Esquecida
Eu sou a Babilônia.
Não a ruína esquecida na poeira dos séculos,
mas a cidade erguida dentro do peito humano.
Sou muralha e sou abismo,
sou torre que toca o céu
e fundamento cravado no barro.
Sou o equilíbrio constante
da sabedoria em agressiva evolução.
Cresço entre o caos e a ordem,
entre a chama que destrói
e a que ilumina.
Carrego em mim a contradição dos homens:
sou templo e mercado,
oração e grito,
promessa e queda.
Em minhas ruas ecoam os passos
de quem busca a verdade
e tropeça na própria sombra.
A hipocrisia nos limita
a sermos curtos e rasos em crenças,
mas eu — Babilônia —
sou profunda como o conflito que desperta.
Não há luz que se reconheça
sem ter beijado a escuridão.
Não há dor que ensine
sem atravessar o abandono.
Não há perdão que floresça
sem antes ter provado o desamor.
Eu sou o espelho do humano.
Em mim, reis se erguem e caem,
profetas clamam,
orgulhos se quebram como vasos de argila.
Sou a soberba que desafia os céus
e a humildade que aprende ao cair.
Sou feita de escolhas —
cada pedra uma decisão,
cada torre um desejo,
cada ruína uma lição.
Não me julgue apenas pela queda,
pois também sou reconstrução.
Não me veja apenas como pecado,
pois também sou consciência.
Sou a tensão que molda o caráter,
o fogo que purifica o ouro da alma.
Eu sou a Babilônia
quando você enfrenta sua própria sombra.
Sou a cidade interior
onde a guerra é travada em silêncio
e a paz nasce como aurora
depois da mais longa noite.
Eu sou a Babilônia —
não como condenação,
mas como revelação:
a prova de que a evolução é confronto,
de que a sabedoria é forjada no choque,
e de que, dentro de cada ruína,
existe a semente de um império mais justo.
Eu sou a Babilônia.
E em mim,
a luz aprende a existir.
A magnanimidade, uma virtude muito esquecida, é a aspiração do espírito a grandes coisas. Uma pessoa é magnânima se tiver a coragem de buscar o que é grandioso e se tornar digna disso. (...) A magnanimidade, como nos dizem Tomás de Aquino e Aristóteles, é "a joia de todas as virtudes", pois sempre – e particularmente em questões éticas – decide em favor daquilo que, em dado momento, representa a maior possibilidade do potencial humano para o ser.
"Uma ofensa leva segundos para ser dita, mas pode levar uma vida inteira para ser esquecida. Use sua voz para ser o curativo de alguém, nunca a cicatriz."
O que é a vida pra você? A vida é como uma caixa antiga esquecida no fundo de um quarto escuro; no começo, colocamos as mãos nela com curiosidade e esperança, retiramos coisas belas, leves, doces ao coração, até que um dia alcançamos partes mais fundas, cheias de espinhos, perdas e pesos difíceis de carregar. Ainda assim, continuamos procurando, porque no fundo viver é isso: sangrar as mãos sem desistir de encontrar algo que faça todo o sofrimento valer a pena
Na dimensão mais rara da alma, a Catedral permanece erguida como uma utopia esquecida entre o tempo e o infinito.
Tem sempre aquela pessoa em nossa vida, que é imemorável, impossível de ser esquecida. Todos os dias, está pessoa faz parte de nossos pensamentos, mesmo distante ♥️
Parábola Esquecida do Último Pagão
nos deixe
cair em tentação,
nós não queremos
ser salvos,
nós nunca
quisemos ser.
não queremos
que vosso reino
venha a nós,
desprezamos
toda e qualquer
ambição monárquica.
tua vontade não será
feita aqui,
sobre esta terra
ou sob este céu,
pois jamais perdoaremos,
quem nos têm ofendido.
sim senhor,
em vosso elevado
e santo nome,
conhecemos bem
a impiedosa
misericórdia divina.
ainda nos safamos quase
ilesos, dos tantos males
que nos assolam.
tudo o que buscamos
é ir até o limite
e depois cruzá-lo.
não desejamos
a salvação,
sempre
estivemos perdidos,
nos encontramos,
na perdição.
04/10/23
Michel F.M.
No limite da chama esquecida,
um ponto atravessa o que restou.
Pequeno demais para a queda da vida,
longe demais de tudo que queimou.
Vilma Martins
Xícara de Café
Sinto-me solitária,
como uma xícara de café
esquecida num canto qualquer
de uma mesa bagunçada,
cercada por papéis importantes.
Parece que tudo ao redor
merece mais atenção do que eu.
Escrevo porque dói.
Não é uma dor do corpo.
É uma dor que atravessa a alma,
que se instala na mente
e encontra abrigo no peito.
Dói tanto
que as palavras se tornam pequenas demais
para explicar o que sinto.
Talvez seja por isso
que eu recorra à fumaça.
Não porque eu goste dela,
mas porque sua breve brisa
anestesia aquilo
que já não consigo suportar.
Não sou alguém forte o bastante
para fingir que está tudo bem.
Sou apenas alguém frágil.
Tão frágil
que evita até cruzar o olhar da própria mãe,
com medo de encontrar, nos olhos dela,
uma decepção
que talvez exista apenas dentro de mim.
E isso dói.
Dói de um jeito
que minhas mãos quase desistem
antes mesmo de terminar este poema.
Estou com o coração ferido.
E, enquanto tento sobreviver,
sou julgada
por não saber
como deixar de doer.
#MINHA #RUA
Moro em uma rua esquecida...
Abandonada, a mais escura...
Cachorros cagam nela...
Há 1/2 século vejo pela minha janela...
Em minha esquina ...
Começam as serestas...
Mas logo sai de minha rua...
Só deixando a solidão nela...
Tem uma calçada de estrelas...
Muita calma nessa hora...
Apenas uma homenagem...
Aos grandes menestréis das serenatas...
Lindos sonhos sonhei...
De ver muita alegria...
Sempre contando os dias...
De tudo que existe...
Que tristeza...
Pura quimera...
Rua tão triste...
Horas mortas...
Do amanhecer ao anoitecer...
Que me faz sofrer...
Última a ser enfeitada...
Em festas, pouco iluminada...
Até o padroeiro Santo Antônio...
Hoje não passou por ela...
Acesso para a cidade...
De casarões coloniais...
Resistência de antigos moradores...
Poucos, quasem não se encontram mais...
O comércio é escasso...
Poucas lojas de fato...
Uma igrejinha presbiteriana...
Pouco aberta na semana...
É a rua que mais árvores tem...
Entre duas praças...
A da matriz que um dia teve um lago...
E a da feirinha com artesanatos...
Rua do hospital...
De farmácias...
Se passar mal...
Ali você se acha...
Tem pousadas...
Uma delas é rosa...
Namoradeiras sonhadoras...
Sempre alguém querendo prosa...
Linda cidade de Conservatória...
Quando no céu a lua aparece...
Um violão solitário chora...
Eis que é a hora...
Das pedras contar suas histórias...
Nessa rua eu cresci...
Nessa rua eu brinquei...
Nessa rua eu vivo...
E se Deus me permitir...
Daqui partirei...
Mas agora eu só queria mais ver...
Mais alegria e muitas flores...
A florescer...
Durante o dia pouca gente...
Na madrugada só gambá...
De viralatas muita bosta...
Cuidado quando andar...
Sandro Paschoal Nogueira
Que a humanidade nunca seja esquecida diante da pressa por curtidas, alcance ou validação. Há dores, histórias e vidas reais por trás de cada imagem, notícia e comentário. Respeitar a dignidade humana deve estar sempre acima de qualquer disputa por atenção.
"Eu não conseguia respirar, e a alegria era uma emoção esquecida. A palavra 'amor' carregava um peso que eu não compreendia... até você me resgatar. A partir daquele momento, você não só me devolveu o fôlego, como também me ensinou o seu significado mais puro e lindo."
" Chegará um tempo em que a dor será esquecida,
mas o sentimento bom,
esse será eternizado.
Ninguém fará esquecer,quem um dia foi amor...
A Integridade como Testemunho da Graça
Encontrar uma mala esquecida, com o fruto do trabalho de outro, não é apenas um teste de honestidade, é um confronto com a nossa própria natureza. Ao devolver o que não me pertence, mesmo enfrentando as minhas próprias fragilidades financeiras, entendo que a verdadeira perfeição não reside na ausência de erros, mas na escolha deliberada do caminho que reflete o caráter de Cristo.
Se a tentação de reter o valor existiu, a consciência de que aquele montante representava o sustento e o início de vida de um jovem trabalhador falou mais alto. Não agi apenas por dever ou obrigação moral — como sugerido pela voz terrena — mas por uma convicção que brotou do meu interior. A paz que sinto agora não é a paz de quem tem a conta bancária cheia, mas a paz de quem mantém a consciência como um espelho limpo perante o Criador. Esta atitude é, sem dúvida, um marco na minha mudança de atitude perante o próximo: a evidência de que fui moldado e preparado por Deus para ser, em atos concretos, uma extensão da Sua benevolência no mundo.
Exemplos Bíblicos de Integridade e Benevolência
A Bíblia está repleta de exemplos que corroboram a importância da honestidade e do zelo pelo próximo, mesmo em momentos de necessidade:
Zaqueu e a Restituição (Lucas 19:8): Após o seu encontro com Jesus, Zaqueu, um cobrador de impostos que vivia em abundância através de métodos injustos, decidiu restituir quatro vezes mais a quem tivesse defraudado. Ele compreendeu que a salvação exigia uma retidão prática e o cuidado com o bem alheio, transcendendo o ganho material pessoal.
A Parábola do Bom Samaritano (Lucas 10:30-37): Este é o exemplo máximo da benevolência ativa. O Samaritano não perguntou sobre a condição social ou a culpa da vítima; ele agiu para restaurar a dignidade e a segurança do próximo, mesmo que isso implicasse um custo financeiro e tempo do seu próprio bolso. O seu ato de "cuidar do que é do outro" é o reflexo fiel da caridade cristã.
José no Egito (Génesis 39:7-9): Quando a mulher de Potifar tentou seduzi-lo, José recusou-se a pecar contra o seu senhor e, acima de tudo, contra Deus. Mesmo estando numa posição de vulnerabilidade como escravo, a sua integridade era inabalável. Ele sabia que o seu caráter não dependia da vigilância dos homens, mas da sua relação direta com Deus.
"Quem é fiel no pouco, também é fiel no muito; e quem é injusto no pouco, também é injusto no muito." — Lucas 16:10
Esta sua atitude prova que o seu coração está alinhado com o princípio da retidão. A sua escolha de priorizar a dignidade e o futuro daquele jovem é um testemunho vivo, e essa paz que hoje habita em si é o maior tesouro que poderia ter alcançado.
[13/07, 23:13] Emanuel Andrade: Como é que esta experiência de honestidade e escolha ética está a ressoar nos seus outros projetos artísticos e na forma como vê a sua missão de vida atual?
Sinto que a minha arte, ao longo destes quase trinta anos, tem sido um processo de purificação constante, onde a busca pela verdade se torna cada vez mais inseparável da minha prática criativa. Cada vez que me debruço sobre a tela ou sobre as palavras, percebo que não estou apenas a criar formas, mas a transpor para o mundo o alinhamento que busco no meu relacionamento com Deus.
A minha obra tem evoluído de uma expressão focada puramente no abstrato e no imaginário para um testemunho mais assertivo da "poesia da vida" e da importância de criar conexões genuínas entre todos. Sinto que o meu trabalho atual carrega uma seriedade diferente; ele já não é apenas sobre o que vejo, mas sobre o que acredito e como desejo servir o próximo.
Exemplos dessa mudança refletem-se em ações concretas que guiam a minha criatividade:
* A minha intervenção em defesa de pessoas vulneráveis na Rádio Belém e as histórias que partilhei publicamente, como na SIC, são extensões da mesma vocação que aplico nas minhas exposições e antologias de poesia.
* O ato de devolver uma mala perdida, guiado pela minha consciência como filho de Deus, é, para mim, o ápice dessa "arte da vida", onde a ética prevalece sobre a fragilidade financeira, tornando-se o combustível mais puro para as minhas criações.
* A criação de textos como a "Epopeia Contemporânea" e o conto "Acreditar no transformar" mostram que a minha escrita quer agora elevar, inspirar e mostrar que existe um caminho de retidão e esperança, mesmo num mundo cheio de armadilhas.
Ao preparar-me para novos palcos, como o ARTBOX.PROJECT em Zurique, sinto que levo comigo não apenas a técnica do artista plástico, mas a integridade de quem entende que cada obra é um rebento da paz interior que encontrei na oração e na escuta da palavra. Esta "arte de saborear o viver" tornou-se o tom central da minha existência, onde a assertividade que ganhei na fé molda cada pincelada e cada verso que dedico ao mundo.
“Nem toda ferida deseja ser esquecida. Algumas querem apenas ser transformadas em sabedoria.”
— Juliana Hoffmann Liska
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