Era
A moldura da obra de arte era sempre a parede do quarto. Sempre não. Às vezes dividia espaço com o teto.
O quarto pequeno, com duas caminhas de solteiro e um guarda-roupas, dava espaço para o sol, todos os dias de manhã, quando ele entrava pelas frestas da janela sem cortinas e refletia na parede (e não muito raro, também no teto) o mundo lá fora.
Algumas vezes o colorido se fazia presente. Outras, só a sombra desenhava a pintura.
A planta encostada na parede de fora, a cachorra deitada no sol, e a mãe passando com o cesto de roupas sujas para pôr na máquina de lavar.
Raios de sol que entravam despretensiosamente pelos buraquinhos pequeninos da janela, faziam o dia daquela criança começar com mais imaginação.
O quarto pequeno ficava grande.
O sol era o pintor. A parede era a tela. A vida lá fora era a inspiração.
A criança que enrolava a sair do quarto para apreciar mais um pouquinho daquela pintura singular, feita sob medida na sua parede, se descobria, ainda pequena, amante da arte, mesmo sem imaginar que a arte poderia simplesmente, entrar pela sua janela enquanto ela dormia.
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(Eu sempre amei observar os desenhos que o sol faz dentro de casa. Hoje, deitada na cama e mais uma vez, apreciando a luz natural entrar pela minha janela, resolvi resgatar - e registrar aqui - a memória de quando eu comecei a admirar essas pinturas)
No tempo de lá de trás
Toca-fitas se usava
Ou então era a vitrola
E vinil se escutava
Hoje basta colocar
A canção no celular
O que antes só ligava
NO ALTAR
No altar
Dissemos sim
Que era um amor
Para a vida toda
Era para o bem
Era para o mal
Como um conto de fadas
Um sonho lindo
Que se foi tornando
Num maldito pesadelo
Diz não à violência
Não deixes que te digam
Que tu não vales nada
Olha que tu mereces mais
Vai ser feliz neste mundo
Não deixes que o silencio
Te mate o coração ou a alma
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Dedicado a todas as mulheres e homens
Vítimas de violência doméstica
Como explicar meus sentimentos se nem mesmo entendia o que estava acontecendo comigo? Creio que era o que chamam de Koi no Yokan, uma expressão japonesa para a sensação de conhecer alguém pela qual você inevitavelmente acabará se apaixonando. Um delírio premonitório de paixão.
Tem pessoas que a gente conhece pela ociosidade do acaso mesmo..
Já outros, porque era necessário e preciso.
Deu pra entender aí do outro lado?
"Nos momentos de enfermidade
Mal fico de pé
Bate uma saudade
De quando eu era
Mais forte que uma maré."
Saudade...
Eu sabia o seu nome
E era só oq eu sabia
Agora sinto sua falta a todo instante
E tudo que eu sei
É que te amo
Como nunca imaginei que amaria.
Saudade do seu beijo
Do seu toque
Do seu abraço
Como te desejo
Sem você a vida é sem graça e vazia..
Vi inúmeras pessoas dizendo pra mim o quanto eu era especial, enquanto amacia-va o ego delas, e alimentava suas carências emocionais.Tudo era belo, quando me expressei com base na verdade das coisas que me incomodavam as mesmas, sumiram, se afastaram e hoje me descrevem como monstro por não saberem lidar com suas próprias falhas.
Mulher!
Quem é você ?
Uma menina !
Como, uma menina?
Apenas uma menina!
Sem era nem beira, que se pos a sonhar! Sonhos e mais sonhos, sem a certeza de realizar.
Todos riam quando ela começava a falar, mas incansavelmente falava , falava sem parar, no coração dela morava de tudo, amor, perdão, alegria, não sei como! mas a tristeza ainda conseguia caber lá! que coração era esse! que cabia tudo, sem nem rasgar, as veses era difícil carregar, mas a menina não podia parar, entre pesadelos e sonhos pós se a crescer, quanto maior ficava, mais sentimentos pedia seu coração para carregar, ele tinha que organizar os sentimentos e mesmo assim pulsar ! Pumbum, pumbum, pumbum♥️seja forte coração ! Nem sempre é uma menina, e as veses velha, as veses jovem, cresceu e nada esqueceu, continua a sonhar.
Um sorriso custa nada
Mas parece que tem preço
Gentileza não se vê
Era só ter mais apreço
O mundo está tão frio
Que até dá calafrio
Precisa de um recomeço
Em uma era onde toda informação está na palma da mão, os jovens preferem passar o dia olhando dancinhas no Tik Tok, e 85% sonham em se tornar "Influenciador". Estamos diante de uma geração de idiotas?
Hoje senti saudade de mim!
Saudade do tempo que viver era a prioridade em tudo,
Saudade de poder dormir sem a hora marcada para deitar e o despertador desenfreado para acordar.
Saudade de me perder em meus sonhos , de viajar em meus pensamentos e ter a esperança que em algum momento tudo ia dar certo, tudo iria se encaixar.
Hoje não tenho mais sonhos, esqueci meus pensamentos e faço um esforço absurdo para levantar todos os dias.
Saudades profundas da pessoa que um dia fui , hoje olho no espelho e vejo tudo , menos quem eu fui um dia , um dia tão longe, nunca pensei que seria tão doloroso ser adulta, ter que ser responsável, ser julgada todos os dias e ter que trabalhar para sobreviver.
Ta muito difícil.
Vontade de sumir, de morrer, de não e existir.
Saudade de ser quem eu fui um dia.
Acordei cedo para ver as borboletas!
Era época de suas metamorfoses...
E contemplando as flores, lá estavam seus casulos... Uma espécie de charuto e, pensei, o quanto de sacrifício se deu, pra estar alí.
...e entendi que a vida é um refazer-se constante. Um doar, sem requerer, incansavelmente pra concluirmos nossas metamorfoses.
Acredite somos superadores do que chamam de obstáculos.
O pensamento me instiga
O homem levantou sua cama portátil, era um tapete colorido, não voador.
Ele enrolou e colocou no saco de lixo onde estão seus pertences, sua vida.
Caminhou e num canto foi mijar. A rua é sua casa. Ai que dor!
A quem pedir misericórdia?
Minha paixão era tão grande que eu queria possuí-la. Eu queria comê-la. Se eu o fizesse, ela seria minha para todo o sempre.
O homem mediano era um sujeito um tanto assaz
Em muitos sentidos podia-se dizer que era capaz, quiçá até audaz
Trazia no olho brilho mágico, que o tempo não desfaz
À frente dele andaram vários, e um bocado foi atrás
Nunca foi gênio, mas sempre foi muito cordial
Trouxe consigo uma bagagem de capacidade medial
Muitos grandes foram os sonhos, mas razoável sendo ele, os baixou a tal
Média foi sua beleza, seu fulgor, e até mesmo seu tamanho, é claro
Viveu viver simples, pode-se até dizer satisfatório
Queria ser poeta, mas seu talento era irrisório
Trabalhou, amou, casou e família boa criou
Outros amigos médios em alegria formou
Foi-se ele embora na primavera, em morte ordinária
Não foi senhor formoso, mas também não foi um pária
Partiu com as marcas do trabalho, que tanto tempo o tomou
E apesar de médio ser, seu sorriso era belo, talvez até etéreo
Foi enterrado entre as palmeiras, sob o canto dos pássaros
Amigos e familiares compareceram ao velório
Que, à rigor da sua vivência, não foi deslumbrante, mas também não foi inglório
E, ao fim do dia, a estatística foi tudo que restou. E tão mediana foi a vida que na média, enfim, ficou.
"Eu era movida pela intuição
Ele bate, bate, bate
A alma não se alimenta de pão
Não me maltrate, trate, trate."
