Esqueci meu Passado
Tempo!
Tempo presente e tempo passado: é necessário depender somente de Deus, sempre. O tempo se vai com o tempo e as dores das lembranças também. Deus providencia o tempo perfeito: para fazer, para lembrar, para esquecer, para não doer, para agir, para viver.
“Não endeuse horários. Confia em mim , diz o Senhor.”
Adore a Deus e não seus recursos humanos para conquistar coisas. Se Deus não abençoar, de nada valerá o teu esforço. 
Não se cobre pelo que deixou de fazer, pois nesse momento você fez outra coisa mais importante. Se você dormiu até mais tarde, você cuidou do seu corpo que é templo do Espírito Santo e Deus há de preencher todas as suas necessidades no tempo perfeito sem que se perca nenhum segundo do seu dia.
Creia que Deus provê para você tudo o que é necessário. Adore a Deus e não as ações e atividades que você planeja, pois nossos planos nem sempre correspondem aos planos de Deus.
“Então, dali, buscarás ao Senhor, teu Deus, e o acharás, quando o buscares de todo o teu coração e de toda a tua alma. Quando estiveres em angústia, e todas estas coisas te alcançarem, então, no fim de dias, te virarás para o Senhor, teu Deus, e ouvirás a sua voz. A ti te foi mostrado para que soubesses que o Senhor é Deus; nenhum outro há, senão ele” (Dt 4:29-30,35).
A lembrança é algo que está na nossa mente. Podemos rasgar papéis, panos, fotos etc., mas não podemos rasgar as nossas lembranças que se manifestam nas nossas mentes.
No momento dessas lembranças em que algumas nos desagradam, precisamos saber que é Deus quem rasga as tristezas ou desgostos provenientes delas, mas não elas, pois o mais importante não é esquecê-las ou apagá-las da memória, mas, ao lembrar delas, não ser afligido por elas, não sofrer por causa delas, não ser atingido pelo passado, e sim ser livre das dores passadas porque já não são mais.
“O passado ecoa nos detalhes, nas pequenas coisas que se deixam reconhecer.”
(Gladston Mamede. Fragmentos de um Discurso Manducatório. Instituto Pandectas, 2022)
RELÍQUIAS
Num velho sentimento de um passado
que no matiz do tempo já tem outra cor
retalhos do versar, assim, relembrado
poetizam em prosa, a saudade, o amor
São sussurros, juras, hino apaixonado
que se transformaram em vazio e dor
restos de olhares do estar enamorado
e a recordação daquela concedida flor
Ah! breve a ação do fado que aparta
deixando no espirito lembrança farta
de sensação aflitiva que doridas são
Relíquias... de valedouiro tão presente
guardadas em uma poética tão latente
dos versos reminiscentes no coração!
© Luciano Spagnol – poeta do cerrado
27 março/2022, 12’47” – Araguari, MG
Hoje acordei ouvindo uma musica,
Um som suave que me levou ao passado,
Trazendo com ela memórias adormecidas,
De risos leves, beijos quentes e abraços apertados.
Na melodia, senti o calor de outrora,
Quando as preocupações eram distantes,
E o tempo corria sem pressa,
Levando com ele nossos dias radiantes.
Hoje acordei, e por um instante,
Voltei ao tempo em que éramos nós,
Felizes sem saber, sem notar,
Que era o que tínhamos da vida a nos proporcionar
Agora, resta a doce nostalgia,
A lembrança de um tempo que passou,
Mas que vive eterno em cada nota,
Da música que hoje me acordou.
Dizem que relembrar o passado é sofrer duas vezes, mas também pode ser o contrário: ser feliz de novo. Você escolhe qual lembrança merece ser trazida para o presente e qual precisa deixar exatamente onde está: no passado.
Lá vem o passado surgindo em terríveis imagens tortas! Lá vem! Batendo apressadamente em tua porta Em uma noite escura e feia... A trazer-te novamente o momento sombrio à mesa da solitária ceia - Como se estivesse a saborear um corpo que jaz, ferido e frio, nas ruínas eternas de um velho segredo! Lá vem o passado e seus fantasmas para lhe trazer tormentos e medo! Lá vem o passado brincando com o teu futuro enquanto em tua pertubada mente ele vagueia. Lá vem ele jogando à tona tudo o que um dia você deixou escondido lá do outro lado do muro. Lá vem! Lá vem o passado a visitar o leito do doente, os desejos de um jovem sonhador, bebendo insaciávelmente o nectar escarlate de uma moça inocentemente, aqueles que fizeram estranhas coisas por amor... Lá vem os fantasmas do passado assombrando pensamentos, trazendo arrependimentos, horror, medo de viver... Lá vem! Lá vem o passado rindo daquele que não consegue mais lutar, mas não quer morrer! Os fantasmas do passado aparecem repentinamente em um pequeno instante de incerteza, onde certas coisas pareciam esquecidas. Lá vem os fantasmas do passado apagando qualquer esperança e trazendo terror por entre sombras desconhecidas. O teu passado - mórbidas lembranças - É a fonte maior de todos os teus sofrimentos nesta vida!...
Saudade é um punhado de recordações aromatizadas pelo passado no eclipse crepuscular do pensamento.
Já parou para pensar em como você vai se relembrar do presente, quando ele já for passado, lá no futuro? Vão ser lembranças boas ou lembranças que você prefere esconder nas profundezas do seu inconsciente até que não seja mais possível?
O saudoso passado...
Durante muito tempo ouvi, como um mantra enfático, a afirmativa: “Saudade do passado! No meu tempo era muito melhor...”. Repetidas vezes isso me provocou a revolta adolescente de quem gostaria de convencer que o meu presente também era bom, seja pelas tecnologias, avanços, mudanças histórias, conquistas, .... e até pela minha presença. Por mais que o desafio de mudar esta frase motivasse, era uma realidade irredutível. Contudo, como o bêbado que retoma a sobriedade, a maturidade trouxe uma capacidade analítica de enxergar os problemas da minha época, admirar elementos do passado e repensar certos conceitos. Apesar da “minha tecnologia” ser surpreendente, de fato no meu presente faltava muita coisa, que não justificavam mudar esta frase. As minhas críticas foram revistas, ganharam novos pontos de vista, interpretações, ... e só me restou tentar mitigar as lacunas do meu tempo. Até que um dia, as lapidações da vida, como em um ciclo previsível, me fizeram repetir o mesmo discurso de meus antepassados. Penso que ...
Talvez, com o tempo as luzes naturalmente se apaguem, como as estrelas no céu que perdem o brilho te deixando em um vazio sem orientação ...
Ademais, é provável que a inversão dos polos magnéticos esteja de fato ocorrendo, pois, o Norte não está mais evidente. Todos os elemos norteadores da vida começaram a desaparecer fazendo com que precise caminhar sem referenciais, como em um quarto escuro ....
Talvez as cores percam a intensidade e naturalmente o mundo pareça monocromático, como os clássicos do cinema mudo, que apesar de antigos trazem felicidade para a vida ...
Os meus exemplos, formadores de caráter, retidão, honestidade, hombridade, .... os meus inspiradores não estão mais aqui para me aconselhar ...
E por mais mórbido que pareça, lápides trazem de volta um passado de lembranças, plenitude, alegrias legítimas, conselhos, aconchego, orientação, sinceridade ... . E para quem não tinha arrependimentos, o maior passou a ser a vontade de ter construído mais lembranças ...
As memórias viraram o melhor destino de boas viagens ....
Os atos criticados, por quem queria mudar o mundo, passam a ser repetidos como uma herança de família ...
Os diálogos que traziam serenidade e paz, desapareceram. O “olho no olho”, os sorrisos com volume e intensidade, tranquilidade, ... deram lugar a figuras que tentam representar emoções, de alguma forma, na tela de um smartfone. Talvez por isso tanta depressão ...
Os elementos que tinham função de retroalimentar a vontade de andar, desapareceram e ninguém reparou, pois somos carregados pelo fluxo ...
Os nomes dos meus grandes mestres já não estão mais nas grades horários de aulas, em apresentações de congressos, .... os que não posso mais visitar, encontro nos velhos livros e artigos amarelados ....
A leitura de um livro deixou de ter o som das folhas, o cheiro característico, o peso do conteúdo e a criatividade de improvisar marcadores ...
O museu que influenciou sua vida foi queimado, as salas de cinema enormes deram lugar a espaços pequenos com uma pipoca de gosto estranho, os lugares que gostava de visitar já não existem mais, ...até a pizza que marcou a infância virou um gosto exclusivo da memória ....
Não existem mais “renascentistas” dotados de visão holística e integradora. Na saúde, deu-se lugar aos tratamentos específicos, segregados e especializados a ponto de não existir mais correlações; agravado por alguns profissionais que podem nem entender a fundo suas especializações ...
As músicas não ofereçam mais a mesma carga de emoção arrebatadora, falam em uma linguagem diferente e seus cantores prediletos não tem mais como gravar álbuns inéditos ...
O amor não é mais o mesmo da época onde o simples “cheek to cheek” conseguia prover fortes emoções como impulsionar ao paraíso...
Perdeu-se a magia de cantar na chuva para fazê-lo em chuveiros apertados ...
Os heróis, não eram personagens com superpoderes, mas mortais com atitudes que qualquer um poderia ter. Não viviam em cavernas ou esconderijos mirabolantes, estavam em seu convívio, família, ...
As pessoas não tinham medo de se comunicar, nem estavam demasiadamente ocupadas com seus celulares.... Elas davam bom dia sem nem mesmo conhecer e assim funcionavam as “redes sociais”, ... “like” era um sorriso, as notícias eram “compartilhadas” com boas conversas nas portas das casas ou na mesa do bar ...
Os pais se tornaram filhos, a ponto de passar a ver suas “malcriações” ...
Era possível ter aula de história pelos livros, com um professor, ou ouvindo o relato de quem viveu aqueles momentos ...
O telejornal não se assemelhava a apresentação de um catálogo criminal ...
A textura do papel do jornal era suave e a tinta soltava nas mãos ...
O GPS eram as paradas sequenciais para pedir informação, deixando a viagem mais longa e divertida, conhecendo lugares pelo caminho, com mais expectativa ...
Havia mais honestidade que Interesse, a ponto de até o vendedor do mercado aceitar a “pendurar a conta”, esperar ir buscar o dinheiro em casa ...
Os alimentos não faziam mal, tinham mais sabor ...
O tempo das coisas era mais devagar que da geração “fast”; até as células não tinham tanta pressa em se dividir ...
Os políticos pareciam mais honestos ...
As novas piadas, mesmo com todo seu conteúdo apelativo, não têm mais a mesma graça ...
O ar não tem mais o mesmo cheiro, assim como a água o sabor e ...
Não existem mais palmeiras, primores e sabiá, ... e talvez por isso, os “mais velhos”, se sentissem no exílio do tempo novo ...
... mas posso afirmar categoricamente que no meu tempo era muito melhor, porque existiram pessoas insubstituíveis que deixam uma saudade irreparável. Aqueles que sentiram um amor legítimo, hoje ocupam um espaço inabalável, como em um relicário junto ao peito onde posso visitá-los nas melhores memórias.
Se você joga terra no passado como se estivesse enterrando, você estaria destruindo-o ou na verdade plantando?
Quando alguém guarda um presente de alguém do passado por muitos anos, é porque aquele alguém é muito especial para esta pessoa. Quais momentos e objetos você tem guardado?
Passado, presente e futuro
Três intervalos da vida onde tudo começa no hoje o presente, é no presente que aprendemos a conviver, viver, errar e aprender, são coisas que usaremos no futuro mas que aprendemos no passado porque hoje já é outro dia.
Dizem que se passado fosse bom era presente, mas se meu passado pudesse ser presente gostaria que meu presente fosse o dia dos meus 14 anos nem sei o que aconteceu nesse dia mas é uma idade boa, mas que lição eu teria? Que aprendizado eu poderia usar hoje diante de uma dificuldade, o passado pode ser bom como também pode ser ruim, mas é isso que te fortalece é isso que te mantém de pé e não te permite errar com os mesmos erros novamente. O passado sempre vai está presente pois alguma coisa sobre a vida você aprendeu ontem e vai usar hoje para se defender ou atacar é assim que o mundo gira é assim que o futuro se constrói.
Nós somos quando adultos
O reflexo dos sonhos das crianças
Que deixamos no passado
A felicidade não é o que temos ou o que somos
Mas o que preservamos de forma essencial
Construindo o futuro
Com as lembranças maravilhosas
Do passado.
Você esta tão ocupado pensando no passado, que nem tem ideia, que pode fazer um presente ainda melhor! E um futuro ainda mais brilhante.
