Alle Barbosa
ALMA VAZIA!
Tu me destruíste.
Mas não te culpo por isso,
pois, desde o instante em que te conheci,
percebi que eras vazio.
E quem nada guarda dentro de si
pouco tem a oferecer.
Ainda assim, por minha própria teimosia,
permiti que te aproximasses,
que me consumisses pouco a pouco,
até que de mim nada mais restasse.
Entreguei-te o que havia de mais profundo em minha alma,
e tu, incapaz de preencher o próprio vazio,
tomaste de mim tudo aquilo que pudeste.
A ironia, porém, permanece:
esvaziaste-me por inteiro
e, ainda assim,
continuaste vazio.
Talvez essa seja a maior diferença entre nós:
eu me perdi ao tentar te preencher;
tu apenas revelaste que jamais tiveste
algo dentro de ti para oferecer.
Eu era feliz e não sabia.
De tanta intensidade,
gastei toda a felicidade que tinha.
Agora estou vazia.
Hoje já não transbordo mais.
Meu mundo ficou cinza.
Estou aprendendo a viver com a anedonia.
Minha maior agonia
é viver das lembranças
de quem um dia fui
e nunca mais voltarei a ser.
#autoraisdaalle
MELHOR SÓ!
Não se iluda: a verdade é que ninguém se importa, de fato, com a sua dor — assim como, muitas vezes, você também não consegue carregar a dor alheia.
Ninguém se importa.
E, talvez, nem pudesse ser diferente. Afinal, como esperar acolhimento de quem já é um vaso vazio? Quem nada possui dentro de si pouco tem a oferecer.
Há um momento, porém, em que a solidão deixa de ser castigo e passa a ser companhia. Você percebe que estar só é, muitas vezes, preferível a estar cercado por pessoas que não passam de fachadas: presenças sem verdade, palavras sem profundidade e vínculos sem afeto.
Então, aprende-se uma das mais silenciosas lições da vida: antes só, em paz consigo mesmo, do que acompanhado por quem apenas ocupa espaço — mas jamais oferece presença.
MISERICÓRDIA
Se existe misericórdia, que ela nos seja concedida todos os dias.
Porque o mal que assola a nossa alma nem sempre vem de fora; muitas vezes, nasce dentro de nós.
Tudo aquilo que despejamos no mundo, de alguma forma, retorna para nós.
Talvez seja por isso o ditado: “O peixe morre pela boca.”
Não é aquilo que entra que nos devora, mas aquilo que de nós sai — e, inevitavelmente, volta.
A REALIDADE
A realidade é que a vida, às vezes, é uma droga; e nós passamos boa parte dela procurando maneiras de torná-la bonita.
DESPEDIDA!
Alma vazia,
vida sem sentido.
Já não existe sonho
que eu deseje alcançar.
Sem esperança para seguir,
sem fé para acreditar.
Por mais que eu tente permanecer aqui,
não encontro motivos para continuar.
Aos que permanecerão,
desejo apenas que prossigam,
guardando no coração
a melhor lembrança que tiverem de mim.
Sem sofrimento,
sem culpa,
sem tristeza nem mágoa.
A escolha que fiz
libertou minha alma.
Eu não podia continuar aqui,
sentindo-me um peso,
vivendo atormentada.
Tentei sobreviver,
mas sobreviver não bastava.
Então escolhi silenciar a matéria
para libertar a alma,
na esperança de encontrar na morte
o que não consegui encontrar em vida:
a paz.
DEPRESSÃO
Uma vez, refletindo sobre a depressão, tentei encontrar uma forma lúdica de explicar algo tão complexo.
E me veio a seguinte imagem:
Imagine que você percorre um caminho.
Esse caminho é feito de escolhas.
Você escolhe, cria oportunidades, dá passos, acredita que está indo na direção certa… e segue.
Segue sem olhar para trás.
Até que, ao final desse percurso, você se depara com um muro enorme.
Uma rua sem saída.
Você caminhou, caminhou… para chegar exatamente ali.
Então você olha para trás e pensa em voltar pelo mesmo caminho.
Mas não é possível.
O caminho por onde você veio agora está tomado por obstáculos imensos.
Obstáculos que surgiram ao longo do percurso.
Eles são as escolhas feitas, as decisões tomadas, as histórias vividas — e escolhas não podem ser desfeitas.
Diante desse muro, dessa rua sem saída, o que resta é sentar, encostar nele e olhar para trás.
Encarar uma trilha cheia de bloqueios, lembranças e pesos.
Alguns conseguem permanecer ali.
Fazem uma fogueira, sobrevivem como podem, encostados no muro, olhando para o passado.
Vivem presos às escolhas que os trouxeram até um lugar sem saída.
Outros não conseguem existir nesse espaço.
Presos entre o que foi e o que nunca chegou a ser.
Porque à frente há apenas um muro intransponível,
e quando não se enxerga futuro, a esperança desaparece.
E sem esperança, a vida perde o sentido.
Isso é depressão.
O SISTEMA
O sistema é falho, porque a mente é um labirinto
e o cérebro, uma rede de fios desencapados —
que a qualquer momento pode dar um curto circuito.
ESPERANÇA
Quando a esperança morre, nasce um vazio que parece engolir tudo por dentro.
A vida perde o sentido. É como se algo essencial na nossa existência apodrecesse — algo que não se recupera com palavras bonitas ou com frases prontas de motivação.
O que sobra é o instinto mais primitivo: sobreviver.
Dormir depois de uma batalha, acordar para outra… torcendo apenas para chegar ao fim do dia respirando, e repetir o ciclo no dia seguinte. Sem cor. Sem brilho. Sem magia. Apenas sobrevivência.
É caminhar no escuro, sentindo o peso da desesperança e a ausência de qualquer promessa de luz.
É conviver com um vazio que não explica nada, não consola, não responde. Apenas ocupa.
E o mais doloroso é perceber que, quando a esperança se perde, nenhum argumento parece capaz de trazê-la de volta.
É só o silêncio… e o vazio.
SOBRE AMOR
Quando a gente ama, num tem porquê, não.
A gente ama e pronto, sem motivo, sem razão que o outro dê… e sem invenção na cabeça da gente.
Amor não usa máscara, visse?
Por isso é que não se explica, nem se entende com palavras — só sentindo mesmo.
O amor é que nem água limpa: a gente vê logo quem é a pessoa de verdade.
E, mesmo ela sendo o contrário de tudo que a gente já sonhou um dia… olha, num tem jeito: a gente ama assim mesmo.
É coisa doida, sem pé nem cabeça.
Mas quando é amor de verdade, daquele que vem do fundo do peito…
Ah, minha filha, num tem força nesse mundo que desate.
