Era
Era suposto os teus filhos segurarem o teu caixão e te enterrarem, mas como não chegaste de ter, nós os teus amigos fizemos isso por eles.
Tive muita dificuldade em entender que era possível chegar em casa uma noite e constatar que a pessoa que tinha dado risadas com você e o abraçado naquela manhã tinha deixado de existir.
Ele era marrom.
Marrom tipo essas cores de barro, de terra, de chão onde a gente finca as raízes, sabe?
Eu era azul.
Como o céu, como o mar, como alguns rios, como a imensidão, como a profundidade, entende?
Nós eramos distintos e talvez nunca nos tocaríamos, mas aí veio a chuva;
A chuva que era um pedaço do céu que caía na terra e o arrastava pra dentro de mim.
O problema é que pra terra, o importante é ter raízes, flores, árvores, vegetação que não sobreviveria muito tempo ao meu toque, e eu, água, passei a observá-lo de longe enquanto esperava a chuva.
E foi na época de estiagem que entendi que eu, rio ou céu, também tenho terra em mim, no fundo, mas que não se deixa ser levado pela minha correnteza, mas que ainda assim me fazia sentir bem por simplesmente saber que ela estava lá.
Não teve chuva, não teve “desaguar em mim”, não teve nada. Só teve eu.
Eu rio, seguindo em frente enquanto sofria depois de me permitir a ter solo em mim, mas que percebi que esse solo esse não me pertencia, mas que o vento me deixava acreditar que também poderia ser meu, tique que seguir meu curso.
Nunca as árvores foram tão bonitas, ou as flores tão coloridas, nunca mais me vi passando em baixo da linha do trem ou pude observar a terra onde tanto amei. Só fui, tive que seguir. Os galhos que se escondiam no profundo de mim, me arranhavam enquanto a minha correnteza me arrastava, isso doía, mas ensinava:
Eu era rio, ele era terra, e isso, sempre nos era lembrado todo dia pelos pássaros que nos cercavam e se sentavam à minha margem. SOMOS DIFERENTES E ISSO É DURO. Não podemos ter tudo, e eu tive que aprender enquanto chorava.
uma vez me perguntaram qual era meu maior medo, eu muito novo respondi, ´´não tenho nenhum``.. depois que a conheci, o meu maior medo é perdê-la.. medo que aquela tarde que tivemos seja a última, que aquele dia tenha sido a última vez que eu tenha ouvido a risada dela, ouvir ela reclamar do cabelo que está perfeitamente lindo, tenho medo que ela me olhe sem aqueles olhos exuberantes toda apaixonada e que não me beije mais ao me ver.. algumas pessoas tem medo de altura ou do escuro, o meu é não poder chama-lá de amor. o meu sonho é acordar com seus beijos, acordar e vê-la sorrindo.. estar ansioso porque ela vai estar entrando com o seu vestido branco e eu me segurando para não chorar, esse é meu sonho.
As pessoas não podem se apaixonar sem dinheiro. O está acontecendo com esse mundo? Essa é a era moderna?
Por um tempo tive medo
Era algo que não sabia explicar
Como um pequeno segredo
Que não conseguia desvendar
Por um tempo me tomou
E passava dias a me perguntar
E um dia o medo acabou
Quando consegui te achar
O amor preencheu o espaço vazio
E o medo deixou de existir
Me abraçou, um cobertor no frio
Me fez voltar a por tudo sorrir
Ao seu lado não canso de feliz ser
Como amo amar você
Era uma terça-feira extraordinariamente comum. E a única coisa que ela conseguia fazer era tentar inutilmente preencher as lacunas opacas daquele infinito dia.
Hoje passei por você novamente, e seu cheiro já não era o mesmo, sua essência já não era a mesma de quando nos conhecemos, e me peguei pensando: “Onde foi parar o garoto que conheci há pouco tempo atrás?”.
Houve um tempo em que meu maior medo já foi em perde a memória, pois era lá que você morava,
Hoje já não me importo mais, pois o que existe são escombros de uma antiga e linda mansão,
Hoje viajo pelo mundo fazendo novas histórias, construindo outras casas, colocando lindos quadros nas paredes da memória,
E se alguma memoria há de ficar, são dos momentos que sorri.
Desde que eu era muito pequenininha, eu quero explorar terras distantes. Terras sobre as quais só lemos.
Não tenho nenhuma dúvida que José Lins do Rego tinha plena consciência que a vida era carente de poesia e que a poesia é o principal alimento das emoções do poeta. O fato é que o consagrado escritor paraibano, orgulho das letras nacionais, soube enriquecer sua prosa com a mais pura poesia, como que a impregnasse com o cheiro das flores do campo, da terra molhada pelas primeiras chuvas, das frutas maduras dos pomares da várzea do rio Paraíba, e da fumaça do caldo de cana, fervendo nos tachos, que procurava rumo, espalhando-se mundo afora.
Ela então deu seu último beijo, entregou-se ao vento e partiu...ali não era mais seu lugar, sentindo a dor queima-la por dentro, rasgou-se e saiu de sua pele, nas chamas das lágrimas e esperanças partidas, e sem rosto, pode enfim sentir seu coração.
Eu era um plantador , então eles vieram e roubaram meus olhos para que eu não visse a luz do dia , a chuva , roubaram minhas mãos para que eu não tocasse o solo, minhas sementes , meu ego , levaram tudo... mas na escuridão olhei para dentro de mim , e lá estava a fé na energia criadora, o que me conecta com o mundo , e não ter nada me fez ter tudo , me fez ser eu mesmo... livre.
Todo mundo via as injustiças, mas ninguém fazia nada, o comodismo era quem dava as cartas. O medo da repressão era tanta, que as pessoas estavam acostumadas com a desesperança. Tudo permaneceria como estava, até que alguém se manifestasse para a mudança.
Não era um ato de caridade, mas as vidas eram envolvidas. Custo de reivindicação alto, habitação precária, metodologia definida e esforço de integração sem progresso.
