Escrever

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Autodidata,
aprendi datilografia
nas tardes lentas
em que escrever
era o meu brinquedo secreto,
o meu passatempo preferido
de menina
que já pressentia
o destino das palavras.
✍©️@MiriamDaCosta

Comecei a ler poesia
antes mesmo de aprender
a escrever e juntar letras.


Antes das palavras,
meu sentir já soletrava
afetos e ausências,
chegadas breves,
partidas longas,
silêncios que diziam tudo.


Antes das sílabas,
meu coração já sabia
o que doía,
o que machucava,
o que era justo,
e o que nunca foi.


Aprendi, ainda pequena,
que a poesia
não reside nos livros.
Os livros é que tentam
acolher, tardiamente,
o que a vida sussurra
no avesso dos dias.


Quando me ensinaram
a ler palavras,
eu já lia o mundo
com a alma poética
e os sentidos alfabetizados.
✍©️@MiriamDaCosta

Me pergunto se ainda há quem faça uso de uma caneta para escrever sobre páginas virgens...


Se ainda há quem coloque água para ferver na chaleira para passar o café no coador de pano...ou que antes de coar no bule ,
cozinhe o café por alguns minutos
inebriando o olfato do ambiente
e dispersando o aroma té chegar ás narinas mais distantes...


Semana passada , uma amiga da adolescência veio me visitar, ficou surpresa ao me ver preparar um café à moda antiga
(com chaleira, coador de pano e bule)
falando da praticidade da cafeteira elétrica...


E observou também os blocos, cadernos e canetas na minha escrivaninha , em vez do notebook ( que está fechado dentro de uma gaveta)...


Um dia desses
vou abri-lo e fazê-lo viver novamente
sob as minhas digitais poéticas...


As vezes me auto defino pré-histórica 😂 (podem até não acreditarem...mas é verdade!) , nem o tal do PIX eu tenho,
mas ... sei que vai chegar o dia
em que vou ter que me modernizar,
mas enquanto der ...
vou vivendo sem essa forma de pagamento, como de outras modernidades...


O que fazer?! ... Sou de Nanã 💜
(para quem não sabe...) é a Orixá
mais antiga/ancestral da Umbanda.


O que eu escrevo, na verdade,
não é sobre o café e nem sobre a caneta.
É sobre ritmo. É sobre tempo.
É sobre presença.
É sobre o pulsar da vivência.
E isso não é pré-histórico.
É ancestral.


Quando eu falo da água
fervendo na chaleira,
do pó cozinhando antes de ir ao coador,
eu penso em algo que não cabe
na pressa da cafeteira elétrica: o ritual.


O cheiro que se espalha pela casa
como se fosse memória líquida,
isso é quase uma liturgia doméstica.


Quando afirmo que sou de Nanã 💜
isso faz todo o sentido.


Nanã é lama primordial, é o barro antigo,
é o tempo que antecede o tempo.
É a senhora das águas paradas, profundas, densas. Ela não tem pressa. Ela tem paciência.
Ela é "alérgica" á pressa.
Ela sabe que tudo retorna ao útero da terra.
Ser de Nanã não é ser atrasada ou antiga.
Ser de Nanã não é parecer velha nas preferências e ações.


É ser terra fértil e ser raiz.
O mundo corre, eu decanto.
O mundo digitaliza, eu tatuo a página.
O mundo paga com PIX,
eu pago com dinheiro vivo
e presença ativa .


Modernizar-se não precisa significar abandonar o que me constitui.
Pode ser apenas acrescentar ferramentas
sem entregar a alma.


O notebook pode viver sob minhas digitais poéticas, mas a caneta continuará sendo a extensão do meu pulso, do meu corpo,
da minha respiração, do pulsar do meu âmago.


Há algo profundamente político nisso também; escolher o tempo lento
num mundo estantâneo que monetiza a urgência.


Eu não sou pré-histórica,
sou guardiã de um modo lento de existir
que o mundo tenta esquecer....


E no mundo?
Sim!
Ainda há quem escreva à mão.
Ainda há quem ferva água na chaleira.
Ainda há quem escolha sentir o aroma
antes da praticidade.
E isso não é resistência ao progresso.
É fidelidade ao próprio tempo e história.
É lealdade ao próprio ser e existir.
✍©️@MiriamDaCosta

Escrever sozinha é escolher a autenticidade acima da aprovação."

Superar é muito mais que virar a página, é preciso rasgar o livro e escrever uma nova história.

Um novo dia. Deus nos deu mais uma página em branco, e o que vamos escrever nela depende de nós. Que sejam palavras de fé, coragem, gratidão e esperança. Que cada escolha de hoje nos aproxime da vida que Deus sonhou para nós.

Julgo agora que escrever é uma forma de ansiedade, pois todo escritor anseia colocar no papel o que pensa, sem ter a certeza que o leitor realmente desejará lê-lo.

Quem só consegue escrever sobre o que viveu limita a própria criatividade ao tamanho da própria experiência.




_KANGAL

Quanto mais tenho que escrever para ter prestígio e um nome ? Faça o suficiente para ver os seus dedos sangrarem

Se parar de escrever, morro!
O que farei com minha intensidade?
Ela não cabe em meu peito.
Se engolir, enlouqueço.
Faço das palavras minhas digestão,
de tudo o que passo em minha necessidade.
Minhas,são minhas todas as letras
onde me satisfaço...
nódoas de sentimentos e emoções.

Tudo o que alimenta e dinamita
este espírito sofredor,afiada
num molhar da pena.
A bomba serena sem o pino ativador.

Andréa

Escrever não deve ser algo fácil, precisa ser difícil. As máquinas de escrever nos fazem pensar com mais cuidado nas palavras, porque nelas não se pode apagá-las com o simples apertar de um botão.
Reno Fioraso

Ser poeta não é só escrever um verso, mas enxergar o mundo.

A Caligrafia firme e rabiscada de minha mãe é a mais bonita com que alguém poderia escrever, nela está depositada uma vida de batalhas e desafios onde ela deu tudo de si, para aprender aquelas palavras.

“Eu Escolheria Você”


Eu te amo
Além do que consigo escrever,
Além das canções que eu posso fazer.
Se meu coração tivesse voz pra cantar,
Cantaria teu nome até o mundo acabar.


E entre mil caminhos
Que eu poderia escolher,
Meu destino ainda seria encontrar você.
Teu sorriso virou minha inspiração,
Teu abraço encontrou meu coração.


E se eu pudesse escolher outra vez,
Escolheria você,
Como escolhi da primeira vez.


Eu te amo
Além do que consigo escrever,
Mais profundo do que qualquer canção.
E se a vida me desse mil vidas pra viver,
Em todas elas eu escolheria você.


Porque
Amar você não foi só uma escolha,
Foi o encontro que meu coração esperou.
E se eu tivesse que começar
Tudo de novo,
Eu escolheria você...
Do mesmo jeito que escolhi
Quando te encontrei.

Eu não sei escrever direito
Poema nem poesia
Se soubesse, faria pra ela
O melhor poema do dia
Minha mente tem duas metades
Uma delas eu usava
pra viver a vida
a outra pra pensar nela
Não havia neste Mundo
Nenhuma grade que me prendesse
Mas eu estava preso a ela
Por causa desse amor
Nunca fui bom em amor
Poesia e nem palavras
Agora vem aqui,
termina de esburacar meu peito
...escava
Aquele amor não existe mais
Era pouco pra você
Mas era tudo que ainda restava.

Mais dia, menos dia
Numa hora escrever prosa
era tudo que eu queria
de maneira religiosa
comparar-te à cor da rosa
pois por rosas você ria
eu tive essa garantia
noutra hora escrever versos
conversar sobre o universo
olhando pro céu você escolheria
qual estrela eu te daria
e então poderia escolher
você quer que eu vá buscar
ou nós vamos morar lá?
de tanto que pode escolher
escolheu ficar distante
se pedisse um diamante
escondido na mais alta montanha
minha vontade era tamanha
até lá eu te carregaria
montada num elefante
a vida seguiu adiante
e eu estou só na noite fria
olhando pro céu e pensando
na estrela que te daria
meu Deus, quando imaginaria
que ainda penso em você
hoje em dia
enquanto escrevo poesia.

Eu queria ter talento
pra escrever
Alma de artista
pra dizer
As coisas que eu gostaria
que soubesse
Te convencer
de algo difícil de crêr
Se nem sabias que coubesse
Tanto amor
Em um só coração
Se eu fosse um pintor talentoso
e tivesse traço preciso
Eu pintava teu retrato
e botava um sorriso
em teu rosto
Em tuas mãos desenharia
Um um lindo buquê de narcisos
para olhar-te
todo dia
Não há como desenhar-te
Reproduzir tão divina
Arte
Tua imagem é poesia
A mais bela poesia
Que Deus escreveu
Concretizou-se
No dia em que você
Nasceu
Impressionismo discreto
despertando
suspiros concretos
Quando observamos
Tal beleza decidida
por você
valeu-me ter vivido
minha vida.

Pedi ao Sol um quente abraço
Pedi ao tempo que parasse
e olhasse um pouco pra gente
Tentei escrever uma canção
Que falasse da lua nova
Quando míngua pra crescente
Saí à rua pra fazer
Alguma coisa que eu há muito não faço
e esperei o Sol nascente
Saí ao mundo pra fazer
Quem sabe, o que nunca fiz
Te convidei pra vir dançar na chuva
Meti minhas mãos num arco-íris
Qual se ele fosse um par de luvas
Te perguntei se era feliz
Pedi ao vento uma resposta
Falei com os companheiros
Que me cercaram a vida inteira
Agradecendo aos rios
Não chutei, nem desviei-me
das pedras do caminho
Cantei canções para o mar
Depois eu dei um abraço no ar
Coisas que fiz a vida inteira
Por cada irmão que me cercasse
e antes que o dia acabasse
Voltei pra casa e fiz algo
Que desde há muito eu não fazia:
Sorri meu melhor sorriso pra noite
e desejei bom dia ao dia
Mas não me senti satisfeito
O Sol no céu
Águas no mar
O rio no leito
A chuva que cai neste canto do mundo
Num pranto profundo e na mesma cadência
Então eu perguntei à lágrima
O porquê da tua ausência.

Edson Ricardo Paiva.

Ao escrever, permito que a profundidade da minha alma se revele a cada palavra, em cada verso.

Eu não queria escrever sobre ir embora.
Nunca foi isso.

Eu queria escrever sobre quem fica.
Sobre a mão que não solta.
Sobre o homem que escolhe permanecer
mesmo quando a vida aperta,
mesmo quando o desejo muda de lugar,
mesmo quando o silêncio começa a falar.

Passei a vida inteira tentando entender
por que algumas pessoas são escolhidas
e outras precisam aprender a sobreviver
com a sensação de terem sido deixadas para trás.

Talvez por isso eu goste tanto do ficar.

Porque eu sei o que é esperar.
Sei o que é ouvir pouco
e sentir demais.
Sei o que é procurar no olhar do outro
a confirmação de que ainda sou desejada,
ainda sou importante,
ainda fui escolhida.

Eu queria o profundo.

Não esse quase.
Não esse vem e vai.
Não essa presença que acende o corpo
e depois se esconde na rotina.

Eu queria ficar sem precisar pedir.
Ser lembrada sem precisar desaparecer.
Ser procurada sem precisar duvidar.

Mas me deram o raso.

E eu, que sempre fui tão boa em nadar sozinha,
às vezes ainda me pego perguntando:

me ensina a ficar?

Ou, pelo menos,
fica comigo mais um pouco.

Antes que eu transforme
mais uma vez
a saudade em lugar para morar.