Escrevo e parece que não Leio
escrevo sem sentido algum
não tem fundamento
é rebeldia pura com as palavras
e as leis ortográficas
digo que sou poeta
e ao mesmo tempo não
apenas rasgo o verbo
gritando o caos da minha mente.
escrevo um poema
como se fosse um enigma
vou decifrando palavra por palavra
até descobrir que tudo
é passado, acabou o momento
e não sobrou lembrança de nada
a vida passageira
e eu perdi o tempo
esperando você voltar.
todo dia escrevo poesia
para encontrar o sentido do meu viver
sem perceber
nessa imensidão
no percurso-perdição
busco harmonia
para abraçar a alegria.
Derramo nos meus versos
Meus devaneios,
Escrevo sem sentido
O que sinto é a dor da solidão
O vazio que cresce
O silêncio que alimenta
Abraço tudo
Uma bagunça completa
Não consigo arrumar.
Eu sou isso descrito em poesia
Perdido em meio ao caos do viver.
Em cada verso
Que escrevo
Deixo um pouco de mim,
Quando eu partir
Não será o fim,
Ainda estarei aqui
Em poesia.
Escrevo de olhos vendados
Na imensidão do ser,
Mãos amarradas ao corpo
Vontades que ficam no caminho
Entre perdas e ganhos
Vou tecendo sonhos
Como se não houvesse amanhã.
Escrevo todo dia
Sem pensar no amanhã.
Escrevo todo dia
Sem lembrar do ontem.
Escrevo todo dia
No agora
Quando a vida acontece.
Escrevo por lazer
Com prazer.
Escrevo também, para sobreviver
Sem perecer
Nessa vida fútil
Assim me sinto útil.
Escrevo teu nome
E ele some
Na memória,
Foi criar história
Em outro lugar
Quis voar
E sentir a liberdade
De um amor de verdade.
Escrevo o que vem no pensamento
No sopro do vento, no melhor momento
Aliviando a mente de todo tormento
Escrevo para alegrar a alma triste
Que não desiste de sonhar, e persiste
Em querer te amar, toda noite te chamar
Vem me abraçar, nos meus braços se aninhar
Com carinho
Como um passarinho
Ter a liberdade de voar no céu
Que é o infinito amor.
Para mim mesma – Tudo passa
Hoje foi um dos dias mais difíceis da minha vida.
Escrevo esta mensagem para que eu nunca esqueça como me senti, mas, principalmente, para que eu nunca esqueça quem eu sou.
Hoje eu senti uma solidão imensa. Estar em outro país, longe da minha família, sem uma rede de apoio, já é doloroso. O que tornou esse dia ainda mais difícil foi perceber que, justamente quando eu mais precisava de acolhimento, encontrei frieza.
Descobrir mensagens que me machucaram, sentir meus sentimentos sendo desvalorizados e ouvir que "uma pessoa decente pagaria metade das despesas", sabendo que eu não tenho condições financeiras para isso, me fez sentir desesperada. Eu só precisava de compreensão.
Hoje eu me ajoelhei aos pés do meu marido pedindo ajuda. Nunca imaginei viver esse momento. O que eu mais queria era um gesto de empatia, um abraço, alguém que enxergasse a dor que eu estava carregando. Isso não aconteceu, e essa lembrança ainda dói.
Mas eu me recuso a acreditar que este capítulo define a minha história.
Eu já sobrevivi a tantas perdas, tantos recomeços, tantas mudanças. Eu sou muito mais forte do que este momento consegue me fazer acreditar.
Hoje eu também quero lembrar da minha mãe.
Ela tinha orgulho de mim. Ela dizia que, se pudesse nascer de novo, gostaria de ser como eu. Que presente mais precioso alguém poderia receber? Nos dias em que eu esquecer quem sou, quero lembrar dos olhos dela me olhando com amor e admiração. Quero lembrar que houve alguém que conhecia meu coração e acreditava profundamente na mulher que eu sou.
Também quero lembrar da tatuagem que carrego na pele: "Tudo passa."
Essas palavras não são apenas uma frase. São uma promessa.
Esta dor vai passar. Esta tristeza vai passar. Este medo vai passar. Esta fase vai passar.
E quando passar, eu quero olhar para trás com orgulho por não ter desistido de mim.
Quero continuar cuidando de mim com carinho. Quero proteger a minha paz. Quero conquistar a minha independência, realizar meus sonhos e construir uma vida da qual eu me orgulhe.
Eu mereço ser tratada com respeito. Eu mereço ser ouvida. Eu mereço amor, gentileza e acolhimento.
Se um dia eu voltar a ler esta mensagem em um momento difícil, quero que ele me lembre de uma única verdade:
Tudo passa. E eu também vou passar por isso.
Com amor,
Eu
Escrevo na esperança que esse tempo e o vindouro leiam:
A terra canta em raízes, rios e folhas que sussurram segredos antigos, onde cada árvore é um pulmão, cada flor, um verso esquecido no livro do vento. O sol tece ouro sobre a pele da humanidade, lembrando-nos: somos feitos do mesmo pó que nutre as sementes, a natureza não é cenário, é abraço que cura a fome de ar puro, a sede de silêncio.
Escrevo para lembrar que cada árvore plantada é uma carta ao futuro, cada gesto de cuidado, um poema invisível, e que o amanhã encontre flores onde hoje semeamos raízes.
A terra não é herança, é empréstimo, que saibamos devolvê-la inteira, cheia de histórias para contar. Que o futuro leia estas linhas como um mapa: nas veias do mundo corre o mesmo sangue que nos une. Protegê-la é escrever, com raízes e mãos, um amanhã onde a vida ainda respira.
PARALELEPÍPEDO
Escrevo um poema num caroço de arroz,
Escrevo teu nome no meu navio de papel,
Onde navega um paralelepípedo apaixonado,
Jack sparrow e seus asseclas em busca de aventuras
E tesouros inimagináveis nalguma ilha misteriosa...
As lembranças mais doces que eu tinha,
Rimavam com jiló
Hoje sou um pirata pirado nesse mar imenso,
Nos pergaminhos das minhas saudades
Escrevo o silencio das minhas agruras,
Bando de surdos e mudos fazendo muito barulho,
Conversando sobre maremotos e temporais,
No triângulo das bermudas
Femeeiro mencionando transas’ memoráveis,
Escravos em fuga para um quilombo,
Na terra do nunca e do nada,
O meu poema no caroço de arroz,
Menciona uma noite clara,
Uma clara manhã, uma tarde clara,
Uma claridade vinda de santa clara,
Vinda de santa Clareana, com seus cabelos de fogo,
Com seus cabelos azul turquesa,
Com seus cabelos de turmalinas,
Com seus cabelos negros como a asa da graúna
E nesse oceano tem esquadras armadas,
Submarinos nucleares, cruzadores e porta-aviões,
E o meu barquinho de jornal,
Veleja incólume nessa incongruência,
Este paralelepípedo...
Esse mar imenso, piratas...
CRIANÇA
Enquanto eu não escrevo o verso
eu não me reinvento,
Porque ao contrario do que penso,
Eu sou sistemático e perverso,
Enquanto eu não escrevo
o poema eu não aconteço
Porque o silêncio e uma granada
Assim como a própria terra
espera o seu tempo pra explodir
Por isso antes de mais nada
me da teu seio
Como se eu fosse uma criança
Me da a esperança
De acreditar e prosseguir
Isso completa a minha estrofe
Depois eu ateio fogo em Roma
E ponho a culpa em Nero...
LEVE NOÇÃO
Tenho a leve noção de como
Deus se sente quando escrevo um poema...
E se chove meteoros,
Eu os transformo em pétalas de açucena,
E se formam tsunamis,
Eu já velejei por vagas abismais,
Américo, descobrindo continentes,
Meus versos as vezes plácidos,
As vezes impertinentes ,
Minhas estrofes perversas,
Sádicas, de verbos ateus,
O que eu não sei de Deus?
Não saberia de mim mesmo,
Conheço o Pai, o Filho e o Santo Espírito,
Sou feito imagem sua e semelhança,
As vezes nasço criança em Belém,
As vezes me crucifico em Manaus,
As vezes pensamentos maus,
Me fazem Herodes e Judas,
Trucidam recém-nascidos,
Entregam seus amigos,
Condenam inocente, crucificam um santo...
Até que esta criação me dá a leve noção
De ser um pouquinho Deus...
Deixa eu te mostrar meu verso
Porque sou poeta
e toda lágrima ou sorriso eu escrevo
Deixa eu mostrar meu universo
Feitos de manhãs e madrugadas
As namoradas que eu pensei que tinha
Só me trouxeram desertos
As namoradas que eu jamais terei
De longe eu as amo
As namoradas sem amores são todas minhas
Quando perco uma destas namoradas
Pra alguém eu me alegro
Porque elas perderam um amor ausente
Mas terão paixão por perto
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