Era
- Ela nem é tão boa assim
- Eu que tava carente e quis só uma vez
- Eu sei nem era amor
- Mas foi foda fazer com ela
UM MAR DE POESIA
Abri a minha janela
De longe fiquei admirando
Era o azul mais azul que vi
Ondas indo e voltando
Parecia um lençol estendido
Nas beiradas espumando.
As areias tão branquinhas
A brisa vinha embalar
Pensei, se eu pudesse
Em tuas águas navegar
Desvendaria os mistérios
Guardados no fundo do mar.
Esse teu gosto salgado
Cheirinho de maresia
Sensação de liberdade
Vestida de fantasia
Pelo horizonte sem fim
Era o meu mar de poesia.
Irá Rodrigues
"Eu não conseguia respirar, e a alegria era uma emoção esquecida. A palavra 'amor' carregava um peso que eu não compreendia... até você me resgatar. A partir daquele momento, você não só me devolveu o fôlego, como também me ensinou o seu significado mais puro e lindo."
Esta certeza veio da alma e não da razão: era o nosso destino, e ele se cumpriu. Não houve escolha, apenas a rendição à única verdade que eu deveria abraçar. Você é a única pessoa que conseguiu me fazer sentir a plenitude e a beleza deste amor.
Hoje, a saudade bateu forte e doeu um pouco. O meu desejo era que você estivesse aqui, comigo. A sua falta fez-se sentir em cada instante deste dia.
"Ah, a doce lembrança de um tempo onde o nosso amor era a melodia constante... Recordo-me com ardente saudade de quando eu fazia do nosso romance uma narrativa diária, enviando-lhe novas histórias de amor, ou de quando a urgência do meu desejo me impulsionava a atravessar distâncias, movido unicamente pela necessidade irrevogável de a ter nos meus braços."
"Estamos saindo da era da entrega de informação para a arquitetura de diálogos inteligentes"
(PERRONE FILHO, 2023).
Viver parece sofrer.
O tempo passa tão rápido que não dá pra ver.
Ontem eu era uma menina cheia de querer.
Hoje uma mulher que luta para não padecer.
É decepcionante quando o tempo mostra que aquilo que você tanto lutou pra ter,não era pra ser o que realmente teria que insistir para conseguir.
Nunca te disse que meu amor por você era mais do que ti falava,você sempre foi tudo o que eu nunca quis deixar de ter.
Antes do primeiro avião ganhar os céus, alguém disse que era impossível. Para quem ouviu e acreditou, o impossível tornou-se uma barreira intransponível, uma jaula para a inovação. Mas o que acontece quando abraçamos o "nada saber"?
Quando eu digo que não acredito no impossível e confirmo que "nada sei", eu não estou declarando ignorância, mas sim acessando o Ponto Zero. É o estágio onde admitimos que algo é possível, mesmo sem saber ainda como realizá-lo.
Como sempre digo: "O Nada não é um vazio, mas o silêncio fértil onde a Visão Abstrata tece; e é desse tecido invisível que o Algo emerge, reescrevendo a realidade.
Chegou como um anjo em minha vida
Era tudo que me mais queria
Hoje voce é meu tudo
Virou meu mundo
Lindo sorriso
Tudo eu memorizo
Ate o suave som de sua voz
Hoje não existe mais eu só nós
Presente de deus
Seus olhos nos meus
Minha boca deseja a sempre a sua
Seu brilho e maior do que a luz da lua...
Hoje eu sorrio quando passo por uma promoção e meu cartão está bloqueado. Antes era frustração; agora é autocontrole.
No começo há muito amor, mas a estrada é longa, e o que era intenso no início acaba se perdendo no caminho.
Era assim:
"Tira os pes do sofa"
"Senta direito"
"Não se joga no sofá"
"Lave as mãos "
"Tire os cotovelos da mesa"
"Coma de boca fechada"
“Seja educado”
“Só fale se se dirigir a você”
“Não interrompa conversa de adultos”
“Não fale com estranhos”
“Não aceite bebidas de estranhos”
"As 7 (19) aqui dentro"
"Não vou falar duas vezes"
“Não gostou? Vai comer isso por 3 dias”
"Se .... ficará de castigo por 7
dias"
“Mais tarde vou lhe tomar tabuada”
"Arrume isso, aquilo, faça sua cama"
Dezenas e dezenas de ordens e obediências. E deu certo! O amor aos pais nunca diminuiu! A saudade que transbordou.
#bysissym
Capítulo — 14 de Outubro, 4h20
Era dia 14 de outubro.
04h20 da manhã.
O portão ecoou com um grito.
— Carolina!
Reconheci a voz do meu primo. Não éramos próximos. Ele não apareceria ali, naquela hora, por qualquer motivo comum. Antes mesmo de levantar da cama, pensei: alguém morreu.
Meu marido foi atender. Eu fiz o que sempre faço quando o nervosismo me invade: corri para o banheiro. Era como se o azulejo frio e a porta fechada pudessem me proteger do que quer que estivesse por vir.
Quando saí, ele já havia voltado.
— Sua mãe está em Saquarema, na casa da irmã. Passou mal. Está no hospital.
Meus dois filhos dormiam. A casa estava em silêncio, mas dentro de mim algo já gritava.
— Cuida das crianças. Eu vou pra lá ver minha mãe.
Comecei a arrumar uma mala às pressas. Ele tentou me convencer a não ir.
— Não precisa. Sua irmã disse que, quando você chegar, provavelmente ela já vai estar de alta.
O telefone dele tocou. Era minha irmã.
Estranhei. Por que ela ligaria para ele e não para mim?
Ele desligou e repetiu a mesma história: que eu não precisava ir, que não era grave.
Continuei arrumando minhas coisas.
Então ele disse:
— Procura um documento da sua mãe. Ela foi para Saquarema sem identidade.
Parei.
Minha mãe nunca sairia sem documentos. Nunca.
Peguei o telefone e liguei para minha irmã.
Assim que ela atendeu, fui direta:
— O que aconteceu com a minha mãe?
Do outro lado, silêncio. Depois:
— Teu marido não te deu o recado?
— Ele disse que ela estava internada.
Então ouvi o som que nenhuma filha deveria ouvir: o choro quebrado de uma irmã tentando ser forte.
— Carolina… nós perdemos a nossa mãe.
Eu sabia o que aquelas palavras significavam. Mas meu cérebro se recusava a aceitar.
— O quê? — repeti.
— Nós perdemos a nossa mãe.
Ela repetia. Eu repetia.
Até que ele tirou o telefone da minha mão.
Fiquei sentada na beira da cama por uns dez minutos. Ou talvez uma vida inteira. Eu me senti como uma criança de três anos perdida numa feira, olhando ao redor e não encontrando a mão que sempre segurou a sua.
Senti um vazio brutal. Uma dor física no peito. Um rasgo.
Respirei fundo.
Como vou contar para os meus filhos?
Fiz café. Esquentei o leite. Preparei pão com queijo e ovos. A rotina parecia cruelmente normal. A cozinha tinha cheiro de manhã comum, mas nada mais era comum.
Acordei as crianças.
Tomamos café.
Ao final, disse:
— Filhos, a mamãe tem uma notícia muito triste.
Eles se sentaram no sofá. Eu fiquei de frente para eles.
— A vovó estava passeando em Saquarema. Ela passou mal, foi levada para o hospital… mas infelizmente não resistiu.
Eles se abraçaram e choraram. Havia tristeza, mas também uma serenidade que me surpreendeu. Talvez porque o amor que ela plantou neles fosse maior que o medo da morte.
Meu marido ficou com as crianças. Eu precisava fazer o que ninguém queria fazer.
Dar a notícia ao meu pai.
Entrei na casa que, a partir daquele momento, deixava de ser “a casa dos meus pais” para se tornar apenas a casa do meu pai. Eu tinha a chave.
Ele não estava lá.
Comecei a procurar a certidão de casamento — necessária para emitir a certidão de óbito. Enquanto isso, ligava para tios, tias, amigas, primos. Minha mãe era amada. Muito amada.
Quando meu pai chegou e me viu ali, tão cedo, estranhou.
— Quem morreu? — perguntou, direto.
Respirei.
— Minha mãe. Sua mulher.
Ele sentou.
Expliquei como soube: que ela passou mal na casa da irmã, foi levada à UPA, depois transferida para o hospital de Bacaxá. Que, no caminho, teve um infarto dentro da ambulância. Que tentaram reanimá-la. Que não conseguiram.
Ficamos sentados na varanda esperando minha irmã chegar.
Quando o corpo chegou, já era fim de tarde. Foi levado direto para a capela, no mesmo local do sepultamento.
Meu filho ficou em casa com uma prima. Minha filha foi comigo. Meu marido também foi, mas ficou distante. Não me amparou. E, naquele momento, eu não tinha espaço para analisar ausências. Eu só queria me despedir.
Minha filha e eu entramos juntas na capela. No caminho, ela foi abraçar parentes. Eu tracei uma linha reta até o caixão.
Lá estava ela.
Inerte.
Coberta de flores brancas. O rosto pálido, mas sereno. Vestia uma camisa de Nossa Senhora de Fátima, sua devoção maior.
Eu me plantei ao lado dela como uma guarda.
E não saí mais.
Aquela era a última vez que eu estaria ao lado da mulher que me deu a vida e nunca poupou esforços para que eu vivesse bem. O choro começou contido, mas a certeza de que nunca mais teríamos nosso café da tarde juntas me atravessou como lâmina.
Deram-me quatro tranquilizantes.
Nenhum fez efeito.
Nada me tiraria dali.
Quando avisaram que era hora de fechar o caixão, pediram que todos saíssem.
Eu disse:
— Eu não saio. Pode fechar na minha frente.
E assim foi.
Seguimos em procissão até o jazigo. Houve oração. Falaram de Nossa Senhora, como ela gostaria. O caixão desceu.
Aquele era o fim.
As pessoas começaram a ir embora. Mas meus pés não se moviam. Era o último dia. A última imagem. O último adeus físico.
Minha filha, minha irmã e minha prima ficaram comigo.
— Ficamos aqui o tempo que você precisar — disseram.
As horas passaram.
Até que minha prima falou, com doçura:
— Vamos? Já está na hora. Sua filha está cansada. Seu filho te espera.
Olhei para o jazigo e, dentro de mim, falei:
— Mãe, eu ficaria aqui por dias. Mas a vida continua. E eu sei que você ama seus netos. Vou cuidar deles o dobro do que já cuidava.
Respirei fundo.
E fui embora.
Sabendo que, naquele 14 de outubro, às 4h20 da manhã, eu deixei de ser filha no mundo —
mas passei a carregar minha mãe inteira dentro de mim.
ENCONTRO CASUAL
Era a hora sexta
sol do meio dia a pino
Apenas dos passarinhos
ouvia se um hino
o lento sibilar do vento
trazendo frescor e acalanto
Ela na relva a descansar
Desde muito cedo estava a pastorear
Uma pausa para descansar
enquanto as ovelhas
também se deitam a dormitar
De repente atrás de si um leve ruído
Estalar de folhas secas se faz ouvir
Lentamente ele se achega
poucas palavras,
Num lascivo olhar logo a seduz
É que de longe a observava
e uma oportunidade esperava
dela se aproximar
e então se declarar
E assim de mãos dadas
por muito tempo ficaram
Um jeito poético
de mostrar almas juntinhas
prontos a mostrar pro munndo
como era lindo seu amor
editelima 60
Março/2023
Houve uma época em que eu acreditava que sorri apesar de tudo era minha maior qualidade. Hoje eu sei que aceitar as minhas lágrimas e superar os meus conflitos é mais importante do que fingir felicidade.
