Era
Quando o amor era só desejo,
ele cabia nas mãos do controle.
Agora que é real,
exige entrega,
e isso assusta.
O amor é intenso,
e o medo dele não nasce da fraqueza,
nasce da consciência.
Não é falta de querer,
é o entendimento do peso do que foi pedido.
Enquanto era busca,
era idealização.
Quando aparece,
vira risco,
responsabilidade,
vulnerabilidade.
O coração que pediu
percebe:
“isso pode me transformar”.
Quem foge do amor
não foge do outro,
foge da própria rendição.
E, às vezes, fugir
não é rejeitar,
é aprender a confiar
no tempo certo.
É dar passos para trás,
para observar, absorver e aceitar
que aquilo que tanto se desejou
chegou.
Eu tive um amigo na infância. Nossa diferença de idade era de apenas oito meses. Fomos criados juntos, compartilhamos as mesmas ruas, as mesmas descobertas e conhecíamos a essência um do outro de uma forma que só a inocência da infância permite.
Na adolescência, nossos caminhos começaram a se separar. Ele se mudou para outro bairro, depois para outra cidade e, mais tarde, para outro país. Ainda mantínhamos um contato esporádico, insuficiente para que soubéssemos o que realmente acontecia na vida um do outro. Hoje, sequer me lembro da última vez em que nos vimos. Não lembro da última conversa, do último assunto, nem se nos despedimos da maneira que duas pessoas deveriam se despedir quando não sabem que aquele será o último adeus.
Há pouco mais de um ano, recebi a notícia de sua morte. Um tumor maligno no cérebro o levou depressa demais. Não houve tempo para uma ligação, uma mensagem ou algumas palavras que, talvez, pudessem confortar seu coração. Ou talvez fossem apenas para aliviar o meu.
Curiosamente, a dor não chegou naquele dia. Ela veio muito depois.
Foi só com o passar do tempo que compreendi o verdadeiro peso daquela perda. Entendi que nunca sabemos quando será a última vez que veremos alguém que fez parte daquilo que somos. Nunca sabemos qual abraço será o derradeiro, qual conversa ficará inacabada ou qual silêncio será definitivo.
É estranho perceber que uma vida inteira pode terminar sem que tenhamos a chance de dizer tudo o que ficou guardado.
Desde então, passei a enxergar a existência de outra forma. Somos absurdamente frágeis. Fazemos planos como se o amanhã nos pertencesse, adiamos palavras como se sempre houvesse outra oportunidade e nos afastamos acreditando que o tempo nos esperará pacientemente.
Mas ele nunca espera.
A vida é cruel. Não apenas porque nos tira as pessoas que amamos, mas porque quase nunca nos avisa quando está prestes a fazê-lo.
Sinto medo desde que era criança! Piorou quando descobi que medos fazem parte de nossas lembranças, logo me lembro de sentir, não é apenas instinto. Agora, vejo herói, todos os que nem conhecem o medo.
Jardim de Pragas Antigas
Era uma quinta feira normal, fui pra escola como sempre, sentei-me em minha carteira e esperei a aula começar. Tudo estava ocorrendo normal como todos os dias, conversas sem pausa, professores pedindo por respeito e alunos que não fechavam a boca por nada. Até que chegou a aula de sociologia, a professora estava lecionando sobre cultura, e entre uma palavra e outra trouxe o exemplo do carnaval, uma cultura muito forte no Brasil. Quando que do nada percebi os diversos comentários horríveis: ‘O povo que vai pro carnaval deve ir pro inferno’, ‘esse povo da Bahia, que cultua a macumba, é do demônio’. Isso e muito mais foi o que alguns meninos falaram. O clima ficou pesado, senti como se tivesse caído uma tempestade em cima de mim, a umbanda faz parte de mim, e escutar aquilo colocou-me no tão temido inferno que eles acreditam.
Fiquei pensando naqueles meninos, esses atos não são de agora, remetem ao passado, são como ervas daninhas em um jardim florido, mas que apesar de destruir todos os diferentes à sua volta, tem raízes profundas, tão fundas que remetem ao descobrimento das terras que conhecemos hoje. São plantas tão bem estruturadas que não são mortas com qualquer veneno, a cada novo ser que nasce nesse jardim, ele é brutalmente infectado, fazendo-o proferir a mesma praga de seus antecessores. Aqueles que não são contaminados, sofrem com essa praga, combatem-na com toda a sua força, são pessoas que ainda acreditam na salvação desse canteiro. Esses novos seres que nascem, são os únicos que podem acabar com o padrão de contaminação, já que estas plantas jovens têm seus caules mais puros e se olhassem para outro lado, poderiam se agarrar em vegetações firmes, assim seriam livres dessas ervas daninhas.
O silêncio ecoava pelos corredores, era uma quietude que doía e ao mesmo tempo ardia na alma, tudo aquilo estava sem controle, nenhuma palavra vinha para acalmar aquela tempestade, e nem se quer uma tentativa de segurar aquelas pragas. Tudo estava já danificado, eu teria de ser forte, já que ninguém estava lá para arrancar as ervas daninhas. Mas mesmo que calassem-nas, não adiantava mais, raízes profundas não morrem com o corte do caule, devem ser tratadas em essência.
Quando bateu o sinal para finalmente ir para casa, fechei a mochila e fui caminhando para casa. O peso da mochila era gigante, o silêncio amedrontador da escola misturado com todas aquelas ervas daninhas ao meu redor, e aquela tempestade imensa em cima da minha cabeça. Refleti o caminho todo, não sou como eles, pensei, e é isso que importa. Enquanto mergulham em águas turbulentas, eu vivo a minha fé, e caminho por jardins límpidos. Claro, tenho muita vontade de curar suas pragas, mas não sou capaz, só eles próprios podem acabar com um padrão imposto em seu interior. Só sei de uma coisa, algum dia a própria terra em que estão plantadas, cobrará o preço, o inverno chega e só fica quem é verdadeiro e saudável por dentro.
Recordando: Só a expectativa de ir ao baile já era uma emoção - e maior ainda quando, no baile, um belo rosto correspondia ao olhar. Imperava a emoção. Requisitava a coragem, ao encontro partia, as mãos se tocavam, perfume suave, dois corpos em um, no compasso da musica romântica, até o ápice com um beijo apaixonado disparando o coração. Bons tempos que dificilmente voltarão.
"A nova era é sobre colaboração extrema. O seu maior ativo é o sucesso das pessoas que você mentorou."
"Sua vida vai mudar tão rápido quanto a nossa rede cresce. Esteja pronto para a nova era da abundância."
Vivemos a era da conexão digital e do desligamento existencial: nunca estivemos tão conectados uns aos outros e tão distantes de nós mesmos.
“Na ERA do CONSUMISMO, muitos acreditam que só existem duas opções:
‘CONSUMIR para EXISTIR ou SUMIR sem SER VISTO.’”
Vivemos a era em que muitos têm acesso a toda informação, mas poucos conquistaram sabedoria; todos querem ter voz, mas poucos suportam pensar; defendem opiniões que nunca examinaram, desejam vidas que nunca questionaram e buscam liberdade sem a disciplina necessária para sustentá-la. A maior decadência da sociedade não é a falta de conhecimento, mas a ausência de consciência. Porque uma humanidade que abandona o pensamento crítico, terceiriza a responsabilidade e troca valores por conveniências não evolui: apenas se moderniza na aparência enquanto retrocede na essência.
Vivemos a era em que tudo se tornou líquido: sentimentos, compromissos e pessoas. A liquidez das relações humanas está liquidando a própria humanidade dos relacionamentos.
A era da liquidez transformou relações em rascunhos: ninguém quer construir uma história, todos querem apenas editar capítulos que não deram certo. A humanidade ficou tão preocupada em não sofrer que aprendeu a não sentir; tão ocupada em preservar a liberdade que perdeu a capacidade de criar raízes. A liquidez das relações humanas está liquidando a própria humanidade do humano.
Nunca houve tanta facilidade para encontrar pessoas e tanta dificuldade para encontrar presença. A tecnologia aproximou corpos, mas a superficialidade afastou almas. A liquidez das relações humanas criou uma geração que coleciona contatos, mas abandona conexões; que busca intensidade sem profundidade, prazer sem compromisso e amor sem responsabilidade.
"Na noite passada, você disse que era para sempre
e hoje sua indiferença que me vem na mente.
Quando você saiu, eu não pedi pra ficar
mas fiquei triste por você nunca mais voltar."
