Escrever uma carta a uma Criança
O fato de meus pais terem me ferido ainda criança, me fez ser hoje quem eu sou, (Ossos do ofício)
Mais sou eu quem paga, esta na minha conta e acumula juros à cada ano que passa.
O ponto é! Não há lugar para mim, porque eu não deveria estar aqui. Certo!
Quem sabe se eu fosse uma pobre coitada hipócrita, articuladora e vitimizadora! Mais enfim não sou! Sou uma mulher com identidade e personalidade própria com altivez de porte. Então eu cumpro minha sentença, enquanto espero minha libertação.
A minha realidade é superestimada, mesmo que eu me separe de minha bagagem ainda saberei quem eu sou!
FANFARRA
Vivo a sorrir !
Dentro de mim mora uma criança tocando corneta, jogando peteca, fazendo travessuras , brincando de pula pula, dando cambalhotas , contando anedotas , toda suja de areia ...
Vivo a sorrir !
Em meu coração habita um saltimbanco no circo, uma cartola
de imaginários coloridos , um cordel pendurando alegria ,
um carrossel a girar lindos sonhos ,um cardume de fantasias ...
Vivo a sorrir !
Já acordo a desenhar arco íris, anjos , jardins ,borboletas ,
colibris e sempre adormeço sentada nas nuvens , na lua ,
nas estrelas , nos poemas...
Vivo a sorrir !
Em minh'alma habita uma menina moleca
Com jeito levada da breca
inda carregando nos braços poesias e sua boneca.
Aqui não mora tristeza
até mesmo quando estou triste .
Ninguém percebe e nem sabe porque a criança que mora
em mim não me deixa parar de sorrir .
Vivo a sorrir !
Tenho mania de desenhar girassóis sobre pedras ,caçar borboletas in dilúvios, colecionar travessuras nos ventos,
rabiscar paraísos nos espinhos , conversar in pensamentos
com passarinhos ...
Vivo a sorrir !
Por isso canto, danço ,vibro e vivo a cada segundo
no samba da coragem
e a levar tudo na traquinagem .
Já nasci assim !
Essa é a certeza que tenho
Por mais que o lá fora insista em me desandar e me ferir
Só perderão seu tempo
Jamais irão roubar e nem calar
essa FANFARRA que habita em mim.
Qual o significado de uma vida ...
Que não toca uma criança .
Criança dança , canta , encanta ....Criança rege o universo
Vive á vida em versos , olha céu forte acredita no bem estar da cama ao deitar-se , criança é vida .
Criança o sorriso pacifico , amor amigo , carinho escondido , derrubando barreiras entre inimigos .
Criança e Paz na Terra ....Criança um mundo de Amor.
Leva .... rega a flor que o homem não consegue ver qual a hora de plantar .
Plante Criança ....Plante Paz ...Plante Amor em corações endurecidos , mudos no sentido , sentido da Paz .
D.A
By
Autora : Gislene Pascutti
Ela era praticamente uma criança, não sabia da vida.
Nascida em berço de ouro, nunca passou uma dificuldade sequer.
Ele, um rapaz responsável, conhecia bem a vida e ao contra dela, sempre viveu na simplicidade, lutando para conseguir seu sustento.
Se conhecerem. Ela não sabia o que era o mundo, ele a apresentou. Ele não lembrava mais o que era a inocência, ela o lembrou.
Ficaram amigos, e aos poucos se tornaram inseparáveis. Essa amizade foi crescendo e ela, ingênua como só, se apaixonou. Ele queria algo a mais que apenas amizade.
Se declarou, o coração dela parou, nesse instante nada nem ninguém poderia estragar aquele momento.
Ela, criança, ficou com medo, se afastou, sofreu, chorou. Cresceu!
Ele não desistiu. Ela disse chega. Ele acreditava. Ela duvida. Eles se amam mas ela aprendeu que amar dói!
Ele, encantado com tal pureza, ignora tudo que o impede de ser feliz ao lado dela.....
Choro do gato
Ouvi um choro que parecia de criança,
Naquele momento corria um vento suave.
Temi pela saúde daquela pequena vida,
Ao me aproximar, me vi com um gato preto.
O gato escondido de olhos acesos na mata,
Assustou-me e assustado também ficou...
Pálida alma sozinha em noite enluarada,
Era eu que não sabia mais pensar em nada!
Momentos de suspense na névoa da noite,
Avançava num sentimento de solidão somente!
Como se alguém soletrasse a palavra corre,
Foi o que eu fiz, não ouve outro jeito!
Mas o gato foi mais rápido do que eu,
Saiu em disparada em meio ao matagal.
Que disputa entre dois seres tão diferente,
No final da rua estávamos exaustos!
Hoje ao contar essa minha estripulia,
Arranco os sorrisos até das velhas tias.
Mas jamais esquecerei aquele gato,
Bichano inocente que só queria o mato!
Vivemos em um mundo cheio de hipocrisia
Um local onde nenhuma criança de fato moraria
Um lugar onde as pessoas nem sempre perguntam como foi seu dia
Mas até no inferno
Existe mediação
A qual conecta o mundo ao seu coração
As vezes a tristeza chega sem avisar
E fica sem pedir
Parece uma eternidade
As dores que tu irá sentir
Mas toda dor traz um aprendizado
Seja ele consiso ou denorado
Nunca de fato estaremos desamparados
Se obtiver um amigo ao seu lado.
As crianças
Criança eterna esperança
Alegria de todo lar
Presença certa no Reino do Pai
Anjo enviado por Deus a nos alegrar
Todos já fomos também anjos
Quando éramos simples crianças
Vivíamos com os nossos sonhos
Muitos que quase não se alcançam
Vivem no eterno presente
Amam assim como os animais
Pureza é palavra de ordem
Perdoam até os mais cruéis
Inocência que precisa de proteção
Pra quê antecipar os acontecimentos
Deixe-a na sua vontade de coração
Criança quer apenas ser criança
Ao menino Aylan
Neste mundo de maldade
Foste criança perseguida
Não querias imigrar
Mas obrigaram tua ida
E agora brincas no céu
Faz das nuvens carrosel
És mais um anjo lá em cima.
Descanse em paz, bela criança
Não precisas mais fugir
Não precisas te esconder
Nem ter hora pra sair
Lá de cima olhai por nós
Perdoai os teus algoz
À maldade feita a ti.
Saudade.
Saudades do tempo de criança;
Dos tempos de menina, onde brincava sem me preocupar;
Minha maior preocupação era o dia não acabar somente para eu poder brincar;
Hoje minha maior preocupação é mostrar o meu valor;
Meu maior arrependimento é dizer que queria crescer;
Se eu pudesse voltar atrás, me eternizaria como criança;
Hoje me sinto uma criança aprisionada dentro de uma mulher com o coração cheio de tristezas;
Tristezas essas que ninguém vê, ela só sabe sorrir sem dizer o porquê;
Menina mulher que responsabilidades tem;
Sua maior saudade é de um tempo que não vem.
CRIANÇA
Sou imensamente criança
quando te vejo
e tu és um brinquedo difícil
complicado
artigo caro de um grande bazar
Sou imensamente criança
e gostaria de te possuir
para brincar de amor contigo
encher-te de ternura e beijos...
Sou imensamente criança
e nunca serei adulto
porque sempre serás brinquedo
para a minha poesia...
Como criança
construindo castelos de lego
desenhando formas na areia
rabiscando poemas em papel
conquisto sonhos tão meus
E entre...tantas
Ilusões, decepções e despedidas
lágrimas que escorrem em rostos fortes
Apaga sorrisos outrora cativantes
Desanima gente pequena ou grande
Mas...
Como toda alvorada, ei de ressurgir
Mil vezes mais, se me exigir
Pois se ainda estou aqui
É porque vivi, sofri, sorri
Sobrevivi
Lembre-se, eu estou aqui.
Sonhos de Natal...
Cada criança teve um sonho,
muitos não se realizaram,
mas ficou o clima de natal em cada coração
que guarda dentro dele,
um novo natal para que talvez,
receba o seu sonho embrulhado
em papel vermelho e dourado.
Um dia,
descobrirão todas,
que o maior presente é o amor,
e esse,
nada custa, não está à venda
porque não há quem possa pagá-lo.
Vem sem solicitação
e não tem prazo de validade.
Descobrirão ainda,
que o importante é sonhar
sem pressa de realizar,
porque Natal, é todo dia.
by/erotildes vittória
ESTÁGIO
O amor, quando jovem... Criou asas
Ainda criança, saltou de alegrias
Plainou pela imensidão dos ventos
voou pelos espaços do tempo e transbordou...
Nos afincos dos seus sentimentos.
Cheio de garras...
O amor se encheu de esperanças,
aconchegou-se em seus chamegos
e jogou a toalhas dos seus medos.
O amor amplo, desabrochou seus segredos
e debruçado no degredo dos seus consolos
se encheu de anciã, se vestiu de duvidas
e desvirtuou-se na incerteza do amanhã.
O amor já ancião... Agora apita,
apita como se fosse um trem
pelos trilhos da sua saudade
pelos buracos de sua recordação
pelos tempos das vaidades
pelos abraços e apertos de mão.
Antonio montes
Momento de autoanálise.
Você é adulto, criança, ou adolescente?
Descobrindo-se através dos outros.
Sempre mandam você comer?
- Você é criança.
Quando você não está comendo te dizem que é hora de comer e quando você está comendo te dizem que não é hora de comer?
- Você é adolescente.
Sempre mandam você parar de comer?
- Você é adulto.
Sempre mandam você ir dormir?
- Você é criança.
Quando você está acordado te dizem que hora de estar dormindo e quando você está dormindo te dizem que é hora de estar acordado?
- Você é adolescente
Sempre mandam você acordar?
- Você é adulto.
Busque equilíbrio entre o feminino, o masculino, o bicho e a criança que habitam dentro de você. E larga mão de ser meninão criado com a avó.
Busque equilíbrio entre o feminino, o masculino, o bicho e a criança que habitam dentro de você. E larga mão de ser ogro.
Busque equilíbrio entre o feminino, o masculino, o bicho e a criança que habitam dentro de você. E larga mão de ser bicha despeitada.
Busque equilíbrio entre o feminino, o masculino, o bicho e a criança que habitam dentro de você. E larga mão de ser machista.
Em nome de Deus...
Sou semente de milagre milenar
Brotada criança do ventre de mãe forte
Menino somado de verbo e esperança
Que a sorte desdenha e a dor já não alcança
Sou filho de muitas aldeias
E de todos os mundos
Trago no peito todas crenças
E no sangue frágil, um sonho que teima
Não tomo a fome por inimiga
Nem o sol, por castigo
Das defesas, que me são poucas
A tez é a de mais orgulho e valia
Meu melhor emana de meu olhar
É ele que fere de vida qualquer morte
É ele que leva o perdão que entrego
Aos dias da infância que não visitei
Quando criança somos curiosos, quando jovens somos determinados a ir atrás do desconhecido, quando adulto ficamos preso ao passado, quando velho vivemos plenamente.
Assim digo quando criança somos cegos, quando jovem nossa visão é embaçada, quando adulto olhamos para trás, quando velhos aprendemos a enxergar propriamente.
Ah, moço.
Moço da risada engraçada
e do sorriso de criança,
das piadas sem sentido
e dos olhos da cor de esperança.
Ô, moço...
Se você soubesse
que esse seu jeito me encanta um tanto.
Se você soubesse, moço,
o poder desse seu sorriso de canto.
Moço.
Se você soubesse
o que cada "se cuida" carrega,
o que cada palavra entrega.
E com você por perto, moço,
meu coração sossega.
Eu prefiro a pureza da criança;
Cumprindo o destino da natureza,
Na companhia do seu amável cão,
Correndo, saltitando e sorrindo pelas águas calmas e límpidas do riacho;
Se jogando nas folhas secas ao chão,
Pelas sombras da floresta;
Regozijando-se da liberdade do ir e vir de galhos em galhos,
Como os beija-flores e borboletas,
Se lambuzando na diversidade dos néctares silvestres;
Se perfumando pelos aromas dos florais;
Num pleno desejo harmônico de brincar e viver intensamente.
Eu prefiro a pureza da criança!
Mperza
MINHA BONECA DE VERDADE
Quando criança ainda, lá com meus seis anos de idade, morava com meus pais e mais sete irmãos no sítio e não possuía nenhum brinquedo de fábrica. Todos eram confeccionados em casa, em conjunto com as amiguinhas vizinhas, com meus irmãos e às vezes minha mãe tirava um tempo e nos ensinava a fazer algumas coisas interessantes.
Nós, as meninas, fazíamos bonecas de sabugo para brincar. É, sabugo mesmo, aquela parte que sobra do milho seco depois de debulhado. Escolhíamos o maior de todos os sabugos disponíveis no paiol. Cortávamos retalhos de tecidos cedidos por minha mãe, que sempre os tinha guardados numa sacola, pendurada atrás da porta de seu quarto de costura. Escolhidos os tecidos, pegávamos a parte mais grossa do sabugo, o que seria a cabeça da boneca, nele colocávamos o tecido na extremidade, como se fosse uma touca, amarrando firme com uma tirinha, para não se soltar (porque cola nós não tínhamos). Em seguida, escolhíamos outro retalho e fazíamos uma saia, pregueada ou franzida, com as mãos mesmo, nada de agulha ou linha! A coleguinha ajudava a amarrar com tiras finas da própria palha do milho. Com um lápis preto ou mesmo um pedaço de carvão, desenhávamos os olhos e com semente de urucum, a boca.
Pronto! Estavam ali nossas bonecas. Lindas! Cada uma com a sua. Diferentes umas das outras, devido a escolha dos retalhos coloridos. Felizes, brincávamos por horas a fio.
Mas um belo dia, uma priminha da cidade, veio com meus tios nos visitar, trazendo consigo uma boneca de verdade. Fiquei encantada! Nunca havia visto uma, e tão linda. Tinha os olhos azuis e cabelos cacheados.
Daquele dia em diante minha vida mudou. Não quis mais saber de brincar com boneca de sabugo. Eu queria uma boneca de verdade. A novidade mexeu com meus sonhos, até então acessíveis.
Chorava e implorava para minha mãe. "Quem sabe no Natal", dizia ela. Pedir para meu pai, nem pensar. Para ele, brinquedo era desperdício de dinheiro. Era o jeito dele ver o mundo infantil. Posso jurar, foi o ano mais longo de minha infância: Eu queria minha boneca de verdade e ela só viria no Natal.
Chegou o Natal, como tantos outros, mas para mim seria diferente, eu teria minha boneca de verdade. O "talvez" de minha mãe eu esquecera.
Fomos com toda alegria, bem cedinho, ver os presentes debaixo da linda árvore natalina. Cada um procurando o seu, embrulhados em papel comum, mas com nosso nome marcado pela letra de minha mãe. Porém, cadê a minha boneca de verdade? Ela não veio. Ganhei sim, uma pequena sombrinha, que no dia seguinte já estava quebrada.
Chorei muito e ainda levei umas boas palmadas de meu pai. Ninguém me consolou. Não compreenderam a minha tristeza. Minha mãe deve ter percebido, mas como nada podia fazer, não deixou transparecer; apenas prometeu-me que daria um jeito, "talvez" na próxima ida à cidade grande, na época das compras. Isto não me consolou. Foi, sem dúvida, o Natal mais triste de minha infância.
Depois daquele fatídico Natal, em que não ganhei meu presente desejado, minha tristeza, felizmente, durou pouco.
Janeiro era o mês do padroeiro da cidadezinha onde frequentávamos a escola, o catecismo e as missas dominicais. São Paulo, lembro-me bem, era o santo padroeiro da capela e nome do sítio de meu pai, onde morávamos.
Todo ano os moradores se reuniam e preparavam uma bela quermesse, com direito à visita do bispo, padres de outras paróquias, fazendeiros, sitiantes e colonos de toda a redondeza para uma linda missa cantada. Para a quermesse eram doados bezerros, sacos de café, leitoas, carneiros, frangos e artesanatos feitos pelas mulheres e moças prendadas da comunidade.
Uma rifa foi organizada, cujo dinheiro iria para a reforma da igrejinha. Um bezerro era o prêmio e de brinde, vejam só, uma linda boneca confeccionada por dona Mariquinha, mulher muito conhecida por suas habilidades na agulha.
Quando vi aquela boneca, fiquei deslumbrada! Eu queria uma boneca de verdade e esta era a minha chance. Procurei por minha mãe, que estava na cozinha de uma das barracas, liderando outras mulheres no preparo da comida a ser servida durante a festa. Implorei que comprasse um número, porque eu queria uma boneca de verdade. Meu pai não era dado a gastar dinheiro com estas extravagâncias, mas naquele dia ele sucumbiu ao meu apelo e cedeu. Comprou um único número. Nem preciso dizer que dei muitos pulos de alegria.
Ao anoitecer, quase no final da festa, chegou a esperada hora do sorteio..Bingo! Meu pai ganhou o bezerro e eu ganhei a minha “boneca de verdade”.
Ela era deslumbrante aos meus olhos de menina. Tinha uma aparência diferente. Fora feita à mão, uma boneca de pano com jeito de moça. Trajava um vestido branco de renda, com fitinhas coloridas de cetim, por toda borda da barra da saia. O decote mostrava o início de fartos seios. Perfeito! Minha boneca de verdade, com corpo de moça feita, seria a mãe de todas as bonequinhas de minhas coleguinhas da vizinhança.
No dia seguinte, de tardinha, minhas amigas e eu fomos brincar de boneca, numa ansiedade sem tamanho. Nos instalamos dentro de um velho bambuzal, e lá ficamos por horas, nos deliciando em nossas fantasias infantis de mamãe, comadres e tias. Sim, porque toda boneca era batizada, ganhava um nome e uma madrinha.
Antes do anoitecer, minha mãe me chamou para ajudá-la nos afazeres do jantar. A brincadeira se desfez e aos poucos a noite chegou.
Na manhã seguinte, acordei aos pulos. Eu havia esquecido minha boneca de verdade no bambuzal. Corri para buscá-la. Qual não foi meu espanto quando a vi: estava toda encharcada, estufada, desbotada, manchada, descolorida, quase decomposta.
Havia chovido a noite toda!
Autora: Melania Ludwig
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