Escrever
Hoje eu preciso escrever os meus sentimentos ,
porque amanhã eu não sei se terei este pobre coração!
Escrever pra alguém que não vai ler dói de um jeito diferente de falar contigo aqui. Aqui você responde. O papel não.
Escrever com erros ortográficos faz parte da minha marca, para sinalizar que a ignorância e a inteligência são irmãos distintos, e protestar o bullying contra os retardados.
Tome nota !
Meu desejo
O bom seria deixar meu corpo, escrever no teu corpo,
um poema cujo os anjos fossem obrigados a desacelerar o tempo,
para observarem nós dois dando cordas ao relógio do mundo,
deixando gravado na história,
como se adora o que de fato deseja.
Habituar-se demais ao que já é seu é escrever, sem perceber, uma carta de despedida, uma letra por dia.
A vida me ensinou a escrever cartas para mim mesmo. Nelas encontro conselhos antigos e ternos. Algumas servem de manual para dias de crise. Outras são lembretes para celebrar pequenas vitórias. E reler é gesto de autocompaixão bem praticado.
Escrever é o meu método de hemorragia controlada: deixo sair a dor para que ela não me mate por dentro.
Escrever é o gesto de quem já compreendeu que o grito não alcança ninguém, resta, então, converter o pavor em grafia. É usar o próprio sangue como tinta para riscar uma saída numa parede de concreto que jamais cederá aos ombros cansados. Cada frase estanca, por instantes, uma hemorragia interna que o mundo ignora enquanto exige sorrisos e produtividade. Sou o náufrago que, em vez de pedir socorro, consome os últimos fôlegos descrevendo a beleza aterradora do oceano que o afoga.
Escrever é o meu jeito de dizer ao tempo que, embora ele esteja vencendo a batalha contra o meu corpo, minha voz ainda ecoa nos vãos das horas. Cada palavra é um prego que martelo na parede do esquecimento, tentando segurar o retrato de uma alegria que já não reconheço.
Escrever é o gesto desesperado de quem tenta colocar um curativo em um rasgo que atravessa o peito de lado a lado. A caneta é a agulha, o papel é a pele, e a tinta é o sangue que insiste em vazar toda vez que lembro de quem eu poderia ter sido.
Escrever dói porque exige que a gente revire o lixo emocional em busca de algo que ainda preste, de algum resto de luz que não tenha sido consumido pela ferrugem. É um garimpo em um lixão de memórias, onde a joia mais rara é apenas a coragem de não desistir da busca.
Eu escrevo sobre o que me incomoda, me afeta, me enfurece. Não sou muito de escrever sobre amor. Apesar que escrever sobre o caos, foi a forma que encontrei pra falar de amor.
Imagino que escrever um livro, é como construir uma casa. Começa com o alicerce e lentamemte términa a obra.
Dio Morais
Não quero escrever sobre o amor
Eu quero ser o amor
Não quero escrever sobre a verdade
Eu quero ser a verdade
A cada novo amanhecer nos é oferecida a oportunidade de aprender, amar e escrever uma nova página da nossa história.
