Esquecida
A meninice ficou longe,
mas não esquecida!
A rosa, as nuvens, o canto;
os campos, o riacho, as amoras.
Os sons, os aromas, os perfumes, o pranto...
Tudo o que vi e vivi, naquele tempo,
habita a memória
e ainda preserva em mim
o doce sabor das manhãs de sol
da minha aurora.
SUA PRESENÇA
Doravante o labor de cada dia
Na intensidade louca desta vida
Esquecida se encontra a ousadia
De encarar o mundo com alegria
Com você é diferente
Seu olhar sempre calmo e reluzente
Inspira até o mais apenado
Que de tudo se ressente
Até quando adormece
Em noites de cansaço e de grande estresse
Sua alma brilha na penumbra
Como se estivesse a passear por campos silvestres
Tanta ternura e tanta poesia
Ressoam quando amanhece o dia
E você, sempre sorridente,
Me diz um sonoro e lindo “bom dia”
Que sorte a minha
Dentre os malgrados deste mundo
Ser graciosamente abençoado
Com a melhor companhia desse mundo
Não sei se essas palavras formam um verso ou um poema
Só sei que de mim transbordam
Como as águas de uma cachoeira
Que seguem o rumo do rio, numa eterna canção verdadeira
Sua presença... ah sua presença
Me transporta para outro mundo
Como se a vida fosse outra
Muito mais bela e tenra, como um sonho profundo
Você me acalma, me acalenta a alma
Linda e completa
Plena e esplendorosa
É o lírio que perfuma
Que torna a minha vida mais gostosa.
Te amo minha linda.
Estar com você é um privilégio
É uma dádiva divina!!!
Mesmo que uma história de amor acabe, ela jamais será esquecida. Nosso coração tem um baú de recordações!
Angustias num reflexo da profunda alma esquecida,
nesta vida de tantos amores,
privilégios na agonia
a solidão parece boa e compreensiva,
até que o luar seja mais um momento da minha vida.
Pedra levada no bolso
Para ser atirada
Caída
Esquecida
Ignorada
Observando imóvel
Na beira da estrada
O caminho sem fim
que leva a nada
Mais do que uma pedra
Viajante do tempo
Livre da necessidade
Das correntes de liberdade
da mobilidade
É pau, é pedra, é caminho
O tempo não existe
É um redemoinho
Sobre os excessos que cometemos, podemos dizer que, a alma, esquecida da sabedoria que trouxe consigo deixou-se levar pelas coisas mundanas. Largou o discernimento jogado a um canto e saiu tentando compensar alguma falta que pensava ter... Daí os excessos!
A casa de minha infância
Uma cidadezinha na verdade uma vila
Quase esquecida
Por alguma propriedade rural engolida
Das poucas ruas posso lembrar-me do lado esquerdo
Da casinha quase na esquina
Não é essa aqui
Aquela La subindo a Rua La em cima
Com pintura a cal amarela desbotada
Partes que já caiu o reboco
O celebro se agita a recordação vem aos poucos
A rua de terra batida
Época de muita poeira
Em outrora uma massa vermelha grudadeira
A frente um pé de sete copas dos grandes
Cerca de madeira
Há estou vivendo de novo
Num pequeno cômodo uma velha tarimba
Em cima um colchão de palha
Na parede pendurado num prego
Meu picuá e estilingue
Pela a janela vejo onde hoje é pasto
Já foi uma grande palhada
Ao pé de macaúba me vejo a sua sombra
Apanhando coco muito usado em casada.
Para admirar a beleza implícita em um poema, faz se necessário ler as tristes entrelinhas, esquecidas, incompreendidas, esdrúxulas, mas que fazem todo sentido. Aí está o encanto do rico texto, a confusão que levara o autor a compor mais bela obra.
sobre sumos da qualidade de vida,
são operas esquecida pelo poder publico...
desastres, opiniões que se destinam a iludir,
sempre mais como extensão do destino
num futuro inesquecível...
somos culpados por quem seremos...
por escolher um caminho que já foi escolhido,
num tempo que foi determinado,
magicamente planos sem um futuro definido.
apenas um começo sem fim...
um desejo de projeção astral morre no momento.
Flor do Campo
Pedaços de terra esquecida,
Jardim de mil flores,
Semeado por mãos de menina.
Reflexos de um olhar,
No doce sorriso,
De quem sabe esperar!
Secretas pétalas,
No corpo do tempo.
A cor do vento,
Semeia novos caminhos...
Estrela do Mar,
Em corpo de Mulher,
Num desejo circular...
NATUREZA ESQUECIDA!
É tempo de seca,
Solo rachando,
Pessoas sofrendo,
Homens chorando.
É tempo de desesperança,
Comprometimento do futuro das crianças,
Violam as leis, afiam o machado,
Degolam as árvores e deixam o solo rachado.
Destino cruel,
Traçado infiel,
Homem mal, jogam ao léu,
A água boa que vem do céu.
Seattle escreveu,
Washington não obedeceu,
Mataram os índios e os animais,
Poluíram os rios,
Retiraram as florestas,
E o povo morreu.
Flor do Chá
Posso estar recolhida em minhas pétalas escondida.
Na gaveta esquecida e assim por um tempo ficar.
Se nesse momento é vontade já definida!
Mas não quer dizer que de repente isso não possa mudar.
Um calor pode aquecer agente;
Nos fazendo desabrochar!
Assim podemos encarar a vida.
Hora triste e sofrida, alegre e singular.
Importante entendermos que para todos seus momentos aproveitar.
De todos seus rancores devemos nos libertar!
Esse é o seu sentimento que venho tentando lembrar.
Ou será que estamos apenas falando dessa “Flor de Chá”!
CALÇADA
Aqui estou, aqui me vejo
Num túnel mal iluminado
Esquecida ou encontrada
No meio de tudo, de nada
O corpo flutua e já dorme
Numa vida tão mal contada
Balançando no inexpressivo
Num velho, perdido combate
Sou a bússola na imensidão
Do meu próprio pensamento
Onde os ponteiros do relógio
Não encontram já o caminho
Ao longe o olhar não avista
Num passado num presente
Onde a mente pisa os seixos
Calça já as pedras da calçada.
SOMBRA
Perdida esquecida, sem oxigénio
Num ergástulo escuro, sem dor
Pequena letra, palavra escondida
Insensata atmosfera, talvez hipócrita
De verdades que são muitas vezes
Falsas promessas, ânsia de liberdade
Coabita na contemplação da morte
Apenas pede a Deus a misericórdia
Que a sua alma anseia há tanto tempo
Um premio que ele acha que merece
Cobre o seu frágil corpo, com um velho
Manto preto já roto, ergástulo eterno.
POETA É CRIANÇA
Poeta é gente pra se esquecida.
De toda memória apagado.
Da face da terra riscado.
Para que viva à poesia FAZIDA
Assim mesmo, feito crianças
Que trazem, doces lembranças
Da livre inocência
Sem gramática, só crença…
"NOITES EM DIA"
Noite perdida, esquecida
Cai a solidão sobre a minha cama
Neste quarto vazio, vazio de nada
O tempo sufoca-me, tempo perdido
Nasce, morre, renasce comigo
Não sei se ele cura, não sei se nos ama
Parece um anjo, mas é solidão
Cai a noite sobre a minha cama
Sombria, escura, com asas sentidas
Deste poema adormecido desta noite
Que se transforma em dia.
