Era

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O dia em que Vênus encontrou a Lua,
ambos incandescentes.
Não era uma Lua minguante,
e sim uma Lua crescente.
Apareceram quando o Sol se escondia,
no poente.
Conjunção inconfundível,
atraente.
Nunca tinha visto um planeta,
nem mesmo numa luneta.
Mas agora, vejas tu,
eu posso ver Vênus,
não pela luneta,
mas sim a olho nu.
Registrei no meu olhar
e, depois, na fotografia,
uma imagem rara.
Eu nem sabia que existia.
E ali, logo abaixo, Júpiter,
tímido diante da luz reluzente da dupla que brilhava e reluzia.

*Há o tempo de Deus* ⏰🙏🏻
Davi era o único que não estava em casa quando a bênção dele chegou. 🏡❌
No entanto, No campo trabalhando. 🌾💪
Alguém ficou com a bênção dele? Alguém recebeu a unção dele? Não!! 🚫
A bênção foi até ele. 🙌✨
Então, o quê é nosso. Deus manda no momento certo e no lugar certo. ⏳📍
Fica em Paz. 🕊️❤️
O que é Seu ninguém tira. 🔒🙅🏻‍♂️
Deus está no Controle 🙌👑
Sempre ♾️✨


Ricardo Neves Reflexões ✍🏻🌹

Eu era feliz e não sabia.

De tanta intensidade,
gastei toda a felicidade que tinha.
Agora estou vazia.

Hoje já não transbordo mais.
Meu mundo ficou cinza.

Estou aprendendo a viver com a anedonia.
Minha maior agonia
é viver das lembranças
de quem um dia fui
e nunca mais voltarei a ser.

#autoraisdaalle

Conto dos Apaixonados


Era uma vez dois corações
que não sabiam que estavamdestinados
a se encontrar no meio do caminho,
entre acasos e sonhos inesperados.


Ela chegou como quem não queria ficar,
mas deixou seu olhar pelo lugar.
Ele sorriu sem perceber
que naquele instante começava
a se apaixonar.


E foi assim, devagar,
que o carinho virou desejo,
o desejo virou saudade,
e a saudade pediu um beijo.


Nos braços um do outro,
descobriram que amar
não era encontrar alguém perfeito,
mas encontrar alguém
que fizesse o coração querer ficar.


Vieram noites de conversa,
risadas sem explicação,
promessas feitas baixinho
e planos desenhados no coração.


E quando o mundo parecia pesado,
um encontrava abrigo no outro.
Porque há amores que não
precisam de grandes palavras;
basta um olhar
para dizer tudo.


Talvez ninguém escreva sobre
eles nos livros,
talvez ninguém conheça sua história.
Mas para dois apaixonados,
um simples beijo pode ser
o começo de uma eternidade.


E se um dia perguntarem
onde termina esse conto,
eles apenas vão sorrir...


Porque histórias
deapaixonados
não terminam.


Elas continuam
toda vez que dois corações
escolhem amar novamente.

⁠Quem era o presidente? O caso mais notório de tráfico de drogas em viagens presidenciais envolveu a comitiva do Brasil, vergonha mundial!

O Congresso Nacional, que era para ser o guardião da vontade popular, é seu algoz!

O Pecado de Escolher a Paz


Eu nunca compreendi como um grande amor,
que ontem era abrigo, hoje vira rancor;
como quem adormece envolto em carinho
desperta odiando quem andou no seu caminho.


Por que a ternura se torna vingança?
Por que destruir aquilo que um dia foi esperança?
Ciclos se encerram, caminhos se desfazem,
amores se transformam, pessoas se afastam.


Mas por que transformar um adeus em prisão?
Por que fazer da partida uma condenação?
Só porque alguém não coube na expectativa,
merece carregar uma culpa tão viva?


Eu também já esperei de quem não correspondeu,
já amei quem não foi aquilo que prometeu.
Nem por isso fiz do ressentimento uma arma,
nem transformei despedida em guerra ou desgraça.


Então por que fazem comigo aquilo que não fiz?
Por que me chamam de monstro, se eu só quis ser feliz?
Ninguém viu minhas noites, ninguém viu minha dor,
ninguém sabe quantas vezes calei por amor.


Eu não quis destruir, eu só quis respirar;
não quis ferir, só precisava me encontrar.
E se partir de onde eu já não podia florescer
me fez parecer cruel, então que seja —
eu escolhi viver.


Não quero tua queda, não quero vingança,
não quero transformar mágoa em lembrança.
O que um dia foi amor não precisa ser guerra,
nem todo adeus precisa incendiar a terra.


Talvez um dia você consiga entender:
eu não fui embora porque deixei de querer.
Fui embora porque, para continuar ao teu lado,
eu precisava deixar de ser quem eu sou — e isso seria errado.


E se me chamarem de vilã, deixarei o tempo falar:
há verdades que só o silêncio consegue revelar.


Porque, no fim, aprendi a duras penas:


nem todo amor nasceu para permanecer,
nem todo adeus precisa fazer alguém sofrer.
E escolher a própria paz, depois de tanto padecer,
não é crueldade — é finalmente escolher viver.

QUANDO UM ANJO DORMIU EM MINHA CASA.
Era uma casa simples, situada numa rua tranquila onde o tempo parecia caminhar mais devagar. As paredes guardavam marcas de anos vividos, risos antigos e algumas lágrimas silenciosas. Ali morava um homem de espírito cansado, daqueles que carregam na alma mais perguntas do que respostas.
Certa noite, depois de um dia longo e pesado, ele apagou as luzes e deixou que a casa mergulhasse no silêncio. O vento tocava levemente as janelas, e a madrugada aproximava-se com aquela serenidade que somente as horas profundas sabem trazer.
Sentado na pequena sala, ele pensava na vida. Pensava nos caminhos que tomara, nos erros que ainda lhe doíam e nos sonhos que pareciam ter ficado para trás. Havia dentro dele uma mistura de cansaço e esperança, como se a alma buscasse algum sinal que lhe devolvesse confiança no amanhã.
Antes de dormir, fez algo que havia muito tempo não fazia. Curvou levemente a cabeça e falou em voz baixa, quase como quem conversa consigo mesmo.
“Se houver ainda alguma luz para mim, permita que ela encontre esta casa.”
Depois disso, recolheu-se ao quarto e adormeceu.
A noite passou silenciosa. Nenhum ruído estranho, nenhuma visão extraordinária, nenhum fenômeno que pudesse impressionar os sentidos. Apenas uma paz incomum que parecia repousar sobre o telhado, sobre as paredes, sobre cada objeto simples daquele lar.
Naquela madrugada, porém, algo sutil aconteceu.
Enquanto o corpo descansava, o espírito encontrou-se envolvido por uma serenidade profunda. Não houve palavras audíveis, nem formas visíveis. Houve apenas uma presença silenciosa, como se uma inteligência benevolente estivesse ali, velando pelo descanso daquele coração cansado.
Era como se uma luz suave tivesse atravessado a casa inteira sem acender lâmpada alguma. Uma presença que não perturbava, que não exigia atenção, que simplesmente permanecia.
E assim a noite seguiu tranquila.
Quando o amanhecer chegou, o homem despertou com uma sensação estranha. Não havia acontecido nada que pudesse explicar. A casa era a mesma. A mesa continuava no mesmo lugar, as janelas estavam fechadas como sempre.
Mas algo dentro dele havia mudado.
A inquietação que o acompanhava há tanto tempo parecia menor. O peso que carregava nos pensamentos estava mais leve. Ele levantou-se devagar e caminhou pela casa em silêncio, como quem percebe que aquele espaço simples estava diferente.
Não porque algo tivesse sido acrescentado.
Mas porque algo havia sido suavemente purificado.
Sem saber explicar por quê, ele sorriu pela primeira vez em muitos anos. Sentiu vontade de abrir as janelas, deixar a luz entrar e começar o dia de outra maneira.
Enquanto preparava o café da manhã, uma ideia atravessou-lhe o pensamento como um sopro delicado.
“Esta noite um anjo dormiu aqui.”
Talvez ninguém pudesse provar aquilo. Talvez nenhum olhar humano tivesse visto aquela presença silenciosa.
Mas certas verdades não precisam de testemunhas.
Elas revelam-se apenas através da paz que deixam no coração.
E naquela casa simples, naquela madrugada tranquila, alguém despertou para a vida com a certeza silenciosa de que, mesmo nas noites mais comuns, o bem ainda encontra caminhos para visitar aqueles que não desistiram completamente da esperança.
Autor: Marcelo Caetano Monteiro .

TEMPO, ILUSÃO E VERDADE: A FALSA SENSAÇÃO DE ATRASO NA ERA DA EXPOSIÇÃO.
A sensação de estar atrasado tornou-se um dos sofrimentos silenciosos mais característicos da vida contemporânea. Ela não nasce do tempo em si, mas da percepção deformada que se constrói a partir dele. O indivíduo olha ao redor e acredita que todos avançam enquanto ele permanece imóvel. Contudo, essa percepção não é um reflexo fiel da realidade, mas o resultado de um sistema de exibição cuidadosamente editado.
O ponto central dessa reflexão reside na natureza daquilo que se observa. A vida alheia, tal como se apresenta nas redes, não é uma totalidade, mas um recorte. Exibem-se conquistas, ocultam-se fracassos. Publicam-se celebrações, silenciam-se crises. O que se oferece ao olhar externo é uma sequência contínua de êxitos, como se a existência fosse linear, ascendente e isenta de rupturas.
Esse fenômeno produz um efeito psicológico profundo. O indivíduo passa a comparar a sua experiência integral, com dores, dúvidas e hesitações, com a versão editada da vida dos outros. Trata-se de uma comparação estruturalmente injusta. É o confronto entre a realidade vivida e a aparência construída. Dessa discrepância nasce a angústia.
Outro aspecto expressivo é a construção social do chamado tempo ideal. Estabelecem-se marcos invisíveis. Espera-se que se atinja estabilidade em determinada idade. Que se conquiste reconhecimento em certo período. Que se cumpra um roteiro implícito de realizações. Esses parâmetros não possuem fundamento universal. São convenções culturais, mutáveis e frequentemente arbitrárias. Ainda assim, exercem pressão como se fossem leis naturais.
Há, nesse contexto, uma transformação do próprio sentido da existência. Muitos deixam de viver para experienciar e passam a viver para demonstrar. A vida converte-se em espetáculo. Cada conquista não é apenas um fato, mas um elemento de validação pública. Surge, então, uma ética da aparência, na qual o valor do indivíduo parece depender daquilo que ele consegue exibir.
Essa lógica produz um ciclo contínuo de ilusão. Quem observa sente-se insuficiente. Quem exibe sente-se compelido a manter a imagem. Ambos participam de uma engrenagem que se alimenta da comparação e da validação externa. A autenticidade torna-se rara, e a interioridade, negligenciada.
Do ponto de vista filosófico, esse cenário reatualiza uma distinção antiga. A diferença entre ser e parecer. O que se apresenta ao olhar coletivo não corresponde, necessariamente, ao que se vive na intimidade. A era digital não criou essa dissociação, mas a amplificou em escala inédita, tornando-a quase onipresente.
É necessário compreender, com rigor, que não existe uma linha universal de progresso humano. Cada trajetória é marcada por contingências, escolhas, limites e circunstâncias irrepetíveis. O tempo não é uma régua uniforme. Ele se manifesta de modo singular em cada existência.
Dizer que alguém está atrasado pressupõe a existência de um padrão absoluto. Esse padrão não existe. O que existe são expectativas socialmente construídas, frequentemente incompatíveis com a complexidade da vida real.
Há, portanto, uma inversão que precisa ser reconhecida. Não é o indivíduo que está atrasado. É a percepção que está distorcida. O olhar, ao invés de captar a realidade, captura uma encenação.
A superação dessa ilusão exige um movimento interior. Recolher-se parcialmente do fluxo incessante de comparação. Reorientar a atenção para a própria experiência concreta. Reconhecer o valor do percurso íntimo, ainda que invisível aos olhos externos.
A verdadeira medida de uma vida não se encontra na sucessão de marcos exibidos, mas na coerência entre aquilo que se vive e aquilo que se é. E é nesse silêncio, longe das vitrines e das narrativas fabricadas, que o tempo finalmente recupera sua dignidade, deixando de ser um juiz implacável para tornar-se apenas o campo onde a existência se desdobra com verdade.

A CASA DO CAMINHO E O NASCIMENTO DA PRIMEIRA IGREJA EM JERUSALÉM.
Entre os anos 34 e 35 da era cristã, logo após a ascensão de Jesus Cristo aos planos superiores, delineia-se um dos momentos mais decisivos da história espiritual da humanidade. Não se trata apenas de um episódio histórico, mas de uma transição ontológica profunda, na qual o ensino direto do Mestre cede lugar à responsabilidade viva dos discípulos. Nesse intervalo singular, emerge a chamada Casa do Caminho, núcleo inaugural da primeira igreja em Jerusalém, constituindo-se como expressão concreta e operante da Boa Nova.
Os quarenta dias posteriores à crucificação possuem densidade espiritual ímpar. Nesse período, o Cristo ressurgido não apenas consola os corações aflitos, mas realiza uma obra de reorganização psíquica e moral em seus seguidores. Suas manifestações assumem caráter pedagógico, fortalecendo a fé, dissipando o temor e preparando os discípulos para a autonomia espiritual. Sem essa intervenção metódica, o movimento nascente sucumbiria à dispersão, diante das pressões religiosas e políticas do contexto. Há, portanto, um cuidado estratégico e providencial na forma como o Cristo conduz a transição de sua presença física para a atuação invisível.
Após a despedida no Monte das Oliveiras, conforme descrito em Atos 1:11, os discípulos retornam a Jerusalém e se reúnem no cenáculo, tradicionalmente associado à última ceia. Ali se encontram Simão Pedro, João, Tiago, além de Maria e outros membros do círculo íntimo do Mestre. Esse agrupamento constitui o embrião de uma comunidade espiritual organizada, sustentada por vínculos de fé e compromisso moral.
É nesse ambiente que se configura a primeira manifestação da Casa do Caminho. Sob a coordenação inicial de Pedro, o grupo estabelece encontros regulares marcados por oração, cânticos, leitura das Escrituras e rememoração sistemática dos ensinamentos do Cristo. Surge, então, a fraternidade conhecida como “os do caminho”, expressão anterior à designação “cristãos”, adotada posteriormente em Antioquia.
A Casa do Caminho não se restringia a um espaço físico. Era uma instituição dinâmica, integral e profundamente funcional. Operava como escola espiritual, posto de socorro, abrigo, oficina e núcleo de culto. Ali se exercia a caridade concreta, com partilha de alimentos, vestimentas e cuidados aos enfermos, além da manifestação de dons espirituais. Essas ações, porém, não eram fins isolados, mas instrumentos pedagógicos para a transformação moral. O auxílio material tornava-se via de acesso ao despertar da consciência.
Tal metodologia revela compreensão avançada da psicologia humana. O socorro imediato criava abertura para a assimilação dos valores espirituais. A caridade não era apenas virtude, mas método de elevação gradual do ser.
À medida que a reputação da Casa do Caminho se expandia, crescia o número de adeptos. O ambiente moralmente elevado atraía tanto necessitados quanto buscadores de sentido existencial. Consolida-se, assim, a primeira igreja de Jerusalém, não como instituição dogmática, mas como organismo vivo de fraternidade.
Essa realidade é descrita na obra Paulo e Estêvão, onde se observa o intenso movimento de assistência e a organização progressiva da comunidade cristã primitiva.
No que se refere à liderança, embora Pedro exercesse a coordenação prática, registros indicam Tiago, o Justo como dirigente formal da igreja em Jerusalém, conforme relatos preservados na História Eclesiástica. A liderança apresentava caráter colegiado, sendo Pedro, Tiago e João reconhecidos como “colunas” da comunidade, segundo Gálatas 2:9.
Outro marco decisivo é o Pentecostes, descrito em Atos 2, interpretado sob a ótica espiritual como manifestação mediúnica coletiva, evidenciando a continuidade da orientação do Cristo por vias invisíveis.
A Casa do Caminho, portanto, não foi apenas o primeiro templo cristão, mas o paradigma da vivência evangélica autêntica. Sua essência residia na integração entre fé, trabalho e caridade, sem formalismos excessivos, mas com profunda substância moral.
Ao revisitarmos esse período, compreendemos que o Cristianismo nasceu como experiência vivida de fraternidade. Antes de qualquer formulação teológica, havia a prática concreta do amor.
E é nesse retorno às origens que surge uma exigência silenciosa e inevitável. Não basta a identificação nominal com o Cristo. Torna-se necessário reconstruir, no íntimo e nas ações, a mesma Casa do Caminho, pois somente aquele que transforma a caridade em prática constante e o Evangelho em conduta efetiva torna-se legítimo continuador da obra iniciada em Jerusalém.
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Eurípedes Barsanulfo: “Fui Até Lá em Espírito”

Era costumeiro que, durante suas aulas no Liceu Sacramentano, Eurípedes Barsanulfo entrasse em súbito transe mediúnico. Nesses momentos, seu olhar se perdia no horizonte espiritual, e um silêncio respeitoso se estab
elecia entre os alunos, acostumados àquela serenidade que prenunciava algo extraordinário. Quando retornava, o professor retomava a voz com ternura e explicava, como quem narra uma lição viva do Evangelho, o que havia feito durante sua breve ausência do corpo.

Certa manhã, após um desses transes, Eurípedes abriu um leve sorriso e disse aos alunos, com naturalidade comovente:

— Prestem atenção. Acabo de estar em uma residência, atrás da igreja do Rosário, auxiliando num parto difícil. O marido ainda não sabe que já é pai e está vindo para cá, a cavalo, com roupa de montaria. Neste instante, ele está apeando diante do colégio. Vai subir os degraus da escada… Quando ele entrar, peço que se levantem e depois se sentem. Atenção, ele está chegando…

Mal terminara a frase, e a porta se abriu. Um homem com chapéu e roupas empoeiradas entrou aflito, dirigindo-se a Eurípedes:

— ‘Seu’ Eurípedes, por favor, vá depressa à minha casa! Minha mulher está em trabalho de parto e temo por ela!

O médium, tranquilo, respondeu com brandura:

— Acalme-se, meu amigo. O parto já terminou há cinco minutos.

— Impossível, ‘seu’ Eurípedes! Há cinco minutos o senhor não poderia estar lá, eu teria visto o senhor pelo caminho!

— O senhor não me viu porque fui em espírito — respondeu ele com doçura. — Mas eu o vi. Pode retornar tranquilo: sua esposa está bem, e a menina que nasceu é linda e forte.

Desconfiado, o homem insistiu para que Eurípedes o acompanhasse de volta. Quando chegaram, a esposa, deitada com a criança ao lado, sorriu e exclamou:

— O senhor não precisava vir de novo, ‘seu’ Eurípedes… Eu e o bebê estamos ótimas!

Eurípedes, sereno, apenas abençoou o lar e regressou ao colégio. Retomou a aula exatamente do ponto em que a interrompera, como se nada de extraordinário houvesse ocorrido revelando, mais uma vez, a simplicidade sublime de quem fazia da mediunidade um ato natural de amor e serviço ao próximo.

Fonte:
Eurípedes Barsanulfo, o Apóstolo da Caridade, de Jorge Rizzini.

Capítulo Da Infância Sobre:
A infância velada de Camille Marie Monfort .

A casa era grande demais para uma criança pequena. Os corredores longos pareciam guardiões de um silêncio que não se quebrava, mesmo quando o vento batia as janelas e fazia as cortinas dançarem como fantasmas. Camille Marie Monfort caminhava por ali em passos leves, como se temesse acordar a própria casa, que mais parecia viva, respirando em sua solidão.

Desde muito cedo, sua infância não se assemelhava à das outras meninas. Enquanto as crianças vizinhas se ocupavam com risos em praças e bonecas de trapo, Camille preferia sentar-se no sótão, entre livros empoeirados que ela mal conseguia decifrar. Tocava as páginas com os dedos miúdos, como quem acaricia um segredo. Não lia, mas sentia. Era como se as palavras murmurassem dentro dela, em uma língua ainda inacessível, mas estranhamente familiar.

À noite, deitada em seu quarto, Camille sonhava com jardins que nunca vira. Sonhava com espelhos partidos em que não via o próprio reflexo, mas vultos que a olhavam em silêncio. Havia em seus sonhos algo lúgubre, mas nunca amedrontador. Era um chamado.

Um dia, encontrou no quintal uma boneca quebrada, de porcelana antiga, esquecida no chão úmido. O rosto rachado da boneca refletia uma dor muda, e Camille a tomou nos braços como quem recolhe um ser vivo abandonado. Desde então, guardou-a como seu tesouro. Quando estava só, falava com ela em voz baixa, como se fosse sua confidente:

— Não é feio estar quebrado, é apenas mais verdadeiro.

Essa frase repetida em segredo, dia após dia, moldava sua visão do mundo. Para Camille, a infância não era um lugar de esquecimento ou de fugas, mas um território de presságios.

Sua mãe, distraída em afazeres, estranhava vê-la tão calada. "É uma criança triste", diziam os adultos. Mas não era tristeza. Camille carregava dentro de si uma gravidade misteriosa, como se tivesse sido convocada a escutar os ecos da vida antes que os outros pudessem ouvi-los.

Nos raros momentos em que sorria, o riso vinha como relâmpago: breve, mas de uma claridade tão pura que iluminava por inteiro o ambiente. Era como se sua alma, por um instante, rompesse o véu e se deixasse ver em sua plenitude.

Camille crescia assim, entre o silêncio e os símbolos, entre os sonhos e as sombras. Sua infância, tão oculta e incomum, não era uma fuga da realidade, mas a preparação para compreendê-la com mais profundidade.

Talvez seja esse o maior legado de sua história para as crianças e adolescentes de hoje: não temer o silêncio, não desprezar os sonhos, não fugir das inquietações. Porque até mesmo os medos infantis podem ser mestres disfarçados, conduzindo o espírito a um entendimento mais amplo de si e do mundo.

Camille Marie Monfort, em sua infância velada, nos recorda que cada criança carrega não apenas uma promessa de futuro, mas também um fragmento de eternidade que se revela nos detalhes mais singelos.

O que era vergonha vai virar Honra
O que era dor vai virar Glória
O que hoje é dor amanhã vai ser História
E o que me fez chorar, vai virar Vitória. Welerson Machado

A projeção que virou espelho


Achei que te via,
mas o reflexo era meu.


Tuas palavras vinham de fora,
mas quem as moldava por dentro
era o que eu queria ouvir.


Todas as vezes que olhava o pôr do sol no horizonte,
na verdade, era uma projeção de nós dois
iluminando meu inconsciente.


Uma foto sua e se abria um álbum em minha frente,
histórias criadas e até roteiros feitos...


Projetei um enredo,
acreditei no roteiro que escrevi sozinho,
e, quando o silêncio chegou,
percebi que o eco não era ausência tua —
era excesso meu.


Criado por um, mas pertencente em silêncio a dois.
Nesse excesso, criei um mundo todo só nosso —
mas apenas eu tinha acesso.


Hoje olho com carinho todo esse sentimento.
Não acabou, na verdade, é apenas o primeiro dia
fora do nosso mundo encantado.


O que doeu não foi perder alguém,
foi perder o personagem que inventei.


Descobrir que o amor idealizado
tem o brilho exato do pôr do sol:
belo, mas breve,
e feito de despedida.


Observando tudo que criei e senti ao longo desse tempo,
me vejo como um belo arquiteto,
porém, um péssimo projetista —
criei estruturas lindas, dignas de um conto de fadas.


Hoje vejo de fora o “nosso mundo perfeito”,
sem saber o que você acharia dele de verdade.


Hoje entendo:
a decepção é só a luz acendendo no cinema,
mostrando que o filme era projeção.


E no escuro que fica depois,
a vida me convida a assistir de novo —
dessa vez, com os olhos abertos.


Das cenas que eu mais gosto são os créditos.
Pois mesmo sendo o único colaborador físico dessa criação,
todas as cores e formas são méritos seus.


Lhe agradeço por fazer tanto por mim.


Nunca haverá mágoas em um mundo onde nunca existiram
dois corações batendo acelerados
por compartilharem o mesmo sentimento.

"Nem sempre acertei, mas nunca procurei convencer a minha consciência de que o errado era certo."

⁠A porta que tu fechastes era preciso ... não te culpes , não lamentes.. há males que vem pro bem da gente ... quando é preciso cortar o galho a gente corta , ele brota , renova .. mais forte .. assim é a vida da gente ...você corta o mal pela raiz ... e Deus te presenteia com novas possibilidades...novos amores, novas histórias... pessoas melhores que somam, que valorizam , que se importam de verdade...

⁠Era pra ter dado certo e deu tudo errado ..mas no final das contas deu tudo certo mesmo .. porque não era pra ser , não foi e beleza.. me poupou tempo e um psicólogo..se reconstruir gasta tempo ...

⁠Antes eu dormia me perguntando ..porque não deu certo . Porque não era ele ..porque não fomos um casal feliz enquanto juntos. Hoje antes de dormir eu falo pra mim mesma. Quem perdeu foi ele. Ele que lute , ele que chore .. fiz tudo que pude, o erro não foi meu , não preciso me torturar por não ter dado certo . E se não foi porque não era pra ser...me culpar ? Hoje em dia jamais farei isso. Canalhas fazem tudo bem feito pra que no fim das contas a gente sempre saia como a ruim , a ovelha negra , a maçã podre. Só que hoje comigo isso não cola mais ! Aprendi .

⁠Eu vivi pensando que era amor esse tempo todo... no fim das contas nem era amor , nem era paixão, nem era nada demais... nem era na verdade...

⁠Ele era fogo... e ela queria se queimar . . Ele era brasa ... e ela queria se abrasar... ele era incêndio .. e ela queria incendiar .. ele era amor... e ela só queria amar ..