Era

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Do Cuidado ao Tribunal:
A Nova Era do Lab Leak
Houve um tempo em que os portais digitais da saúde serviam para estender a mão. O cidadão americano buscava ali o amparo de um teste, a segurança de uma vacina e o acolhimento na vulnerabilidade da doença. Era a ciência a serviço da vida, protegendo o presente no silêncio do dia a dia. Sob a caneta de Donald Trump, no entanto, o cenário mudou. Onde antes se distribuía o cuidado, hoje se ergue um tribunal político chamado Lab Leak. As ferramentas de prevenção foram substituídas por uma busca implacável de culpados em direção a Wuhan. O abraço que protegia a saúde transformou-se no dedo que aponta para o passado geopolítico. Quando uma página de utilidade pública se converte em palanque ideológico, o ser humano deixa de ser o alvo do zelo e vira apenas plateia de uma disputa de poder. Uma mudança que nos lembra que, na política dos homens, a urgência de ter razão quase sempre silencia o dever de proteger a vida.

A borboleta escarlate


⁠Quando a conheci, era uma lagarta.
Rastejava pelo chão, insegura; os outros a olhavam com certo desprezo. Eu, porém, vi a mais pura beleza no sorriso daquela lagarta e fui arrebatado pelo amor.
Rastejei pelo mundo ao seu lado, admirando cada uma de suas formas. Entrelaçamo-nos em nosso casulo, um ninho de Vênus, onde o tempo parecia incapaz de nos alcançar.
Mas, à medida que Saturno fazia sua contagem, a lagarta transformou-se na mais bela borboleta que meus olhos já contemplaram. Toda metamorfose, porém, exige um preço.
Quando li o futuro em suas linhas, o porvir já me era conhecido. Ébrio de uma paixão egoísta, desejei aprisioná-la em um pote de vidro, para anestesiar meu sofrimento com sua formosura.
Contudo, suas asas ansiavam pelo mundo. Não nasceram para o vidro, mas para o vento.
Então, com o coração dilacerado, abri aquele pote e a deixei partir.
Desde então, ela percorre os céus com a leveza que sempre lhe pertenceu.
E quão lindo é o seu voo.

Quando você era criança, os adultos encheram sua mente de "não pode". Algumas dessas restrições faziam sentido na época — eram necessárias para sua segurança e sobrevivência. Mas agora você é adulto. E sabe o que isso significa?

Que você não precisa mais desses "não pode".

Pode conversar com estranhos.
Pode tocar nas coisas.
Pode se divertir sem motivo.
Pode brincar todos os dias.
Pode errar sem medo.
Pode chorar à vontade.
Pode fazer barulho.
Pode esquecer o relógio.
Pode fugir das punições inventadas.
Pode sair sem destino.
Pode andar por aí sem propósito.
Pode ouvir o que sente.
Pode viver!

O que antes era proibição, agora é escolha. A vida não precisa ser um eterno cumprimento de regras criadas para te limitar. Você pode. Você sempre pôde. Só esqueceram de te contar.

Passei anos acreditando que viver era apenas uma forma lenta de a matéria aprender a apodrecer. O amor sempre caminhou alguns passos à minha frente, como um desconhecido educado que nunca teve a intenção de bater à minha porta. Dentro desta carcaça enferrujada, o que chamam de alma tornou-se apenas um depósito de ferrugem, nicotina e memórias que recusaram o privilégio do esquecimento.

Há manhãs em que até o sol parece um erro antigo insistindo em repetir-se. Acordar costuma ser apenas mais uma derrota silenciosa contra a noite. Nada me convence de que exista qualquer sentido em permanecer respirando quando o próprio tempo se alimenta daquilo que ama destruir.

No entanto, hoje aconteceu uma pequena traição contra o absurdo.

Antes que o mundo me recordasse o peso da existência, pensei em você.

Foi um pensamento breve, quase tímido, mas suficiente para desorganizar o meu desespero. Não porque tenha devolvido esperança — essa palavra sempre me pareceu um luxo inventado para quem nunca contemplou o vazio por tempo suficiente —, mas porque, durante um único instante, a vida deixou de ser apenas uma sentença e transformou-se numa pergunta.

Talvez seja esse o seu maior encanto: não salvar ninguém. Apenas fazer com que um homem que já se considerava uma ruína hesite, por alguns segundos, antes de continuar chamando a morte de única certeza.

Tem uma geração inteira com problema grave de comunicação em plena era da comunicação.


Talvez seja dislexia ou mal educação mesmo.

Houve um tempo em que partir era necessário. Outro, ficar era a solução. Hoje, refletir sobre as decisões a serem tomadas é o bastante.

Não desisti de tudo. Nem deixei para trás meu sonho. Apenas, dei uma pausa para fazer o que era necessário.

Sempre fui otimista e sonhadora. O que não aconteceu foi porque não era para acontecer e o que aconteceu foi o que a vida me deu de presente, e eu aceitei.

A Mãe e o Olhar

Edineurai SaMarSi

Quando eu era criança, a vizinha perdeu o único filho — quase homem… ainda menino.

Eu a observava.
Sempre fui boa nisso.

Depois disso, ela nunca mais foi a mesma.

A casa seguia arrumada,
as portas abertas,
o café no horário.
Mas os olhos…
ah, os olhos…
Eram fundos.
Vazios.

Fazia tudo como antes.
A vida seguia.

Mas, em seus olhos, algo havia mudado.
Não tinham mais alma, não tinham mais vida…
As tentativas de sorriso eram falsas, assim como a vontade de continuar.

Eu me lembrava de antes — da sua alegria, da família feliz — e, com a minha inocência de menina, pensava:
“Logo isso passa.”

Não passou.

O tempo andou.

Cresci.
Tornei-me adulta.
Ela se mudou, mas, quando a via, mesmo de longe, aquele olhar continuava o mesmo — parado naquele dia.

Como se a alma tivesse saído devagarinho
e ido atrás dele.

Eu não entendia…

Até ser mãe.

E perceber que há dores
que não enterram só um corpo —
enterram o mundo inteiro
dentro do peito de quem fica.

E alguns dias…
simplesmente não passam.

O Sol, a Lua e Eu ☀️🌜


Já era adolescente.


Sabia exatamente o que desejava, embora talvez não soubesse o motivo...


Meu pai me perguntou o que eu queria e disse que me daria qualquer coisa.


Duvidei, é claro...


E, talvez por já carregar dentro de mim um certo fascínio pelo impossível, respondi sem pensar muito:


— Eu quero a Lua. 🌜


Como se aquilo fosse a coisa mais simples do mundo, respondeu:


— Tá bom. De hoje em diante, a Lua é sua.


Sorri.


Agradeci.


E, nesse momento, ele tentou me testar. Talvez a minha sanidade ou a dele, não sei, e completou:


— Vai lá pegar a sua Lua.🌜


Olhei para o céu e respondi:


— Não precisa. Gosto dela assim, exatamente como e onde está.


E, sabendo que ela é minha agora, ela se tornou ainda mais bonita.


Talvez porque as coisas não precisem nos pertencer para serem nossas.


Talvez porque o amor nunca tenha sido posse.


Talvez porque a beleza exista justamente na distância que nos permite admirá-la.


Sempre achei que tudo possui um lugar, um tempo e uma lógica.


Não preciso mexer nas obras de Deus. Elas são perfeitas. Até uma flor que se arranca precisa de um motivo, uma razão, uma circunstância; caso contrário, é matar em vão.


Desde então, sempre disse que a Lua era minha.


A minha Lua.🌜


Livre.


Inteira.


Brilhando para todos.


O que eu não sabia era que sempre fui a própria Lua.


Nasci Lua.


Cresci Lua.


Era a Lua da família...


Admirava-a através das grades da janela, como um segredo absoluto...


E, enquanto outras pessoas corriam em direção ao Sol, eu me recolhia.


O Sol queimava minha pele.☀️


Fazia meus olhos arderem.


Seu brilho intenso me incomodava.


E, sem perceber, passei boa parte da vida tentando me esconder.


O que não entendia era que precisava dele para viver.


Afinal, a Lua não existe sem o Sol.


Seu brilho não nasce dela.


É reflexo.


É encontro.


É dança silenciosa entre opostos que parecem distantes, mas que dependem um do outro.


Porque talvez, só talvez, sem a presença da Lua, o Sol também não tivesse motivo para existir.


Porque há luzes que brilham sozinhas.


E há luzes que só descobrem a própria grandeza quando encontram algo digno de iluminar.☀️🌜

O meu Cerrado!


Não tinha concreto,
não tinha aço,
era só caminho,
era só espaço.


Corria livre
pelo cerrado,
buscando o céu,
o sonho alado.


Não tinha o aço,
não tinha a grade,
só céu infinito,
só liberdade.


Tudo era lindo,
era encantado,
o mundo inteiro
me foi dado.


Corria feliz,
sem ter direção,
seguia a trilha
do coração.


Não tinha preço,
não precisava,
porque a vida
era de graça.

Eu era jovem.
Eu era louco.
Era ousado.
E sei que não era pouco.
Não sou mais o que ja fui
Me esqueci onde estava
E nem sei pra onde vou

Chegará um dia que perceberemos em frente ao espelho que tudo que precisávamos fazer era prestar um pouco mais de atenção em nós mesmos e não no que os outros nos diziam!

O Pensador era ótimo, aí foram lá e conseguiram estragar o site.

Robin era uma ótima criança. Mais inteligente que o pai aos oito anos de idade. Ela gostava das coisas mais estranhas. Como as instruções para um brinquedo mais do que o próprio brinquedo. Os créditos de um filme em vez do filme. A maneira como alguma coisa foi escrita. Uma expressão no meu rosto.
Uma vez ela me disse que eu parecia o sol para ela, por causa do meu cabelo. Perguntei se brilhava como o sol e ela me disse: "Não, papai, você brilha mais como a lua, quando está escuro lá fora".

Ela era o tipo de pessoa que sentia medo de se machucar. Mas um dia, alguém lhe desafiou a fazer tudo aquilo que lhe dava medo.
E ela fez.
Se permitiu amar. Amando, conheceu a si mesma, e conhecendo a si mesma, percebeu que precisava somente dela para ser feliz.
Criou asas, e voou.


Wanessa Guimarães Z96

Era uma vez um garoto que nasceu com uma doença que não tinha cura.

Tinha 17 anos e podia morrer a qualquer momento. Sempre viveu na casa de seus pais, sob o cuidado constante de sua mãe.

Um dia decidiu sair sozinho e, com a permissão da mãe, caminhou pela sua quadra, olhando as vitrines e as pessoas que passavam.


Ao passar por uma loja de discos, notou a presença de uma garota, mais ou menos da sua idade, que parecia ser feita de ternura e beleza. Foi amor a primeira vista.

Abriu a porta e entrou, sem olhar para mais nada que não a sua amada.

Aproximando-se timidamente, chegou ao balcão onde ela estava.

Quando o viu, ela deu-lhe um sorriso e perguntou se podia ajudá-lo em alguma coisa. Era o sorriso mais lindo que ele já havia visto, e a emoção foi tão forte que ele mal conseguiu dizer que queria comprar um CD.

Pegou o primeiro que encontrou, sem nem olhar de quem era, e disse

- "Esse aqui".

- "Quer que embrulhe para presente?" - perguntou a garota sorrindo ainda mais e ele só mexeu com a cabeça para dizer que sim. Ela saiu do balcão e voltou, pouco depois, com o CD muito bem embalado. Ele pegou o pacote e saiu, louco de vontade de ficar por ali, admirando aquela figura divina.

Daquele dia em diante, todos as tardes voltava a loja de discos e comprava um CD qualquer. Todas as vezes a garota deixava o balcão e voltava com um embrulho cada vez mais bem feito, que ele guardava no closet, sem nem abrir.

Ele estava apaixonado, mas tinha medo da reação dela, e assim, por mais que ela sempre o recebesse com um sorriso doce, não tinha coragem para convidá-la para sair e conversar. Comentou sobre isso com sua mãe e ela o incentivou, muito, a chamá-la para sair.

Um dia, ele se encheu de coragem e foi para a loja. Como todos os dias comprou outro CD e, como sempre, ela foi embrulhá-lo.

Quando ela não estava vendo, escondeu um papel com seu nome e telefone no balcão e saiu da loja correndo.

No dia seguinte o telefone tocou e a mãe do jovem atendeu.

Era a garota perguntando por ele. A mãe, desconsolada, nem perguntou quem era, começou a chorar e disse: "Então, você não sabe? Faleceu essa manhã".

Mais tarde, a mãe entrou no quarto do filho, para olhar suas roupas e ficou muito surpresa com a quantidade de CDs, todos embrulhados. Ficou curiosa e decidiu abrir um deles. Ao fazê-lo, viu cair um pequeno pedaço de papel, onde estava escrito: "Você é muito simpático, não quer me convidar para sair? Eu adoraria".

Emocionada, a mãe abriu outro CD e dele também caiu um papel que dizia o mesmo, e assim todos quantos ela abriu traziam uma mensagem de carinho e a esperança de conhecer aquele rapaz.


Assim é a vida: não espere demais para dizer a alguém especial aquilo que você sente. Diga-o já; amanhã pode ser muito tarde....

*ASAS*



Houve um tempo
em que eu acreditava
que o destino de uma árvore
era morrer no inverno.


Porque eu ainda não conhecia
a primavera.


Então você chegou.


Não como chegam as tempestades,
que arrancam galhos
e deixam lembranças violentas.


Você chegou como chega a manhã.


Sem pedir licença.


Sem fazer barulho.


E, de repente, descobri
que dentro de mim havia janelas
que nunca tinham sido abertas.


Foi estranho.


Passei tantos anos
aprendendo a ser muralha,
que esqueci
que algumas casas
foram feitas para ter varanda.


Você não me ensinou a amar.


Seria injusto dizer isso.


O amor já morava aqui.


Apenas dormia.


Você só acendeu a luz.


E eu vi.


Vi um homem
que escrevia versos escondido da própria voz.


Vi mãos fortes
capazes de tocar o mundo
sem precisar apertá-lo.


Vi que coragem
também podia ser delicadeza.


E que firmeza
não precisava vestir armadura.


Depois...


A vida fez aquilo que a vida faz.


Mudou os caminhos
sem pedir nossa opinião.


Por muito tempo
achei que a dor era você indo embora.


Hoje sei.


A dor era acreditar
que você tinha levado comigo
a parte mais bonita de mim.


Mas ela ficou.


Quietinha.


Esperando que eu percebesse.


Levei anos.


Anos para entender
que ninguém leva embora
aquilo que ajudou a revelar.


As asas
não pertenciam ao vento.


Pertenciam ao pássaro.


Você apenas apontou para elas.


Hoje ainda penso em você.


Há dias em que seu sorriso
atravessa minha memória
como um raio de sol
atravessa uma casa antiga.


Não para machucar.


Mas para iluminar
a poeira que o tempo deixou.


E eu sorrio.


Não porque deixou de doer.


Mas porque finalmente compreendi
que algumas pessoas
não entram em nossa vida
para permanecer.


Entram
para nos apresentar
a alguém.


No meu caso...


A mim.


Agora sigo.


Não correndo.


Não fugindo.


Não esperando.


Sigo como quem conhece a estrada.


Porque aprendi
que o amor nunca foi um lugar.


Era a forma
como eu caminhava
quando me sentia inteiro.


E hoje...


Mesmo sem sua mão na minha,


continuo andando.


Não para longe de você.


Mas para perto
de quem eu descobri ser.


Obrigado por não ter sido o fim da minha história.


Obrigado por ter sido o capítulo em que descobri que eu também sabia escrever.

Antigamente, achava que lealdade, companheirismo era a base de um bom relacionamento, mas hoje descobri que a chave é a comunicação, sem isso não há negócio, sem comunicação sempre tem uma história mau contada, um será?. Então comuniquem-se, se sentem falem, se vão fazer, falem... Conversem!

Quando a escala de amizade desce, é por que nunca foi? Ou por que não era pra ter sido?