver manhã, caminharemos nela.
Se houver noite, acenderemos riso
no olhar de Bob e de Baby.
E quando a vida nos pedir coragem,
que ela nos encontre assim:
com as mãos marcadas pelo tempo,
com o coração ainda inteiro,
e com esse amor teimoso,
que insiste em florescer
mesmo onde quase ninguém acredita.
A estrada à frente parece escura e deserta,
mas teus pés já sabem onde devem pisar.
Não sinta medo, pois a direção é certa,
apenas confie no caminho que aprendeu a trilhar ao longo da sua vida.
"Às vezes, o silêncio da estrada a pé é o som mais bonito que a gente pode ouvir depois de quilômetros de críticas."
Na estrada da vida, tempestades inevitáveis erguerão poeiras densas para tentar embaçar a sua visão, mas jamais permita que o vento passageiro desfoque o seu objetivo; lembre-se de que toda turbulência passa, o pó sempre assenta e, assim que o céu se acalma, revela-se à sua frente a imensidão infinita do universo para você continuar caminhando firme no seu propósito.
Prazer e dor caminham pela mesma estrada; frequentemente é apenas a consciência humana que decide qual dos dois reconhecerá primeiro.
Elegia para Quem Esqueceu o Caminho
Perdeste-te…
Não foi na curva de uma estrada,
nem no desvio de um destino qualquer.
Perdeste-te onde a esperança já não envia socorro,
onde até o silêncio desiste de chamar pelo teu nome.
Habitaste uma mente em guerra,
um céu permanentemente coberto por tempestades,
onde a revolta fez morada,
o orgulho ergueu muralhas,
e a lucidez partiu sem se despedir.
Os teus ouvidos permaneceram atentos,
mas apenas às vozes errantes,
aos ecos daqueles que também caminham às cegas,
como náufragos convencidos
de que o horizonte pertence ao mar
e não à coragem de remar.
Fizeste das pressas uma religião,
das decisões impulsivas um altar,
e sacrificaste a verdade
em nome de promessas que nunca tiveram raiz.
Quiseste resgate,
mas nunca aprendeste a ajoelhar diante da humildade.
Quiseste respeito,
mas esqueceste que o caráter
não se veste como uma roupa de ocasião.
Constrói-se.
Sustenta-se.
Honra-se.
Vi-te entregar as cordas da tua própria vida
às mãos de quem nem sequer sabia
desatar os nós da própria existência.
Marionetas a conduzir marionetas.
Cegos a desenhar mapas.
Almas vazias a ensinar o significado da plenitude.
E assim foste caminhando,
cada passo mais distante de ti,
até deixares de reconhecer
o reflexo que o espelho, por compaixão,
ainda insistia em devolver.
Hoje parto.
Sem ódio.
Porque o ódio aprisiona.
Sem vingança.
Porque ela alimenta apenas quem já morreu por dentro.
Parto com a serenidade
de quem compreendeu que nem todas as batalhas
merecem ser vencidas,
e que algumas despedidas
são a mais pura forma de renascimento.
Não olharei para trás.
As águas passadas não movem moinhos;
apenas alimentam rios
que seguem o seu curso
sem pedir licença à saudade.
Deixo para trás o peso das ilusões,
o cheiro amargo das promessas quebradas,
as noites onde a verdade sufocava
sob o perfume enganador das aparências.
Levo comigo apenas o que o tempo não conseguiu roubar:
a consciência tranquila,
a dignidade intacta,
a paz de quem escolheu caminhar sozinho
em vez de permanecer perdido na multidão.
E se algum dia o destino voltar a cruzar os nossos passos,
que seja apenas para te mostrar
que havia, afinal, um caminho.
Mas esse caminho
nunca começou nos outros.
Sempre começou dentro de ti.
Adeus.
Que a vida te ensine
o que as palavras nunca conseguiram.
Que o tempo te devolva
a bússola que abandonaste.
E que um dia descubras
que a maior perda de um ser humano
não é perder alguém…
É perder-se de si mesmo.
Hassamo Abdurrahimo
