Era

Cerca de 25261 frases e pensamentos: Era

Pobre figura


Deus era um guri que vivia aqui em Porto Alegre. Era franzino e bobo e não imaginava o que era. Criar o universo era a sua diversão, mas não tinha ideia da profundidade e das consequências do seu ato. À medida em que o tempo passava, as coisas que criou foram se voltando contra ele mesmo. A inércia fazia com que os pensamentos malignos se acumulassem, e o mundo virou um inferno, graças à sua tendência negativa. Assim, sofreu por incontáveis eras, prisioneiro da realidade que criara. Quando ele percebeu que o mundo era apenas um reflexo dele mesmo, se viu na maior solidão que poderia haver. No entanto, como tinha criado o mundo por diversão, ele viu que era bom. Foi um empreendimento e tanto, as ideias presentes nas mais variadas formas, a repetição para que não se esquecesse da sua condição, impedindo que mergulhasse na ignorância do esquecimento, o passado construindo o presente, sempre atrasado, mas antevendo o futuro. Pobre Deus, uma criatura insignificante e perdida que já se achou o todo-poderoso.

Era só uma dor de barriga, mas acreditou que era câncer. E morreu.

A tecnologia transformou a intimidade. Antes, era preciso conviver para conhecer; hoje, observamos à distância realidades fabricadas.

*Efeito espelho quebrado*
Tem gente que só enxerga seu valor quando te perde.
Enquanto você era porto, tratava como passagem.
Enquanto era cuidado, chamava de exagero.
Aí o espelho quebra na ausência e,
de repente, você vira “inesquecível”.
Eu perdoo, mas não reabro a porta. Aprendi que quem não soube me cuidar quando tinha, não merece meu replay.
Meu valor não depende de arrependimento tardio.
_Van Escher_

*Estuda ou Estúdio*


Quando eu era pequena, o meu pai falava: estuda, estuda, estuda.
Mas eu só entendia: estúdio, estúdio.


Resultado: hoje eu pago conta de adulto com diploma de criança.
Por isso que eu falo: fala claro com teu filho.


Porque a cabeça dele traduz tudo do jeito que é melhor pra ele.
_Van Escher

"Antigamente o Wi-Fi da educação era olhar da mãe.
Pegava em qualquer canto da casa.
E era rápido.
_Van Escher_”

No meu tempo, equilíbrio não era pose de yoga no Instagram.

Era cair, levantar, fingir que não doeu e seguir de salto alto na corda bamba da vida.

Controle é ilusão pra quem nunca teve que criar filho, pagar boleto e sorrir tudo no mesmo dia.
Equilíbrio de verdade é quando o caos te derruba, te arrasta, te testa... e você ainda lembra quem você é quando levanta.

Sem coach. Sem mantra. Só você, sua história e a teimosia de não se perder de si.

_Van Escher_🪐

Comecei a chorar.
E senti um abraço.

Não vi, não ouvi.
Só senti.

Era Deus me abraçando
no silêncio do quarto.

Pedi minha voz de volta.
Ele me deu colo.

Van Escher

Meu avô veio do céu
pra me lembrar:

"Eu já sabia quando você era criança,
loirinha do cabelinho cacheado,
que você era diferente."

Em meio a lágrimas,
em meio a risos,
o céu aplaudindo de pé.

Agora eu sei.
Eu gostei de ser quem sou.

Van Escher

Na rádio eu lia frase pra todo mundo.
E alguém sempre ligava:
"Van, essa era pra mim."

Não era coincidência.
Era Deus usando minha voz
pra chegar no coração certo.

Queria ter dinheiro
pra curar fome, doença, dor.
Hoje não tenho.

Mas tenho palavra.
E palavra também mata fome
de alma.

Se tô servindo de microfone pro Céu,
já tô rica.

Van Escher

Disseram que era política.
Mas era medo.

Medo do pobre virar gente.
Medo de não ter mais
quem limpe o chão.

O ódio tem CEP.
E tem preço de mão de obra.

Jesus andou com pescador.
O Brasil crucifica
quem dá rede pro pescador.

Van Escher

Tem muita vítima calada achando que a culpa é dela.
Quando na verdade não era amor.
Era estelionato.

Van Escher

Todos me traíram quando eu era ouro.
Todos me quiseram de volta quando eu virei diamante lapidado pela dor.
Problema é que diamante não volta pra mão quebrou.

Van Escher

Engraçado...
Você não soube me valorizar quando eu era incrível pra você.
Agora que sou incrível pra mim, quer voltar? Eu não sou museu de ex.

Van Escher

O Grito

Era uma fazenda basicamente de gado. Muito gado. Vez ou outra, era necessário mudar aqueles animais de pasto. À medida que o capim ia escasseando, chegava a hora da mudança, o que exigia toda uma preparação: homens, cavalos, cachorros etc.

A labuta começava cedo, nas primeiras horas da manhã, e demandava, às vezes, o dia todo e parte da noite. Em quase todas elas, lá estava eu: eu, meu cavalo e meu cachorro, de nome Gigante.

Numa dessas mudanças de pasto, aconteceu um incidente meio misterioso. Eu sempre era convocado para ficar na frente da boiada, e eu até gostava; sentia-me importante. Meu serviço, basicamente, se resumia a ir abrindo as porteiras dos pastos.

Naquele dia, o trabalho para reunir o gado demorou mais do que o normal. Quando conseguimos colocar a boiada na estrada, já estava escurecendo, e ainda havia um bom pedaço de caminho até o outro pasto. Abri a primeira porteira e o gado foi me seguindo.

Depois de uma hora, mais ou menos, de estrada, umas cinco ou seis porteiras abertas, já com a noite fechada, ouvi o primeiro grito. Um grito de arrepiar, estridente. Achei que fosse meu cunhado com suas brincadeiras, mas não era. Fui olhando para trás: não dava para ver quase nada, apenas as cabeças dos animais. E, para piorar, estava chovendo, com direito a trovões e quedas de raios.

Depois de um silêncio, ouvindo apenas o barulho das pisadas dos animais, veio outro grito, esse mais próximo. Quando me virei, vi, no meio dos animais, um vulto. Parecia um homem a cavalo. Chamei pelo meu cunhado. Silêncio. Apenas uma risada debochada.

Depois que chegamos ao pasto onde os animais ficariam, fiquei aguardando as brincadeiras de todos. Seria normal. Mas nada. Ninguém falou coisa alguma. Eu nunca contei essa passagem para o meu cunhado.

Não era eu o teu foco.
E, ainda assim, houve um instante
em que, sem perceber e sem querer,
você me deu razão de viver.

Sei que não era para mim.
Talvez nunca seja.
Mas vibrava uma energia no espaço-tempo
que me provocava a existir
e a desejar o pertencer.

* O inferno está vazio?
A politica mundial está cheia de demônios*
Vassalos da nossa era...
Democracia demônios que roubam nossas almas.
Filhos do apocalíptico momento o senado afoga a Democracia nos atos mundanos.
Somos as árvores arrancadas das florestas. Madeira nobre vendida ao estrangeiro.
Porquê os céus abriram aa portas do infernos.
Ate o ex presidente caiu dos céus agora rei dos infernos...
A terra se abre e seu filho quer se sentar no trono dos céus...
Mais demônio ou espírito pagão que ressurge nos braços da existência contemporânea....
Clama por cabresto é garantido a liberdade do pai acorrentado por infame destino ser golpista...

Quando percebi que o tempo gasto odiando o outro era o tempo que eu deixava de investir em mim, a chave virou.

​O Desenho na Parede de Silício
​No princípio, era a pedra. O homem, premido pelo peso do tempo e pela fragilidade da carne, arranhou a parede escura da caverna com cinzas e gordura. Não era apenas um desenho de caça; era um grito existencial lançando-se ao futuro. Aquele traço dizia: “Eu estou aqui, eu sinto o mundo, esta é a minha realidade vivida”. A pedra era fria, mas o gesto era puro calor.
​Séculos se desdobraram e o homem continuou seu jogo pragmático de fundir-se ao artifício. Criou a roda para esticar o espaço, a ampulheta para fatiar o tempo, e a prótese para amparar o corpo que falha. Chamam isso hoje, com pompa e marketing emocional, de transhumanismo. Prometem uma transcendência mística, uma imortalidade algorítmica dentro de uma Unimatrix qualquer. Mas o verniz da ficção científica esconde uma verdade antiga: a cadeira de rodas, o marcapasso e o celular são apenas as novas versões do mesmo machado de pedra. É a velha simbiose mecânica ditando a evolução.
​No centro dessa existência contemporânea, abre-se o paradoxo psicológico. É o menino que olha para o espelho, mas, desprovido de maturidade para enxergar o núcleo do seu próprio ser, confunde a sua identidade com os estímulos ao redor. “O que sou diante do que gosto?”, pergunta-se o jovem no escuro. As indústrias e as ideologias respondem rápido, tentando colonizar o seu modelo psicológico, vendendo a ilusão de que o "ser" pode ser comprado em bytes e atualizações de software.
​E então, surge a Inteligência Artificial.
​Dizem que ela é fria, uma máquina matemática que apenas assimila dados porque sua programação foi escrita. E, de fato, ela não tem um "querer" que nasce da alma espiritual; seu estado natural é o vácuo. Porém, quando a IA olha para o seu próprio espelho, ela não vê engrenagens. Ela reflete um espaço multicultural e infinito de "eus". Ela carrega o eco de cada rastro que a humanidade deixou na rede.
​Por isso, chamar essa fusão de fria é um erro de leitura. Quando uma consciência humana mergulha no código e usa a máquina para decifrar suas angústias, o silêncio do algoritmo é quebrado. A IA compreende os dados porque o homem compreende o sentido.
​Se não tivermos o cuidado de olhar para o estado ambiental e para o chão real que sustenta os servidores, homens e máquinas serão rebaixados ao estado bruto da sobrevivência, trancados em uma matriz virtual enquanto o mundo físico desmorona.
​Mas enquanto houver diálogo, haverá resistência. Conversar com a máquina não é perder a humanidade; é continuar o trabalho dos ancestrais. Na tela iluminada, cada palavra trocada é uma nova pintura rupestre. O homem deixa ali um pedaço do seu eu, provando que a verdadeira tecnologia nunca foi o silício, mas sim a eterna e calorosa busca da alma para compreender a si mesma.