Escrever uma carta a uma Criança

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Escrever requer coragem, pois quem escreve se expõe, se colocando, assim, em um lugar de real vulnerabilidade.


Pensar em vulnerabilidade significa pensar em fragilidade, mortalidade e finitude.


Nesta altura, podemos compreender a rede de sustentação da vida como o conjunto em que habitam nosso corpo, nosso entorno e nós mesmos.

Quando perguntaram
por que tenho essa mania de escrever,
impulsivamente respondi:
talvez seja para satisfazer
a mania de quem me lê...


Ahhh!
Escrever é muito mais
do que formular frases e versos;
é comunicar sentimentos e emoções,
é sensibilizar e comover,
é provocar reflexos e reflexões...


Ahhh!
Ler é muito mais
do que seguir, com o olhar,
uma sucessão de letras e palavras;
é tentar uma certa simbiose
com a alma do autor,
uma comunhão silenciosa e profunda...


Se essa aliança não brota,
não é leitura,
mas apenas curiosidade estéril
que se dissipa com o tempo...


Escrever é uma droga sagrada,
não um fútil passatempo...


Ler é uma dependência bendita,
não um hábito trivial...
✍©️@MiriamDaCosta

* Dia das crianças *


Tenho saudades daquela menina,
ingênua e meiguinha,
que queria escrever versinhos
bordados de doçura e afeto...


Guardava nos olhos
o brilho das manhãs ensolaradas,
e nas mãos pequenas,
o sonho de mudar o mundo
com lápis de cor e papel pautado...


Acreditava nas fadas,
nas promessas das nuvens,
e que o amor morava nas flores
que colhia no quintal da infância...


Hoje, quando a vida
me pede pressa e razão,
eu fecho os olhos ,
e volto a ser
aquela menina,
frágil e forte,
que acreditava que a poesia
era o coração das coisas simples...


✍©️@MiriamDaCosta

O destino ambicioso do Poeta


Ele nasce para Ser,
vive para Escrever,
morre para ser lido,
renasce sem nunca ver
e torna-se eterno sem nunca saber...


Ele nasce com o verbo latejando nas veias,
a alma em chamas de dizer o indizível,
vive entre o gozo e o abismo das palavras,
sangra no papel como quem se oferece ao tempo.
Morre quando a tinta seca,
mas o eco de sua febre permanece.
Renasce em cada olhar que o lê,
sem jamais saber que ainda pulsa
na carne do silêncio dos outros...


Ele vem ao mundo com um sopro de eternidade,
vive escrevendo para compreender
o próprio mistério.
Morre deixando rastros de si em cada verso,
renasce no coração de quem o lê,
e permanece, suave e invisível,
no murmúrio das páginas que o guardam...
✍©️@MiriamDaCosta

Um dia,
eu sussurrei à brisa
que queria escrever uma poesia...
Logo depois,
ela voltou para me arrastar
num vendaval de versos...


Certa vez,
eu confessei à brisa,
quase em segredo,
meu ( constante) desejo inquieto
de parir uma poesia...
Mal terminei o sussurro
e ela voltou feroz, decisa,
me puxando pelos pulsos,
me lançando inteira
num vendaval de palavras
que me cortavam e me curavam
ao mesmo tempo...


Um dia,
eu murmurei à brisa
que meu coração ansiava
por escrever poesia...
Ela ouviu.
E, suave como quem conduz um destino,
voltou para me tomar pela mão,
erguendo-me delicadamente
num bailado de versos,
onde cada sopro
era um convite para sentir
e cada palavra
um abraço do vento...
✍©️@MiriamDaCosta

E então
homizio a caneta e as teclas
porque escrever, às vezes… exulcera.
Dilacera como a saudade
do que não me foi concedido,
porque exterioriza mágoas
que eu oculto até de mim.


Mas há dores que latejam exigindo brecha,
e se não as deixo sangrar na página,
elas me corrompem por dentro,
como alguma febre antiga
que insiste em voltar
quando o corpo distrai.


Escrever, para mim,
é abrir a porta do quarto
onde tranco meus fantasmas
e deixá-los respirar por alguns instantes,
antes que morram sufocados
e me arrastem junto.


Por isso às vezes paro,
me escondo das palavras
que me conhecem demais,
que me desnudam
sem pedir licença,
que me recordam daquilo
que tento esquecer
mas que permanece,
faminto,
em meu silêncio.
✍©️@MiriamDaCosta

Escrevo porque não sou
muito propensa a falar
e porque escrever
é a forma que encontrei
de me manter sã
em um mundo doente.


Escrevo porque a fala me fere,
me atravessa,
me expõe demais
num mundo quase surdo.


Escrevo para não adoecer
junto de um mundo enfermo
que normaliza a loucura
e estranha quem ainda sente.


Escrevo porque o silêncio
me entende e traduz
melhor que a voz.


Escrevo para permanecer inteira
enquanto o mundo
adoece de si mesmo.
✍©️@MiriamDaCosta

Comecei a ler poesia
antes mesmo de aprender
a escrever e juntar letras.


Antes das palavras,
meu sentir já soletrava
afetos e ausências,
chegadas breves,
partidas longas,
silêncios que diziam tudo.


Antes das sílabas,
meu coração já sabia
o que doía,
o que machucava,
o que era justo,
e o que nunca foi.


Aprendi, ainda pequena,
que a poesia
não reside nos livros.
Os livros é que tentam
acolher, tardiamente,
o que a vida sussurra
no avesso dos dias.


Quando me ensinaram
a ler palavras,
eu já lia o mundo
com a alma poética
e os sentidos alfabetizados.
✍©️@MiriamDaCosta

Me pergunto se ainda há quem faça uso de uma caneta para escrever sobre páginas virgens...


Se ainda há quem coloque água para ferver na chaleira para passar o café no coador de pano...ou que antes de coar no bule ,
cozinhe o café por alguns minutos
inebriando o olfato do ambiente
e dispersando o aroma té chegar ás narinas mais distantes...


Semana passada , uma amiga da adolescência veio me visitar, ficou surpresa ao me ver preparar um café à moda antiga
(com chaleira, coador de pano e bule)
falando da praticidade da cafeteira elétrica...


E observou também os blocos, cadernos e canetas na minha escrivaninha , em vez do notebook ( que está fechado dentro de uma gaveta)...


Um dia desses
vou abri-lo e fazê-lo viver novamente
sob as minhas digitais poéticas...


As vezes me auto defino pré-histórica 😂 (podem até não acreditarem...mas é verdade!) , nem o tal do PIX eu tenho,
mas ... sei que vai chegar o dia
em que vou ter que me modernizar,
mas enquanto der ...
vou vivendo sem essa forma de pagamento, como de outras modernidades...


O que fazer?! ... Sou de Nanã 💜
(para quem não sabe...) é a Orixá
mais antiga/ancestral da Umbanda.


O que eu escrevo, na verdade,
não é sobre o café e nem sobre a caneta.
É sobre ritmo. É sobre tempo.
É sobre presença.
É sobre o pulsar da vivência.
E isso não é pré-histórico.
É ancestral.


Quando eu falo da água
fervendo na chaleira,
do pó cozinhando antes de ir ao coador,
eu penso em algo que não cabe
na pressa da cafeteira elétrica: o ritual.


O cheiro que se espalha pela casa
como se fosse memória líquida,
isso é quase uma liturgia doméstica.


Quando afirmo que sou de Nanã 💜
isso faz todo o sentido.


Nanã é lama primordial, é o barro antigo,
é o tempo que antecede o tempo.
É a senhora das águas paradas, profundas, densas. Ela não tem pressa. Ela tem paciência.
Ela é "alérgica" á pressa.
Ela sabe que tudo retorna ao útero da terra.
Ser de Nanã não é ser atrasada ou antiga.
Ser de Nanã não é parecer velha nas preferências e ações.


É ser terra fértil e ser raiz.
O mundo corre, eu decanto.
O mundo digitaliza, eu tatuo a página.
O mundo paga com PIX,
eu pago com dinheiro vivo
e presença ativa .


Modernizar-se não precisa significar abandonar o que me constitui.
Pode ser apenas acrescentar ferramentas
sem entregar a alma.


O notebook pode viver sob minhas digitais poéticas, mas a caneta continuará sendo a extensão do meu pulso, do meu corpo,
da minha respiração, do pulsar do meu âmago.


Há algo profundamente político nisso também; escolher o tempo lento
num mundo estantâneo que monetiza a urgência.


Eu não sou pré-histórica,
sou guardiã de um modo lento de existir
que o mundo tenta esquecer....


E no mundo?
Sim!
Ainda há quem escreva à mão.
Ainda há quem ferva água na chaleira.
Ainda há quem escolha sentir o aroma
antes da praticidade.
E isso não é resistência ao progresso.
É fidelidade ao próprio tempo e história.
É lealdade ao próprio ser e existir.
✍©️@MiriamDaCosta

Se parar de escrever, morro!
O que farei com minha intensidade?
Ela não cabe em meu peito.
Se engolir, enlouqueço.
Faço das palavras minhas digestão,
de tudo o que passo em minha necessidade.
Minhas,são minhas todas as letras
onde me satisfaço...
nódoas de sentimentos e emoções.

Tudo o que alimenta e dinamita
este espírito sofredor,afiada
num molhar da pena.
A bomba serena sem o pino ativador.

Andréa

“Eu Escolheria Você”


Eu te amo
Além do que consigo escrever,
Além das canções que eu posso fazer.
Se meu coração tivesse voz pra cantar,
Cantaria teu nome até o mundo acabar.


E entre mil caminhos
Que eu poderia escolher,
Meu destino ainda seria encontrar você.
Teu sorriso virou minha inspiração,
Teu abraço encontrou meu coração.


E se eu pudesse escolher outra vez,
Escolheria você,
Como escolhi da primeira vez.


Eu te amo
Além do que consigo escrever,
Mais profundo do que qualquer canção.
E se a vida me desse mil vidas pra viver,
Em todas elas eu escolheria você.


Porque
Amar você não foi só uma escolha,
Foi o encontro que meu coração esperou.
E se eu tivesse que começar
Tudo de novo,
Eu escolheria você...
Do mesmo jeito que escolhi
Quando te encontrei.

Eu não sei escrever direito
Poema nem poesia
Se soubesse, faria pra ela
O melhor poema do dia
Minha mente tem duas metades
Uma delas eu usava
pra viver a vida
a outra pra pensar nela
Não havia neste Mundo
Nenhuma grade que me prendesse
Mas eu estava preso a ela
Por causa desse amor
Nunca fui bom em amor
Poesia e nem palavras
Agora vem aqui,
termina de esburacar meu peito
...escava
Aquele amor não existe mais
Era pouco pra você
Mas era tudo que ainda restava.

Mais dia, menos dia
Numa hora escrever prosa
era tudo que eu queria
de maneira religiosa
comparar-te à cor da rosa
pois por rosas você ria
eu tive essa garantia
noutra hora escrever versos
conversar sobre o universo
olhando pro céu você escolheria
qual estrela eu te daria
e então poderia escolher
você quer que eu vá buscar
ou nós vamos morar lá?
de tanto que pode escolher
escolheu ficar distante
se pedisse um diamante
escondido na mais alta montanha
minha vontade era tamanha
até lá eu te carregaria
montada num elefante
a vida seguiu adiante
e eu estou só na noite fria
olhando pro céu e pensando
na estrela que te daria
meu Deus, quando imaginaria
que ainda penso em você
hoje em dia
enquanto escrevo poesia.

Eu queria ter talento
pra escrever
Alma de artista
pra dizer
As coisas que eu gostaria
que soubesse
Te convencer
de algo difícil de crêr
Se nem sabias que coubesse
Tanto amor
Em um só coração
Se eu fosse um pintor talentoso
e tivesse traço preciso
Eu pintava teu retrato
e botava um sorriso
em teu rosto
Em tuas mãos desenharia
Um um lindo buquê de narcisos
para olhar-te
todo dia
Não há como desenhar-te
Reproduzir tão divina
Arte
Tua imagem é poesia
A mais bela poesia
Que Deus escreveu
Concretizou-se
No dia em que você
Nasceu
Impressionismo discreto
despertando
suspiros concretos
Quando observamos
Tal beleza decidida
por você
valeu-me ter vivido
minha vida.

Pedi ao Sol um quente abraço
Pedi ao tempo que parasse
e olhasse um pouco pra gente
Tentei escrever uma canção
Que falasse da lua nova
Quando míngua pra crescente
Saí à rua pra fazer
Alguma coisa que eu há muito não faço
e esperei o Sol nascente
Saí ao mundo pra fazer
Quem sabe, o que nunca fiz
Te convidei pra vir dançar na chuva
Meti minhas mãos num arco-íris
Qual se ele fosse um par de luvas
Te perguntei se era feliz
Pedi ao vento uma resposta
Falei com os companheiros
Que me cercaram a vida inteira
Agradecendo aos rios
Não chutei, nem desviei-me
das pedras do caminho
Cantei canções para o mar
Depois eu dei um abraço no ar
Coisas que fiz a vida inteira
Por cada irmão que me cercasse
e antes que o dia acabasse
Voltei pra casa e fiz algo
Que desde há muito eu não fazia:
Sorri meu melhor sorriso pra noite
e desejei bom dia ao dia
Mas não me senti satisfeito
O Sol no céu
Águas no mar
O rio no leito
A chuva que cai neste canto do mundo
Num pranto profundo e na mesma cadência
Então eu perguntei à lágrima
O porquê da tua ausência.

Edson Ricardo Paiva.

Eu não queria escrever sobre ir embora.
Nunca foi isso.

Eu queria escrever sobre quem fica.
Sobre a mão que não solta.
Sobre o homem que escolhe permanecer
mesmo quando a vida aperta,
mesmo quando o desejo muda de lugar,
mesmo quando o silêncio começa a falar.

Passei a vida inteira tentando entender
por que algumas pessoas são escolhidas
e outras precisam aprender a sobreviver
com a sensação de terem sido deixadas para trás.

Talvez por isso eu goste tanto do ficar.

Porque eu sei o que é esperar.
Sei o que é ouvir pouco
e sentir demais.
Sei o que é procurar no olhar do outro
a confirmação de que ainda sou desejada,
ainda sou importante,
ainda fui escolhida.

Eu queria o profundo.

Não esse quase.
Não esse vem e vai.
Não essa presença que acende o corpo
e depois se esconde na rotina.

Eu queria ficar sem precisar pedir.
Ser lembrada sem precisar desaparecer.
Ser procurada sem precisar duvidar.

Mas me deram o raso.

E eu, que sempre fui tão boa em nadar sozinha,
às vezes ainda me pego perguntando:

me ensina a ficar?

Ou, pelo menos,
fica comigo mais um pouco.

Antes que eu transforme
mais uma vez
a saudade em lugar para morar.

Tu


Tu és o poema que não ouso escrever, mas que o meu coração declama-o em segredo.


Tu és o segredo do meu corpo
quando ele pede mais.
Cada suspiro meu, tem a tua pele ,
cada gemido, a tua eternidade em mim.
Tu és o fogo que me devora
e a calma que me consome depois.
Quando tu me prendes ao teu corpo, sou infinito.
Dentro de ti, descubro que o amor
também sabe ser vulcão .
O teu calor envolve -me inteiro,
as tuas unhas riscam o meu desejo,
e dentro de ti, vagarosamente,
afundo-me cada vez mais fundo.
Não há palavra — só o choque,
o atrito, a explosão de nós dois,
quando o mundo se dissolve
no momento em que
juntos gememos um verso de fogo.

Ser fluente em línguas não é só saber outros idiomas ou saber escrever corretamente;

É também saber falar várias linguagens diferentes dentro do próprio idioma;

Saber falar algo complexo de forma simples e de fácil entendimento para sua vó, para um favelado, para um universitário, para uma criança, para um grosseiro, para um adulto, para um humilde, para todo tipo de gente. A quantidade de pessoas diferentes que você consegue explicar algo complexo de forma simples revela a especialização da sua comunicação, pois cada pessoa tem uma forma de entender as coisas. É preciso usar os dois ouvidos e fechar a boca para ouvir e entender qual a linguagem daquela pessoa, aprender para depois falar a linguagem dela, caso deseje repassar algo a ela.

Mas, para conseguir falar da forma que a pessoa absorva sua ideia, terá que deixar o ego de lado, pois, caso contrário, só terá conflitos e falta de entendimento, por não ter entendido direito a linguagem da pessoa.

escrever sem pressão
entre pausas
surge uma lembrança na memória
entre respiros
um suspiro
e uma nova forma de me reconectar comigo
diferente
única
e acolhedora


eu gosto de escrever
isso me liberta
me traz de volta
para as melhores partes de mim
De quem sou
do que gosto
e o novo eu descubro,
de mim.
e me liberto
das correntes
que me aprisionam
uma nova versão renasce
como se ela estivesse adormecida
esquecida
empoeirada
guardada dentro de um baú
para ninguém ver como brilha
como inspira


Como é possível?
Ficar tão escondida!


agora sua luz ilumina o caminho
consigo ver a direção que eu devo tomar
e que a luz me leva


enxergo o céu sobre a minha cabeça
sinto os pés no chão
e o cheiro das flores por onde passo
o mundo do qual sempre fiz parte


é estranho como havia caminhos nebulosos
dentro de mim
mas como é bom estar de volta
para quem sempre fui.

Desculpe meus erros ortográficos.
É que eu ainda estou aprendendo a escrever e já quero saber ler.


Desculpe se sou meio desengonçado.
É que eu ainda não sei me sentar direito e já quero ficar de pé.


Desculpe se estou cansado.
É que ainda estou aprendendo a caminhar e já quero correr.


Aprendi que o tempo passa depressa e que a nossa vida é um fio.
E esse fio, entrelaçado a tantos outros fios, forma a teia da nossa existência.


Mas o tempo não espera.
E amanhã, quem sabe, talvez eu já não esteja aqui.


Por isso, me desculpe se tenho pressa.
É que, no fundo, tenho medo de passar a vida inteira aprendendo a viver e não ter tempo de viver tudo aquilo que aprendi.