Era
“Amar em Silêncio”
Eu te amei nos dias
em que não havia cor,
Quando o mundo era
cinza e eu também.
Te abracei com pedaços
de mimque ainda respiravam,
Mesmo sabendo que já não era inteiro ninguém.
O teu sorriso era luz
em quarto fechado,
Mas eu tinha medo de acender.
Porque quem vive na sombra por tanto tempo
Esquece que também pode viver.
Te quis mesmo quando
o peito doía em segredo,
Quando amar parecia um
erro bonito demais.
Eu me perdi tentando
te encontrar inteiro,
E no fim… não me achei mais.
Mas ainda te amo
— e isso é o que me assusta,
Porque até na dor você ficou.
E se amar é isso… um tipo de ausência que permanece,
Então talvez eu nunca tenha te deixado… nem quando acabou.
Hoje é dia do beijo…
engraçado, né?
Porque tudo que eu queria
era te ter por um instante —
nem que fosse só pra sentir
se ainda é igual aqui dentro.
Queria te beijar
como um beija-flor encontra sua flor…
não só de leve,
mas com aquela pressa silenciosa
de quem sabe que o tempo é curto.
Mas a verdade é que a gente virou distância.
E mesmo assim…
tem algo em mim que não mudou.
Porque se um dia nossos lábios se encontrassem de novo,
não seria só um beijo —
seria tudo aquilo
que a gente não viveu
tentando existir de uma vez só.
Um dia fomos loucura
Diante de todos
No caminho da devoção
A sanidade era só um lampejo
Suficiente para desviar nossa vontade
Um dia já fui desejo
Te ouriçava o corpo
Eriçava teus pelos
Borbulhava tuas fontes
Extraía teu perfume
Hoje sou distância
A negação de um momento
O sonho esquecido
Uma página dobrada,
Que um dia não sabes se vais ler
Hoje te vejo à distância
Ainda estou ao teu alcance?
Tu permaneces vontade
Eu permaneço desejo
O lobo e a lua
Sentado de frente para o mar a minha única companhia era a lua avermelhada e silenciosa,
buscando repostas uivei por horas sem sequer ser notado,
pensamentos assombrosos, dores profundas, sensação de alma derrotada,
corpo pesado, olhares perdidos, respiração desconfiada dos seus intervalos longos,
implorando por atenção e uns breves conselhos insisti numa conversa com a lua e continuei a uivar sem parar,
apenas os corvos e as serpentes se aproximaram para com certo sigilo vigiar o que poderiam ser os meus últimos atos,
madrugada a dentro, cometas em movimentos, a maré atingiu as minhas patas por três vezes, areia foi jogada no meio fusinho pela força dos ventos,
depois de algum tempo eu entendi que eram respostas da lua em forma de sinais,
o mundo sempre está em movimento, por três vezes deixei as lágrimas me afogarem ao ponto de me deparar com as pontas dos dedos no precipício, a areia ao mesmo tempo que cega, quando bem temperada vira espelho e pode iluminar uma estrada para novos caminhos,
confiante e decidido uivei bem alto em agradecimento a lua por dá novamente significados a minha vida.
Antes e depois
Antes de você o meu coração era uma densa neblina e olhando mais a fundo era escuridão,
tudo era difícil de lidar, as tentativas e erros eram medidas baseadas em manipulação, falsos julgamentos e culpa,
com você o meu coração achou o pote de ouro, a pintura da tela ficou vibrante, ficou colorida,
da tua água eu bebi, a tua compreensão eu senti, dos teus afagos me enchi, e agora, como bom "João de barro construtor" faço do meu coração uma lar para você morar.
Confidencial
Era confidencial o meu destino até aquela que me visita em todas as vidas ter me achado novamente.
Te achei
Na padaria naquela manhã ao você me atender no caixa eu te reconheci, sim era o teu rosto que eu via volta e meia através dos sonhos,
Fiquei surpreso em vê-la pessoalmente, fiquei feliz por saber que você existe no mundo real,
Algumas coisas ainda não consigo compreender, mas eu sei o que devo fazer quando tocar tuas mãos e invadir o teu coração,
Teus olhos não mentem, você também me enxergou como sendo teu na intimidade,
O teu sorriso tímido, a tua transpiração ofegante e as tuas pernas trêmulas me disseram muito sobre nós,
Meu zap tá nas tuas mãos, fala comigo quando tiver um tempinho, você sabe que precisamos conversar.
Antes, durante e depois...
E quando a neve caiu eu pensei que era o fim,
O movimento reverso é irresistível e depois do inverno voltou a sustentar o poder das flores,
As lágrimas que antes caíam e se transformavam instantaneamente em esculturas frias e assombrosas, hoje passam como correnteza de um rio cheio de felicidades,
Temporariamente o coração congelou, mas a alma se manteve intacta,
Então, o vicio para dominar o controle sobre o veneno foi o que permitiu que a fidelidade permanecesse intocada,
Lembro-me do passado, já carreguei minhas pedras pesadas nas costas,
Entendo o tempo presente, pois o imediato é uma resposta heroica,
Sinto o futuro, ele atravessa a existência das memórias, é uma questão de inteligência emocional.
Do nada, tudo!
E quando eu pensei que eu não era um nada,
Ela veio sorrindo e disse:
Não existe uma pessoa mais preciosa neste mundo, jamais encontrarei alguém igual a você.
Tá no coração
Era um dia de domingo logo pela manhã,
eu estava jogando bola com um grupo de amigos e mesmo assim me vi pensando nela,
Mais tarde, por volta das dezesseis horas eu estava assistindo um filme na Netflix e mesmo assim os meus pensamentos estavam todos voltados pra ela,
Agora já é noite, coloquei aquele perfume e aquela camisa que ela tanto gosta e não vejo a hora de encontra-la para expor o quanto o meu coração sente saudades dela.
Olhos cor de mel...
Saudades daqueles olhos cor de mel,
Como era bom ouvir aqueles sambas com a tua cabeça no meu colo,
A nossa maior arma contra o mundo era estarmos juntos,
O jeito que você me olhava dizia muito sobre o teu coração,
Lembro-me quando eu cantava no teu ouvido e você pedia bis repetidamente,
Em cada passo dado ao teu lado, enquanto nossas mãos andaram juntas, posso te afirmar que fui muito feliz, vive o inacreditável sobre o amor.
*Recomeço*
Doze anos carreguei sozinha
o peso de um "nós" que já era só eu.
Acreditei em consertos de uma semana,
em promessas de um mês.
E a cada ciclo, eu voltava inteira pra fora
e quebrada por dentro.
Chorei nos cantos que ninguém via.
Ouvi gritos que viraram silêncio em mim.
Confundi amor com resistência
até entender: amor não machuca, não mente,
não prende.
Hoje não sou vítima, sou escolha.
Escolhi a paz que não negocia.
Escolhi meus filhos, Deus e a casa
onde a porta abre pra calma, não pro medo.
Não foi Deus quem me abandonou no altar.
Foi Ele quem me tirou de lá.
Porque casamento é amor,
e onde não mora amor, eu não moro mais.
Passei doze anos batendo na mesma porta,
achando que insistência era amor.
Do lado de dentro, só frio, grito, mentira.
Do lado de fora, eu, esperando o milagre
que durava uma semana e morria no mês.
Um dia percebi: eu regava sozinha
um jardim que já era pedra.
E cada “vai melhorar” que eu me dizia
era só eu me pedindo socorro.
Hoje eu moro em mim.
Minhas janelas abrem pra calma.
Meus filhos riem na sala e Deus senta à mesa.
Ninguém me explica dor que não viveu,
e tudo bem. Eu não preciso de plateia pra ser inteira.
Não é vitimismo, é cicatriz.
Não é fraqueza, é limite.
Eu não saí do casamento.
Eu voltei pra minha paz.
