Era
Eu era apenas apaixonado e...
Ela era doce, ela amava Lisboa, ela cheirava a Avon, ela assistia a Pretty Woman centenas de vezes.
Eu continuava apaixonado e...
Ela ria alto me olhando com ironia, e dizia "quero conhecer toda Europa, nem que seja de carona, nem que seja de carroça. Vem, venha comigo fazer histórias novas até os olhos fecharem".
A triste verdade era que Clementine achava que a dependência dele estava diminuindo; como uma criança, ele era petulante, temperamental e exigente.
Alguém de ti me roubou
Eras talvez o teu único diamante
Não sabias e nem te fizesse caso
Era eu o pó de pequeno brilhante
Como estilhaço de estrelas perdido
No firmamento sem identificação.
Cadillac
Conduzido pelo vento,
Um certo dia cheguei em uma cidade,
Praças e quermesses,
Tudo era diferente,
E todas as pessoas eram gente decente,
De um bairro a outro fui percorrendo ruas e vielas,
Uma festa já datada estava ali para acontecer,
Eram rimadores de todos os Estados,
Que naquele palco iam se apresentar,
Como peão trovador não podia ficar de fora,
O prêmio era um Cadillac e uma mochila cheia de dinheiro,
Se bem me lembro,
Eram mais de cem vintens,
Pois o alto valor era para não tão cedo acabar,
Como companhia,
Chegou o Zé furação e o famoso Tião,
O rei dos trovadores,
Outros nomes da época,
Eram mais de trinta entre eles,
E como sanfoneiro chegou o Valentino belarmino,
E no fole não tinha pra ninguém,
Chegou um moço no tablado e começou a falar,
Hoje,
Hoje estão aqui presentes os grandes repentistas,
São humanos e são artistas,
E quero ver quem vai esse automóvel de luxo levar,
E como recordação,
Vai também essa sacola,
Nela contém uma herança,
E o seu diferencial,
É que não mais precisarão trabalhar,
Na hora da chamada veio um estranho,
Cabelo castanho e ele era do Sul,
Chegava gente de todos os lados,
E o arraial ja estava começando,
Uns se apresentaram,
E muitos deles foram vaiados,
De repente,
Esse moço alto desconhecido,
Bota boiadeira de salto,
E a espora batia na madeira e começava a relampiar,
Chapéu quebrado na testa,
Leventou a cabeça e começou a recitar uma trova em tom alto.
Nesse momento o silêncio foi geral,
Pois o trovador era um
Cabra da voz bem afinada,
E com duas rimadas,
Botou todos com a cara no chão.
Sua educação era notória e admirável,
Pois o artista não era uma pessoa comum.
Com toda elegância falou a plateia:
-Sou trovador de grandes ideias,
Falo aqui e falo acolá e não me apavoro,
Bato no pinho e piso no solo,
Esse quatro rodas com essa sacola , sou eu quem vou levar....
Autor :Ricardo Melo.
O Poeta que Voa.
o combinado era chorar juntos
...tinha vontade de deixar de ser
só pra ver como é ser outro ser
se há um Ser
ser tudo sem ser
se nada é depois deste ser
ser
vontade
deixar
ser...
...pai então
como pai tenho que zelar
não muito ou nada a oferecer
mas zelar
sempre
estar presente
sózinha nunca deixar chorar
zelar
coisa de pai
com um único e grande medo
lá não estar quando ela precisar
e se acontecer
Dio me ajude
Zele por mim...
tem...
um tempo, tem
tem um tempo, tem
que ser feliz era desejo
e desejo era prosseguir
mais um e mais um
e viviamos relutando
em ser mortal
ser imortal, desejo
desejo de tempo, para sempre
e o tempo para
e não mais otempo se tem
tem tempo para resolver?
resolver o tempo que vai a té o fim
e o fim tem tempopara esclarecer?
o que é ser sem tempo...
tem?
eu senti uma dor Constante
Naquele instante
Na minha sala havia uma instante
Não era grande era gigante
Havia livros e vestígios
E saudade do seu amor.
Se isso era a morte, então a morte era como apagar as luzes de uma casa grande; primeiro os cômodos mais distantes, depois a sala de jantar e a cozinha, e depois a sala de estar, e então, com a casa quase às escuras, há tempo para uma última olhada ao redor, um momento de despedida, talvez, para ver se tudo está em ordem; e então a luz final no corredor. A morte.
vale a pena
viver um sonho.
um dia sonhei
que era tua.
o tempo passa
e teu cheiro não.
você é tudo
que sonhei
pra mim.
fique em meus
sonhos.
ou sonhe comigo.
só você decide.
VoAndo
No meio das minhas dores, desde tenra infância, eu fingia ter asas, pensava que era capaz de voar dali, e abandonar os seres terrenos que me machucavam.
No passar do tempo, no muito alçar vôos, enfrentar tempestades, perder penas e afiar as garras, meu ser voador preferiu as alturas. No alto era mais fácil bater as asar e ver despencando dissabores, traições, e deixar cair da plumagem as lágrimas contidas, as cascas das feridas, e lá esperar cicatrizar as carnes rasgadas pelas pedradas.
Aprimorei os sentidos, no alto.
Aprendi ver melhor, conviver com os infortúnios, e seguir o fluxo da ventania para relaxar.
Tracei rotas para as fugas, conheci desfiladeiros, grutas e cavernas, sempre mirando do alto, almejando o pouso certeiro, longe das presas, trazendo no bico cura para os doentes, liberdades para os cativos, carinho aos solitários, alegria para os tristes...e para os abandonados, que caminhavam a esmo, ensinava voar comigo, já que pleno vôo, o câncer não podia nos alcançar. Nem incredulidades, falta de fé, falta do amor.
Em liberdade de vôo, minha melhor companhia chama se milagres!!
G.M.
Ao amanhecer, ouvi cantos gritados ou gritos cantados na janela. Era a dupla Mary & Taca fazendo uma live. Show!
Reflexão: Quando eu ... criança
Quando eu era criança, pensava como criança, raciocinava como criança.
Quando eu era criança, brincava como criança.
Quando eu era criança, os adultos me perguntavam, o que você vai ser
quando crescer?
Quando virei adulto, queria voltar a ser criança por dois motivos:
o primeiro porque Jesus disse que o reino dos céus pertence as crianças;
o segundo porque como adulto, seja como catequista, professor ou pai
eu volto a ser uma criança.
Mas independentemente disso, existe uma criança dentro de mim.
Na guerra, foram soldados muito capazes, corajosos e inteligentes, mas eu também era. Eu era a porra do um soldado bom.
