Era

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Todos me traíram quando eu era ouro.
Todos me quiseram de volta quando eu virei diamante lapidado pela dor.
Problema é que diamante não volta pra mão quebrou.

Van Escher

Engraçado...
Você não soube me valorizar quando eu era incrível pra você.
Agora que sou incrível pra mim, quer voltar? Eu não sou museu de ex.

Van Escher

O tempo passa depressa.
Quando me dei conta, aos 18 eu já era mãe.
Aos 45, minhas filhas já estavam adultas.
E aí veio a solidão da síndrome do ninho vazio.
Aos 46, me tornei avó de uma princesa. 👑

A vida é assim: pessoas vêm e vão, aparecem e desaparecem.
Por isso devemos nos amar antes de exigir o amor de qualquer pessoa.
A gente vem só e parte só.
Ninguém sabe se viverá um século ou não.
O que se sabe é que nunca sabemos como ou quando iremos partir.
Então devemos nos despedir das pessoas sempre como se fosse a última vez,
e com o melhor que temos para oferecer.

Van Escher 🦁

Saudades...

Um colo era tudo que eu queria.
Apenas para te contar
como foi o meu dia.

Desabafar.
Chorar até esvaziar
essa solidão.

Depois, na calma do seu cheiro,
amando até os átomos
do que você é feito.

Minha peça de carbono,
minha kriptonita...

Eu vou me achar
em toques e beijos
até a poesia amanhecer.

Deixa eu me acabar em você.
É melhor do que viver
na tristeza de não poder te ter.



Andrea⁠

Vivemos em uma era de extraordinária capacidade técnica. A humanidade aprendeu a manipular a matéria com precisão, a transmitir informações instantaneamente e a conectar continentes inteiros por meio de redes invisíveis de comunicação. Nunca foi tão fácil falar. Nunca foi tão rápido opinar.
Contudo, esse cenário de progresso material revela um contraste que merece reflexão. Enquanto os instrumentos de comunicação se multiplicam, a qualidade da compreensão humana parece, em muitos casos, diminuir. A facilidade de expressar pensamentos não tem sido necessariamente acompanhada pela disposição de compreender o pensamento alheio.
A civilização humana sempre foi construída sobre um equilíbrio delicado. Divergências de opinião, disputas de interesse e conflitos de ideias sempre existiram. O que permitiu à sociedade continuar avançando foi a presença de um princípio simples, porém essencial: a capacidade de reconhecer no outro um semelhante.
Esse reconhecimento é o que chamamos de empatia.
Empatia não significa concordar com tudo. Também não significa abandonar convicções ou abrir mão da própria razão. Significa algo mais fundamental: admitir que cada pessoa carrega uma história, uma experiência e um conjunto de circunstâncias que moldam sua forma de ver o mundo.
Quando esse princípio se enfraquece, o debate deixa de ser um exercício de compreensão e passa a ser apenas uma disputa de vozes. Julga-se rapidamente, escuta-se pouco e compreende-se ainda menos.
Uma sociedade que perde a capacidade de escutar corre o risco de perder também a capacidade de conviver.
Talvez o maior desafio do nosso tempo não seja apenas desenvolver novas tecnologias ou produzir mais conhecimento. O verdadeiro desafio pode estar em preservar algo muito mais básico e, ao mesmo tempo, mais difícil: a disposição de tratar o outro com dignidade, mesmo quando discordamos dele.
Porque no momento em que a empatia desaparece, a própria ideia de humanidade começa a se enfraquecer.
E nenhuma civilização se sustenta por muito tempo quando esquece aquilo que a torna, de fato, humana.

QUANDO UM ANJO DORMIU EM MINHA CASA.
Era uma casa simples, situada numa rua tranquila onde o tempo parecia caminhar mais devagar. As paredes guardavam marcas de anos vividos, risos antigos e algumas lágrimas silenciosas. Ali morava um homem de espírito cansado, daqueles que carregam na alma mais perguntas do que respostas.
Certa noite, depois de um dia longo e pesado, ele apagou as luzes e deixou que a casa mergulhasse no silêncio. O vento tocava levemente as janelas, e a madrugada aproximava-se com aquela serenidade que somente as horas profundas sabem trazer.
Sentado na pequena sala, ele pensava na vida. Pensava nos caminhos que tomara, nos erros que ainda lhe doíam e nos sonhos que pareciam ter ficado para trás. Havia dentro dele uma mistura de cansaço e esperança, como se a alma buscasse algum sinal que lhe devolvesse confiança no amanhã.
Antes de dormir, fez algo que havia muito tempo não fazia. Curvou levemente a cabeça e falou em voz baixa, quase como quem conversa consigo mesmo.
“Se houver ainda alguma luz para mim, permita que ela encontre esta casa.”
Depois disso, recolheu-se ao quarto e adormeceu.
A noite passou silenciosa. Nenhum ruído estranho, nenhuma visão extraordinária, nenhum fenômeno que pudesse impressionar os sentidos. Apenas uma paz incomum que parecia repousar sobre o telhado, sobre as paredes, sobre cada objeto simples daquele lar.
Naquela madrugada, porém, algo sutil aconteceu.
Enquanto o corpo descansava, o espírito encontrou-se envolvido por uma serenidade profunda. Não houve palavras audíveis, nem formas visíveis. Houve apenas uma presença silenciosa, como se uma inteligência benevolente estivesse ali, velando pelo descanso daquele coração cansado.
Era como se uma luz suave tivesse atravessado a casa inteira sem acender lâmpada alguma. Uma presença que não perturbava, que não exigia atenção, que simplesmente permanecia.
E assim a noite seguiu tranquila.
Quando o amanhecer chegou, o homem despertou com uma sensação estranha. Não havia acontecido nada que pudesse explicar. A casa era a mesma. A mesa continuava no mesmo lugar, as janelas estavam fechadas como sempre.
Mas algo dentro dele havia mudado.
A inquietação que o acompanhava há tanto tempo parecia menor. O peso que carregava nos pensamentos estava mais leve. Ele levantou-se devagar e caminhou pela casa em silêncio, como quem percebe que aquele espaço simples estava diferente.
Não porque algo tivesse sido acrescentado.
Mas porque algo havia sido suavemente purificado.
Sem saber explicar por quê, ele sorriu pela primeira vez em muitos anos. Sentiu vontade de abrir as janelas, deixar a luz entrar e começar o dia de outra maneira.
Enquanto preparava o café da manhã, uma ideia atravessou-lhe o pensamento como um sopro delicado.
“Esta noite um anjo dormiu aqui.”
Talvez ninguém pudesse provar aquilo. Talvez nenhum olhar humano tivesse visto aquela presença silenciosa.
Mas certas verdades não precisam de testemunhas.
Elas revelam-se apenas através da paz que deixam no coração.
E naquela casa simples, naquela madrugada tranquila, alguém despertou para a vida com a certeza silenciosa de que, mesmo nas noites mais comuns, o bem ainda encontra caminhos para visitar aqueles que não desistiram completamente da esperança.
Autor: Marcelo Caetano Monteiro .

⁠Hoje sonhei com você!!...

Sonhei que tudo era lindo, pessoas sorrindo de amor, pessoas amigas sem pudor.

E nosso amor ficou mais forte, sincero e integro.
Nossa vida se tornou mais linda. Nossa filha fortificou os nossos orgulho por ela.

Uma nova vida está por vir, eu sinto... e é por amor, que eu sempre farei por ti!!

Foi adotada por uma bruxa,
Acorrentada no porão pela madrasta,
Era espancada, levou muita bucha,
Se viu acurralada e deu uma basta.

[Habitantes do Ventrículo Esquerdo e o Manjar Diminuto em Banquete Gelado]


Como poeta era um ótimo filósofo
E como filósofo um ótimo poeta.
Isso significa dizer que nunca foi bom
Em nenhuma das duas coisas.


Mas a questão nunca foi ser bom
Em alguma coisa, a única questão
Que realmente importava, era ser.


Somente um rimante inescrupuloso
Pode especular estrofes
Sem receio de cair em prosa;


Um artífice premeditado da palavra,
Ou pós-ditado, aquele que diz,
Eis o ditador, um versenário,
Vil a cada oração;


Um expoeta que despétala, em camuflagem
Sorrateira, até ser lido e desferir o bote, certeiro,
Inflamado, fatal, injetando antídoto;


Um mero ente, alterado,
Que em algum súbito relance, havia tido o todo.


Então ele constata:
Um milhão e meio de razões para ir
Talvez uma ou meia motivações pra ficar.


Só tenho uma coisa a perder, a inspiração.
E se eu permanecer, ela se vai. Portanto,
Me vou, para que ela fique.


Espero um dia conseguir suportar a mim
E quem sabe muito esperançoso,
Conviver comigo mesmo.


Não precisa ser Esplêndido, mas às vezes é.
Não precisa ser Formidável e Magnífico, às vezes é.


Nossa ecolocalização capta
Os cardumes fartos em espiral
E o esquadrãovagalume
Inda pulsa estridente.


Ela era do tipo persistente insistente,
Não deixaria que nada a deixasse esfriar,
Ela era tipo encrenqueira valente,
Ficaria com tudo ou nada iria bastar.


(Michel F.M. - Pacífico em Brasas - Trilogia Mestre dos Pretextos - 2017)

[Mechas de uma Gueixa]


Uma garota me foi comovente,
Era da terra do Sol Nascente,
Herdeira de um trono desde criança,
Hoje mulher renegava a herança,


Inconformada com tanta tristeza,
Ajudava os mais fracos, verdadeira nobreza.
Deixou o seu lar o Vale dos Samurais,
Mas levou em seus atos o amor de seus pais,


E nos campos rasteiros das tulipas puras,
Me envolvi com a gueixa das mechas escuras,


As lembranças que ela me deixa,
São as mechas de uma gueixa,
As lembranças que ela me deixa,
São suas mechas minha gueixa.


As colinas azuis não esquecerei,
O código de honra eu cumprirei,
Os riachos gelados me fortificaram,
As folhas secas me aqueceram,


Os olhos da gueixa me enfeitiçaram,
Seu sorriso e sua boca me converteram.
Os fogos das festas desenham no ar,
No Oriente pretendo estar,


Mas uma lacuna cresce dentro de mim,
O medo da gueixa nunca mais me encontrar.


As lembranças que ela me deixa,
São as mechas de uma gueixa,
As lembranças que ela me deixa,
São suas mechas minha gueixa.


Ela me levou até os confins,
Desde a muralha aos pequenos capins,
Ela me mostrou a força dos anciãos,


E jovens budistas ensinando cristãos,
Tanto as regras quanto as tradições,
Me ensinou a amar, transcender emoções.


As lembranças que ela me deixa,
São as mechas de uma gueixa,
As lembranças que ela me deixa,
São suas mechas minha gueixa.


(Michel F.M. - Áspera Seda: Volume Único - 2012)

Recálculo da Rota


Isso tudo,
Era tudo
O que eu queria,
Mas agora,
Não quero mais.


Michel F.M.

Sorrisos que Me Sustentam

Certa vez, perguntaram-me o que era preciso para que minha boca e meus olhos se escancarassem em sorrisos e felicidade. E eu respondi: basta ver o sorriso e a alegria em rostos que nem preciso conhecer — isso já me faz profundamente feliz.
No entanto, há o lastro de um amor que arrasto.
Às vezes, o meu sorriso me protege da tristeza que me cerca e das decepções que insistem em se instalar em mim.

Não importa o que disseram que você era.
O que vale é o que Deus diz que você é.

Logo o frio vai passar.
E quando o sol nascer outra vez, você vai entender: não era o fim… era Deus começando algo novo em você.

Lembro que o Ara Ketu estava no auge.
Era 1995… o país dançava, as rádios tocavam “Sempre Será”, e, sem que eu soubesse, aquela melodia se tornava a trilha do meu próprio destino.
Cada verso parecia falar de nós, mesmo antes de nós existirmos.
Quando a música dizia “Tenho amor demais pra dar”, era como se meu coração respondesse em silêncio.
E hoje, tantos anos depois, cada vez que ela toca, sinto que o tempo volta pra aquele instante — o primeiro olhar, o arrepio, o pressentimento de um amor que viria pra ficar.
Porque o que nasceu em 1995, entre notas e promessas, ainda pulsa… e sempre será.

Meu Ídolo: Oscar Schmidt


Meu ídolo não era só presença —
era arremesso suspenso no tempo,
a bola saía da mão como destino
e o mundo parava por um momento.


Chamavam de mão santa,
e havia fé naquele gesto,
como se o impossível cedesse espaço
ao rigor de um sonho honesto.


Foram quadras, países, multidões,
recordes que o tempo não apaga,
um nome escrito na história
onde a coragem nunca se retrata.


Mas não era só o craque —
era o homem por trás do mito,
o riso fácil, a fala solta,
o jeito leve, quase infinito.


Chegava e tomava o espaço
sem precisar se impor,
e quando contava suas histórias,
o mundo inclinava ao seu redor.


Brincava, dizia bobagens,
e nisso havia grandeza escondida:
quem é imenso de verdade
não precisa endurecer a vida.


E acima de tudo — o coração,
maior que qualquer estatística,
largo, humano, indomável,
sua marca mais característica.


Eu vi, eu vivi, eu aprendi —
não só a quadra, mas a essência,
porque ídolo, quando é de verdade,
não termina — vira presença.


E hoje, em algum gesto meu,
num riso solto, numa condução,
carrego, ainda que em silêncio,
um traço teu na minha direção.


Meu ídolo não é só memória,
nem só o craque que o mundo viu —
é parte viva do que me tornei,
é o eco de tudo que em mim persistiu.

Eu era louco e não permiti que o médico entrasse para me curar, então o médico morreu e o bandido entrou em seu lugar, levando o meu dinheiro, que era da saúde, educação, obras...., agora estou ficando louco e me resta pouco tempo, é hora de escolher para um país doente ser tratado pelo o psiquiatra ou, se minha loucura já estiver avançada demais e eu escolher o bandido, o escritor escreverá sobre minha desgraça!

Ass: Brasil

A RETÓRICA

(Verso 1)
Na Grécia antiga começou a articulação,
Palavra era arma, argumento munição,
Córax na missão, método na construção,
Convencer na lógica, firme na razão.

Tísias lado a lado, técnica em evolução,
Discurso estruturado, prova na exposição,
Não era emoção, era precisão,
Fundaram a base da argumentação.

(Verso 2)
Górgias surgiu, mestre da persuasão,
Palavra como feitiço, mexe com a emoção,
Encanta multidão, molda percepção,
Mostrou que o discurso move a decisão.

Não é só o fato, é como conduz,
A mente se inclina quando a fala seduz,
Verdade ou ilusão? Quem é que traduz?
Se a forma convence, até mentira reluz.

(Verso 3)
Platão observou, postura crítica na missão,
Disse: sem verdade, é manipulação,
Contra o discurso vazio, contra a ilusão,
Defendia a essência, não a encenação.

Queria o justo, o bem na direção,
Conhecimento puro, fora da distorção,
Alerta pra palavra usada sem razão,
Filosofia acima da argumentação.

(Verso 4)
Sócrates na base, método aplicado,
Pergunta e resposta, saber lapidado,
Maiêutica em ação, pensamento elevado,
Não entrega resposta, deixa preparado.

Quebra a falsa certeza, instiga a visão,
Faz o ignorante buscar compreensão,
A verdade não grita, nasce na reflexão,
Consciência é fruto da indagação.

(Verso 5 – História)
Começa pequeno, ninguém dá atenção,
Um ato simples vira reação em reação,
Só soltaram o cavalo, olha a dimensão,
Do erro mínimo nasce a destruição.

Entrou na plantação, virou confusão,
Um puxou o gatilho, outro buscou vingança,
E o ciclo se fechou na ignorância,
Ninguém pensou, só seguiu na impulsão.

Sangue chama sangue, ódio puxa mais,
Quando a mente apaga, o instinto é que faz,
Ninguém parou pra pensar, só quis responder,
E cada resposta fez o caos crescer.

No fim perguntaram: quem causou isso aqui?
A resposta foi fria, difícil de engolir:
Eu só soltei o cavalo… e saí dali,
O resto foi vocês que escolheram seguir.

(Verso 6)
Aristóteles veio, trouxe definição,
Equilibrou a arte da argumentação,
Não é só falar, tem fundamentação,
Retórica é técnica com direção.

Logos na lógica, base da razão,
Ethos no caráter, gera conexão,
Pathos na emoção, toca o coração,
Os três alinhados moldam a decisão.

(Refrão)
Logos, Ethos e Pathos
A base do discurso que quebra o caos
Logos, Ethos e Pathos
Fala com verdade ou tudo é falso

Logos, Ethos e Pathos
Se não tiver os três, não alcança o alvo
Logos, Ethos e Pathos
Na mente e no coração, esse é o impacto

(Ponte)
Pense antes de agir, vigia o que diz,
A língua constrói ou destrói por um triz,
Entre razão e emoção existe um limite,
Quem não se controla é refém do próprio instinto.

(Refrão final)
Logos, Ethos e Pathos
A base do discurso que quebra o caos
Logos, Ethos e Pathos
Fala com verdade ou tudo é falso

Não era amor

Da janela, olho a praia imensa nesta manhã e ouço conversas, frases sombrias ditas por ti.
Deletei, porque não associei a mim —
ou, pelo menos, não quis acreditar.
Não sofri.
Acho que a praia inteira ouviu,
mas o sentimento dito não era de um amor genuíno.
Foi naquele dia que vi a fila andar.
“Me mate ou se mate.”
Não era amor.
Sinto muito, você está doente.
Sabe, o sofrimento também é evolução.
Você veio, no final, se redimir,
mas a fila já andou.
E, se dói, desperta,
vai para longe e siga o seu caminho.
Sei que falei que esse amor poderia ser também um rio imenso e lindo.
Mas nem mesmo o rio é sempre beleza:
ele tem barrancos e curvas,
galhos e excrementos.
Menina, olha o rio…
ele já nem corre mais.
Então decidi não entrar em suas águas turvas e profundas.
Sinto muito, mas não doeu.
“Me mate ou se mate.”
Não era amor.

❝ ...Não era só amizade, não era só amor...
Era saudade, alma e coração...❞