Priscila Oliveira
Nos dias de manhãs frias
Nos dias de manhãs frias, lembro-me dos tempos de infância, que eram cheios de abundância.
Os dias de manhãs frias me trazem muitas nostalgias, de quando minha heroína era só minha.
Os dias de manhãs frias me fazem sentir falta da minha mãe, minha rainha cheia de alegria.
Os dias de manhãs frias me fazem sentir saudades do seu amor e de sua doce harmonia.
Autora: Priscila da Silva Oliveira Orphanides
"Eu sou todas as emoções.
Eu sou a mistura de todos os sentimentos e de todas as emoções: eu sou o amor, eu sou o ódio, sou a mistura de tudo. Eu sou a chuva, eu sou o sol, eu sou a mistura de todas as estações. Eu sou o perdão, eu sou a condição, eu sou a mistura de todas as sensações. Eu sou a calmaria e eu sou a agitação, eu sou a soma de todas as motivações."
Autora: Priscila da Silva Oliveira Orphanides
Trás da Minha Partida
"Querido,
Escrevo no limite do meu fôlego para me libertar da saudade corrosiva e da culpa que me afoga nesta imensidão de felicidades de fachada. Escrevo para arrancar você de mim, expurgando as lembranças do seu calor — que hoje não me aquece, mas me gela em pavor.
Escrevo para resgatar os escombros da minha mocidade e a gravidade daqueles dias de seriedade perdida. Escrevo para sentenciar, de uma vez por todas, que não te amo; ainda que este coração traidor, num último sussurro, insista em clamar o seu nome."
Dono dos meus dias
Sob o horizonte infinito do Morro do Gavião, contemplo sua beleza e sinto o peito transbordar gratidão.
Entre o brilho das águas da Represa de Chavantes e o calor dos teus braços, meu Alexandre, eu floresço: sinto-me gigante, elegante, radiante.
No silêncio sagrado da Pedra do Índio, encontro-me amada e renovada por você — o dono da minha vida, a quem amo sem medidas.
Autora: Priscila da Silva Oliveira Orphanides.
Riacho dos Choros
Nesta quinta-feira vazia, sinto-me uma criança sozinha, sentada à beira das margens do riacho, no Sítio São Sebastião, chorando ao som dos passarinhos que dançam uma triste canção.
Uma criança sozinha, sentada na varanda do Sítio São Sebastião, que chora isolada escutando as brigas dos seus heróis, que gritam sem parar, sem descansar, sem terminar, sem adiar, sem repousar.
Eu sou a criança sozinha à luz do luar, deitada na grama no Sítio São Sebastião, esperando a briga parar. Eu sou aquela menina sob a luz das estrelas que desejava chorar, sem queixar, sem clamar.
Autora: Priscila da Silva Oliveira Orphanides.
"Amo o som da chuva e do inverno, o barulho do vento e o azul do céu. Encontro paz no som do mar, na natureza e nas trilhas. A música e a dança me movem, assim como filmes tristes e romances. Nem sempre é fácil amar a vida, mas luto diariamente para encontrar o meu bem-estar."
Sou feita do som da chuva, do inverno, do som do mar, do azul do céu e do barulho do vento. Gosto de filmes melancólicos . aprecio a natureza e as trilhas, assim como música e dança. Nem sempre amo a vida, mas luto cada dia para ficar bem."
"Ai, que saudade de ser criança,
De olhar a vida com esperança.
Ir ao riacho, meu refúgio e encanto,
Sentir a água e o céu, e sonhar tanto,
Com um futuro brilhante, radiante!"
Não chore pela infância que passou, pela mocidade que se perdeu, pelo amor que se foi, pelos sonhos não realizados e pelas mágoas e feridas não curadas.
Amor perdido
Querido! Escrevo para me libertar da saudade, da culpa, nessa imensidão de falsas felicidades. Escrevo para me libertar de você, especialmente das lembranças do seu calor , que me dão pavor.
Escrevo para sentir e lembrar a cada momento da minha moça idade, os momentos de grande seriedade
Escrevo para provar para mim mesmo que não te amo apesar que meu coração ainda te chamo.
Coração traidor
Se foi contigo a minha beleza,
A minha felicidade, a minha fé e a minha autoestima,
Perdi tudo, querido, em minha incerteza,
Pois ao te expulsar, traí o que o coração estima.
Apaixonei-me por outro — que mera ilusão...
Pois, em cada gesto ou defeito alheio,
Era você quem ainda habitava o meu coração.
Hoje vejo que troquei o amor verdadeiro,
A certeza do porto pela incerteza da estrada;
Perdi meu abrigo, meu mundo inteiro...
Volta, querido, nem que seja em sonho, nesta jornada.
Autora: Priscila da Silva Oliveira Orphanides.
" O Riso que Era Canção."
Nas memórias da infância, o seu riso era uma canção,
Com você, meu irmão Márcio, tudo era sempre bom.
Guardo a sua triste partida para Londrina com afeto,
A cor da mochila, o adeus, um vazio no peito.
O tempo passou, mas o amor de criança ficou,
no inconsciente guardado, a saudade não apagou.
Obrigada pelas melhores lembranças de infância,
Que ficará para sempre em minhas memórias.
Parabéns, Márcio! Que a vida te dê o melhor:
Saúde, alegria e amor, num laço de luz e de cor.
Hoje e sempre.
Um Bilhete para terra do nunca
A manhã nasce vazia,
Com tanta tarefa no dia.
Na tempestade me perdi,
Sem terra ou água por ali.
É um furacão que não sei explicar,
Bagunça difícil de arrumar.
Será o tédio que o presente traz,
Ou a saudade do que ficou para trás?
Sinto o abandono sem ser abandonada,
Uma nostalgia de quem não viu nada.
Meu sonho é habitar meu próprio interior,
E desvendar do abismo o seu real valor.
Chorar o que guardei, sem mais esperar,
Até que a paz venha me encontrar.
No refúgio da criança, enfim me esconder,
E na Terra do Nunca, nunca mais despertar.
"A saudade que o tempo não roubou"
Às vezes me pego em silêncio, imaginando como você estaria hoje. Consigo ver seu rosto, o brilho de um homem feito e bonito. Fico pensando no caminho que você teria escolhido, na profissão que exerceria com orgulho e no nome da mulher que caminharia ao seu lado.
Gosto de acreditar que você seria imensamente feliz. Que teria filhos com o seu sorriso, perpetuando sua existência.
Mas aí a memória me volta para aquele dia cinza... sinto de novo o aperto no peito, o peso no corpo e aquela queda que feriu o joelho, mas não tanto quanto a notícia que veio logo depois: você tinha partido.
O tempo passou, mas meu coração de tia continua lá, estacionado naquela saudade. Eu nunca perdoei a vida por te levar, nem o destino por nos roubar os momentos que não vivemos. Sinto falta até do que não aconteceu, como o dia em que você me ensinaria a andar de patinete.
Saiba que eu te amo e te amarei para sempre.
Perverso é o tempo, que levou de mim o meu coral de anjos. Um dia, seus olhares me admiravam, seus abraços buscavam o meu colo, e seus sorrisos enchiam a minha alma.
Mas o amor de tia permanece o mesmo: imenso, eterno e incondicional
Observe bem quem você permite entrar na sua casa e na sua vida. Nem todos que se aproximam têm a intenção de permanecer. Muitas pessoas não fazem por você o mesmo que você faz por elas; desvalorizam sua presença e, quando não precisam mais, simplesmente o esquecem.
Amizade verdadeira não depende de condições, interesses ou da fase da vida. Quem é amigo de verdade permanece, respeita, valoriza e caminha ao seu lado nos bons e nos maus momentos.
Para a menina de 9 anos que ainda mora em mim,
Oi, pequena.
Sei que você olha para o mundo com olhos curiosos e um coração enorme. Você acredita que tudo vai dar certo, e eu queria poder abraçar você agora e dizer que a vida será exatamente como imaginou. Não será.
Nós vamos passar por frustrações. Algumas pessoas vão nos decepcionar. Faremos escolhas erradas, e em alguns momentos você vai se perguntar se foi suficiente, se fez o bastante ou se a culpa era sua.
Mas escute bem: a culpa não precisa morar no nosso coração. Estou lutando todos os dias para libertar nós duas desse peso.
Quero que saiba que muitos dos nossos sonhos se realizaram. Nós nos tornamos enfermeiras. Também cuidamos de pessoas, e descobrimos que cuidar é uma das formas mais bonitas de amar. Cada paciente nos ensinou um pouco sobre coragem, fragilidade e esperança.
A vida seguiu um caminho diferente do que você imaginava. Nós não tivemos filhos. Mas Deus encheu nossa vida de sobrinhos, e nós os amamos com uma intensidade que talvez você ainda nem consiga compreender. O amor encontra muitos jeitos de existir.
Também preciso contar que alguns amores não deram certo. Houve despedidas, lágrimas e dias em que parecia impossível acreditar novamente. Mas, um dia, encontramos o grande amor da nossa vida. E então entendemos que o amor verdadeiro não chega para nos completar, e sim para caminhar ao nosso lado.
Quero que você saiba que somos felizes.
Não uma felicidade perfeita, porque ela não existe. Temos feridas emocionais que ainda estamos aprendendo a curar. Há dias difíceis, dias de silêncio, dias em que a alma pesa. Mas nunca deixamos de acreditar que tudo vai ficar bem.
Você vai descobrir que é muito mais forte do que imagina.
Aprendemos a gostar da nossa própria companhia. A solidão deixou de ser um castigo e se tornou um lugar de encontro com nós mesmas. Hoje sabemos apreciar o silêncio tanto quanto a agitação. Gostamos do movimento da vida, das conversas, das risadas, mas também amamos os momentos em que só existe o som do vento.
Somos apaixonadas pela natureza. Amamos trilhas, o cheiro da terra molhada, o verde das árvores e o céu aberto. Descobrimos que Deus também fala através das montanhas, das flores e dos caminhos.
Continuamos sendo exatamente como você é: curiosas. A cada fase da vida descobrimos um novo hobby, uma nova paixão, um novo aprendizado. Somos do tipo que muda, reinventa, experimenta e nunca deixa de aprender. Hoje gostamos de coisas que um dia juramos que nunca gostaríamos.
Escrevemos.
Escrevemos poemas, pensamentos e estamos escrevendo um livro. As palavras se tornaram nossa forma de transformar dor em beleza e saudade em esperança.
Lemos muito. Observamos as pessoas. Gostamos de conhecer o mundo, de aprender histórias e de enxergar beleza nos pequenos detalhes.
Você continuará sendo intensa.
Vai amar profundamente. Vai chorar profundamente. Vai rir até perder o fôlego. Vai cair, levantar e recomeçar tantas vezes que um dia perceberá que essa é a verdadeira coragem.
Não tenha medo de mudar. Não tenha medo de sentir. Não tenha medo de ser diferente.
Continue sonhando.
Mesmo quando a vida parecer dura, nunca deixe morrer essa menina de nove anos que acredita no impossível.
Ela é a parte mais bonita de nós.
Com amor, orgulho e esperança,
Você, aos 32 anos
