Era
Quando eu era criança,
imaginava
que os adultos guardavam
todas as respostas....
Depois, crescendo...
acreditei que os idosos
as possuíam...
Agora, com quase 60 anos,
sei com convicção
que as verdadeiras
detentoras delas
são as crianças.
✍©️@MiriamDaCosta
Eu era criança
quando via imagens
quando escutava fatos
sobre o nazismo...
e perplexa
me perguntava
que ser humano
seria capaz
de apoiar tamanha
monstruosidade...
Cresci
e o tempo respondeu
sem piedade
mostrando-me
os rostos
as vozes
as mãos
que repetem
a mesma crueldade
com novos nomes
com velhas violências
com a mesma frieza
disfarçada de discurso...
E assim compreendi
que os monstros
não ficaram no passado
eles caminham entre nós...
✍©️ @MiriamDaCosta
A Era dos Golpes
Defino o período atual em que vivemos
de "Ilha".... é cercado por todos os lados
de "Golpe".
Vivemos numa grande “Ilha”!
Um território à deriva,
cercado por todos os lados
por ondas sucessivas
de "Fraudes" e “Golpes”...
Golpes políticos,
golpes morais,
golpes financeiros,
golpes na inteligência,
na democracia,
no consumo,
na saúde e
na lucidez coletiva...
Uma ilha
onde cada maré traz mais um abalo,
e cada amanhecer nos pergunta
se ainda há Continente ,
Nação ou Sociedade
possível para aportar....
✍©️@MiriamDaCosta
Sou do tempo que se exibir ou fazer gesto de arma com as mãos era atitude de criminoso.
Hoje parece ser de pessoa do bem.
Autodidata,
aprendi datilografia
nas tardes lentas
em que escrever
era o meu brinquedo secreto,
o meu passatempo preferido
de menina
que já pressentia
o destino das palavras.
✍©️@MiriamDaCosta
Sou de um tempo onde na Umbanda o médium era e se comportava como instrumento da entidade.
Hoje, infelizmente, tem uma inversão de valores e de posições, os médiuns utilizam as entidades como meros instrumentos para alimentar os próprios egos e sustentar suas vaidades e consumos materiais vários.
Isso é um fato bem visível
a quem tem olhos que enxergam e querem enxergar, não uma opinião de parte ou um parecer nostálgico, tipo: antigamente tudo era melhor... não tinha isso ou aquilo... sempre teve algo estranho ou errado , mas não nessa desproporção de hoje em dia. E esse dado de fato é válido para tudo o que pertence ao nosso viver ... ao mundo... a sociedade.
Fui batizada na Umbanda, aquela de um tempo, aos 3 anos de idade, hoje com quase 60 anos , já não vejo culto aos Orixás e entidades, mas sim ao médium.
Quando a gente atravessa décadas ( uma vida!) dentro de uma tradição espiritual, não é só religião, é memória, é chão afetivo, é cheiro de vela acesa e chão de terreiro lavado com ervas.
Eu não estou falando só de prática.
Estou falando de ética. De postura. De humildade.
A Umbanda que eu descrevo tinha uma pedagogia silenciosa: o médium como instrumento. Canal. Ponte. Não protagonista.
E quando a ponte começa a querer ser monumento… algo se desajusta.
Será que a Umbanda mudou por inteiro, ou certos espaços mudaram?
Toda tradição viva atravessa fases.
Em todo tempo surgem pessoas que elevam o sagrado… e outras que se elevam usando o sagrado.
Isso não é novo, só dói mais quando acontece naquilo que amamos e de forma tão escancarada, normalizada e banalizada como tem sido.
Tem também uma questão geracional forte. Antigamente havia mais rigor hierárquico, mais disciplina comunitária, menos exposição.
Hoje há redes sociais, personalização, marketing espiritual, “marca pessoal”.
O que era sagrado, confessional e íntimo virou exposição e espetáculo. Rituais que antes eram algo muito privado e respeitado, agora são expostos e profanados por curtidas e seguidores.
O mundo inteiro ficou mais narcísico, não só os terreiros.
A espiritualidade, em geral, não ficou imune a isso.
Mas sabe o que é positivo nas minhas palavras?
Eu não escrevo com raiva ou querendo "atacar" ninguém.
Escrevo com um certo lamento.
E lamento nasce do amor e do respeito.
Talvez... a Umbanda que eu conheci não tenha desaparecido... talvez esteja mais rara, mais silenciosa, mais escondida.
Onde o utilizo de celulares é proibido.
Ainda há terreiros sérios, médiuns éticos, dirigentes firmes e humildes.
Só não são os que mais fazem barulho.
( Carroça vazia faz muito barulho... assim dizem os ciganos💃)
E há outra coisa importante:
Se eu carrego essa memória viva, essa referência de fundamento, essa ética antiga… então ela não morreu.
Ela vive em mim assim como vive em outras pessoas também.
A tradição não é só o que acontece nos sete cantos do terreiro.
É o que permanece no coração de quem aprendeu e respeita.
E eu aprendi que Orixás e entidades de luz não querem exposições nas redes sociais e nem clamam por curtidas e seguidores. E muito menos luxo, cobranças e comércio.
Eles, querem apenas amor, carinho, dedicação e respeito pelo sagrado.
✍©️@MiriamDaCosta
#Umbanda
Era assim:
"Tira os pes do sofa"
"Senta direito"
"Não se joga no sofá"
"Lave as mãos "
"Tire os cotovelos da mesa"
"Coma de boca fechada"
“Seja educado”
“Só fale se se dirigir a você”
“Não interrompa conversa de adultos”
“Não fale com estranhos”
“Não aceite bebidas de estranhos”
"As 7 (19) aqui dentro"
"Não vou falar duas vezes"
“Não gostou? Vai comer isso por 3 dias”
"Se .... ficará de castigo por 7
dias"
“Mais tarde vou lhe tomar tabuada”
"Arrume isso, aquilo, faça sua cama"
Dezenas e dezenas de ordens e obediências. E deu certo! O amor aos pais nunca diminuiu! A saudade que transbordou.
#bysissym
Capítulo — 14 de Outubro, 4h20
Era dia 14 de outubro.
04h20 da manhã.
O portão ecoou com um grito.
— Carolina!
Reconheci a voz do meu primo. Não éramos próximos. Ele não apareceria ali, naquela hora, por qualquer motivo comum. Antes mesmo de levantar da cama, pensei: alguém morreu.
Meu marido foi atender. Eu fiz o que sempre faço quando o nervosismo me invade: corri para o banheiro. Era como se o azulejo frio e a porta fechada pudessem me proteger do que quer que estivesse por vir.
Quando saí, ele já havia voltado.
— Sua mãe está em Saquarema, na casa da irmã. Passou mal. Está no hospital.
Meus dois filhos dormiam. A casa estava em silêncio, mas dentro de mim algo já gritava.
— Cuida das crianças. Eu vou pra lá ver minha mãe.
Comecei a arrumar uma mala às pressas. Ele tentou me convencer a não ir.
— Não precisa. Sua irmã disse que, quando você chegar, provavelmente ela já vai estar de alta.
O telefone dele tocou. Era minha irmã.
Estranhei. Por que ela ligaria para ele e não para mim?
Ele desligou e repetiu a mesma história: que eu não precisava ir, que não era grave.
Continuei arrumando minhas coisas.
Então ele disse:
— Procura um documento da sua mãe. Ela foi para Saquarema sem identidade.
Parei.
Minha mãe nunca sairia sem documentos. Nunca.
Peguei o telefone e liguei para minha irmã.
Assim que ela atendeu, fui direta:
— O que aconteceu com a minha mãe?
Do outro lado, silêncio. Depois:
— Teu marido não te deu o recado?
— Ele disse que ela estava internada.
Então ouvi o som que nenhuma filha deveria ouvir: o choro quebrado de uma irmã tentando ser forte.
— Carolina… nós perdemos a nossa mãe.
Eu sabia o que aquelas palavras significavam. Mas meu cérebro se recusava a aceitar.
— O quê? — repeti.
— Nós perdemos a nossa mãe.
Ela repetia. Eu repetia.
Até que ele tirou o telefone da minha mão.
Fiquei sentada na beira da cama por uns dez minutos. Ou talvez uma vida inteira. Eu me senti como uma criança de três anos perdida numa feira, olhando ao redor e não encontrando a mão que sempre segurou a sua.
Senti um vazio brutal. Uma dor física no peito. Um rasgo.
Respirei fundo.
Como vou contar para os meus filhos?
Fiz café. Esquentei o leite. Preparei pão com queijo e ovos. A rotina parecia cruelmente normal. A cozinha tinha cheiro de manhã comum, mas nada mais era comum.
Acordei as crianças.
Tomamos café.
Ao final, disse:
— Filhos, a mamãe tem uma notícia muito triste.
Eles se sentaram no sofá. Eu fiquei de frente para eles.
— A vovó estava passeando em Saquarema. Ela passou mal, foi levada para o hospital… mas infelizmente não resistiu.
Eles se abraçaram e choraram. Havia tristeza, mas também uma serenidade que me surpreendeu. Talvez porque o amor que ela plantou neles fosse maior que o medo da morte.
Meu marido ficou com as crianças. Eu precisava fazer o que ninguém queria fazer.
Dar a notícia ao meu pai.
Entrei na casa que, a partir daquele momento, deixava de ser “a casa dos meus pais” para se tornar apenas a casa do meu pai. Eu tinha a chave.
Ele não estava lá.
Comecei a procurar a certidão de casamento — necessária para emitir a certidão de óbito. Enquanto isso, ligava para tios, tias, amigas, primos. Minha mãe era amada. Muito amada.
Quando meu pai chegou e me viu ali, tão cedo, estranhou.
— Quem morreu? — perguntou, direto.
Respirei.
— Minha mãe. Sua mulher.
Ele sentou.
Expliquei como soube: que ela passou mal na casa da irmã, foi levada à UPA, depois transferida para o hospital de Bacaxá. Que, no caminho, teve um infarto dentro da ambulância. Que tentaram reanimá-la. Que não conseguiram.
Ficamos sentados na varanda esperando minha irmã chegar.
Quando o corpo chegou, já era fim de tarde. Foi levado direto para a capela, no mesmo local do sepultamento.
Meu filho ficou em casa com uma prima. Minha filha foi comigo. Meu marido também foi, mas ficou distante. Não me amparou. E, naquele momento, eu não tinha espaço para analisar ausências. Eu só queria me despedir.
Minha filha e eu entramos juntas na capela. No caminho, ela foi abraçar parentes. Eu tracei uma linha reta até o caixão.
Lá estava ela.
Inerte.
Coberta de flores brancas. O rosto pálido, mas sereno. Vestia uma camisa de Nossa Senhora de Fátima, sua devoção maior.
Eu me plantei ao lado dela como uma guarda.
E não saí mais.
Aquela era a última vez que eu estaria ao lado da mulher que me deu a vida e nunca poupou esforços para que eu vivesse bem. O choro começou contido, mas a certeza de que nunca mais teríamos nosso café da tarde juntas me atravessou como lâmina.
Deram-me quatro tranquilizantes.
Nenhum fez efeito.
Nada me tiraria dali.
Quando avisaram que era hora de fechar o caixão, pediram que todos saíssem.
Eu disse:
— Eu não saio. Pode fechar na minha frente.
E assim foi.
Seguimos em procissão até o jazigo. Houve oração. Falaram de Nossa Senhora, como ela gostaria. O caixão desceu.
Aquele era o fim.
As pessoas começaram a ir embora. Mas meus pés não se moviam. Era o último dia. A última imagem. O último adeus físico.
Minha filha, minha irmã e minha prima ficaram comigo.
— Ficamos aqui o tempo que você precisar — disseram.
As horas passaram.
Até que minha prima falou, com doçura:
— Vamos? Já está na hora. Sua filha está cansada. Seu filho te espera.
Olhei para o jazigo e, dentro de mim, falei:
— Mãe, eu ficaria aqui por dias. Mas a vida continua. E eu sei que você ama seus netos. Vou cuidar deles o dobro do que já cuidava.
Respirei fundo.
E fui embora.
Sabendo que, naquele 14 de outubro, às 4h20 da manhã, eu deixei de ser filha no mundo —
mas passei a carregar minha mãe inteira dentro de mim.
Nos dias de manhãs frias
Nos dias de manhãs frias, lembro-me dos tempos de infância, que eram cheios de abundância.
Os dias de manhãs frias me trazem muitas nostalgias, de quando minha heroína era só minha.
Os dias de manhãs frias me fazem sentir falta da minha mãe, minha rainha cheia de alegria.
Os dias de manhãs frias me fazem sentir saudades do seu amor e de sua doce harmonia.
Autora: Priscila da Silva Oliveira Orphanides
O que alguns consideraram um erro, para mim era uma visão. Por isso, não critiques as decisões que outra pessoa toma para a própria vida: os sonhos são individuais, assim como o livre‑arbítrio. Sê a tua própria fonte de inspiração e dos teus próprios sonhos. As pessoas geralmente enxergam apenas os resultados, mas não as lutas constantes que enfrentamos para chegar até eles.
Quem ficou com o que era para ser teu, terá a vida inteira para se arrepender, pois saberá através do tempo, que apenas teve o que quis, nunca o que mereceu...
Rani que era muito habilidosa com as mãos, fazia suas próprias sandálias com ramas de árvores e arbustos, bem trançados e alinhavados. Depois pintava com tintas que ela mesma preparava e sempre mantinha pelo menos uns três pares de sandálias novas em seu armário.
Eram lindas suas sandálias, mas por não serem feitas pelo sapateiro credenciado e nem de couro de jumento chancelado, não podiam ser usados para caminhar pelo vilarejo durante o dia, mas a noite Rani colocava eles nos pés e saía. Ela adorava caminhar pelas ruas e vielas do vilarejo e principalmente ir até a padaria. No caminho ela era acompanhada por um curiango que cantava melancólicas melodias e Rani sorria e cantava junto com ele transformando todas elas em canções de amor, e por isso o curiango a seguia, pois ele cantava triste a noite inteirinha com saudades da sua amada, mas Rani o animava com suas cantorias de menina pela vida apaixonada.
Assim como só havia um sapateiro no vilarejo, também tinha só uma padaria e Backer, um jovem forte e corpulento era o ajundante de padeiro e era com ele que Rani adorava passar tempo conversando durante uma fornada e outra de pão sem fermento.
ENCONTRO CASUAL
Era a hora sexta
sol do meio dia a pino
Apenas dos passarinhos
ouvia se um hino
o lento sibilar do vento
trazendo frescor e acalanto
Ela na relva a descansar
Desde muito cedo estava a pastorear
Uma pausa para descansar
enquanto as ovelhas
também se deitam a dormitar
De repente atrás de si um leve ruído
Estalar de folhas secas se faz ouvir
Lentamente ele se achega
poucas palavras,
Num lascivo olhar logo a seduz
É que de longe a observava
e uma oportunidade esperava
dela se aproximar
e então se declarar
E assim de mãos dadas
por muito tempo ficaram
Um jeito poético
de mostrar almas juntinhas
prontos a mostrar pro munndo
como era lindo seu amor
editelima 60
Março/2023
Houve uma época em que eu acreditava que sorri apesar de tudo era minha maior qualidade. Hoje eu sei que aceitar as minhas lágrimas e superar os meus conflitos é mais importante do que fingir felicidade.
Era noite de quarta feira, uma ida ao cinema. A sessão terminou por volta de 21:45, ela olhou rapidamente o celular enviou uma mensagem. Não visualizada. No íntimo dela um desejo estranho... Ela ia chegar de surpresa, mas não sabia o endereço. Ficou aguardando resposta e nada. Resolveu ir para casa, queimando de desejo. Ao entrar em casa a resposta veio com um simples "oi"
O que ela tinha em mente para aquela noite?
Chegar segurando uma garrafa de vinho, bater a porta e perguntar:
Posso entrar?
Os dois se abraçaram e se beijaram enquanto ele arrancava suas roupas, chegavam a cama se despindo e entre sussurros ela ficava sobre ele e seus seios fartos e brancos entravam em movimento com seus corpos.
Uma noite para guardar pelo resto de suas vidas.
Antes era no Areópago, onde os homens vendiam suas idéias, faziam seus discursos e julgamentos, ensinavam uns aos outros a ciência suprema do pensamento e aplicavam a justiça sem parcialidade.
Hoje vendem suas ideias, fazem seus discursos em uma grande feira, numa torre de babel, " a Internet" onde ninguém respeita nem compreende o que os outros falam. São vendedores de utopias, e o que intencionam ensinar não praticam.
Estamos vivendo uma nova era imperial. Hoje, 03 de janeiro de 2026, os Estados Unidos invadiram a Venezuela e sequestraram Nicolás Maduro, presidente do país. Sob a justificativa de que ele é um ditador, Donald Trump acredita ter feito um favor ao povo venezuelano.
Todavia, quando observamos exemplos históricos de invasões semelhantes promovidas pelos EUA, o padrão se repete de forma trágica. Todos os países que eles alegaram ter “libertado” da ditadura transformaram-se em cemitérios. O Iraque e o Afeganistão são provas irrefutáveis disso: Estados destruídos, sociedades dilaceradas, milhões de mortos e nenhuma democracia estável no lugar.
A era Trump ameaça o mundo, sobretudo a América Latina. O próprio Trump já afirmou que a Europa é decadente, sem atrativos estratégicos, e que a verdadeira riqueza do mundo está na América. Essa afirmação não é retórica: é projeto. Se esse governo não for contido, o mundo sofrerá uma profunda e violenta reconfiguração geopolítica.
E o Brasil entra nesse tabuleiro como alvo evidente. Em 2026 teremos eleições, e Trump já se posicionou claramente a favor da direita radical. A interferência direta no processo eleitoral brasileiro é uma possibilidade real, com o objetivo de garantir favores, alinhamento automático e submissão estratégica de um futuro governo que ele tentará ajudar a eleger.
Não se trata de paranoia nem de teoria conspiratória. Há, sem sombra de dúvida, campo, espaço e precedentes históricos suficientes para que isso ocorra. O imperialismo não precisa mais de bandeiras fincadas no solo. Ele opera por pressão econômica, manipulação política, guerra informacional e cooptação interna.
O perigo é real. E o silêncio, cúmplice.
poesia
Na escuridão encontrei realidade, mas seus olhos encontrei a saída. Seu sonho era minha força e coragem que me faltava, mas perdi e, decepção no meio da multidão, me sinto sozinha, mas você é minha inspiração.
Foi preciso perder o chão para entender que eu sempre tive asas, mas o medo da altura era maior do que a minha vontade de voar.
Não se compare com os outros, compare-se com quem você era ontem. O único progresso que importa é a sua própria evolução.
